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a Revista de la Pátria Grande


ENTREVISTA / ENTREVISTA

Mercado e Sociedades Contemporâneas
Mercado y Sociedades Contemporáneas


Jung Mo Sung é professor de pós-graduação em Ciências da Religião na Universidade Metodista de São Paulo e na Puc-SP e pesquisa a relação entre teologia-economia-educação. É autor de diversos livros, entre eles, Competência e sensibilidade solidária: educar para esperança (em co-autoria com Hugo Assmann), 2000, Sujeito e sociedades complexas, 2002, e Sementes de esperança: a fé em um mundo em crise, 2005, todos pela Ed. Vozes

Jung Mo Sung es profesor del posgrado en Ciencias de la Religión en la Universidad Metodista de San Pablo y en la PUC-SP, e investiga la relación teología-economía-educación. Es autor de diversos libros, entre ellos, Competencia y sensibilidad solidaria: educar para la esperanza (en co-autoría con Hugo Assmann), 2000; Sujeto y Sociedades Complejas, 2002, y Semillas de Esperanza: la fe en un mundo en crisis, 2005. Todos ellos de la Ed. Vozes.


jungmosung@uol.com.br


NA - O que o senhor pensa acerca do papel do mercado nas sociedades do mundo contemporâneo?

Jung Mo Sung - Eu penso que devemos analisar o papel do mercado no mundo de hoje em, pelo menos, três aspectos distintos da vida social. O primeiro, o mais visível e comentado, é o papel do mercado no processo da globalização econômica. Sem entrarmos em discussão aqui sobre o que significa exatamente a noção de "globalização", eu quero chamar atenção para o fato de que sociedades humanas, na medida em que desenvolvem os seus meios de transporte e de comunicação, tendem a ir além dos seus limites territoriais e ampliar os contatos com outros povos e, assim, ampliar os seus horizontes e a sua noção de mundo. Isto é, contatos e relações com outros povos e sociedades fazem parte da dinâmica de desenvolvimento tecnológico e social da humanidade.

O que é característico do nosso tempo é que esses "encontros" e relações se dão sob o impulso da dinâmica do mercado. Isto é, o principal "motor" dessa dinâmica de ir à direção dos outros povos e países, de estabelecer relações mais permanentes e de ampliar o sistema social e econômico resultante dessas relações de interdependência são as relações mercantis e a busca de novos mercados e de mais lucros.

Em outras palavras, pessoas, grupos sociais e países são integrados ou não no processo da globalização na medida em que são capazes ou não de se integrarem nessa dinâmica do mercado. Aqueles que ocupam os melhores lugares, por causa do seu poder econômico e da sua melhor capacidade de acompanhar a dinâmica do mercado e as evoluções tecnológicas, usufruirão os benefícios da globalização, enquanto que aqueles que se integram de modo subordinado ficarão com as migalhas e os problemas da globalização econômica.

Foto Alexandre Firmino

Em resumo, o mercado passou a ser o grande distribuidor da vida e da morte no nosso mundo.

O segundo aspecto tem a ver com o critério transcendental para se definir a diferença entre uma violência legítima e uma ilegítima. Todas as sociedades, das mais antigas até as que virão, precisam lidar com o controle da violência. Nós seres humanos somos capazes de gestos gratuitos e solidários, mas não podemos esquecer que a agressividade faz parte do reino animal, a qual nós pertencemos, e que os seres humanos são capazes de atos violentos, muitas vezes sem um motivo razoável. Na antiguidade, a violência era controlada via mecanismos religiosos. Sacrifícios e tabus eram formas de estabelecer a diferença entre uma violência sagrada/legítima das violências impuras, profanas, que poderiam destruir a comunidade. Nos tempos modernos, o Estado passou a ter o monopólio da violência legítima e legal. Por exemplo, quando um juiz condena um ladrão à prisão, o roubo é visto como violência, mas o confinamento de uma pessoa é visto não como uma violência, mas como ato de justiça.

O Estado Nacional ainda detém esse monopólio dentro de cada país, mas no mundo globalizado de hoje o fundamento último ou o critério transcendental - critério que está além de todas as leis concretas - dessa violência legítima é o mercado. Um exemplo claro disso aparece, por exemplo, no discurso de Bush anunciando a missão dos Estados Unidos de levar a liberdade ao mundo. Invasões, guerras e imposições políticas são justificadas, legitimadas e até tornadas obrigatórias - pois é uma missão - pelo mercado, para levar a liberdade que só o mercado poderia trazer à humanidade. O mercado passou a ser sinônimo da liberdade e o critério para a violência "legítima". Violências em nome do mercado não são consideradas violências, mas portadoras da liberdade e salvação.

