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La Revista de la Pátria
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IDÉIAS
EM REDE / IDEAS EN RED
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Juventude
e voluntariado
Vera Maria Candau
Brasil
Jóvenes
que comprometen sus vidas en proyectos sociales y acciones
solidarias, y participantes de organizaciones juveniles
de cuatro países de América Latina retratan una de las
caras de la multiplicidad de las culturas juveniles.
Apesar de vivir sensaciones de incertidumbre e inseguridad
frente al futuro, las experiencias vividas por estos
jóvenes, de abertura hacia los otros y de diálogo con
diversas culturas en pro de la promoción humana y social,
los marca de modo significativo, llevándolos a vislumbrar
un horizonte de trascendencia.
Juventude ou juventudes? Juventude e juventudes? Singular
ou plural? Singular e plural? Hoje é especialmente importante
reconhecer os diferentes rostos, as plurais experiências
da condição juvenil. Como é que nós, adultos, nos situamos
diante da problemática da juventude hoje: consideramos
que se trata de um problema social?, a caracterizamos
como individualista?, indiferente?, pensamos que está
fechada no mundo da violência e das drogas?, que sua
postura contrasta com a dos “revolucionários” dos anos
60 e 70?, acreditamos que tem capacidade de protagonismo
social? Os jovens nos obrigam a recolocar representações,
a encará-los de outra maneira, a deixar que sejam eles
mesmos.
Assumimos a perspectiva que afirma a necessidade de
superar uma visão exclusivamente genérica da temática
da juventude, favorecendo a visibilidade da riqueza
e da pluralidade das culturas juvenis, afirmando também
que é preciso romper com todo sentimento de nostalgia
em relação ao passado e a um modelo idealizado de juventude.
É necessário encarar os/as jovens de hoje em sua originalidade,
como sujeitos capazes de tomar a palavra e ser atores
sociais.
OS/AS JOVENS TÊM A PALAVRA: "UM JOVEM COMO QUALQUER
OUTRO"
Não estamos tentando exprimir as vozes de todos/as os/as
jovens latino-americanos/as. Por um lado, seria uma
tarefa impossível. Escolhemos um grupo: os/as jovens
que participam de organizações juvenis e comprometem
suas vidas em projetos sociais e ações solidárias. Temos
consciência de que são uma minoria, porém em expansão;
este crescimento não é apenas numérico, mas também qualitativo
e em termos de influência na vida social dos nossos
países. Por outro lado, também não seria possível abordar
a realidade de todos/as os/as jovens que têm essas características
e que são cidadãos/ãs dos diferentes países latino-americanos.
No presente trabalho, demos a palavra a 22 jovens do
Uruguai, do Peru, da Bolívia e do Brasil com idades
de quinze a vinte e quatro anos, sendo quinze moças
e sete rapazes, dos quais quinze estudantes – quatro
universitários e onze do ensino médio – e sete trabalhadores
–, e quatro com formação universitária; seis são de
classe popular e dezesseis de classe média.
Além do compromisso com o voluntariado e com seus estudos
e/ou trabalho, esses jovens desenvolvem muitas atividades
nas áreas artística – teatro, música, cinema, pintura,
violão, etc. –, esportiva – futebol, vôlei, basquete,
ginástica, etc. – e religiosa; gostam de ler, conviver
com os amigos, com a família, passear, ir a festas e
se divertir.
Um dos rapazes, universitário de 22 anos, sintetizou
assim o seu estilo de vida:
“Acho que sou um jovem como outro qualquer, com meu
trabalho e meu estudo; pratico esportes, saio com os
amigos para me divertir, procuro namorada, o normal.”
Não são seres extraordinários, nem fazem coisas que
os isolem de seus colegas. Compartilham muitas das realidades
e preocupações de numerosos outros jovens, mas evidenciam
uma clara consciência da situação de forte crise sócio-econômica
que se abate sobre as sociedades em que vivem, bem como
de sua influência sobre a problemática da juventude.
"A
PREOCUPAÇÃO É O FUTURO"
Perguntamos a cada um/a como via a realidade dos jovens
hoje, suas principais inquietações, preocupações, esperança
e sonhos.
