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La Revista de la Pátria
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Ser
educador/a: um desafio/un
desafío
permanente
SONIA KRAMER
Professora da PUC-Rio; Coordenadora do Curso de
Especialização em Educação Infantil; Autora de livros,
entre outros, “Por entre as pedras, arma e sonho na
escola: leitura, escrita e formação de professores”;
“Alfabetização, leitura e escrita: formação de professores
em curso”; Histórias de Professores: leitura, escrita
e pesquisa” (Ed. Ática); “Infância, educação e direitos
humanos” (em co-autoria) Cortez Ed.
Profesora de la PUC- Río; Coordinadora del Curso de
Especialización en Educación Infantil; Autora de libros
como "Por entre las piedras, arma y sueño en la escuela:
lectura, escritura y formación de profesores"; "Alfabetización,
lectura y escritura: formación de profesores en curso";
"Historias de Profesores: lectura, escritura e investigación"
(Ed. Ática); "Infancia, educación y derechos humanos"
(en co-autoría) Cortez Ed, entre otros.

NA - Professora Sônia, vivemos hoje situações
difíceis, tempos difíceis, um contexto cheio de
problemas, crises éticas, ambientais, políticas,
de toda natureza. Ao mesmo tempo, estamos vivendo
um mundo de grandes transformações. Neste contexto,
qual seria, então, o papel do educador?
Sonia Kramer - Nossos tempos são mais difíceis
do que outros? Talvez a consciência de que, na
história, todos os tempos tenham sido muito difíceis
pode ser um alento para nos sentirmos participantes
desse mundo, como homens, mulheres, jovens e crianças.
Provavelmente nunca tivemos tempos fáceis... Mas
isso não resolve o problema de que são sim tempos
difíceis e de que é preciso entender o contexto
em que nos situamos. A estrutura econômica desigual
da sociedade brasileira, a alta concentração de
renda, a lentidão da reforma agrária, os problemas
resultantes de uma história de exclusão foram
recentemente agravados pelas mudanças no mundo
do trabalho e pela conjuntura internacional. Perdemos
uma sociedade do bem estar que nunca tivemos.
Nossa população continua sem acesso a bens materiais
primários, os índices de mortalidade permanecem
altos, os serviços de saúde de qualidade, a garantia
da habitação, condições de saneamento e de trabalho
são ainda sonhos que queremos ver realizados.
Também o acesso à produção cultural e a valorização
da cultura produzida nas relações sociais não
se concretizou. Aliado a isso, temos a ação da
mídia que generaliza e dissemina as informações,
mas que não favorece grande parte das vezes a
compreensão de mecanismos e processos. O fato
é que professores formados nas últimas décadas
passaram por escolas situadas nestas condições,
escolas pobres para pobres, e que historicamente
tiveram dificuldade de lidar com a pobreza e com
a diferença. Assim, estamos diante de uma situação
em que os professores muitas vezes precisam ensinar
o que não tiveram a oportunidade de aprender,
embora fosse seu direito e embora tenham permanecido
na escola nos anos da escolaridade obrigatória
e até mais. Para que seja possível educar
precisamos realmente aprender junto com as crianças,
jovens e adultos com os quais trabalhamos.
São vários os paradoxos desses tempos em que vivemos.
Um deles é a facilidade (aparente) de acesso à
informação pelos mais diversos modos. Para mim,
o papel do educador, hoje, é o de formação. Não
falo só de formação profissional de professores,
mas de formação no sentido de viver, transmitir,
ensinar, compartilhar valores, princípios, práticas,
onde as questões específicas do ser humano possam
ser aprendidas. O que parece tornar nossa consciência
desse tempo mais difícil é a idéia de que nós
não nos reconhecemos nesse tempo. Olho para o
mundo e pergunto: que mundo é esse que parece
que eu não sou parte dele? Por que ele é tão diferente
do que eu gostaria que fosse? E quais as condições
de ser educador hoje? Quando falo educador, me
refiro aos professores e profissionais de educação
que atuam na gestão da escola e em outros espaços
educativos. Todos têm sua ação relacionada com
formação, e não só com informação e, nesse contexto,
meu ponto de vista é o de que os educadores precisam
catalisar práticas, disseminando valores de solidariedade,
de generosidade, aceitação e compreensão do outro,
de preocupação com o outro, práticas sociais e
culturais que propiciem conhecimento e criação
coletiva.
NA - Creio que você já está nos remetendo
para a idéia de que o educador atua em vários
espaços - em movimentos sociais, na escola, em
instituições culturais. E parece que você destacou
o papel dele na questão dos valores. Assim, perguntamos:
o que seria comum e o que seria específico em
relação ao papel do educador, tendo em vista a
sua participação nesses diferentes espaços?
Sonia Kramer - Destaquei os valores para
fazer um contraponto com a informação. Mas não
só valores. Outro aspecto importante é o conhecimento.
Tradicionalmente o educador é visto como alguém
que atua dentro da escola. Como militante de movimentos
sociais em defesa da educação infantil e de políticas
de infância, mantenho os pés no chão da escola
e de outros projetos e aprendi a identificar nesses
espaços a atuação do educador, tanto em ações
de caráter institucional e de natureza cultural,
realizadas em museus, cinemas, teatros, bibliotecas,
quanto em trabalhos de caráter social, de iniciativa
comunitária, em creches, pré-vestibulares, etc.
Em todos, identifico como central o papel do educador,
trabalhando junto com e aprendendo com.
Olhemos para essa questão, primeiro do ponto de
vista de espaços públicos, e, em seguida, no que
se refere a iniciativas da sociedade. A função
do educador dentro de espaços como bibliotecas,
museus, cinemas, teatros, grupos de música ou
dança, etc., é potencializar as ações de forma
a efetivamente beneficiar a população - crianças,
jovens e adultos. Exemplifico com a situação da
biblioteca, um verdadeiro desrespeito à democratização
do saber e da cultura: hoje no Brasil, de acordo
com a legislação, toda biblioteca deve dispor
de um bibliotecário, formado em nível superior.
Num país sem bibliotecas, essa exigência, além
de amarrar a expansão, faz com que as escolas,
não podendo ter bibliotecas, mantenham salas de
leituras. Aqui, a atuação dos educadores é essencial
para formar leitores, organizar salas, rodas ou
círculos de leitura, etc.
Mas é também fundamental a atuação dos educadores
nos movimentos sociais, em atividades de iniciativa
da população. A origem de tais iniciativas é o
fato do Estado, historicamente, ter sido omisso
em uma série de situações. A população sofre
situações de violência, por conta do tráfico de
drogas e, sem serviços básicos de educação e saúde
precisa se virar para desenvolver um trabalho
que não foi desenvolvido pelo Estado. Então
a sociedade se organiza(ou) para ter aquilo que,
apesar de ser seu por direito, lhe é (foi) sonegado.
Nesses espaços, é visível a inserção de educadores
aprendendo com a população, mas também, com certeza,
levando instrumentos teóricos e práticos para
apoiar e multiplicar essas iniciativas.

NA - É o educador como um agente cultural
e social?
