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La Revista de la Pátria
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Profissão:
professor/a
Menga Lüdke Rio de Janeiro - Brasil

La figura del profesor continúa ocupando un espacio
central en la sociedad como mediador, heredero, intérprete
y crítico de su cultura junto a los iniciantes. Uno
de los mayores problemas a ser superados en la formación
docente universitaria es la relación teoría-práctica,
debiendo explorar más el lado práctico o técnico del
futuro profesor. Otro requisito para la formación docente,
es la urgente conscientización del profesor sobre el
papel de las organizaciones colectivas junto a los órganos
de gobierno. Al contrario de lo que sucede con otros
profesionales, el profesorado viene siendo historicamente
regido y controlado por poderes externos a él.

O tema proposto representa um desafio irrecusável.
Vou tentar enfrentá-lo a partir de minha experiência
de vida e de trabalho como professora e pesquisadora.
Como tenho pesquisado sobre questões ligadas à profissão
docente, é sobre elas que vou basear minha contribuição
para o debate.
PROFISSÃO:
UM CONCEITO CONTRADITÓRIO
Logo de início, é preciso lembrar que o próprio conceito
de profissão não representa uma unanimidade de concepções
entre seus estudiosos, especialmente no campo da sociologia.
Ele tem uma longa história, evoluindo das corporações
medievais, nas quais a aprendizagem dos ofícios se fazia
pela longa convivência entre o aprendiz e seu mestre,
até as profissões liberais da época atual, cuja preparação
exige longos e aprofundados estudos, realizados em instituições
especializadas, em geral situadas no nível da educação
superior.
As controvérsias entre os estudiosos, a propósito do
conceito de profissão, giram em torno dos elementos
que entram na sua composição, não havendo um acordo
pleno entre eles sobre quais desses elementos são mesmo
essenciais, imprescindíveis para que se considere determinada
ocupação como uma verdadeira profissão. Consegue-se
estabelecer um certo consenso apenas ao redor de dois
componentes de uma profissão: uma prestação de serviço
ao público, pelo qual se recebe uma remuneração e que
exige uma preparação especifica, já que se trata de
um serviço também especifico, reservado, portanto, àqueles
que se prepararam para ele. Há vários outros traços,
na composição de uma profissão, que são intensamente
discutidos, como mostra a literatura pertinente, mas
que não mencionarei aqui, embora sua discussão seja
muito interessante.
Basta a indicação dos traços mencionados para se visualizar
a situação vulnerável na qual se encontra a “profissão
docente”, que prefiro deixar entre aspas, para assegurar
que minhas próprias dúvidas a respeito não me permitam
emitir uma opinião definitiva sobre o assunto. No caso
do Brasil, além dos problemas gerais, há a questão específica
dos vários caminhos aceitos para a preparação do professor,
em instituições de nível médio (Escolas Normais) ou
de nível superior (universidades, instituições isoladas,
Curso Normal Superior, Instituto Superior de Educação)
e ainda um enorme contingente de professores sem a devida
qualificação, mesmo mínima (250 mil, segundo dados do
MEC).
Essas dúvidas não me impedem, entretanto, de reconhecer
a importância da profissão docente, com ou sem aspas,
e do processo de profissionalização do professor. Um
sinal, entre muitos outros, é suficiente para ressaltar
de modo claro a importância dessa ocupação, no conjunto
das profissões hoje existentes: todas elas, ou melhor,
todos os seus profissionais dependem do magistério no
momento de sua iniciação às primeiras letras. Embora
se possa admitir casos raros de crianças que tenham
essa iniciação no ambiente doméstico e ainda que devamos
reconhecer a importância do papel dos meios tecnológicos
hoje a serviço do processo de aprendizagem, ainda assim,
a figura do professor continua ocupando um espaço central
nesse processo. É ele que recebe da sociedade o mandato
de mediador, herdeiro, intérprete e crítico de sua cultura
junto aos iniciantes, como expressa de modo muito feliz
um autor canadense, cujo artigo será brevemente publicado
no Brasil (GAUTHIER e MELLOUKI, 2004). O professor continua,
a meu ver, exercendo essas funções fundamentais e para
tanto é preciso que receba uma preparação à altura.