O terceiro aspecto tem a ver com a subjetividade humana. Todos os indivíduos e grupos precisam criar uma identidade. Essa identidade é formada pelo sentimento ou realidade de pertença a um determinado grupo, comunidade, ou nação e as diferenças em relação a outros grupos ou pessoas de mesmo nível (diferença horizontal) e de níveis hierárquicos superiores e inferiores (diferença vertical). Na nossa sociedade dominada pela cultura de consumo, a identidade pessoal e grupal é construída em grande parte pelo padrão de consumo. Quem consome melhor (marcas de sucesso) e mais é ou é vista como uma pessoa melhor, como "mais gente", enquanto que quem não consegue acompanhar o padrão de consumo exigido pela sociedade ou por um determinado grupo social é "menos gente" e comete o grande pecado de ser um consumidor-falho.

Em síntese, o sistema de mercado capitalista se tornou hegemônico e domina no mundo porque: a) é o centro coordenador e impulsionador da divisão mundial do trabalho e do processo de "integração" econômica e social; b) se tornou o critério transcendental para definir a violência legítima e a ilegítima; c) e fonte da subjetividade e da identidade de uma pessoa ou de um grupo social.

NA - Gostaríamos que o senhor fizesse alguns comentários mas específicos acerca das relações entre mercado, ética e política.

Jung Mo Sung - Antes de responder esta questão, é importante lembrarmos que há uma diferença entre as noções de mercado e a de sistema de mercado. O mercado é um espaço social (não necessariamente um espaço físico) de troca - onde as pessoas vão para comprar e vender produtos e serviços - que existe desde muito antes do capitalismo e existirá após o capitalismo. Enquanto que o sistema de mercado capitalista é um sistema econômico baseado somente ou quase que exclusivamente nas leis do mercado; um sistema econômico que não aceita que regras exteriores ao mercado, como as regras éticas e políticas, sejam impostas ao mercado ou que restrinjam as leis do mercado. É o que Karl Polanyi, no seu livro clássico A grande transformação, chamou de sistema auto-regulável de mercado: "uma economia dirigida pelos preços do mercado e nada além dos preços do mercado".

Um dos grandes problemas do atual processo de globalização econômica é a absolutização do mercado. A alternativa não pode ser pensada em termos de uma economia sem mercado, pois isso seria reproduzir a mesma lógica da absolutização do mercado com o sinal invertido, absolutização negativa. Em sociedades amplas e complexas, como a nossa, é impossível conhecermos todos os fatores que compõem o sub-sistema economia (tais como, clima, qualidade da terra, desejos e necessidades das pessoas, processos de produção, etc.) para podermos planejar de modo centralizado e eficiente todo o processo econômico. Razão pela qual, um certo grau de descentralização das decisões econômicas (dos consumidores e produtores) e as relações mercantis são imprescindíveis.

Tomando distância destes dois extremos (só mercado e só planejamento centralizado sem mercado), abre-se o espaço para discutirmos a relação entre mercado, ética e política. Eu penso que é fundamental que se estabeleça uma tensão entre a dinâmica do mercado, as decisões políticas com vistas a metas sociais e os valores éticos defendidos pela sociedade civil organizada, incluindo aqui a pressão organizada dos consumidores contra empresas que ameaçam o meio ambiente e põem em risco a saúde e os direitos dos trabalhadores e dos consumidores.

Nesta tensão, precisamos ter claro que não se pode simplesmente exigir que os agentes econômicos obedeçam a valores éticos provindos totalmente fora da dinâmica econômica. Isto é, não se pode deduzir uma exigência ética de justiça social a partir de certos princípios abstratos que não levam em consideração a dinâmica própria do sub-sistema econômico e a realidade de escassez de bens econômicos (matéria prima, tecnologia, conhecimento, tempo, recursos financeiros, etc..) e exigir o seu cumprimento imediato.

É preciso que os economistas e agentes econômicos levem em consideração as questões éticas e políticas, assim como os políticos e defensores da ética também devem levar em consideração a lógica econômica. Em outras palavras, os agentes desses sub-sistemas não devem pretender que o seu sub-sistema representa a totalidade do sistema social, mas pelo contrário devem reconhecer a autonomia relativa desses sub-sistemas e a realidade da interdependência delas no interior da sociedade. É dessa tensão que podemos gerar uma alternativa ao sistema de mercado capitalista.

NA - Na sua opinião, quem controla o mercado hoje? Que papel tem a sociedade civil e o Estado nesse processo?

Jung Mo Sung - Quando se discute o controle do mercado, devemos antes de mais nada perguntar pelo conceito de "controle" aqui empregado. Se compreendemos a noção de controle do mercado como algo que é feito por um agente/sujeito que estaria fora do mercado controlando-o segundo a sua vontade, devemos dizer que ninguém controla o mercado. Pois todos os agentes econômicos são participantes, componentes, do sub-sistema mercado. Nesse sentido, o mercado é um sistema auto-organizador. Isto é, não há nenhum agente externo ao mercado agindo como um sujeito que controla e manipula um objeto fora de si, o mercado. O caminho e as sucessivas configurações que o mercado toma são resultados do conjunto de ações e reações extremamente complexas do próprio sistema econômico. É o que os estudiosos de sistemas chamam de sistemas complexos auto-organizativos.

