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a Revista de la Pátria Grande


MOSAICO CULTURAL / MOSAICO CULTURAL

O forró na cultura brasileira
Patrícia Hertel
Brasil




O forró é divertimento. Isto já está dentro da palavra. Forró é uma abreviação de forrobodó, o que significa baile popular, arrasta-pé e também farra ou confusão. Esse estilo de música é quase o retrato da cultura do Nordeste do Brasil. Está composto de vários elementos da música das feiras populares, mas também da tradição ibérica, africana e indígena. “É a expressão pura da nossa emoção, da nossa alegria, do nosso entusiasmo”, explica Zé Calixto, músico que conta com uma experiência de 45 anos fazendo forró. A popularidade desta música, porém, não se limita à sua região de origem e está ligada com a própria historia do Brasil.

Devido às más condições de vida como seca, fome e desemprego, muitas pessoas do nordeste deixaram a sua terra nos anos 40 e 50 para buscar trabalho nos centros urbanos em função do intenso desenvolvimento industrial do país. Levaram a sua música e desenvolveram-na mais, cantando a lembrança da sua terra, a vida no Nordeste, a adaptação ao novo ambiente. Porém, apesar das letras que eram às vezes bastante tristes, o ritmo alegre começou a conquistar também a população urbana. Junto a isso, artistas como o nordestino Luiz Gonzaga deram novos impulsos à música da sua terra, desejando desenvolver o estilo e mostrar ao mesmo tempo a sua riqueza. A sanfona, a zambumba e o triângulo vieram a ser os instrumentos típicos para este novo gênero da música nordestina que a partir desse momento ficou conhecido por “forró”.

Paula Brandão e Mariane Moraes, duas alunas do curso de Produção Cultural da Universidade Federal Fluminense em Niteroi, organizaram de junho a agosto deste ano um ciclo de espetáculos “Forró Cabo a Rabo” passando por São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Elas queriam mostrar a riqueza dos ritmos nordestinos nos grandes centros urbanos. Mas, apesar do sucesso do forró no Brasil, é ainda pouco conhecido no estrangeiro. Paula e Mariane explicam: “A imagem da cultura brasileira no estrangeiro é dominada sobretudo pelo samba, proveniente da cultura urbana. Através do carnaval, o samba passa pela televisão, tem o apoio das mídias. Mas na verdade, o forró aqui é tão popular como o samba.”



Essa popularidade atingiu um novo auge no início dos anos 90 quando muitas bandas jovens que não eram necessariamente enraizadas na cultura nordestina, redescobriram os ritmos do forró e os misturaram com outros estilos musicais. Assim, hoje em dia, o forró abrange varios subgêneros, como o coco, o rojão, o xote, o baião, o xaxado, o galope e a quadrilha.

O forró é divertimento. “A simplicidade, a concentração a poucos instrumentos, o ritmo e a dança que animam muito podem ser a razão do êxito”, dizem Paula e Mariane. O músico Zé Calixto tem uma razão especial para adorar o forró: Com a sua música encantou há muitos anos uma moça com a qual ele hoje está casado. Ele, que dedicou toda a sua vida ao forró e conhece todos os momentos altos e baixos dessa música, tem certeza: “O forró nunca vai deixar de entusiasmar o brasileiro.” Isso se percebeu bem no programa do “Forró de Cabo a Rabo.” Durante a apresentação, o público se levantou e dançou entusiasmado. O forró não dá para ser ouvido sentado. (NA)

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