Sonia Kramer - O educador tem um papel
específico em relação à formação científica e
cultural, mesmo que não esteja na escola, um papel
ligado à formação e à garantia de um direito básico,
a escola e o conhecimento. Digamos que uma comunidade
tomou a iniciativa e estruturou uma creche comunitária;
nela o educador se insere para apoiar, orientar,
discutir, para montar e também organizar aquele
espaço. É uma inserção contraditória: o educador
dá subsídios pedagógicos para que a ação funcione
de modo coerente com os valores e objetivos daquele
grupo, e ao mesmo tempo, trabalha sabendo que
é direito daquela população ter a creche pública,
mobilizando para que esse direito se torne fato,
favorece o acesso da população às informações
e mecanismos necessários para encaminhar as ações,
instrumentaliza para que as soluções sejam encontradas
enquanto o Estado não está ali, mas sabendo dos
direitos da população de reivindicar, bater na
porta do prefeito para ter aquele serviço público
que deveria ser oferecido pelo Estado. Vejo a
especificidade do papel do educador, nessa dupla
perspectiva. Por outro lado, fora da escola, o
educador tem papel importante na formação cultural
e científica, valorizando as várias formas de
saber e favorecendo o acesso ao conhecimento e
à cultura (ainda que não tenhamos tanta clareza
do que isso inclui), trabalhar com diferentes
culturas que estão em interação. Para fazer isso,
o educador precisa considerar o conhecimento produzido
na pesquisa em educação, produzido na universidade,
para que também esse conhecimento se torne acessível
à maioria da população.

NA - O que você gostaria de destacar, de
chamar a atenção, no caso da ação do professor,
do educador na escola?
Sonia Kramer - Na escola, a função básica
seria a do professor, mas a escola, cada vez mais,
amplia o seu papel e passa a assumir – na sociedade
contemporânea – além do ensino tarefas que, tradicionalmente,
deveriam ser assumidas pela família, pela comunidade,
diante das novas formas de sociabilidade. O mundo
parece tão difícil pela desumanização progressiva
e pelo isolamento, pelo individualismo, que a
escola precisaria se preparar para assumir esse
papel ampliado. Porque se nós olhamos para a realidade
brasileira, vemos uma população empobrecida, desemprego,
aumento de gravidez entre jovens, aumento de mulheres
jovens chefes de família, quando pensamos no que
seria o papel tradicional da família e da que
escola (cuidando especificamente do ensino ou
do conhecimento), parece que falamos de uma escola
hipotética. A população de rua, excluída e que
vive situações de violência, está na escola. Também
os professores sofrem esse empobrecimento, principalmente
professores do ensino fundamental. Em países como
os nossos, como pode um professor ou uma professora,
sofrendo as conseqüências de suas condições precárias
de vida e de trabalho, exercer esse papel ampliado?
Não adianta dizer que a família deveria fazer
coisas que ela não tem condições de fazer ou não
faz; precisamos assumir que é papel da escola
e, ao mesmo tempo, assumir que há limites para
exercer esse papel. Isso nos torna mais realistas:
o otimismo é necessário para nos ajudar a olhar
para a situação que é difícil e deslocá-la para
esse lugar de realismo. As pessoas que trabalham
na escola são tão jovens, muitas são adolescentes,
e têm elas próprias dificuldades de agir com e
para a população que chega na escola. Quando penso
no conhecimento produzido sobre esses problemas
e nas possibilidades que este espaço oferece para
o trabalho educativo, reconheço na escola uma
instituição privilegiada; minha posição é otimista
e isso me desloca do pessimismo para as contradições
da situação real. Porque a realidade não é
nem tão dura, cristalizada, parada quanto o que
as dificuldades fazem supor, nem tão flexível,
maleável como nossos desejos e sonhos de uma sociedade
justa gostariam que fosse. E é nesse balanço,
nessa dinâmica, nessa dialética entre o desejado
e o possível que podemos encontrar formas interessantes
de intervir, de agir, de agir necessariamente
de maneira coletiva, buscando condições de efetivar
a mudança. Vejo a escola como esse lugar privilegiado
para viver e exercer a utopia.
Outro aspecto a considerar é o de que hoje temos
uma concepção da criança como sujeito do conhecimento,
sujeito da ação, criativa. No entanto, às vezes,
parece que para essa criança ser olhada como sujeito,
o adulto acha que ele tem que desocupar o seu
lugar de adulto. Esta questão afeta a escola,
está no centro das relações instituídas na escola.
Nessa sociedade fragmentada e com tantas informações
circulando, há situações que os adultos vivem
pela primeira vez junto com as crianças. E isso
é inédito na história humana porque o que caracterizava
um adulto é sua experiência mais consolidada,
refletida, podendo orientar, expor, aconselhar.
Hoje, devido às tecnologias, à mídia, em função
das novas demandas do mundo do trabalho, ou das
inovações, o adulto vive situações pela primeira
vez junto com as crianças. Lembremos do atentado
terrorista de 11 de setembro de 2001: como o adulto
pode responder a algo que nem entendia? Muitos
exemplos podem ser citados: situações relativas
à guerra, à violência em geral, situações relativas
ao rompimento de valores, à quebra de costumes.
Isso é desconcertante para os adultos. Nesse contexto,
o papel de autoridade do professor em particular
e do educador em geral funciona como exemplo que
acentua ou atenua essa situação, tanto na escola
quanto em outras instituições.
Hoje o que seduz é ser jovem; a experiência é
desvalorizada e velho se tornou adjetivo pejorativo.
Também na escola o professor precisa assumir seu
lugar de educador, lugar de adulto, da autoridade,
da experiência, lugar de onde são praticados valores,
ocupadas posições. Com freqüência expomos as crianças
duplamente: exigimos demais delas, quando não
têm condições de dar respostas para determinadas
situações e deixamos de reconhecer ações ou respostas
das crianças nas situações em que elas podem e
têm respostas a dar. A escola faz isso o tempo
todo. O fato de que ser educador significa ser
adulto, e que isso implica em assumir um papel
ativo de autoridade, é pouco discutido nas escolas.
Quantas vezes, hoje, as escolas públicas ou privadas,
só porque ouviram dizer que há uma situação de
violência no bairro vizinho, chama as famílias
e devolve as crianças para casa? Manda que venham
buscar as crianças! Para mim essa atitude é de
uma violência maior do que a violência no bairro
vizinho, porque os adultos estão abrindo mão de
sua responsabilidade, como se não tivessem nada
a ver, cedendo a uma postura de medo de algo que
eles sabem o que é. E essa posição vai se disseminando,
consolidando uma visão de que o adulto não tem
o que dizer ou o que fazer. Aqui, minha hipótese
é a de que a guerra funciona como exemplo que
dissemina condutas e quebra todos os valores,
todos os acordos, porque nela valeria tudo. O
exemplo se espalha também entre nós, educadores,
e as pessoas perdem a distinção entre o que podem
ou não fazer, perdem o bom senso – este bem tão
raro no mundo de hoje – e desistem do diálogo.
Abrir mão desse lugar de ter autoridade e ceder
o lugar de adulto é abrir mão da autoria possível,
da palavra, do lugar de dizer o que penso da condição
humana.
Assim, vejo dentre as funções do educador a de
fomentar práticas e valores que possam ajudar
a fazer desse mundo, onde não mais nos reconhecemos,
o nosso mundo.
