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La Revista de la Pátria
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Mercado
e sociedade
Na sociedade contemporânea, especialmente na América
Latina, o Estado e o mercado não respondem às demandas
sociais. O Estado, que se caracteriza por ser de iniciativa
pública e fins públicos, é marcado pela ineficiência.
Enquanto o mercado, de iniciativa privada com fins privados,
tem como objetivo principal o lucro. O conceito de Terceiro
Setor surge na tentativa de identificar um grupo que
se diferencia do Estado (Primeiro Setor), assim como
do Mercado (Segundo Setor). É a sociedade civil organizada,
ou seja, a iniciativa privada atuando com fins públicos.
Neste número, a revista Novamerica analisa o impacto
do mercado na sociedade latino-americana sob várias
perspectivas. O objetivo é discutir a questão da centralidade
do mercado e suas conseqüências bem como refletir sobre
a possibilidade de um diálogo entre mercado, Estado
e Sociedade Civil. Na sua entrevista, Jung Mo Sung,
discute o papel do mercado na sociedade, analisa as
relações entre mercado, ética e política e o papel da
sociedade civil e o estado nesse processo. Para o professor
e pesquisador, o mercado passou a ser o grande distribuidor
da vida e da morte no mundo contemporâneo.
Partindo do principio de que o mercado é retratado constantemente
como explorador de mão-de-obra e antiético por concepção,
Nádia Rebouças aponta transformações que contribuem
para que surja um outro mercado que favorece a responsabilidade
social empresarial, destacando o papel da comunicação
social nesse processo. Já Juan Marí Lois discute a relação
entre a sociedade civil e o mercado. Para ele, a sociedade
civil deve realizar uma função de controle e regulação
do Estado e das empresas privadas. Ressalta, contudo,
que a sociedade civil não pode exercer um controle direto
sobre a empresa privada se não for através do Estado
e que o Estado não está cumprindo com seu papel regulador,
nem assumindo sua responsabilidade perante os cidadãos.
Mario Luis Grangeia, comenta a atuação do Estado no
desenvolvimento econômico no Brasil. Para ele, a profunda
interferência do Estado é a característica mais marcante
do capitalismo brasileiro.
Essa edição busca também discutir alternativas para
a relação entre mercado e a sociedade civil. Nivia Brismat
analisa as relações entre comunidades mexicanas e globalização
no contexto da América Latina. Elena Picasso reflete
sobre a relação do território de povos indígenas e o
mercado econômico. E o brasileiro Teófilo Cavalcanti
relata a experiência do crédito de pequeno valor dirigido
a microempresas.
A partir das diversas leituras surge uma questão: é
possível diminuir o poder do mercado em nossa sociedade?
O certo é que, além de reduzir o papel do segundo setor,
é preciso fortalecer o Estado e despertar na sociedade
civil o interesse em defender os valores éticos universais.
Para Jung Mo Sung, o desafio é criar uma cultura e difundir
uma espiritualidade que mostre que não evoluímos das
relações com a mercadoria ou mercado, mas sim do encontro
com outros seres humanos. |
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