Foto Alexandre Firmino Foto João Ripper

Esta noção de auto-organização do mercado não quer dizer que todos os participantes do mercado possuem mesma força ou os mesmos privilégios. É claro que não. Os principais agentes que têm força para direcionar o mercado mais próximo aos seus interesses são, sem dúvida, as grandes corporações transnacionais. Mas, não devemos esquecer que as corporações também não têm controle do mercado, pois também elas entram em crise e até em falências, como o famoso caso de Enron, WorldCom, e agora a crise da grande General Motors. Capitalismo é um sistema que se desenvolve e cria através da destruição de métodos e agentes econômicos ultrapassados ou não eficientes, o que Schumpeter chamou de "destruição criativa".

Eu penso que o papel da sociedade civil organizada e do Estado, no âmbito da economia, deveria ser a de contrapor-se à força e aos interesses das grandes corporações para defender os interesses e os direitos da maioria da população. Pois sem essa defesa, através de regulações e de pressões sociais, é a própria sociedade e o meio ambiente que está em perigo. Capitalismo deixado livre na sua voracidade de aumentar e concentrar os lucros privados tende a destruir a natureza, que nos possibilita a vida, e a própria sociedade.

NA - É possível construir outra lógica política-social onde o mercado não ocupe o centro? Como?

Jung Mo Sung - É claro que sim! Não somente é possível, mas é fundamental para a construção de uma nova sociedade que mereça mais o nome de sociedade humana.

Para que o mercado não ocupe o centro, precisamos discutir a própria noção de centro da sociedade. Nas sociedades pré-modernas a Igreja/religião ocupava o lugar central da sociedade. No capitalismo é o mercado, e no socialismo de modelo soviético era o Estado. Eu penso que devemos superar a concepção de um único centro organizador e coordenador da vida social e pensarmos em um "centro" formado por diversos "centros" em tensão entre si. Concretamente falando, o centro formado por uma tensão entre o Mercado, o Estado e a Sociedade Civil.

No socialismo que conhecemos o Estado ocupava o centro, secundado por um mercado muito fraco e uma sociedade civil quase ausente. No capitalismo neoliberal temos um mercado hipertrofiado, um Estado em um processo de diminuição e a sociedade civil ainda em processo de organização e fortalecimento. Alguns pensam que a sociedade civil deve ou pode ser a alternativa. Eu penso que a alternativa passa por superar não só o capitalismo ou socialismo "real", mas a própria noção moderna de "um" único centro ou um único princípio organizador da sociedade, seja a concorrência do mercado ou a solidariedade. Precisamos pensar em termos de uma tensão mais ou menos equilibrada entre esses três sub-sistemas formando um "centro" que não seria mais o centro como conhecemos.

Como fazer isso concretamente? Além da déia mais genérica da necessidade de diminuir o papel do mercado e de fortalecer o Estado de espírito público e uma sociedade civil que defenda os valores éticos universais (valores éticos que defendem a dignidade fundamental de todos os seres humanos), eu não saberia dizer. Eu penso que é um desafio a ser enfrentado.

NA - Seria possível falar em um mercado inclusivo?

Jung Mo Sung - O sistema de mercado não é meramente excludente. Se isso fosse verdade, o mercado acabaria por si só, após excluir quase todos e, com isso, destruir o próprio mercado de consumo. O mercado possui uma lógica que exclui ao mesmo tempo em que inclui. E, em alguns casos, pode até beneficiar os setores mais pobres ou excluídos da sociedade. Deixe-me dar um exemplo.

Na Índia existem lugares onde ainda prevalece o sistema de castas e os párias estão excluídos de todas as oportunidades de uma vida melhor e mais digna. Mesmo que um pária consiga obter uma qualificação profissional, ele não conseguirá emprego em uma empresa dirigida por proprietários que seguem o sistema de castas. Se nessa cidade chega um empresário capitalista moderno que não leva em consideração o sistema de castas, mas somente o cálculo de custo e benefício, ele provavelmente empregará o pária, porque ele é produtivo e o salário dele é baixo. Eu não estou dizendo que esse capitalista está fazendo um ato de solidariedade ou que ele é uma boa pessoa. Capitalista pensa em termos de lucro e não em termos éticos. Mas, a lógica capitalista moderna pode ser um meio de inclusão social para grupos sociais que estão excluídos por motivos religiosos, étnicos, de gênero, etc.

A questão não é se o mercado exclui ou inclui, mas sim quem o mercado exclui e inclui e, o mais importante, se o resultado final desse processo de exclusão-inclusão beneficia ou não a maioria da população pobre do mundo. Eu penso que o resultado final do mercado capitalista é ruim para a imensa maioria dos pobres. Por isso luto por uma sociedade alternativa ao capitalismo. Mas, ao mesmo tempo, eu sei que o mercado que existir nessa outra sociedade também terá a lógica de exclusão-inclusão e que, por isso, precisaremos estar atentos para a dinâmica concreta dessa lógica e os seus resultados e intervir através de regulações estatais e pressões sociais para corrigi-la.

