 |

La Revista de la Pátria
Grande |
|
|
Que
democracia?
Num contexto em que vemos o presidente norte-americano
apropriar-se do termo democracia para justificar sua
política de intervenção militarista, é preciso, sem
dúvida, rediscutir esse conceito, que assume, cada vez
mais e de maneira, muitas vezes, contraditória, um caráter
polissêmico.
Do que estamos falando quando nos utilizamos do termo,
especialmente quando referido ao contexto latino-americano?
Como assinala Dornelles, o entrevistado deste número
da revista, encontramo-nos em meio a uma verdadeira
luta política e ideológica para definir o que é democracia,
e o reducionismo e a mistificação que cercam essa temática
vêm contribuindo para um desgaste do termo, e, mesmo,
para um atitude de ceticismo (e, até, rejeição) diante
das evidentes limitações do processo de democratização
vivido na América Latina nos anos mais recentes.
Como conciliar o reconhecimento dos avanços obtidos
(e, principalmente, garantir a sua consolidação e ampliação),
com a constatação da precariedade do processo vivido?
Esse número da revista propõe-se a apresentar algumas
pistas, que supõem, antes de mais nada, negar a visão
reducionista, que restringe a noção de democracia à
sua dimensão representativa. A democracia, como nos
diz Dornelles, também está diretamente vinculada às
conquistas sociais e de direitos, à ampliação da noção
de cidadania. Entender a democracia na perspectiva de
uma cultura democrática, de uma prática sociocultural
que penetra toda a sociedade, buscar formas de promover
a participação cidadã são requisitos indispensáveis
para avançarmos nessa direção.
Os textos reunidos neste número da revista podem nos
ajudar em uma dupla perspectiva: ao apontar para movimentos
efetivos de ampliação da participação cidadã e ao trazer
para a discussão alguns conceitos como a demodiversidade,
de Boaventura, apontada por Dornelles, ou a cidadania
diferenciada, do artigo de Tubino, que nos obrigam a
questionar a concepção ilustrada de cidadania e, consequentemente,
rever e ampliar o nosso conceito de democracia. Documentos
como os relatórios do PNUD, no plano internacional,
e o da Plataforma DhESC, no plano nacional, igualmente
abordados pela revista, trazem também elementos importantes
para essa reflexão.
Assumir o descontentamento cidadão, de que nos fala
Cardozo, reconhecer os limites das nossas democracias
é um ponto de partida. Temos, sem dúvida, um longo caminho
a percorrer para que nossas sociedades latino-americanas
se constituam efetivamente em sociedades democráticas...
E os desafios são múltiplos: a conjuntura internacional
é desfavorável, não temos claro um modelo alternativo
ao modelo neoliberal que se deslegitima - mas que é
ainda forte, a pluralidade de movimentos dificulta a
articulação de propostas conjuntas... De qualquer forma,
estamos a caminho e esse caminho que se trilha constrói-se
com a praxis: construímos o próprio caminho. Como nos
lembra o entrevistado anônimo do texto de Aura Helena
Ramos, usando a imagem que nos é tão familiar do futebol:
(...) estamos todos em campo, somos jogadores, não há
platéia ou torcida.(...) Nos cabe jogar.
É este o desafio que nos é lançado. |
|
|
NOVAMERICA
Rua Dezenove de Fevereiro, 160 - Botafogo
22280-030 - Rio
de Janeiro - RJ
Brasil
Tel. (fax): (55) (21) 2542-6244
e-mail: novamerica@novamerica.org.br
|
CENTRO
NOVAMERICA DE EDUCAÇÃO POPULAR
Praça Santos Dumont, 14 - Centro
25880-000 - Sapucaia
- RJ
Brasil
Tel. (fax): (55) (24) 2271-2004
e-mail: centronovamerica@uol.com.br
|
2003/2010
Novamerica - www.novamerica.org.br - Todos os direitos resevados.
|