O que é comum à vivência dos jovens hoje, segundo os/as
entrevistados/as? Estas palavras de jovens de diferentes
países parecem sintetizar os sentimentos mais profundos
de grande parte da juventude:
“É verdade que há mais preocupações do que satisfações
na realidade em que os jovens vivem. É uma realidade
tão dura e tão complicada que parece difícil fazer algo
para mudar, já que a própria sociedade incita a manter
as coisas como estão e a praticar outro tipo de atividades,
como dedicar-se às drogas, à diversão, ao álcool, etc.“
(moça boliviana, 18 anos)
“Para mim, a preocupação é o futuro, o que vai ser da
nossa vida, o trabalho, o que vamos estudar, como sobreviver
mais adiante e como sobreviver agora na situação do
país”. (moça peruana, 17 anos)
“Problemática, de certa forma, porque vivemos em um
país com uma economia super inconstante, em que não
podemos pensar no amanhã como algo seguro. Tudo é muito
incerto, muito inseguro. Para o jovem, é muito difícil
acreditar que possamos ter um futuro melhor, porque
não sabemos qual vai ser a situação do país amanhã”.
(rapaz brasileiro, 23 anos)
É generalizada a sensação de incerteza e a preocupação
com o futuro diante da situação de crise de seus países.
“Há um sentimento comum de desalento”, afirma um universitário
uruguaio.
Perguntados por seus sonhos, o que mais assinalaram
foi: “todos nós sonhamos em trabalhar e não ser excluídos”;
ter uma profissão, poder estudar, progredir, se superar;
ter uma economia estável, vencer na vida, ter apoio
e orientação; “o sonho de todo jovem é poder contribuir
de algum modo para a nossa sociedade”. A questão do
estudo e do trabalho é o centro da preocupação dos/das
jovens.
O que favorece diferentes construções das identidades
juvenis é a postura diante dos desafios que a realidade
coloca, a capacidade de ser sujeito da própria vida,
de encarar os seus determinantes de forma lúcida e crítica,
de ter uma atitude de passividade ou de busca e luta.
Neste processo, as experiências vividas no sentido da
abertura aos outros, da ampliação dos horizontes de
vida, do diálogo com diversas realidades e culturas
ocupam um lugar de especial interesse.
"O VOLUNTARIADO MARCOU A MINHA VIDA"
Que atividades estes/estas jovens desenvolvem na perspectiva
da solidariedade? Muitas e plurais:
“Dou aulas de informática a crianças e adolescentes
que se organizaram para promover e defender os seus
direitos; eles se chamam ‘brigadistas’, moram nos bairros
distantes do centro da cidade” (moça boliviana, 18 anos)
“Colaboro com a Associação Civil Transparência, que
zela pelo bom funcionamento das eleições, para que não
haja fraudes, todo esse tipo de coisas, pela vigilância
cidadã, pela participação cidadã, pela educação eleitoral.
E também fiquei no colégio, trabalhando nos projetos
de alcance social” (universitário peruano)
“Participo há três anos, no Colégio, de um grupo de
serviço que é voluntário. Por meio dele, damos assistência
a bairros carentes, apoiando no que precisarem de nós:
damos apoio escolar, vamos brincar com crianças nas
creches, ajudamos nos restaurantes populares, etc. Esse
grupo, de pessoas da minha geração, dá assistência a
uma residência para mães adolescentes”( moça uruguaia,
17 anos)
“Participo de um projeto de lazer para crianças e jovens
da favela” (universitário brasileiro, 23 anos)
As ações em que eles colaboram estão voltadas para os
grupos mais empobrecidos da sociedade e têm como objetivo
principal a promoção humana e social. O horizonte em
que se situam é o da formação humana e da transformação
social. Não se limitam a uma dimensão assistencial,
e tentam promover um olhar diferente sobre a realidade,
um estilo distinto de relações humanas e de construção
de cidadania.