NA - Sônia, você falou que o conhecimento
está em todo o lugar. Nesse caso, em relação a
esse conhecimento tão disseminado, qual seria
o papel do educador?
Sonia Kramer - Diferencio informação
e conhecimento. É papel da escola trabalhar na
perspectiva de produção do conhecimento, não só
reprodução, mas também de acesso ao conhecimento
porque é dever da escola devolver a todos (a todas
as classes sociais) o que historicamente foi por
todos produzido. O papel da escola, a sua especificidade,
é garantir o acesso de todos ao conhecimento sistematizado,
estruturado, ainda que seja para daqui a minutos
esse conhecimento se reorganizar ou ser superado
por uma nova descoberta. A questão que cabe
colocar é: quem tem estado incluído nesse “todos”?
É preciso democratizar o conhecimento, nesse contexto
da desigualdade. E como garantir a construção
ou aquisição do conhecimento sem que os professores
tenham seu direito de acesso a esse conhecimento
garantido? Por isso a idéia da formação é interessante.
A formação inclui todos os atores do processo.
Cabe lembrar do papel dessa ação em relação à
alienação que nos é imposta. Tantas são as possibilidades
de produtos de shampoo no supermercado e eu não
conheço o funcionamento dos meus cabelos e da
ação do shampoo. Eu não sei sobre o meu corpo,
ao consumir informações sobre o meu corpo, eu
não sei sobre o meu bairro, ou sobre o meu país,
consumindo visitas apenas ou consumindo imagens
sobre eles. Sem o conhecimento, eu não aprendo
a história; mas a história não se deu aos frangalhos.
Tantas vidas foram perdidas e vividas em função
de projetos ou situações ao longo da história
e isso não pode ser reduzido a consumo de informações!
Na escola, o conhecimento circula entre pessoas
mais ou menos experientes e os professores são
mediadores dessa interação. A grande interação
na escola não é entre professores e alunos; é
entre todos e os conhecimentos. Além dessa interação,
onde o professor é mediador, há nesse processo
de construção do conhecimento, interações variadas
entre os pares crianças e crianças, jovens e crianças
e aqui, também, o adulto não pode abrir mão do
seu papel. Uma consulta na Internet de determinada
informação não equivale à mediação em relação
ao conhecimento. Consultar a Internet é ótimo,
é importante; mas, como mediador, o professor
inicia, interage, desafia, provoca, promove, escuta,
discute, problematiza e organiza essa busca num
mundo tão fragmentado e desestruturado. Conhecimento
se adquire ou produz sempre no coletivo e a escola
é uma instituição privilegiada para fazer isso:
ela é o único lugar aonde as mesmas pessoas vão
todos os dias, durante tantas horas, um lugar
de fazer amigos, um lugar de conhecer pessoas,
um lugar de namorar. Essa mediação é necessária
em outros espaços culturais; o educador aí é alguém
que inicia as crianças e jovens no museu, teatro,
cinema, biblioteca, espaços cruciais nessa formação
humana, porque nós aprendemos “com”: com o cinema,
com a literatura, com museu, com o teatro, os
clubes ou grupos de música, dança, etc. Quando
falamos desses espaços, muitas pessoas entendem
que é preciso levar isso para dentro da escola.
Ao contrário, penso que esses diferentes espaços
precisam existir fora da escola, por iniciativa
do Estado ou da sociedade - e os educadores precisam
estar neles; a escola se beneficia dessa formação
cultural e sua função mediadora em relação ao
conhecimento se amplia.
NA - Diante de toda essa sua reflexão,
que desafios estão colocados para a formação do
educador, do professor?
Sonia Kramer - Não há uma receita, mas
três elementos são importantes: a história das
pessoas, trabalho coletivo e mediação. As práticas
e as experiências do professor precisam ser resgatadas
num processo de formação que crie um ambiente
de escuta, tanto na formação inicial como na formação
em serviço. Com o trabalho coletivo, o papel mediador
dos formadores toma uma dimensão compartilhada.
É parte do processo de formação a consciência
do que eu penso sobre a escola, do que passei
nela e do que a(s) escola(s) que tive me ensinou(aram)
sobre o que é escola. Porque aprendemos mais com
o que se transformou naquilo que somos, do que
com os discursos que ouvimos, especialmente se
as práticas negaram os discursos. As histórias
vividas por professores e professoras, as escolas
que freqüentaram ensinaram a gostar ou não de
ler, de estudar, de ir ao teatro, transmitiu sentimentos
em relação à matemática, à ciência, à história.
Formação continuada significa trazer a minha história
de professora e as práticas que pude ter, que
situações presenciei, como foram ensinadas, transmitidas,
o que as professoras pensam disso, porque não
necessariamente as pessoas gostam da maneira como
agem. Enfatizo este aspecto porque secretarias
de educação e ministérios, com o desejo de promover
políticas públicas de formação de professores
ou para implementar alguma proposta pedagógica
visando a mudança, com freqüência agem como se
detivessem a boa palavra, desconsiderando as práticas
e o conhecimento dos professores, como se as práticas
dos professores pudessem ser jogadas fora e no
momento seguinte (depois da “formação”), tudo
começasse de novo! No momento da formação, entramos
na história do outro: aquela professora já tem
uma história; quando ela vem para a formação,
faço uma entrada na vida dela e ela na minha.
Há um belo fragmento escrito pelo filósofo Walter
Benjamin, onde tratando do diálogo, ele diz que
dar conselhos, na modernidade, parece algo de
antiquado. Dar conselhos, ele diz, é dar uma sugestão
sobre a continuidade de uma história que está
sendo narrada; você só pode dar esse conselho
se quem ouve sabe narrar a sua história, ou seja,
se o outro conta para você a sua história. Cria-se
um ambiente de escuta, onde é possível para o
outro te escutar e é possível para você compreender
como o conhecimento ou o instrumento teórico-prático
- que você pretende trazer - se liga, como entra
naquela história que já estava sendo vivida e
que vai continuar, independente do formador.
Saber das histórias das pessoas e do grupo que
vai se formar professor ou dos professores que
trabalham na escola é uma boa estratégia para
o trabalho coletivo. Como é que eu posso fazer
um trabalho coletivo, sem cumplicidade, sem alianças
e sem sentir a dor do outro? Sem saber de onde
aquelas pessoas vieram? Essa prática ajuda a enfrentar
os problemas da escola, a conhecer os caminhos
que foram percorridos. Pensar esse conhecimento
da história é um passo necessário para exercer
o trabalho coletivo e continuar a história coletivamente.
Sem falar que as pessoas gostam de contar suas
histórias neste mundo onde ninguém tem tempo para
ouvir o outro. Por isso, também, que a escola
é esse espaço tão interessante de fazer amigos,
de fazer grupos.
História e trabalho coletivo se relacionam para
que seja possível pensar em um projeto. Tudo o
que estamos falando aqui tem a ver com algo que
projetamos. Se não fosse isso, nós não estávamos
mencionando um contexto que parece difícil, se
não estivéssemos preocupados em como projetar
um mundo diferente. Mas há ainda um terceiro elemento
no processo de formação, e que diz respeito à
mediação e conhecimento. O formador é professor
de professores; o que vale para os outros deveria
valer para ele. E como posso ser mediador das
práticas que estão sendo vividas e/ou relatadas
e desencadear a busca de conhecimento teórico
e prático para materializar o projeto? A meu ver,
é sendo professor; ser professor é desencadear
o trabalho coletivo, recuperar as histórias, trabalhar
com o conhecimento, ser mediador entre as pessoas
e o conhecimento. Maria Helena Chauí diz que a
mais importante relação da escola é entre os alunos
e o conhecimento, não entre professores e alunos.
