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La Revista de la Pátria
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IDÉIAS
EM REDE / IDEAS EN RED
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Novo
paradigma exige outros olhares
Eduardo Baptista
Rio de Janeiro - Brasil
Cientista
Político Mestre pela Sorbonne
Professor universitário, especialista em
planejamento e avaliação
ebaptista@innovatio.com.br

La construcción del nuevo paradigma de la globalización
post industrial también está presente en las relaciones
internacionales. La multipolaridad creciente de las
relaciones internacionales y la diversificación de las
sociedades comerciales hacen que el poder del mundo
unipolar comandado por Estados Unidos sea menos absoluto,
señala el valor del fortalecimiento de la governanza
global y contribuye para perfeccionar la democracia
en todo el mundo. La reunión de la cúpula brasiliense
contribuyó con la construcción de ese nuevo paradigma.
Passada
a efervescência dos eventos e assentada a poeira da
Cúpula América do Sul - Países Árabes realizada no início
de maio passado em Brasília, é hora de olhar a floresta
para não se perder o sentido das coisas, apenas contando
as árvores. No debate presente na mídia, em geral a
discussão sobre as árvores, infelizmente, predominou.
As tensões entre governo, mercado, aliança política,
interesse comercial, concepção de funcionamento de sociedade,
participação social - nem boas, nem ruins, são dados
da contraditória realidade atual, que fragmenta, que
integra - foram reduzidas a palavras descontextualizadas.
Afinal, a Conferência não era comercial e acabou sendo
usada politicamente? Em discussões sobre negócios e
conquista de novos mercados, definir democracia deve
preceder qualquer acordo? O mundo dos negócios prescinde
dos Estados. A diplomacia foi tragada pelos interesses
econômicos. Afirmações e questões como essas refletem
as dificuldades de compreensão da nova ordem/desordem
mundial que vai sendo construída: frágil, instável e
desconhecida.
A construção do novo paradigma da globalização pós-industrial
também está presente nas relações internacionais e continuar
funcionando com a cabeça no enfrentamento entre Ocidente
e Oriente, para não lembrar do velho dilema Leste-Oeste,
no eixo Sul-Sul dos não alinhados ou ainda, nas velhas
relações de dominação Centro-Periferia, é ignorar -
por ingenuidade ou miopia ideológica - que as estratégias
de presença e conquista de mercado, de participação
política e de difusão de idéias, como a democracia que
tanto nos é cara, passa hoje por outros, e novos caminhos.
Caminhos mais complexos, que situações conjunturais
ou comportamentos estridentes de relevância secundária
de algum de nossos vizinhos, que deslizes da nossa diplomacia
ou que pedras jogadas pela inclusão ou exclusão de palavras
em documentos oficiais, podem ter ofuscado. A propósito,
não me vem à memória, em mais de 20 anos de acompanhamento
de encontros intergovernamentais comerciais e políticos
de países europeus e norte-americanos com asiáticos
ou africanos, de um debate intenso em torno à democracia.
Curioso, que a polêmica esteja tão pouco presente nas
apetitosas relações comerciais dos Estados Unidos com
a China, não mais democrática que a Arábia Saudita ou
seus vizinhos.
A reunião de cúpula brasiliense colocou mais uma pedra
na geografia desenhada pelo novo paradigma. Uma pedra
pequena mais importante para a multipolaridade do mundo
globalizado. A multipolaridade das relações internacionais
será crescente assim como a diversificação das parcerias
comerciais para quem não quer ser apenas uma espécie
de "terceirizado mundial" ou ficar à margem do caminho.
Ela não elimina nem ameaça o poder do mundo unipolar
comandado pelos Estados Unidos neste século, mas o torna
menos absoluto, sinaliza para a importância de consultas
e negociações, para o valor do fortalecimento da governança
global, em última instância para o aperfeiçoamento da
democracia em todo o mundo. Sinaliza também para a possibilidade
simbólica e logística de encontros entre países e regiões
do mundo para a negociação de interesses específicos,
sem a necessária intermediação de europeus e norte-americanos.
A continuidade da iniciativa é um indicativo da avaliação
positiva. Cabe também uma reflexão sobre a capacidade
de convocação dos países sul-americanos e de sua cultura
plural. Onde mais, nos dias atuais, além da América
do Sul se poderia imaginar a realização de uma conferência
com os países árabes fora do Oriente Médio?

Para a América do Sul especificamente, a Cúpula significou
a continuidade de um processo lento, assimétrico e conflitivo
de formação da identidade regional e dos interesses
convergentes entre países que durante séculos conviveram
como ilhas dentro de um continente. Um processo onde
o papel propulsor do Brasil é importante e arriscado,
pois não se podem reproduzir imperialismos regionais
tão fortemente condenados por todos.
Os caminhos sinuosos percorridos até agora para a eleição
do futuro diretor geral da OMC apontam claramente para
as dificuldades da construção de uma plataforma política
regional, deixando à mostra que a diplomacia brasileira,
apesar da longa tradição de competência também falha.
Nesse sentido, a dinâmica de uma presença internacional,
que responda ao novo paradigma, iniciada no governo
passado, aprofundada, ampliada e dinamizada pelo atual,
não pode ser feita apenas pela multiplicação de iniciativas,
necessita de um movimento constante de consulta a seus
vizinhos e de um monitoramento eficiente. Da mesma forma,
não pode ser ignorada a importância política e estratégica
da presença das organizações da sociedade nessa construção.
E finalmente, o comércio e os investimentos que eram
temas importantes da agenda e dos trabalhos ficaram
eclipsados pelas árvores abatidas no caminho. É verdade
que 65% das importações mundiais são puxadas pelos países
europeus e norte-americanos - um mercado que nenhum
exportador vai descuidar, e os resultados das exportações
brasileiras têm demonstrado que todos estão na corrida
- agora abandonar a outra fatia é coisa que negociante
faz? Pelo relatado na mídia, parece que houve pouco
negócio, os documentos oficiais não deram conta do resultado,
nenhum grande acordo foi anunciado, excetuando a criação
da PetroSul pelos governos da Argentina, Brasil e Venezuela,
mas... alguém acredita que o milhar de empresários e
executivos que circulou naquela semana por Brasília,
Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e outros centros
da região estavam apenas fazendo turismo? Como negociar
com os árabes pede persuasão com tempo, alguma discrição
e muita conversação, possivelmente os resultados só
aparecerão na próxima Cúpula, no Marrocos. Os números
que circularam entre os organizadores eram de 15 bilhões
de reais por ano, em 2007. Ou 10% das futuras exportações
brasileiras.
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