NA - Como você vê a relação entre mercado, modos de vida, mentalidades e novas subjetividades?

Jung Mo Sung - Além das questões que eu disse na primeira pergunta, eu gostaria de introduzir aqui a noção de espiritualidade do consumo. Estou entendendo aqui a espiritualidade como algo que tem a ver com o sentido da vida humana, aquilo que atrai uma pessoa no seu desejo ou impulso de querer se tornar um ser humano mais pleno e lhe dá força para superar os obstáculos.

Toda sociedade apresenta um modelo de plenitude humana, um modelo de "ser humano", e oferece os caminhos para isso. Esta espiritualidade hegemônica na sociedade nem sempre é vista como espiritualidade, pois é percebida como sentido natural da vida, como algo óbvio. Grupos ou comunidades que buscam um sentido de vida alternativo ao dominante desenvolvem mais a noção de espiritualidade como um esforço de seguir um caminho mais difícil e alternativo. Mas, isto não quer dizer que a espiritualidade dominante em uma determinada sociedade não seja espiritualidade, isto é, não ofereça um sentido de vida, uma noção de o que é ser mais humano e os caminhos para esse objetivo.

Na nossa sociedade as pessoas lutam, se esforçam, invejam outras pessoas, etc., em função do padrão de consumo. Quando perguntamos a uma criança ou a um adolescente sobre o que querem ser quando adultos, eles perguntam pela profissão que dá mais dinheiro para poder comprar mais coisas e coisas mais caras.

Foto João Ripper

O sistema de mercado - com a sua máquina de propaganda e os meios de comunicação mostrando o que desejar/comprar, padrão de beleza e de sucesso - estabeleceu uma cultura de consumo que conseguiu capturar o desejo de quase toda a população. A grande maioria dos jovens hoje não deseja mudar o mundo, mas deseja mudar de padrão de consumo. Mudar o mundo significa para muitos mudar o seu mundo pela mudança para um padrão superior de consumo.

Em termos religiosos, a conversão é uma profunda mudança do desejo. Um grande desafio que temos é como mudar o desejo da uma boa parte da população; mudar do desejo de um outro padrão de consumo para o desejo de um outro mundo qualitativamente mais humano e melhor. Para isso precisamos ajudar as pessoas a compreenderem que a sua dignidade é anterior às relações mercantis e ao consumo, que a nossa identidade e subjetividade não pode ser um produto do que consumimos ou do lugar que ocupamos no sistema econômico.

É o desafio de criar uma cultura e de difundir uma espiritualidade que mostre que a nossa sujeiticidade (a característica que nos faz ser sujeito humano) não nasce das relações com a mercadoria ou mercado (o que Marx chamou de fetichismo da mercadoria), mas sim do encontro face a face com outra pessoa, no encontro das pessoas que se reconhecem mutuamente que somos seres humanos na "nudez" da nossa humanidade. (NA)

Efeito gráfico s/ foto de João Ripper

NA
- ¿Qué piensa Ud. sobre el papel del mercado en las sociedades del mundo contemporáneo?

Jung Mo Sung - Creo que debemos analizar el papel del mercado en el mundo de hoy en, por lo menos, tres aspectos distintos de la vida social. El primero, el más visible y comentado, es el papel del mercado en el proceso de la globalización económica. Sin que entremos en la discusión sobre lo que significa exactamente la noción de "globalización", quisiera llamar la atención al hecho de que las sociedades humanas, en la medida en que desarrollan sus medios de transporte y de comunicación, tienden a ir más allá de sus límites territoriales y a ampliar los contactos con otros pueblos, lo que acaba ampliando sus horizontes y su noción de mundo. Es decir, contactos y relaciones con otros pueblos y sociedades forman parte de la dinámica de desarrollo tecnológico y social de la humanidad.

Lo que es característico de nuestro tiempo es que esos "encuentros" y relaciones se dan bajo el impulso de la dinámica del mercado. O sea, el "motor" principal de esa dinámica de dirigirse a otros pueblos y países, de establecer relaciones más permanentes y de ampliar el sistema social y económico resultante de esas relaciones de interdependencia, son las relaciones mercantiles y la búsqueda de nuevos mercados y de más lucro.

En otras palabras, personas, grupos sociales y países podrán o no integrarse al proceso de la globalización en la medida en que sean capaces de integrarse a esa dinámica del mercado. Aquellos que ocupan los mejores lugares, a causa de su poder económico y de su mejor capacidad para seguir la dinámica del mercado y las evoluciones tecnológicas, hacen usufructo de los beneficios de la globalización, mientras que aquellos que se integran de forma subordinada se quedan con las migajas y los problemas de la globalización económica.