A FORMAÇÃO DE PROFESSORES
A preparação para o exercício de qualquer profissão
e para o desenvolvimento profissional de seus integrantes
se desenrola em duas dimensões básicas: uma relativa
aos próprios indivíduos que dela participam, outra externa
a eles, relativa ao meio social onde se inserem, que
vou denominar contextual. Entre esses dois pólos se
desenvolve a profissão e cada indivíduo vai compondo
sua identidade profissional, num jogo que envolve suas
próprias características pessoais e as influências do
grupo social com o qual convive, com suas expectativas
e demandas sobre cada um dos participantes, e as reações
destes, num processo relacional muito bem analisado
por Dubar (1997). Além desse contexto, que cerca de
imediato o trabalho do profissional, há uma dimensão
contextual bem mais ampla, composta por toda a sociedade
organizada e pelo Estado que a representa, com suas
legislações, normas e regulamentações, cuja incidência
recai em cheio sobre o exercício de todas as profissões,
ainda que haja notáveis diferenças nos graus da influência
que exercem sobre cada uma delas.

Veremos logo como isso afeta especialmente a profissão
do educador. Antes quero analisar brevemente as questões
envolvidas na preparação do profissional da educação,
em sua dimensão que chamei de individual, para responder
ao desafio lançado pelo tema proposto. É importante
que a formação desse profissional comece por assegurar
um bom domínio da área especial à qual irá consagrar
seu trabalho docente. Em sua tese de doutorado, Cecília
Borges analisa o depoimento de professores da educação
básica (5ª a 8ª séries), sobre a importância dos conhecimentos,
ou melhor, dos saberes que compõem o arsenal com o qual
trabalham em suas escolas (Borges, 2002). Embora indiquem
o domínio dos conhecimentos específicos de sua área
como essencial, esses professores logo indicam também,
como indispensáveis, os conhecimentos relativos ao processo
de trabalho docente, ao currículo a ser desenvolvido,
à própria estruturação da instituição escolar, ao chamado
“domínio de turma”, à legislação vigente, enfim, a todo
um conjunto de saberes dos quais o professor precisa
dispor nos momentos mais inesperados, ou no cotidiano
regular da sala de aula e da escola.
O que fica patente no depoimento dos informantes, e
mesmo para eles é surpreendente, pois nunca tinham se
dado conta antes de serem questionados pela entrevistadora,
é que boa parte dos conhecimentos, que consideram imprescindíveis
ao seu trabalho docente, foram adquiridos justamente
ao longo desse trabalho, no convívio com colegas e com
os próprios alunos. Trago esse testemunho para lembrar
a importância da consideração de todos os tipos de saberes
na preparação de professores, não só quando se trata
da formação pré-serviço, que gosto de chamar “apenas
inicial”, para não atribuir a ela expectativas de formação
que só poderão ser satisfeitas ao longo da experiência
profissional, como bem analisa Tardif (1991 e 2000).
O processo de socialização profissional, que se inicia,
ao longo da preparação pré-serviço, só pode se completar
após a entrada do profissional iniciante em sua vida
de trabalho regular, por vezes feita de maneira dolorosa,
como analisa a dissertação de Freitas (2000). O professor,
ou melhor, a professora, recém formada pela universidade,
chega à escola de educação básica e, muitas vezes, se
vê designada para uma turma de alunos “difíceis”, repetentes,
com problemas de aprendizagem e atraso na trajetória
escolar. Seu desempenho, provavelmente, também vai
ter problemas e seu “rendimento”, em termos de aprovações,
será sofrível. Ela não recebeu preparação prévia específica
para lidar com essa situação e nem sequer foi alertada
para o desafio dessa fase do processo de socialização
profissional, que encontraria ao começar a lecionar.
Não posso me alongar na discussão dessas questões tão
vitais na formação do educador, trazidas especialmente
para introduzir o debate sobre um aspecto que considero
particularmente importante nessa formação. Trata-se
da preparação do lado prático, ou técnico, do futuro
professor, deixado um tanto à deriva, quando essa preparação
passou a ser atribuída primordialmente à universidade.
Não há dúvidas sobre a legitimidade dessa atribuição.
É a universidade que pode oferecer as melhores condições
para que o futuro educador entre em contato com a produção
de conhecimentos, em suas diferentes áreas e possa ser
introduzido na formação para as atividades de pesquisa,
indispensável na preparação de todo profissional, de
modo especial o educador. Ela será responsável pela
introdução de seus alunos, futuros integrantes de todas
as profissões, na compreensão e no interesse pela prática
da pesquisa. No caso do professor, a prática da pesquisa
(ou pelo menos a sua possibilidade) representa uma garantia
de acesso à construção do conhecimento, distanciando-o
do estigma de mero repetidor de conhecimentos produzidos
por outros. Ela representa também a segurança de que
o professor semeará proficuamente a idéia inicial de
pesquisa entre todos os seus alunos.