E traz o seguinte exemplo: o professor de natação
pode ensinar os alunos a nadar, estando dentro
ou fora da água, mas os alunos, para aprenderem
a nadar, têm necessariamente, de estar dentro
da água. A água, ela diz, é o conhecimento. Mas
se o professor também estiver na água, tudo fica
mais divertido.
O professor é formador, mediador entre professores
ou futuros professores e o conhecimento. Os
professores precisam, para construir sua autonomia
(o trabalho coletivo não existe sem autonomia)
buscar esse conhecimento nos espaços culturais
e científicos, também nos espaços virtuais; precisam
ser iniciados. Mediar significa assumir o
papel de quem dá o livro, e lê junto, vai junto
ao cinema, ao teatro, ao museu, ouve música, dança,
inicia, indica caminhos, valoriza e potencializa
os caminhos culturais que já são conhecidos e
praticados pelo grupo. Formação tem a ver com
esses três elementos: história, trabalho coletivo
e mediação, para que o formador, como professor
de professores, favoreça o acesso, aquisição,
construção do conhecimento.

Para formar professores e profissionais da educação,
suas histórias pessoais e profissionais e as histórias
das propostas que desenvolvem e das equipes em
que estão inseridos é importante. Entendo que
só é possível mudar – e o processo de formação
é um processo de mudança – quando o passado é
levado em conta, quando se resgata a história
vivida, colocando-se o presente numa situação
crítica e preparando para um futuro diferente
daquele que se suporia o mesmo, diferentemente
de projetos que querem jogar fora a experiência
passada, reciclá-la, deixar as histórias irem
pelo ralo, como se fosse possível colocar os professores
em ponto morto e sempre recomeçar do nada. Ou
seja, como se eles e elas não fossem sujeitos
da história.
Além disso, é preciso que as instâncias de formação
coloquem a ênfase no potencial formador da leitura
e da escrita, favorecendo que professores e futuros
professores leiam e escrevam. Que leiam não para
conhecer estilos ou correntes literárias, mas
para usufruir, desfrutar, saber sentir o gosto
da aventura, deslumbrar-se com a poesia, para
aprender valores, para conhecer a si e aos outros.
Que leiam e não tremam de medo diante da página
em branco, que saibam expressar-se, marcando o
papel, como se marca a história. Todos, quem?
Crianças, jovens e adultos, estejam na condição
de alunos ou de professores.
Ao lado do reconhecimento da cultura popular nas
suas várias formas de expressão, um quadro de
Goya, uma música de Vinicius de Moraes, um conto
de Machado de Assis são o centro de uma formação
onde o principal não é conhecer Goya, Vinícius
ou Machado, mas apreciando a produção deles, produzirmos
a nós mesmos. E, nesse processo, me lembro das
palavras de Paulo Freire ”a leitura do mundo precede
a leitura da palavra”, só que [atenção!] tenho
uma forma cuidadosa e muito pessoal de compreender
esta idéia: não esqueço de que a leitura do mundo,
do contexto, é fundamental, ela vem antes e dá
o contorno da leitura da palavra, do texto. Mas
a leitura do texto é também fundamental: sem ela
a leitura do mundo se torna incompleta, um vazio,
pois seria um antes sem um depois... Seria o reconhecimento
de um direito apenas anunciado, quando o quero
praticado, concretizado, exercido.
NA - Ser professor, às vezes, é uma profissão
que envolve viver situações adversas do ponto
de vista da remuneração ou das condições de trabalho
de um modo geral. O que você gostaria de dizer
sobre isso?
Sonia Kramer - Gostaria de falar sobre
isso talvez usando aquele jogo que fiz, não sei
se deu certo, de otimismo e pessimismo, de olhar
para a realidade e piscar, quer dizer, não olhar
fixo, mas tentar vê-la e compreendê-la com seus
matizes e movimentos. Temos a tendência de ver
a nossa escola como pior do que as outras, com
piores condições. Diversas pesquisas têm apontado
para o fato de que hoje, mesmo nos países desenvolvidos,
os problemas são análogos: trata-se da dificuldade
da escola de lidar com a pobreza e a diversidade.
Há, entretanto, uma questão específica: no caso
brasileiro, o professor da escola fundamental
e o da educação infantil têm uma carreira diferente
da carreira do professor universitário; nossos
professores ganham segundo o nível de escolaridade
em que atuam e não pelo nível de escolaridade
que alcançaram na sua formação. A desigualdade
econômica e social acaba se refletindo na situação
desigual dos professores e isso interfere nos
processos de formação, especificamente, nos processos
de formação continuada, onde professores de diferentes
níveis e atuação interagem. Muitas políticas municipais
têm projetos e planos de carreira que consideram
se o professor tem o curso de graduação, a especialização,
o mestrado e o doutorado, e isso vai revertendo
em salários.
Por outro lado, muitas vezes os professores cristalizam
o lugar que ocupam, de reclamações constantes.
Vejamos um exemplo: durante décadas reclamávamos
que não era possível ensinar a ler e a escrever
porque não havia livros nas escolas. Hoje, no
Brasil, graças a diversas políticas públicas do
governo federal e de municípios, temos os livros
e, em inúmeras escolas públicas, centenas de livros
ficam guardados nos armários. Condições de trabalho
englobam a presença dos livros e das práticas
e isso nos leva, de novo, ao tema da formação.
Mudanças são sempre conquistadas; a melhoria
da qualidade da escola, que é parte da conquista
de uma sociedade justa, sem desigualdade, é favorecida
pela mudança das condições concretas de trabalho.
NA - Você gostaria de acrescentar mais
alguma coisa?
Sonia Kramer - Nossa luta é conquistar
políticas públicas que, de um lado, implementem
uma escola que não segregue, uma escola o mais
rica, plural, alegre possível, que assegure o
acesso de todos ao conhecimento e que valorize
e assegure ações onde a ciência, a cultura, nas
suas mais variadas expressões, se voltem para
a humanização e a melhoria da qualidade de vida
da maioria da população; de outro lado, que garantam
espaços, fora da escola, de democratização da
cultura. Esse é o desafio que temos enfrentado
e em função dele trabalhamos nas escolas, em projetos
comunitários, nos movimentos sociais, escrevemos
trabalhos, produzimos livros ou revistas. (NA)
|
NA
- Profesora Sônia, hoy vivimos situaciones difíciles,
tiempos difíciles, un contexto lleno de problemas,
de crisis éticas, ambientales, políticas, de toda
naturaleza. Al mismo tiempo, vivimos en un mundo
de grandes transformaciones. Dentro de este contexto,
¿cuál sería, entonces, el papel del educador?