En resumen, el mercado pasó a ser el gran distribuidor de la vida y de la muerte en nuestro mundo.

El segundo aspecto tiene que ver con el criterio trascendental para definir la diferencia entre una violencia legítima y una ilegítima. Todas las sociedades, tanto las más antiguas como las que vendrán, tendrán que lidiar con el control de la violencia. Los seres humanos somos capaces de gestos gratuitos y solidarios pero no podemos olvidar que la agresividad forma parte del reino animal al que pertenecemos, y que los seres humanos somos capaces de actos violentos, muchas veces sin un motivo razonable. En la antigüedad, la violencia era controlada por medio de mecanismos religiosos. Los sacrificios y los tabúes eran las formas utilizadas para establecer la diferencia entre una violencia sagrada/legítima y una violencia impura, profana, que podía destruir a la comunidad. En los tiempos modernos, el Estado pasó a tener el monopolio de la violencia legítima y legal. Por ejemplo, cuando un juez condena a un ladrón a ir a la prisión, el robo es visto como violencia, pero el confinamiento de esa persona no es visto como violencia sino como un acto de justicia.

El Estado Nacional todavía detenta ese monopolio dentro de cada país, pero en el mundo globalizado de hoy el fundamento último o el criterio trascendental de esa violencia legítima, - criterio que está más allá de todas las leyes concretas - es el mercado. Un ejemplo claro de esto aparece, por ejemplo, en el discurso de Bush cuando anuncia la misión de los Estados Unidos de llevar la libertad al mundo. Invasiones, guerras e imposiciones políticas son justificadas, legitimadas y convertidas en obligatorias por el mercado - pues se trata de una misión - con el fin de llevar la libertad que sólo el mercado puede darle a la humanidad. El mercado pasó a ser sinónimo de libertad y el criterio para la violencia "legítima". La violencia en nombre del mercado no es considerada violencia sino portadora de libertad y salvación. El tercer aspecto tiene que ver con la subjetividad humana. Todos los individuos y grupos necesitan crear una identidad. Esa identidad se forma a partir del sentimiento o realidad de pertenencia a un determinado grupo, comunidad o nación, y a partir de las diferencias en relación a otros grupos o personas del mismo nivel (diferencia horizontal) y de niveles jerárquicos superiores e inferiores (diferencia vertical). Nuestra sociedad, dominada por la cultura del consumo, construye, en gran parte, la identidad personal y grupal a partir del padrón de consumo. Quien consume mejor (marcas de éxito) y más, es o se lo considera una persona mejor, es "más persona", mientras que quien no consigue seguir el padrón de consumo exigido por la sociedad o por un determinado grupo social es "menos persona" y comete el gran pecado de ser un consumidor fallido.[1]

En síntesis, el sistema del mercado capitalista se volvió hegemónico y domina el mundo porque: a) es el centro que coordina e impulsa la división mundial del trabajo y del proceso de "integración" económica y social; b) se convirtió en el criterio trascendental que define a la violencia legítima y a la ilegítima; c) es fuente de la subjetividad y de la identidad de una persona o de un grupo social.

NA - Nos gustaría que hiciera algunos comentarios más específicos sobre las relaciones entre mercado, ética y política.

Jung Mo Sung - Antes de responder a esta pregunta, es importante que recordemos que hay una diferencia entre la noción de mercado y la del sistema de mercado. El mercado es un espacio social (no necesariamente un espacio físico) de intercambio, al que las personas se acercan para comprar y vender productos y servicios, y que existe desde mucho antes del capitalismo y existirá después de él. Mientras el sistema de mercado capitalista es un sistema económico basado solamente o casi exclusivamente en las leyes del mercado, el sistema económico no acepta que reglas exteriores al mercado -como las reglas éticas o políticas-, le sean impuestas o restrinjan sus leyes. Es lo que Karl Polanyi, en su clásico libro La Gran Transformación, llamó de sistema autorregulable del mercado: "una economía dirigida por los precios del mercado y sólo por ellos".

Foto Alexandre Firmino

Uno de los grandes problemas del proceso actual de globalización económica es la absolutización del mercado. La alternativa no puede ser pensada en términos de una economía sin mercado, ya que eso sería reproducir la misma lógica de la absolutización del mercado pero de forma inversa, absolutización negativa. En sociedades amplias y complejas como la nuestra es imposible conocer todos los factores que componen el subsistema economía (tales como, clima, calidad de la tierra, deseos y necesidades de las personas, procesos de producción, etc) para poder planear de modo centralizado y eficiente todo el proceso económico. Esta es la razón por la cual un cierto grado de descentralización de las decisiones económicas (de los consumidores y productores) y las relaciones mercantiles son imprescindibles.

Cuando se toma distancia de estos dos extremos (solamente el mercado y solamente un planeamiento centralizado sin mercado), se abre un espacio para discutir la relación entre mercado, ética y política. Creo que es fundamental que se establezca una tensión entre la dinámica del mercado, las decisiones políticas con vistas a metas sociales y los valores éticos defendidos por la sociedad civil organizada, incluyendo aquí la presión organizada de los consumidores contra empresas que amenazan al medio ambiente y ponen en riesgo la salud y los derechos de los trabajadores y de los consumidores.

