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L
a Revista de la Pátria Grande


CONSTRUINDO CAMINHOS/ CONSTRUYENDO CAMIÑOS

Núcleo de adolescentes multiplicadores
Equipe da Secretaria Municipal de Educação

Fotos João Ripper
La Secretaria Municipal de Enseñanza de la ciudad de Rio de Janeiro, en acción conjunta con otros órganos municipales, desde 1995 busca estrategias que favorezcan el florecimiento del diálogo abierto y la conciencia crítica en relación a cuestiones de actualidad entre el numeroso y joven alumnado de su red escolar. Con esa finalidad fueron creados los Nucleos de Adolescentes, que hoy funcionan en 89 escuelas y atienden cerca de 2.800 alumnos. Originalmente destinados a trabajar la cuestión de la sexualidad en la adolescencia, hoy el alcance de los núcleos es mayor, tratando asuntos relacionados al autoconocimiento, pero reconociendo la necesidad de realizar acciones colectivas.


UM COMEÇO DE CONVERSA

A cidade do Rio de Janeiro tem a maior Rede Pública Municipal de Ensino da América Latina. São 1044 escolas, onde cerca de 40 mil professores atendem a 700 mil alunos de Educação Infantil, Ensino Fundamental, Educação Especial e Educação de Jovens e Adultos.

As escolas da Rede estão localizadas em áreas que apresentam uma grande diversidade cultural e sócio-ambiental. É nessa cidade de contrastes que vivem os nossos alunos. Trazem para a escola vivências singulares e, ao mesmo tempo, conhecimentos compartilhados de sua realidade urbana.

Frente a esse quadro, a Escola tem como desafio o papel de mediação de conhecimentos, tendo sempre que considerar que um grande número de informações de diferentes mídias e a complexidade sociocultural entram nas salas de aula através da comunidade escolar – estamos aqui falando não apenas de professores regentes e alunos, mas também de equipe técnico-pedagógica, funcionários, responsáveis, enfim, de todas as pessoas envolvidas com a escola. Dentre os caminhos para enfrentar este desafio, consideramos fundamental haver espaço na escola para um diálogo amplo e aberto às questões de nosso tempo, particularmente para cerca de 240 mil jovens adolescentes matriculados nas 370 escolas de 5ª a 8ª série do Ensino Fundamental. Esta população, maior que de muitas cidades de nosso país, necessita permanentemente da nossa atenção para que, junto à sua comunidade, possa ressignificar o espaço escolar como local de constituição de conhecimentos, do exercício pleno de cidadania e de busca de autonomia.


O QUE SÃO OS NÚCLEOS DE ADOLESCENTES MULTIPLICADORES - NAM?


Para atender à demanda de nossos jovens, a Secretaria Municipal de Educação, através do SME/DGED/DEF – Projetos de Extensão - Meio Ambiente e Saúde e das Coordenadorias Regionais de Educação/CRE, criou, desde 1995, os Núcleos de Adolescentes Multiplicadores - NAM, no sentido de garantir espaços de discussão democrática, que levem a uma postura crítica e reflexiva acerca das questões de seu interesse, com ativa participação dos jovens protagonizando ações que expressam seus direitos e deveres perante a sociedade.

Inicialmente, este Projeto visava ao desenvolvimento de ações conjuntas que trouxessem oportunidades para a reflexão sobre temas relacionados à sexualidade na adolescência, favorecendo a atenção integral a este grupo populacional e foi desenvolvido por professores capacitados em Orientação Sexual pelo Projeto Educarte.

Os três primeiros Núcleos foram formados em 1995, em três escolas municipais, com a participação de 60 alunos.

Passados nove anos, o Projeto de NAMs é uma realidade na Rede Municipal de Ensino do Rio de Janeiro: são 93 Núcleos, em 89 escolas, atendendo, diretamente, cerca de 2.800 alunos de 5ª a 8ª série do Ensino Fundamental. A expansão não se limitou ao número de Núcleos: as temáticas abordadas também foram ampliadas.