Sonia
Kramer
- ¿Son nuestros tiempos más difíciles que los
otros? Tal vez la conciencia de que, en la historia,
todos los tiempos fueron muy difíciles nos haga
sentir participantes de ese mundo, como hombres,
mujeres, jóvenes y niños. Probablemente nunca
hayamos tenido tiempos fáciles... Pero eso no
resuelve el problema de que son, sí, tiempos difíciles
y de que es necesario entender el contexto en
el que nos situamos. La estructura económica desigual
de la sociedad brasileña, la alta concentración
de renta, la lentitud de la reforma agraria, los
problemas resultantes de una historia de exclusión,
fueron recientemente agravados por los cambios
en el mundo del trabajo y por la coyuntura internacional.
Perdimos la sociedad del bienestar que nunca tuvimos.
Nuestra población continúa sin tener acceso a
bienes materiales primarios; los índices de mortalidad
permanecen altos; los servicios de salud con calidad,
la garantía a la vivienda, a las condiciones de
saneamiento y de trabajo son todavía sueños que
queremos ver realizados. Tampoco el acceso a la
producción cultural y a la valoración de la cultura
producida en las relaciones sociales se ha concretado.
A esto, le sumamos la acción de los medios de
comunicación que generalizan y diseminan las informaciones,
sin permitir, la mayoría de las veces, la comprensión
de mecanismos y procesos. El hecho es que los
profesores recibidos en las últimas décadas, han
pasado por escuelas que se encuentran en estas
condiciones, escuelas pobres para pobres, y que
históricamente tuvieron dificultades para lidiar
con la pobreza y con la diferencia. De esta
manera, nos encontramos frente a una situación
en la que los profesores muchas veces necesitan
enseñar lo que no tuvieron oportunidad de aprender,
aunque hayan tenido ese derecho y aunque hayan
permanecido en la escuela durante los años de
la escolaridad obligatoria, e inclusive más.
Para que educar sea posible, necesitamos realmente
aprender junto a los chicos, a los jóvenes y a
los adultos con los que trabajamos.
Son varias las paradojas de estos tiempos en los
que vivimos. Una de ellas es la facilidad (aparente)
para acceder a la información de las más diversas
maneras. Para mí, el papel del educador, hoy,
es el de la formación. No hablo sólo de formación
profesional de profesores, sino de formación en
el sentido de vivir, transmitir, enseñar, compartir
valores, principios, prácticas, a través de los
cuales sea posible aprender cuestiones específicas
del ser humano. Lo que nos hace creer que este
tiempo es más difícil que otros es el hecho de
que no nos reconozcamos en él. Miro al mundo y
me pregunto: ¿Qué mundo es éste, al que no pertenezco?
¿Por qué es tan diferente de lo que a mí me gustaría?
¿Cuáles son las condiciones, hoy, para ser educador?
Cuando digo educador, me refiero a los profesores
y profesionales de educación que actúan en la
gestión de la escuela y en otros espacios educativos.
En todos ellos la actuación está relacionada a
la formación, y no sólo a la información y desde
este punto de vista, me parece que los educadores
necesitan catalizar prácticas diseminando valores
de solidaridad, de generosidad, de aceptación
y comprensión del otro, de preocupación hacia
el otro; prácticas sociales y culturales que propicien
conocimiento y creación colectiva.

NA - Creo que Ud. nos está remitiendo a la
idea de que el educador actúa en varios espacios
(en movimientos sociales, en la escuela, en instituciones
culturales). Me parece, también, que está destacando
el papel del profesor en relación a los valores.
Entonces, ¿qué sería común y específico del papel
del educador, teniendo en cuenta su participación
en esos diferentes espacios?
Sonia
Kramer -
Destaqué
los valores para contraponerlos a la información.
Pero no se trata sólo de valores. Otro aspecto
importante es el conocimiento. Tradicionalmente
el educador es visto como alguien que actúa dentro
de la escuela. Como militante de movimientos sociales
en defensa de la educación infantil y de políticas
de infancia, mantengo los pies en la tierra tanto
en relación a la escuela como en relación a otros
proyectos y aprendí a identificar en esos espacios
la actuación del educador en acciones de carácter
institucional y de naturaleza cultural realizados
en museos, cines, teatros, bibliotecas y también
en trabajos de carácter social, de iniciativa
comunitaria, en guarderías, cursos preparatorios
para el ingreso a la facultad, etc. En todos ellos,
identifico como central el papel del educador,
trabajando "junto a" y aprendiendo "con". Primero
veamos este asunto desde el punto de vista de
los espacios públicos y, segundo, desde el punto
de vista de las iniciativas de la sociedad. La
función del educador dentro de espacios como bibliotecas,
museos, cines, teatros, grupos de música o baile,
etc., es potenciar las acciones de manera que
la población (chicos, jóvenes, adultos) se beneficie
de forma efectiva. Pongo el ejemplo de la biblioteca,
una verdadera falta de respeto a la democratización
del saber y de la cultura: hoy en Brasil, de acuerdo
con la legislación, toda biblioteca debe disponer
de un bibliotecario con formación de nivel superior.
En un país sin bibliotecas, esa exigencia, además
de restringir la expansión, hace que las escuelas,
al no poder tener bibliotecas, mantengan salas
de lectura. En este punto, la actuación de los
educadores es esencial para la formación de lectores,
para la organización de salas, rondas o círculos
de lectura, etc. Pero la actuación de los educadores
es también fundamental en los movimientos sociales
y en actividades de iniciativa de la población.
El origen de tales iniciativas es la omisión histórica
del Estado en una serie de situaciones. La
población sufre situaciones de violencia a causa
del tráfico de drogas y sin servicios básicos
de educación y salud, precisa encontrar la manera
de desarrollar los trabajos que no fueron desarrollados
por el Estado. Entonces la sociedad se organiza
(se organizó) para tener aquello que, a pesar
de ser suyo por derecho, le es (fue) negado. En
esos espacios, es visible la inserción de educadores
que aprenden con la población, y que con seguridad,
también llevan instrumentos teóricos y prácticos
para dar apoyo y multiplicar esas iniciativas.
NA - ¿El educador es un agente cultural
y social?
Sonia Kramer - El educador tiene un papel
específico en relación a la formación científica
y cultural, aun cuando no esté en la escuela,
un papel vinculado a la formación y a la garantía
de un derecho básico, el de la escuela y el conocimiento.
Imaginemos a una comunidad que toma la iniciativa
y estructura una guardería comunitaria; el educador
se introduce en ella para dar apoyo, orientar,
discutir, para montar y también organizar aquel
espacio. Es una inserción contradictoria: el educador
da subsidios pedagógicos para que la acción funcione
de modo coherente con los valores y objetivos
de aquel grupo, y al mismo tiempo, trabaja sabiendo
que es derecho de aquella población tener una
guardería pública. Y entonces se moviliza para
que ese derecho sea una realidad favoreciendo
el acceso de la población a las informaciones
y a los mecanismos necesarios para que sean encaminadas
las acciones; dando instrumentos para que se encuentren
soluciones durante la omisión del Estado, pero
sabiendo los derechos que la población debe reivindicar,
llamando a la puerta del intendente para que haya
aquel servicio público que debería ser ofrecido
por el Estado. Veo la especificidad del papel
del educador en esta doble perspectiva. Por otro
lado, fuera de la escuela, el educador también
tiene un papel importante en la formación cultural
y científica al valorar las diversas formas del
saber y al favorecer el acceso al conocimiento
y a la cultura (aunque no tengamos tanta claridad
de lo que esto implique), y al trabajar con las
diferentes culturas que interactúan. Para esto,
el educador tiene que tener en cuenta el conocimiento
producido en las investigaciones en educación,
en la universidad, para que también ese conocimiento
se vuelva accesible a la mayoría de la población.