En esa tensión tenemos que tener claro que no se puede simplemente exigir que los agentes económicos obedezcan a valores éticos provenientes totalmente de fuera de la dinámica económica. O sea, no se puede deducir una exigencia ética de justicia social a partir de ciertos principios abstractos que no tienen en cuenta la dinámica propia del subsistema económico y la realidad de escasez de bienes económicos (materia prima, tecnología, conocimiento, tiempo, recursos financieros, etc) e exigir su cumplimiento inmediato.

Es necesario que los economistas y agentes económicos tengan en cuenta las cuestiones éticas y políticas, así como los políticos y defensores de la ética también deben considerar la lógica económica. En otras palabras, los agentes de esos subsistemas no deben pretender que su subsistema represente la totalidad del sistema social, sino que por el contrario, deben reconocer la autonomía relativa de esos subsistemas y la realidad de su interdependencia en el interior de la sociedad. Es de esa tensión que podemos crear una alternativa al sistema de mercado capitalista.

NA - En su opinión, ¿quién controla hoy el mercado?

Jung Mo Sung - Cuando se discute sobre el control del mercado es necesario, antes que nada, preguntarse por el concepto de "control" aquí empleado. Si comprendemos la noción de control de mercado como algo que es hecho por un agente/sujeto que está fuera del mercado controlándolo según su voluntad, debemos decir que nadie controla al mercado. Pues todos los agentes económicos son participantes, componentes del subsistema mercado. En ese sentido, el mercado es un sistema auto-organizador. Es decir, no hay ningún agente externo al mercado que actúe como un sujeto que controla y manipula un objeto fuera de sí, del mercado. El camino y las sucesivas configuraciones que el mercado toma son el resultado de un conjunto de acciones y reacciones extremamente complejas del propio sistema económico. Es lo que los estudiosos de reacciones llaman sistemas complejos auto-organizativos.

Esta noción de auto-organización del mercado no quiere decir que todos los participantes del mercado poseen la misma fuerza o los mismos privilegios. Claro que no. Los principales agentes que tienen fuerza para conducir el mercado hacia sus intereses son, sin lugar a dudas, las grandes corporaciones transnacionales. Pero no nos olvidemos que las corporaciones tampoco tienen control del mercado, ya que también ellas entran en crisis e incluso quiebran, como el famoso caso de Enron, WorldCom, y ahora la crisis de General Motors. El capitalismo es un sistema que se desarrolla y que es creado a través de la destrucción de métodos y agentes económicos pasados o ineficientes, lo que Schumpeter llamó "destrucción creativa".

Creo que el papel de la sociedad civil organizada y del Estado, en el ámbito de la economía, debería ser el de contraponerse a la fuerza y a los intereses de las grandes corporaciones para defender los intereses y los derechos de la mayoría de la población. Sin esa defensa por medio de reglamentaciones y presiones sociales, la propia sociedad y el propio medio ambiente están en peligro. El capitalismo librado a su voracidad de aumentar y concentrar los lucros privados tiende a destruir la naturaleza que nos posibilita la vida y a destruir la propia sociedad.

NA - ¿Es posible construir otra lógica político-social en donde el mercado no ocupe el centro? ¿Cómo?

Jung Mo Sung - ¡Claro que sí! No solamente es posible sino que es fundamental para la construcción de una nueva sociedad que merezca realmente el nombre de sociedad humana. Para que el mercado no ocupe el centro, necesitamos discutir la propia noción de centro de la sociedad. En las sociedades premodernas la Iglesia/religión ocupaba el lugar central de la sociedad. En el capitalismo es el mercado y en el socialismo del modelo soviético era el Estado. Creo que debemos superar la concepción de un único centro organizador y coordinador de la vida social y pensar en un "centro" formado por diversos "centros" en tensión entre sí. Hablando concretamente, sería un centro formado por una tensión entre el Mercado, el Estado y la Sociedad Civil.

En el socialismo que conocemos el Estado ocupaba el centro, secundado por un mercado muy débil y una sociedad civil casi ausente. En el capitalismo neoliberal tenemos un mercado hipertrofiado, un Estado en proceso de disminución y la sociedad civil aún en proceso de organización y fortalecimiento. Algunos piensan que la sociedad civil debe o puede ser la alternativa. Yo creo que la alternativa pasa por superar no sólo al capitalismo o socialismo "real", sino la propia noción moderna de "un" único centro o un único principio organizador de la sociedad, sea este la competición de mercado o la solidaridad. Tenemos que pensar en términos de una tensión más o menos equilibrada entre esos tres subsistemas para que formen un "centro" que no sería más el centro que conocemos.