LIÇÕES DA EXPERIÊNCIA
Voltando ao aspecto que chamei de prático, ou técnico,
acho que podemos extrair lições da experiência vivida
pela velha e boa Escola Normal, que sabia lidar muito
bem com esse lado da formação de futuros professores.
Talvez porque ela tratasse exclusivamente da preparação
de professores de um dos níveis de ensino, o primário,
conseguia executar sua tarefa com bastante êxito, como
atestam várias pesquisas, entre as quais a de Shaffel
(1999), que focaliza professoras primárias formadas
nas décadas de 30,40,50 e 60. Todas as entrevistadas
deram testemunho de terem recebido uma formação, segundo
elas, bastante satisfatória, para enfrentarem os inúmeros
obstáculos que todas narraram terem encontrado (e vencido!)
em suas carreiras profissionais. É certo que muitos
fatores mudaram ao longo dos anos desde então. A Escola
Normal não é mais a mesma, nem sua clientela, nem os
alunos para os quais ela preparava professores. Não
é possível aprofundar aqui a discussão desde ponto bastante
complexo. Quero, porém, deixar assinalada minha impressão
de que nele pode residir uma chave para o enfrentamento
de um problema muito mal equacionado na formação de
professores pela universidade e que, de maneira muito
sumária, poderíamos resumir como o das relações entre
teoria e prática.
Tratando agora do lado contextual do processo de profissionalização
dos professores, reconheço que há urgência no tratamento
dessa importante questão junto aos professores, tanto
em sua formação pré-serviço, como naquela que se continua
ao longo de sua trajetória docente. É fundamental que
eles conheçam todas as implicações desse processo e
possam, assim, reinvindicar as condições indispensáveis
para seu melhor encaminhamento. A conscientização
como profissional vai alertar o professor, e o futuro
professor, sobre o papel das organizações coletivas
junto aos órgãos governamentais, que estabelecem as
leis, normas e regulamentações que regem a carreira
e as condições de trabalho do grupo ocupacional docente.
É Nóvoa (1991), dentre outros autores, que esclarece
muito bem como esse grupo vem sendo, ao longo da história,
regido e controlado por um poder externo a ele, contrariamente
ao que ocorre com outros grupos profissionais.

Em conclusão, gostaria de ressaltar a importância da
conscientização profissional do educador, dentro de
uma perspectiva que reconhece o valor do seu papel na
sociedade atual. Ele continua o grande iniciador de
todos os futuros profissionais, sendo responsável pela
passagem da herança sociocultural, à qual todas as crianças
têm direito, como membros da sociedade. Embora haja
muitos fatores hoje concorrendo, é o professor que vai
orquestrando esse processo, fundamental para uma participação
equalitária de todos os cidadãos, iniciando-se com força.
(NA)
BORGES, C. M.. O professor de educação básica de 5ª
a 8ª série e seus saberes profissionais. 2002. Tese
(Doutorado em Educação) – Pontifícia Universidade Católica
do Rio de Janeiro.
DUBAR, C.. A socialização: construção das identidades
sociais e profissionais. Porto: Porto Editora, 1997.
FREITAS, M. N. de C. A socialização profissional de
professores iniciantes. 2000. Dissertação (Mestrado
em Educação) – Pontifícia Universidade Católica do Rio
de Janeiro.
GAUTHIER, C e MELLOUKI, M L'enseignant et son mandat:
médiateur, héritier, interprète, critique. Aprovado
para publicação na revista Educação e Sociedade nº 87.
NÓVOA, A. Profissão professor. Porto: Porto Editora,
1991. TARDIF, M. et al. Os professores face ao saber:
esboço de uma problemática do saber docente. Teoria
&Educação, n.4, 1991.
TARDIF, M. Saberes profissionais dos professores e conhecimentos
universitários. Revista Brasileira de Educação, Rio
de Janeiro, n.13, p.5-24, jan./fev./mar./abr. 2000.
SHAFFEL, S. L. O Instituto de educação do Rio de Janeiro
e a construção de uma identidade profissional( 1930-1960).
1999. Tese ( Doutorado em Educação) – Pontifícia Universidade
Católica do Rio de Janeiro.
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