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L
a Revista de la Pátria Grande


EM DESTAQUE / EN DESTAQUE

4ª Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes
Adélia Maria Koff
Rio de Janeiro - Brasil


No mês de abril deste ano, durante 4 dias, distribuídos em diversos simpósios, conferências, painéis e mesas redondas, representantes de 5 continentes, cerca de 2.600 pessoas, participaram da 4ª Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes, discutindo diferentes questões sobre a produção e a utilização da mídia, concebida especificamente para esse público.

Planejado por um grupo de organizações brasileiras com experiência na área, era a primeira vez que um evento dessa natureza estava acontecendo na América Latina, com uma representação latino-americana muito significativa, pois era claro o objetivo de mostrar a amplitude e a consistência do pensamento latino-americano sobre as questões em pauta. A África também se fazia representar de modo significativo. Era explícito o desejo de demonstrar que os chamados países periféricos têm condições, reflexão e produção para manter o diálogo com os países mais ricos.

Alguns temas foram considerados essenciais e relevantes, tendo em vista a concepção, criação e utilização da mídia para crianças, adolescentes e jovens no contexto atual. Podemos enumerar alguns desses temas ou conceitos que marcaram as intervenções e discussões de modo significativo. São eles: relação entre globalização e localização; globalização, igualdade, e desigualdade; identidade, diferença, pluralidade cultural, multiculturalismo e interculturalismo; pluralidade de linguagens; relação entre educação e entretenimento; ética e mídia; violência na mídia; mídia, estilos de vida e consumo; educar pela mídia, mas principalmente educar para a mídia, entre outros.

Cumpre destacar a realização das conferências de Ana Maria Machado – brasileira, educadora, com inúmeros prêmios na área de literatura infanto-juvenil, membro da Academia Brasileira de Letras - e de Nestor Garcia Canclini – argentino, antropólogo, professor e pesquisador da Universidade do México. Foram conferências marcadas pela defesa da necessidade da mídia criar estratégias, abrir espaços, promover o diálogo intercultural, contrariando sua tendência à homogeneização.

Uma idéia fundamental marcou as diferentes intervenções: a necessidade e a importância de abrir espaços na mídia para a voz e/ou a cultura de referência das crianças, adolescentes e jovens e toda a sua diversidade, bem como abrir espaços para a produção realizada por essas crianças, jovens e adolescentes. Nesse sentido, cabe destacar a realização paralela do Fórum das Crianças, Adolescentes e Jovens de todo o mundo, onde eles/as tiveram a oportunidade de vivenciar a produção de diferentes mídias, experimentar novas tecnologias e linguagens, bem como de debater suas inquietações e/ou preocupações e apresentar sugestões, no sentido do aperfeiçoamento da produção e uso da mídia a serviço de suas necessidades e interesses.

Merece destaque a exibição de um documentário produzido em março de 2004 por jovens da Indonésia sobre a situação das crianças no Iraque (eles/as viajaram para registrar a situação e levar sua solidariedade) não só pela competência com que foi produzido, mas principalmente pelo seu significado e objetivo. Foi emocionante constatar a sensibilidade do olhar e o compromisso daqueles/as jovens (talvez nenhum adulto fizesse melhor) com uma realidade tão triste, dolorosa e, ao mesmo tempo, tão distante da própria realidade vivida por eles/as. Era um documentário denúncia, mas também um documentário que tinha a função de provocar e mobilizar outros/as jovens para o engajamento e compromisso com a construção de um mundo melhor.

Foram elaboradas 2 cartas (dos jovens e dos especialistas), contendo recomendações (havia muitos pontos convergentes) para a formulação de políticas públicas, referentes à produção e utilização de mídia para crianças, adolescentes e jovens. As cartas foram entregues aos representantes do Prefeito do Rio de Janeiro e do Presidente da República do Brasil para serem encaminhadas aos governos dos diferentes países participantes.

A 5ª Cúpula vai acontecer em 2007 na África do Sul, cuja representante, assim que eleita, convocou todos os demais países africanos presentes a integrarem a comissão organizadora do referido evento.




ADOLESCENTES: AS ESTRELAS DO EVENTO

Trabalhem conosco, não para nós. Queremos, sim, uma mídia de todos, uma mídia para todos, mas, principalmente, uma mídia por todos. Este foi o recado que os adolescentes deixaram para os participantes da 4ª Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes.

Ender Ceballos, da Venezuela, durante o encerramento da reunião, subiu ao palco com outras crianças fantasiadas e rostos pintados, e pediu para que a platéia ficasse de pé e assumisse, numa espécie de juramento, o compromisso de trabalhar em conjunto com crianças e adolescentes para produção de mídia de qualidade. “Estou aqui representando os jovens da Venezuela e de todo mundo”.

“Queremos uma mídia feita por adultos e adolescentes: uma mídia de todos, para todos, por todos”, completou a malaia Marisha Shakil. “Não queremos que vocês trabalhem para nós, mas que trabalhem conosco. Se você der um papel em branco para uma criança ela vai fazer um desenho lindo. Mas se você fizer com ela, os dois farão uma obra-prima”.

Khairul Azri Sabri, jovem malaio ratificou: “Se vocês nos ensinarem a amar, amaremos. Se vocês nos ensinarem a brigar, brigaremos. E se vocês nos deixarem livres para praticar o que pensamos, voaremos”, disse o jovem, falando pela primeira vez em português. ”Falo em português, porque como crianças amamos nossos amigos”.

Fonte: www. riosummit2004.com.br


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