¿Y cómo hacer esto, concretamente? Al margen de la idea más genérica sobre la necesidad de disminuir el papel del mercado y de fortalecer el Estado de espíritu público y una sociedad civil que defienda los valores éticos universales (valores éticos que defiendan la dignidad fundamental de todos los seres humanos), yo no sabría decir cómo. Creo que es un desafío a ser enfrentado.

NA - ¿Es posible hablar de un mercado inclusivo?

Jung Mo Sung - El sistema de mercado no es meramente excluyente. Si eso fuera verdad, el mercado se acabaría por sí solo, después de excluir a casi todos y destruir, así, el propio mercado de consumo. El mercado posee una lógica que es excluyente al mismo tiempo que inclusiva. Y en algunos casos puede incluso beneficiar a los sectores más pobres o excluidos de la sociedad. Ya le doy un ejemplo.

Foto João Ripper

En India existen lugares en donde todavía prevalece el sistema de castas y los parias están excluidos de todas las oportunidades de una vida mejor y más digna. Aunque el paria obtenga un título profesional, no podrá conseguir empleo en una empresa dirigida por propietarios que sigan el sistema de castas. Si en cambio llega a esa ciudad un empresario capitalista moderno que no toma en consideración el sistema de castas sino solamente el cálculo de costo y beneficio, probablemente empleará al paria, por ser él productivo y su salario, bajo. No quiero decir con esto que ese capitalista está siendo solidario o que es una buena persona. El capitalista piensa en términos de lucro y no en términos éticos. Pero la lógica capitalista moderna puede ser un medio de inclusión social para grupos sociales que están excluidos por motivos religiosos, étnicos, de género, etc.

El tema no es si el mercado es excluyente o inclusivo, sino a quién el mercado excluye o incluye y, lo que es más importante, si el resultado final de ese proceso de exclusión-inclusión beneficia o no a la mayoría de la población pobre del mundo. Creo que el resultado final del mercado capitalista es negativo para la inmensa mayoría de los pobres. Por eso lucho por una sociedad que sea alternativa al capitalismo. Pero también sé que sea cual fuere el mercado que exista en esa otra sociedad, tendrá la lógica de exclusión-inclusión y que, por eso, tendremos que estar atentos a la dinámica concreta de esa lógica y a sus resultados e intervenir a través de reglamentaciones estatales y presiones sociales para corregirla.

NA - ¿Cómo ve Ud. la relación entre el mercado, los modos de vida, las mentalidades y las nuevas subjetividades?

Jung Mo Sung - Además de lo dicho en la primera pregunta, me gustaría introducir aquí la noción de espiritualidad de consumo. Entendiendo aquí espiritualidad como algo que tiene que ver con el sentido de la vida humana, que impulsa a la persona a querer ser un ser humano más pleno y que le da fuerza para superar los obstáculos.

Toda sociedad presenta un modelo de plenitud humana, un modelo de "ser humano" y ofrece los caminos para ello. Esta espiritualidad hegemónica en la sociedad no siempre es vista como espiritualidad, ya que se la percibe como sentido natural de la vida, como algo obvio. Grupos o comunidades que buscan un sentido de vida alternativo al dominante desarrollan más la noción de espiritualidad como un esfuerzo de seguir el camino más difícil y alternativo. Pero eso no significa que la espiritualidad dominante en una determinada sociedad no sea espiritualidad, o sea, no significa que no ofrezca un sentido de vida, una noción de lo que es ser más humano y los caminos para ese objetivo.

En nuestra sociedad las persona luchan, se esfuerzan, envidian a otras, etc, en función del padrón de consumo. Cuando se le pregunta a un chico o a un adolescente sobre lo que quiere ser cuando crezca, ellos preguntan por la profesión que da más dinero para poder comprar más cosas y las cosas más caras.

El sistema de mercado -con su máquina de propaganda y los medios de comunicación que muestran aquello que se desea comprar, un padrón de belleza y de éxito-, estableció una cultura de consumo que consiguió capturar el deseo de casi toda la población. La gran mayoría de los jóvenes hoy no desea cambiar el mundo, sino cambiar el padrón de consumo. Para muchos, cambiar el mundo significa cambiar su mundo a través del acceso a un padrón superior de consumo.

En términos religiosos, la conversión es un profundo cambio de deseo. El gran desafío que tenemos es cómo cambiar el deseo de buena parte de la población; cambiar el deseo de otro padrón de consumo por el deseo de otro mundo cualitativamente más humano y mejor. Para eso, necesitamos ayudar a las personas a que comprendan que su dignidad es anterior a las relaciones mercantiles y al consumo, que nuestra identidad y nuestra subjetividad no puede ser un producto de lo que consumimos o del lugar que ocupamos en el sistema económico.