NA - ¿Qué destacaría en relación a la actuación
del profesor, del educador en la escuela?
Sonia
Kramer
- En la escuela la función básica sería la del
profesor, pero la escuela -frente a las nuevas
formas de sociabilidad- está cada vez ampliando
más su papel y asumiendo -en la sociedad contemporánea-
además de la enseñanza, actividades que, tradicionalmente,
eran asumidas por la familia, por la comunidad.
El mundo parece tan difícil a causa de la deshumanización
progresiva, del aislamiento y a causa del individualismo,
que la escuela precisa prepararse para asumir
ese papel ampliado. Porque si nos fijamos en la
realidad de Brasil, vamos a ver una población
empobrecida, desempleo, aumento de embarazos entre
las jóvenes, aumento de mujeres jóvenes jefes
de familia, y si pensamos cuál es tradicionalmente
el papel de la familia y de la escuela (ocuparse
específicamente de la enseñanza o del conocimiento),
pareciera que estamos hablando de una escuela
hipotética. La gente que vive en la calle, excluida,
y que vive situaciones de violencia, está en la
escuela. También los profesores sufren ese empobrecimiento,
principalmente los maestros de la enseñanza primaria.
En países como los nuestros, ¿cómo puede un profesor
o una profesora, que sufre las consecuencias de
sus condiciones precarias de vida y de trabajo,
ejercer ese papel ampliado? De nada vale decir
que la familia debería hacer cosas para las cuales
no tiene recursos o que no las hace. Tenemos que
asumir que ése es el papel de la escuela y, al
mismo tiempo, tenemos que asumir que hay límites
para que se ejerza ese papel. Eso nos hace más
realistas: el optimismo es necesario para que
podamos ver la situación difícil y para que la
podamos trasladar al plano de lo real. Las personas
que trabajan en la escuela son muy jóvenes, muchas
son adolescentes y ellas mismas tienen dificultades
de actuar con y para la población que llega a
la escuela. Cuando pienso en el conocimiento producido
sobre estos problemas y en las posibilidades que
este espacio le ofrece al trabajo educativo, reconozco
en la escuela una institución privilegiada; mi
visión es optimista y esto me lleva del pesimismo
a las contradicciones de la situación real. Porque
la realidad no es tan dura, ni está tan cristalizada,
tan quieta como nos lo hacen suponer las dificultades,
ni es tan flexible y tan maleable como nuestros
deseos y sueños de una sociedad justa querrían
que fuese. Es en este balance, en esta dinámica,
en esta dialéctica entre lo deseado y lo posible
en donde podemos encontrar formas interesantes
de intervenir, de actuar, de actuar necesariamente
de manera colectiva, para buscar las condiciones
que permitan efectivizar el cambio. Veo a la escuela
como ese lugar de privilegio en el que se puede
vivir y ejercer la utopía.
Otro aspecto a ser considerado es la concepción
que tenemos hoy de los chicos como sujetos del
conocimiento, sujetos de la acción, creativos.
Sin embargo, a veces parece que para que ese chico
sea visto como sujeto, el adulto tiene que desocupar
su lugar de adulto. Este tema afecta a la escuela,
está en el centro de las relaciones instituidas
en la escuela. En esta sociedad fragmentada,
con tantas informaciones circulando, se producen
situaciones que los adultos viven por primera
vez junto a los chicos. Y esto es inédito en la
historia humana porque lo que caracterizaba al
adulto era su experiencia más consolidada, fruto
de la reflexión que era orientadora, expositora,
consejera. Hoy, debido a las tecnologías,
a los medios de comunicación y en función de las
nuevas demandas del mundo del trabajo, el de las
innovaciones, el adulto vive situaciones, por
primera vez, junto a los chicos. Recordemos el
atentado terrorista del 11 de septiembre de 2001:
¿cómo puede el adulto responder a algo que no
entiende? Se podrían citar muchos ejemplos: situaciones
relativas a la guerra, a la violencia en general,
situaciones relativas a la ruptura de valores
y de costumbres. Esto es desconcertante para los
adultos. En este contexto, el papel de la autoridad
del profesor en particular y del educador en general,
funciona como ejemplo que acentúa o atenúa esta
situación, tanto en la escuela como en otras instituciones.
Hoy, lo que seduce es ser joven; la experiencia
se ha desvalorizado y "viejo" se convirtió en
un adjetivo peyorativo. También en la escuela
el profesor necesita asumir su lugar de educador,
su lugar de adulto, de autoridad, de experiencia,
lugar desde el cual se practican valores y se
ocupan posiciones. Con frecuencia los niños son
objeto de una doble exposición: les exigimos demasiado
cuando en realidad no están en condiciones de
responder a determinadas situaciones y dejamos
de reconocer sus acciones o respuestas en las
situaciones en que ellos pueden y tienen respuestas
para dar. La escuela hace esto todo el tiempo.
El hecho de que ser educador signifique ser adulto
y que esto implique asumir un papel activo de
autoridad, es poco discutido en las escuelas.
¿Cuántas veces, hoy, las escuelas públicas o privadas,
por el simple hecho de haber oído decir que existe
una situación de violencia en el barrio vecino,
llaman a las familias y les piden que se lleven
a los chicos de vuelta a casa? ¡Qué vengan a buscar
a los chicos! Para mí esta actitud es más violenta
que la situación violenta vivida en el barrio
vecino, porque los adultos están renunciando a
sus responsabilidades como si no tuvieran nada
que ver y ceden a una postura de miedo de algo
que ellos saben lo que es. Y esa actitud se va
diseminando y consolida la visión del adulto que
no tiene nada qué decir ni qué hacer. Mi hipótesis,
aquí, es que la guerra funciona como ejemplo de
diseminación de conductas y de quiebra de todos
los valores, todos los acuerdos, porque en ella
todo vale. El ejemplo se expande también entre
nosotros, educadores, y las personas ya no consiguen
distinguir entre lo que pueden o no hacer, pierden
el sentido común - tan escaso en el mundo de hoy
- y desisten del diálogo. Renunciar al lugar de
autoridad y ceder el lugar de adulto es renunciar
a la autoría posible, a la palabra, al lugar de
decir lo que pienso de la condición humana. Así,
veo, entre las funciones del educador, la de fomentar
las prácticas y los valores que pueden ayudar
a hacer de este mundo, en el que ya no nos reconocemos,
nuestro mundo...

NA - Sônia, usted dijo que el conocimiento
está en todas partes. En ese caso y en relación
a ese conocimiento que está tan diseminado, ¿cuál
sería el papel del educador?
Sonia
Kramer
- Sonia Kramer - Yo distingo información de conocimiento.
El papel de la escuela es el de trabajar en la
perspectiva de la producción del conocimiento
y no sólo en la de la reproducción, sino también
en la perspectiva del acceso al conocimiento porque
es deber de la escuela devolverle a todos (a todas
las clases sociales) lo que históricamente fue
producido por todos. El papel de la escuela,
y su especificidad, es garantizar el acceso de
todos al conocimiento sistematizado, estructurado,
aunque al cabo de unos minutos ese conocimiento
sea reorganizado o sea superado por un nuevo descubrimiento.