Abrir, com os jovens, a reflexão sobre a questão da sexualidade na adolescência acabou por se tornar o início de um trabalho bem mais complexo. Refletir sobre esta questão geralmente leva a pensar sobre saúde sexual, direitos sexuais e reprodutivos, informações sobre o corpo e suas transformações etc. Mas devemos ir além da informação para entendermos melhor nosso trabalho. É importante sabermos quem é esse jovem, como ele se reconhece no seu mundo, como anda sua auto-estima, com o que ele sonha. Como tudo isto está impregnado de valores, refletir sobre eles é uma exigência contemporânea que a Escola deve assumir. Consideramos que tratar temas como preconceito e discriminação, relacionados não apenas às questões de sexualidade, é condição para uma convivência mais democrática. Assim, ao mesmo tempo em que abordamos assuntos relacionados ao autoconhecimento, reconhecemos que deve haver uma articulação com ações coletivas, de participação cidadã.

Temos clareza de que este trabalho, por sua importância, ainda tem uma abrangência limitada, se considerarmos o quantitativo de alunos das escolas de 5ª a 8ª série da nossa rede de ensino. Entretanto, vale destacar uma característica fundamental deste trabalho: nossa proposta é que alunos e professores envolvidos diretamente no Projeto multipliquem suas ações junto à comunidade escolar. As ações de multiplicação garantem uma abrangência expressiva do Projeto.

OS PROFESSORES COORDENADORES E ALUNOS DE NAM


Os Núcleos de Adolescentes são coordenados por professores capacitados por vários projetos que foram desenvolvidos na Rede e pelo Programa de Orientação Sexual e Prevenção ao Uso Indevido de Drogas da Secretaria Municipal de Educação.

Estes projetos possibilitam ao professor uma qualificação da prática pedagógica para lidar com os temas do cotidiano dos jovens e um novo olhar ao lidar com o adolescente. Para coordenar o trabalho do Projeto é solicitado ao professor capacitado, independente de sua área de atuação/disciplina, que apresente o seu projeto para o trabalho com o Núcleo, articulado com o Projeto Pedagógico da Escola e vinculado aos princípios educativos - Meio Ambiente, Trabalho, Cultura e Linguagens - do Núcleo Curricular Básico Multieducação da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. Este projeto é apresentado à Coordenadoria Geral de Educação de sua área e, depois, encaminhado para a equipe de Projetos de Extensão da SME.

Para coordenar um NAM, o professor tem uma dupla-regência, com tempo determinado para atuar em diferentes atividades: junto ao seu núcleo, com oficinas temáticas e ações multiplicadoras; planejamento, pesquisa, participação em reuniões e seminários, sensibilização e multiplicação, junto à comunidade escolar. Todas estas atividades exigem do profissional uma atualização permanente para garantir um trabalho de qualidade.

Fotos João Ripper

Nas avaliações dos professores/2003, temos relatos desta experiência de coordenação de Núcleos de Adolescentes Multiplicadores que reafirmam a importância deste trabalho:

"Os relatos pessoais dos professores [da Escola] acerca da participação dos alunos [do Núcleo] tonificaram a vontade de crescer e de que estávamos criando uma nova mentalidade em torno dos temas discutidos e das polêmicas que promoveram outras discussões... Estou aqui hoje [na reunião de avaliação], porque eles estiveram comigo. Não foi um trabalho, embora tenha recebido por ele, mas uma partilha, uma busca e, principalmente, uma grande descoberta."

"Meu grupo de alunos [do Núcleo] se tornou, após muitas dificuldades, respeitado e querido pela comunidade escolar (nem sempre foi assim). Percebo-os mais autônomos, auto-confiantes, solidários, esclarecidos, participativos e seguros de seu papel social."

"O trabalho não é fácil. Requer de mim, acredito que de todos do Núcleo, um repensar constante de nossos valores e tranquilidade para passarmos para os nossos meninos coisas boas que os façam felizes, mais seguros e informados."


Em meio a inúmeros aspectos positivos do trabalho, temos também dificuldades, que são atenuadas porque buscamos coletivamente as soluções.

Todos nós, professores participantes do Projeto, temos certeza de que, juntos, podemos superar obstáculos, ao assumirmos como compromisso garantir aos nossos alunos um espaço onde possam atuar como elementos transformadores, tornando-se capazes de avaliar criticamente sua própria vulnerabilidade e os riscos que correm com a falta de informações. É um trabalho coletivo onde as diferentes escolhas se apresentam para jovens que criaram para si a oportunidade de traçar seu próprio caminho de forma responsável, com o compromisso por uma vida saudável e cidadã.

Os Núcleos de Adolescentes são formados por grupos de 25 a 35 alunos, de 5ª a 8ª série do Ensino Fundamental, reunidos em horário alternativo às suas aulas do Núcleo Comum e que, através de estratégias pedagógicas como, por exemplo, dinâmicas e debates, são capacitados para sensibilizar outras crianças e adolescentes e demais segmentos da comunidade escolar, utilizando vivências e linguagem próprias, num processo multiplicador das ações.