Es el desafío de crear una cultura y de difundir una espiritualidad que muestre que nuestra "sujeticidad" (la característica que nos hace ser sujeto humano) no nace de las relaciones con la mercadería o el mercado (lo que Marx llamó el fetichismo de la mercadería) sino del encuentro cara a cara con otra persona, del encuentro de las personas que se reconocen mutuamente como seres humanos en toda la sencillez de su humanidad. (NA)


[1] - No Dicionário da Real Academia Española, existe a acepção de frustrado, sem efeito para o adjetivo fallido. É este, pois, o sentido da nossa tradução.



MERCADO RELIGIOSO
Brenda Carranza
Campinas - Brasil


Acostumados a passear por shoppings centers nos centros urbanos e a freqüentar supermercados onde encontramos imensa variedade de produtos que satisfazem todas as nossas necessidades de consumo material e subjetivo, não é estranho transferirmos a imagem de mercado a multiplicidades de ofertas disponíveis a olho nu. Nessa praça de sentidos, em que se constitui a imensa quantidade de possibilidades que por virtude possam vir preencher o nosso desejo de sagrado e/ou de espiritualidade, encontramos desde produtos de consumo como livros, cd's, dvd's, filmes, programas de rádio e de televisão, sites, blogs, objetos de culto, camisetas, bonés, bolsas, entre outros, até inúmeras agências do sagrado como igrejas, sinagogas, centros espíritas, terreiros de Candomblé, Umbanda, centros holísticos, spas religiosos, grupos "orientalistas", esotéricos, agnósticos, seitas secretas. Entretanto, a expressão "mercado religioso" responde mais a uma metáfora que esconde realidades mais complexas que a simples oferta e demanda de serviços religiosos propriamente dita.

Quando falamos em mercado religioso na verdade estamos fazendo referência a uma mudança histórica que se dá no cristianismo medieval, cujas origens estão lá no século XVI, em torno do qual girava toda a organização social da cultura ocidental. Com o advento da Modernidade, conhecida como o movimento das grandes rupturas que trazia no seu bojo a liberdade econômica, aos poucos foi-se gestando uma revolução silenciosa nos modos de relação da sociedade, até culminar na autonomia do indivíduo e seu direito a livre escolha em todos os níveis, ora relacionais e afetivos ora no trabalho e até na possibilidade de escolher em que acreditar ou mesmo não ter que acreditar.

Homens e mulheres modernos passaram a pensar, sentir, posicionar-se perante uma nova ordem na qual o centro não era mais a teologia cristã, mas a própria pessoa, seu eu, o self; gera-se, então, uma ruptura com aquele mundo ordenado, com garantias de verdades absolutas que pautavam os comportamentos pessoais e coletivos. Soma-se a isso a quebra do monopólio religioso do catolicismo que a Reforma Protestante, liderada por Martinho Lutero, trouxe para o cristianismo. Ruptura que abriu passo ao pluralismo religioso, o qual percorrerá com ritmos descompassados quatro séculos, até nossos dias.

Se for verdade que a Modernidade reduz a religião à esfera privada, ao foro íntimo da escolha pessoal, também é verdade que as pessoas passaram a sentir-se mais fragilizadas diante de uma sociedade marcada por múltiplas opções de expressões religiosas. Enquanto o pluralismo religioso traz a riqueza da diferença, o direito a poder decidir, ele também revela o risco de assumir a própria vida na qual a religião não é mais um dado herdado, não é um legado tradicional que se impõe dando a segurança da verdade que não precisa ser refletida. A liberdade e a pluralidade religiosa, então, podem tornar-se fonte de angústia e insegurança.

Mas nem todos serão capazes de lidar pessoal ou coletivamente com a dupla dimensão de escolha e de risco que a diversidade religiosa comporta. Emergem, assim, grupos que reagem agressivamente para impor suas convicções e interpretações do sagrado, produzindo os movimentos fundamentalistas. Com isso, a Modernidade contêm, na sua própria dinâmica, os contrários: pluralismo e fundamentalismo religioso, os quais parecem se acentuar, cada vez mais, numa sociedade que oscila entre tantos outros extremos. Assim, assistimos à emergência de grupos que impedem a outros o direito à liberdade religiosa, mesmo que garantido nas Constituições de tantos países, ainda que ditos e tidos como avançados.

Porém, a diversidade religiosa como parte da riqueza cultural e do avanço democrático só se concretiza no exercício cotidiano das práticas sociais que descem aos mínimos detalhes de aceitação do outro como pessoa, a qual tem direito a pensar, sentir, e posicionar-se de maneira diferente perante aquilo que denominamos de religioso. Nessa perspectiva, falarmos em mercado religioso é olhar positivamente para um processo de pluralidade, em que o direito a crer é uma exigência social de tolerância e diálogo, pessoal e coletivo. Pensar em mercado religioso como direito à diversidade, numa sociedade multicultural como a atual, é, sem dúvida, seu maior desafio. As novas gerações terão de ser educadas na fidelidade às próprias convicções e, por isso, capazes de respeitar as daqueles que, embora não as compreendam, reconhecem-nas e defendem o direito delas existirem, pelos simples fato de seremos todos pessoas.


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