El tema que cabe aclarar es: ¿quiénes han sido
incluidos en ese "todos"? Teniendo en cuenta este
contexto de desigualdad, se hace necesario democratizar
el conocimiento. ¿Pero cómo garantizar la construcción
o adquisición del conocimiento si los propios
profesores no tienen garantizado su derecho de
acceso a ese conocimiento? Por eso es interesante
la idea de la formación. La formación incluye
a todos los agentes del proceso.
Cabe recordar el papel de esa actuación en relación
a la alienación que se nos impone. Son muchas
las posibilidades de productos de shampoo en el
supermercado pero nosotros no conocemos ni el
funcionamiento de nuestro pelo ni el de la acción
del shampoo. No es por las informaciones que consumimos
sobre nuestro cuerpo que sabemos algo sobre él.
No es por el sólo hecho de consumir meras visitas
o imágenes sobre nuestro barrio o sobre nuestro
país que sabemos algo sobre ellos. Sin el conocimiento
no aprendemos la historia y ésta no se da de forma
aleatoria. ¡Tantas vidas se perdieron y se vivieron
en función de proyectos o situaciones a lo largo
de la historia! ¡Y eso no puede reducirse a un
consumo de informaciones!
En la escuela, el conocimiento circula entre personas
con más o menos experiencia y los profesores son
los mediadores en esa interacción. La gran interacción
en la escuela no se da entre profesores y alumnos,
sino entre todos y los conocimientos. Además de
esta interacción en la que el profesor es mediador,
existen en este proceso de construcción del conocimiento,
interacciones variadas entre los pares chicos
con chicos, jóvenes con chicos, y aquí tampoco
el adulto puede renunciar a su papel. Una consulta
en la internet sobre determinada información no
equivale a la mediación en relación al conocimiento.
Consultar la internet es muy bueno, es importante,
pero como mediador, es el profesor el que inicia,
interactúa, desafía, provoca, promueve, escucha,
discute, problematiza y organiza esa búsqueda
en un mundo fragmentado y desestructurado. El
conocimiento se adquiere o se produce siempre
de forma colectiva y la escuela es una institución
que tiene el privilegio de hacer eso: la escuela
es el único lugar al que las mismas personas van
todos los días, durante tantas horas; un lugar
para hacerse de amigos; un lugar para conocer
personas, en lugar de flirtear. Esa mediación
es necesaria en otros espacios culturales; el
educador es quien inicia a los chicos y jóvenes
en relación al museo, al teatro, al cine, a la
biblioteca, espacios éstos, cruciales para esa
formación humana, porque aprendemos “con”: con
el cine, con la literatura, con el museo, con
el teatro, con los clubes o grupos de música,
baile, etc. Cuando hablamos de estos espacios,
muchas personas entienden que se hace necesario
llevarlos al interior de la escuela. Por el contrario,
creo que estos diferentes espacios precisan existir
fuera de la escuela, por iniciativa del Estado
o de la sociedad, y los educadores tienen que
estar en ellos. La escuela se beneficia con esa
formación cultural y su función mediadora en relación
al conocimiento se amplía.
NA - Teniendo en cuenta esta reflexión
suya, ¿cuáles serían los desafíos para la formación
del educador, del profesor?
Sonia Kramer - No hay una receta, pero
hay tres elementos que son importantes: la historia
de las personas, el trabajo colectivo y la mediación.
Las prácticas y las experiencias del profesor
precisan ser rescatadas a través de un proceso
de formación que cree un ambiente de escucha,
tanto en la formación inicial como en la formación
en servicio. Con el trabajo colectivo, el papel
mediador de los formadores adopta una dimensión
compartida. Es parte del proceso de formación
la conciencia sobre lo que pienso de la escuela,
sobre lo que pasé en ella y sobre lo que la(s)
escuela(s) que tuve me enseñó(-aron) acerca de
lo que es una escuela. Porque aprendemos más con
lo que se transformó en aquello que somos, que
con los discursos que oímos, especialmente si
las prácticas negaron los discursos. Las historias
vividas por profesores y profesoras, las escuelas
que frecuentaron, les enseñaron o no el gusto
por la lectura, por el estudio, por ir al teatro;
les transmitieron sentimientos en relación a la
matemática, la ciencia, la historia. La formación
continua implica traer mi historia de profesora,
las prácticas que pude haber tenido, las situaciones
que presencié, el modo como éstas fueron enseñadas,
transmitidas y lo que piensan sobre eso las profesoras,
porque no necesariamente a las personas les gusta
la manera como actúan. Enfatizo este aspecto porque
secretarias de educación y ministerios, con el
deseo de promover políticas públicas de formación
de profesores o para implementar alguna propuesta
pedagógica con vistas al cambio, con frecuencia
actúan como si tuvieran toda la razón, sin considerar
las prácticas y el conocimiento de los profesores,
como si las prácticas de los profesores pudiesen
ser desechadas e inmediatamente después (después
de la "formación"), ¡todo comenzase de nuevo!
En el momento de la formación, entramos en la
historia del otro: toda profesora ya tiene una
historia; cada vez que ella busca formarse, yo
entro en la vida de ella y ella en la mía. Existe
un fragmento muy bello escrito por el filósofo
Walter Benjamin, en el que al referirse al diálogo,
dice que dar consejos, en la modernidad, parece
algo anticuado. Dice que dar consejos es hacer
una sugerencia sobre la continuidad de una historia
que está siendo narrada; uno sólo puede dar ese
consejo si quien escucha sabe narrar su propia
historia, es decir, si el otro cuenta su propia
historia. Se crea un ambiente de escucha, en el
que al otro le es posible escuchar y a uno le
es posible comprender cómo el conocimiento o el
instrumento teórico-práctico -que uno pretende
traer- se conecta, cómo entra en aquella historia
que ya estaba siendo vivida y que va a continuar,
independientemente del formador.

Saber las historias de las personas y del grupo
que se va a recibir de profesor o de los profesores
que trabajan en la escuela es una buena estrategia
para el trabajo colectivo. ¿De qué manera sería
posible hacer un trabajo colectivo, sin complicidad,
sin alianzas y sin sentir el dolor del otro? ¿De
qué manera, sin saber de dónde vinieron aquellas
personas? Esa práctica ayuda a enfrentar los problemas
de la escuela, a conocer los caminos que fueron
recorridos. Pensar ese conocimiento de la historia
es un paso necesario para ejercer el trabajo colectivo
y continuar la historia colectivamente, sin mencionar
que a las personas les gusta contar sus historias
en un mundo en el que nadie tiene tiempo para
oír al otro. Por eso es también que la escuela
es un espacio interesante para hacer amigos, para
formar grupos.
La historia y el trabajo colectivo se relacionan
para que sea posible pensar en un proyecto. Todo
lo que estamos hablando aquí tiene que ver con
algo que proyectamos. Si no fuera así, si no estuviésemos
preocupados en cómo proyectar un mundo diferente,
no estaríamos mencionando un contexto que parece
difícil. Pero hay todavía un tercer elemento en
el proceso de formación que se refiere a la mediación
y al conocimiento. El formador es profesor de
profesores; lo que vale para los otros debería
valer para él.
