Revista

L
a Revista de la Pátria Grande


CONSTRUINDO CAMINHOS/ CONSTRUYENDO CAMIÑOS

Famílias monoparentais
Lidia Levy
Departamento de Psicologia da PUC-Rio
Rio de Janeiro - Brasil


Foto João Ripper
Actualmente se observa un número cada vez mayor de familias monoparentales, o sea, compuestas por padre o madre cuidando solo(a) de sus hijos. En la realidad brasileña, con frecuencia las mujeres son las jefes de familia, sustentando y educando a los hijos sin la participación paterna. Contradiciendo muchas de las “profecías” elaboradas en la segunda mitad del siglo XX sobre la ausencia de la figura paterna, hoy sabemos que no hay garantías de que un/a niño/a sea más feliz y equilibrado/a emocionalmente por vivir en una família “tradicional”. La familia monoparental puede proporcionar referencias estables, beneficiándose, además, por la presencia de figuras representativas de la red de apoyo social y afectiva que constituye. .



Quando pensamos na família padrão, dita tradicional, referimo-nos à família nuclear, tal como estabelecida entre os séculos XIX e XX. Na segunda metade do século XX, novas formas de família começam a ser construídas, causando estranheza. O aumento do número de casais separados provocou diversos arranjos familiares que, inicialmente, confrontados ao modelo tradicional, geravam preconceito. Vale lembrar que, em época não tão distante, eram comuns as profecias sobre o destino dos filhos de pais separados e os problemas emocionais que os atingiriam. Estudos sobre famílias reconstituídas e famílias monoparentais indicam que as profecias não se realizaram.

Observa-se na atualidade um número cada vez maior de famílias monoparentais, ou seja, famílias com postas por um pai ou uma mãe cuidando sozinho(a) de seus filhos. Na realidade brasileira, com freqüência encontramos famílias chefiadas por mulheres, arcando com o sustento e a educação dos filhos sem a participação paterna. A ausência da figura paterna costumava ser a explicação rapidamente encontrada para justificar qualquer problemática emocional apresentada por crianças ou adolescentes que convivessem apenas com sua mãe. Entretanto, não há garantias de que uma criança seria mais feliz e equilibrada emocionalmente, vivendo numa família constituída por pai e mãe. Sendo assim, uma família monoparental poderia propiciar referências estáveis tanto quanto uma família tradicional.

Foto João Ripper

A ausência de um dos pais não é impeditiva da constituição da criança enquanto sujeito. Nas famílias monoparentais importa que alguém faça função paterna para a criança, e alguém exerça a função materna. Devemos ainda considerar que a função materna não é exclusiva do sexo feminino e que as funções socializante e interditora podem e devem ser realizadas por qualquer um dos pais. Além do mais, o grupo social, através de figuras significativas para a criança, lhe oferece modelos de identificação. Se o valor simbólico que o pai representa for transmitido pela mãe e pela sociedade, a sua ausência real poderá ser superada.

Problemas ocorrem, por exemplo, quando os filhos são usados pela mãe ou pelo pai como uma forma de compensação para preencher um vazio existencial. Entretanto, os desejos de, através do vínculo com uma criança, estabelecer uma relação fusional e satisfazer uma necessidade de dependência pode estar presente nos discursos de pais casados, solteiros, viúvos ou divorciados. No caso de famílias monoparentais, tais desejos encontram terreno fértil quando não existe um outro que possa lhes fazer barreira. Em algumas famílias, onde a mãe exerce sozinha a autoridade parental, pode ocorrer que seja reforçada a fantasia de uma "mãe onipotente". O ressentimento e o movimento de aprisionar o filho em uma aliança contra o mundo podem ser entrevistos em afirmativas do tipo: "Eu não preciso de ninguém para me ajudar a cuidar do meu filho".

O pai ou a mãe, marcados pela Lei, permitem ao filho constituir-se como sujeito. Aquele que cuida sozinho de uma criança é responsável por indicar-lhe um lugar a partir do qual sua existência se construirá e, ao mesmo tempo, introduzi-lo no social, impondo limites e transmitindo ideais. Limites aos quais também deverá se submeter.

Foto João Ripper

A dinâmica familiar exige trocas entre seus membros, vínculos são formados dentro da família e fora dela. Verifica-se que a socialização do indivíduo tem sido cada vez mais o resultado de uma intervenção da sociedade, através de suas instituições, e cada vez menos o resultado da ação familiar. No caso de famílias monoparentais o apoio da família mais ampla é fundamental, mas também o de redes sociais que funcionam como um continente para as ansiedades e receios tanto das crianças que a ela pertençam, quanto dos adultos, em seus momentos de maior insegurança.

Famílias monoparentais são beneficiadas por uma rede de apoio social e afetiva, ou seja, pela presença de pessoas significativas, sejam da família extensa, amigos ou membros da comunidade, com os quais possam manter relações afetivas. As redes funcionam suprindo em parte as funções da figura parental ausente, impedindo o isolamento e ajudando na socialização da criança. Concluímos, portanto, que novos arranjos familiares vieram acrescentar-se às formas tradicionais de família, porém, as funções materna e paterna continuam indispensáveis ao desenvolvimento do ser humano, não importando quem as exerça.
(NA)

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