A concepção que fundamenta o trabalho realizado por professores coordenadores e alunos multiplicadores busca o respeito e a valorização da diversidade cultural e humana, no sentido de promover uma reflexão crítica e aprofundada sobre distorções como o preconceito e a discriminação existentes em nossa sociedade e muitas vezes refletida na Escola.

As ações de multiplicação concretizam-se através da criação de textos e músicas, realização de debates a partir de vídeos, dramatizações, montagem de álbuns seriados, pinturas e colagens, peças teatrais, pesquisas, jograis etc. Estas atividades acontecem no próprio espaço do Núcleo ou em outros espaços para os quais têm sido convidados, numa ação multiplicadora de grande importância, como, por exemplo, em gravações de programas pedagógicos da Multirio e em Seminários – apresentando depoimentos e realizando oficinas. Além disso, participam ativamente no Conselho de Classe e em eventos de suas escolas.

Os encontros de capacitação dos adolescentes multiplicadores ocorrem duas vezes por semana para a realização de oficinas, sensibilização e desenvolvimento das ações multiplicadoras, seguindo uma programação de temas de interesse dos adolescentes como, por exemplo, puberdade e adolescência, questões de gênero, adolescência e sociedade, violência doméstica e urbana, Estatuto da Criança e do Adolescente, ética, prevenção das doenças sexualmente transmissíveis e aids, prevenção do uso indevido de drogas, direitos humanos, educação ambiental, prevenção da violência, cidadania e qualidade de vida.

Os professores coordenadores têm uma preocupação constante em trabalhar a auto-estima, a afetividade e a consciência crítica de seus alunos, adotando metodologia participativa, de forma que os jovens sintam-se responsáveis pelo monitoramento do processo multiplicador, ao mesmo tempo promovendo mudança de comportamento e melhoria no desempenho escolar. De forma geral, estas são as mudanças observadas nos alunos multiplicadores, a partir de avaliações realizadas nestes últimos anos: maior autonomia, maior participação, melhor desempenho nas atividades escolares, melhor relacionamento interpessoal, desenvolvimento da auto-estima, maior solidariedade, maior afetividade, maior responsabilidade nos seus compromissos.

Os alunos multiplicadores, juntamente com o professor coordenador, realizam, ao final do ano, uma avaliação qualitativa do desempenho do grupo e de cada um, considerando aspectos como a reconstruçãode valores, a aquisição de informações, a prevenção, o auto-conhecimento, projeto de vida, emoção e exercício responsável da sexualidade.

A ESCOLA

A implantação do Projeto de Núcleos de Adolescentes Multiplicadores na Escola exige que a escola disponibilize espaço e horário próprios e adequados para a instalação do Núcleo; oportunidades para multiplicação das ações, prioritariamente no espaço escolar; oportunidades de integração do Núcleo às ações desenvolvidas na Escola – grêmio, Conselho Escola-Comunidade, Conselho de Classe e outras; envolvimento da Direção e da equipe técnico-pedagógica, entendendo que a oportunidade de participação no Núcleo de Adolescentes deve ser estendida aos alunos interessados (superando a perspectiva, equivocada, de priorizar a participação de alunos “indisciplinados” ou como forma de “premiação” aos demais); recursos destinados, dentro das possibilidades da UE, à compra de acervo e material para o Núcleo de Adolescentes; acompanhamento do planejamento do Professor Coordenador de Núcleo de Adolescentes por parte da Equipe Pedagógica da UE, das avaliações e da elaboração dos relatórios; estímulo e acompanhamento das ações multiplicadoras.

Fotos João Ripper

ACOMPANHAMENTO E AVALIAÇÃO


O trabalho dos Núcleos de Adolescentes é coordenado, no nível central, pela equipe do E/DGED/DEF Projetos de Extensão - Meio Ambiente e Saúde e, no nível regional, pelas Coordenadorias Regionais de Educação (equipes da Assessoria de Integração e da Divisão de Educação).

O trabalho de acompanhamento e avaliação se concretiza através de reuniões de acompanhamento, centros de estudo, visitas de acompanhamento, relatórios mensais, aplicação de instrumento de avaliação, consultorias às equipes das CRE e professores coordenadores. (NA)



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