¿Cómo puedo ser mediador de las prácticas que
están siendo vividas y relatadas y desencadenar
la búsqueda del conocimiento teórico y práctico
para materializar el proyecto? A mi modo de ver,
siendo profesor; ser profesor es desencadenar
el trabajo colectivo, recuperar las historias,
trabajar con el conocimiento, ser mediador entre
las personas y el conocimiento. María Helena Chauí
dice que la relación más importante de la escuela
es entre los alumnos y el conocimiento, no entre
profesores y alumnos. Y menciona el siguiente
ejemplo: el profesor de natación puede enseñarle
a los alumnos a nadar estando dentro o fuera del
agua, pero para que los alumnos aprendan a nadar,
tienen que estar, necesariamente, dentro del agua.
El agua, como ella dice, es el conocimiento. Pero
si el profesor se metiera también en el agua,
todo sería más divertido.
El profesor es formador, mediador entre los profesores
o futuros profesores y el conocimiento. Los
profesores necesitan, para construir su autonomía
(el trabajo colectivo no existe sin autonomía)
buscar ese conocimiento en los espacios culturales
y científicos, también en los espacios virtuales;
necesitan ser iniciados. Mediar significa
asumir el papel de ofrecer un libro y leerlo “con”;
es ir al cine, al teatro, al museo junto “con”;
es oír música, bailar, iniciar, indicar caminos,
valorar y potenciar los caminos culturales que
ya son conocidos y ya son practicados por el grupo.
La formación tiene que ver con esos tres elementos:
la historia, el trabajo colectivo y la mediación,
para que el formador, como profesor de profesores,
favorezca el acceso, la adquisición, la construcción
del conocimiento.
Para formar profesores y profesionales de la educación,
las historias personales y profesionales y las
historias de las propuestas que éstos desarrollan
y de los equipos en los que están insertos son
importantes. Yo entiendo que solamente es posible
cambiar -y el proceso de formación es un proceso
de cambio- cuando el pasado es tomado en cuenta,
cuando se rescata la historia vivida, cuando se
coloca al presente en una situación crítica y
se lo prepara para un futuro diferente de aquél
que se suponía igual, en contraposición a proyectos
que desechan la experiencia pasada para reciclarla
o para dejar que las historias se escurran por
las alcantarillas, como si fuera posible colocar
a los profesores en punto muerto y recomenzar
siempre de la nada. O sea, como si ellos y ellas
no fuesen sujetos de la historia.
Además, es necesario que las instancias de formación
pongan el énfasis en el potencial formador de
la lectura y la escritura, con el objetivo de
favorecer que los profesores y futuros profesores
lean y escriban. Que lean no para conocer estilos
o corrientes literarias, sino para sacar provecho
de ellos, para disfrutarlos, para saborear el
gusto de una aventura, para deslumbrarse con la
poesía, para aprender valores, para conocerse
a sí mismo y a los otros. Que lean y no tiemblen
de miedo frente a una página en blanco, que sepan
expresarse, escribiendo el papel, como se escribe
la historia. ¿Todos, quiénes? Los chicos, los
jóvenes y adultos, ya sea en el papel de alumnos
o profesores.
Al lado del reconocimiento de la cultura popular
en sus varias formas de expresión, un cuadro de
Goya, una música de Vinícius de Moraes, un cuento
de Machado de Assis son el centro de una formación
en la que lo principal no es conocer a Goya, a
Vinícus o a Assis, sino producirnos a nosotros
mismos a través de la apreciación de las producciones
de aquéllos. Y en este proceso, me acuerdo de
las palabras de Paulo Freire "la lectura del mundo
precede a la lectura de la palabra", pero [¡atención!]
tengo una forma muy cuidadosa y personal de comprender
esta idea: no me olvido de que la lectura del
mundo, del contexto, es fundamental, ella viene
antes y delinea el contorno de la lectura de la
palabra, del texto. Pero la lectura del texto
también es fundamental: sin ella la lectura del
mundo se vuelve incompleta, vacía, ya que sería
un antes sin un después... Sería el reconocimiento
de un derecho apenas anunciado, cuando lo queremos
practicado, concretado, ejercido.

NA - El trabajo de profesor a veces se
halla inmerso en situaciones adversas desde el
punto de vista de la remuneración o, de un modo
general, de las condiciones de trabajo. ¿Qué diría
Ud. sobre esto?
Sonia Kramer - Me gustaría hablar sobre
eso retomando aquel juego de palabras que usé
antes, de optimismo y pesimismo, de mirar la realidad
y pestañear, es decir, no mirar de manera fija,
sino intentar ver esa realidad y comprenderla
con sus matices y movimientos. Tenemos la tendencia
de ver a nuestra escuela como si fuera peor que
las otras y estuviera en peores condiciones. Diversas
investigaciones han apuntado el hecho de que hoy,
aun en los países desarrollados, los problemas
son análogos: se trata de la dificultad que tiene
la escuela de lidiar con la pobreza y la diversidad.
Hay, sin embargo, un tema específico: en el caso
de Brasil, el profesor de escuela primaria y de
educación infantil tiene una carrera diferente
a la del profesor universitario; nuestros profesores
ganan según el nivel de escolaridad en el que
actúan y no por el nivel de escolaridad que alcanzaron
por su formación. La desigualdad económica y social
acaba reflejándose en la situación desigual de
los profesores y eso interfiere en los procesos
de formación, específicamente, en los procesos
de formación continua, en donde profesores de
diferentes niveles y actuación, interactúan. Muchas
políticas municipales tienen proyectos y planes
de carrera que consideran si el profesor tiene
el curso de graduación, la especialización, la
maestría y el doctorado, y eso se revierte en
sueldos.
Por otro lado, muchas veces los profesores cristalizan
el lugar que ocupan de reclamos constantes. Veamos
un ejemplo: durante décadas nos quejamos de que
no era posible enseñar a leer y escribir porque
no había libros en las escuelas. Hoy, en Brasil,
gracias a diversas políticas públicas del gobierno
federal y de municipios, tenemos los libros y,
en innúmeras escuelas públicas, centenas de libros
quedan guardados en los armarios. Las condiciones
de trabajo engloban la presencia de los libros
y de las prácticas y eso nos lleva, de nuevo,
al tema de la formación. Los cambios siempre
se conquistan; la mejora en la calidad de la escuela
- parte de la conquista - y una sociedad justa
sin desigualdades, serán favorecidos por el cambio
en las condiciones concretas de trabajo.
NA - ¿Le gustaría agregar algo más?
Sonia Kramer - Nuestra lucha consiste en
conquistar políticas públicas que, de un lado,
implementen una escuela que no segregue, una escuela
lo más rica, plural, alegre posible, que le asegure
a todos el acceso al conocimiento y que valore
y asegure acciones en las que la ciencia, la cultura,
en sus más variadas expresiones, se vuelquen hacia
la humanización y la mejora de calidad de vida
de la mayoría de la población; por otro lado,
que garantice espacios de democratización de la
cultura, fuera de la escuela. Éste es el desafío
que hemos venido enfrentando y es en función de
él que trabajamos en las escuelas, en proyectos
comunitarios, en los movimientos sociales; allí
escribimos trabajos, producimos libros o revistas.
(NA)
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