Em geral, as motivações que levam os jovens a se comprometerem
com este tipo de atividades têm a ver com a experiência
familiar e escolar. Estas duas áreas são especialmente
significativas para o desenvolvimento de preocupações
neste sentido. As motivações podem ser bem variadas:
fazer alguma coisa que leve à procura de alternativas;
a curiosidade de conhecer mais profundamente a realidade;
descobrir aspirações e formas de vida; crescer como
pessoa; colaborar com o que for necessário; poder trazer
o seu grãozinho de areia; sentir a satisfação de ter
feito algo por sua cidade, pelas pessoas; prestar um
serviço social valorizando cada pessoa; contribuir para
a diminuição da violência e da injustiça; dar esperança
às pessoas, escutá-las; descobrir tanto a si mesmo como
a outras pessoas; sentir-se útil... caminhar com Deus;
ajudar a mudar, não trabalhando com assistencialismo,
e sim com vistas à mudança, à ação; ensinar cidadania.
A solidariedade nasce do movimento de descentrar-se,
de olhar a realidade dos outros, em especial a dos mais
empobrecidos; nasce da superação da tendência, tão presente
em nossas sociedades, a encarar o outro como ameaça
ou como alguém a ser tolerado. Estas posturas são a
base de diversas formas de exclusão do outro e de sua
negação.
Com essa perspectiva, a solidariedade é impossível.
Para que seja possível, é preciso romper com essa mentalidade,
criar pontes entre diferentes mundos e experiências
de vida e construir redes de troca e apoio mútuo com
vistas a construir uma nova realidade mais humana e
justa, na qual todos tenham o seu lugar com dignidade.

O que a experiência da solidariedade traz aos jovens?
As declarações dos/das jovens como resposta a esta pergunta
foram especialmente ricas e expressivas:
“O voluntariado é uma experiência muito bonita, em que
aprendemos muitas coisas, crescemos como pessoas, valorizamos
mais tudo o que temos e nos valorizamos a nós mesmos,
vemos a realidade em que vivemos como possibilidade
para torná-la mais justa. Assim podemos construir uma
sociedade melhor e mais justa.” (moça boliviana, 18
anos)
“É a partir dessas experiências que me dou conta de
que não é necessário ter dinheiro, de que não é necessário
ter uma profissão, de que não é necessário ser maior
de idade para poder fazer algo, de que não é necessário
receber uma remuneração para entregar-se ao máximo em
um trabalho, de que quem quer fazer as coisas pode mover
montanhas. De que não há problema nisso, de que se você
estiver convencido, se estiver firme em suas convicções,
pode mudar mentalidades, pode mover montanhas, como
eu disse. Pela projeção social, você percebe que o seu
mundo não é o colégio, nem o da sua casa; que, ao redor
da sua cidade, você tem outro mundo, outro planeta...
que não nos é muito próximo porque fica um pouco longe
e tudo, mas que está muito perto, está relativamente
próximo, que basta levantar um pouco a cabeça para poder
ver facilmente”. (universitário peruano)
“A ruptura da bolha em que fui criado e o reconhecimento
de outras realidades e de valores que foram se formando
com muita força em mim fizeram com que eu seja quem
sou hoje em dia. Pelas razões de como me construíram
e por testemunhos que compartilhei, acredito que é importantíssimo
que os jovens com possibilidades façam a experiência
do serviço”. (universitário, uruguaio)
“Significa muito, porque é importante que o jovem participe
de grupos, de movimentos, porque muitas vezes é difícil
mudar alguma coisa de forma solitária. Assim consegue
atuar mais na sociedade, em grupos maiores, e isto significa
muito para mim”. (universitário brasileiro)
A experiência do voluntariado e da solidariedade não
deixa ninguém indiferente. Como afirma um dos jovens,
marca a vida de modo significativo. A pessoa vivencia
a si mesma de outra maneira. A solidariedade não é só
um fazer. É sobretudo um estilo de ser, de conviver,
de encarar a realidade, de conhecer, de situar-se diante
do mundo, de sentir, de conceber-se como pessoa e como
ator social. A solidariedade se situa em um horizonte
de transcendência. Convida-nos a ser co-responsáveis
pelo mundo e pelo planeta que estamos construindo. Convida-nos
a celebrar a vida e a cuidá-la. (NA)
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