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L
a Revista de la Pátria Grande

EDITORIAL

Futebol: uma paixão sem limites

Nossa revista, neste número, fala sobre futebol. Através de artigos, entrevistas e reportagens buscamos refletir sobre o significado dessa paixão planetária.

A maioria dos nossos autores acha que o futebol é extremamente importante para a educação. "É uma escola de vida. Nos ensina muito de grupo, de solidariedade, de equipe" , diz Leonardo, ex-jogador da seleção brasileira. O técnico da seleção, Carlos Alberto Parreira, concorda: "Educação é preparar para a vida e o futebol ajuda nisso, principalmente quando o trabalho no clube é muito bem feito" . Já o jornalista Armando Nogueira, em entrevista, afirma que o futebol "deseduca" . Para ele, isso acontece porque o futebol "exaspera a paixão e a paixão é meio selvagem" , diz. Conhecer os diferentes argumentos para as distintas opiniões sobre o assunto é mesmo um dos objetivos desse número da Novamerica.

Duas reportagens revelam que a paixão pelo futebol mobiliza, realiza e transforma para além do próprio esporte, ainda que distante do "glamour", dos grandes times e das cifras milionárias. Na matéria sobre o campeonato de futebol feminino "Flores del Valle", em Cochabamba, cidade boliviana, vemos como as mulheres enfrentaram preconceitos e romperam limites.

Em outra reportagem, conhecemos Laura, técnica do Bragança, time amador do bairro Bom Pastor, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Ela e seu marido Tosa, enfrentam juntos e há muito tempo, enormes desafios e dificuldades, inclusive, a disputa pelos jovens com o tráfico de drogas na região. Como não desistir sem dinheiro, sem apoio, sem patrocínio? Só a paixão pelo futebol, imensa e sem limites pode responder.

Outros artigos abordam a relação do futebol com o poder, com a política, com o mercado, com a história, com a comunicação e a linguagem, inclusive, a do corpo. No texto "El poder del fútbol", o jornalista Jorge Ariel Vasalo afi rma que na Argentina, como em muitos outros países, o futebol forma parte do "ser nacional" , tanto como o chimarrão ou o doce de leite. Não é exagero e, se for, ele não é o único a exagerar. José Araújo Koff, por exemplo, dirá em seu artigo que "se fosse possível dar a um esporte o título de rei, este seria dado ao futebol" .

Os leitores verão que, a despeito de termos alcançado ou não êxito, nos esforçamos para entender porque tantos em tantos países cultivam essa paixão. Todas as contribuições deixadas aqui nos dão pistas para essa resposta. Mas, na entrevista com o presidente do Clube dos Treze, Fábio André Koff, ele nos diz que "poucos espaços públicos contemplam a convivência democrática com a intensidade de um estádio de futebol". E é verdade. Olhemos então, mais uma vez, para o público do futebol, esse que juntamente com sua paixão desenfreada, queremos entender.

O dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898-1956) já disse, há muito tempo, que o espectador de teatro deveria se comportar como o público de estádios esportivos, onde, todos os da arquibancada são especialistas. Talvez gostemos assim tanto de futebol porque na arquibancada ou mesmo assistindo pela televisão ou só ouvindo pelo rádio, na condição de público, somos todos, como diz Brecht, especialistas. O público de futebol entende as regras do jogo, sabe como o jogador deveria armar a jogada, e como o juiz deveria julgá-la. Se não se sente contemplado, se manifesta. Durante um jogo de futebol, todos nós temos a chance de dizer o que achamos que deve ser feito.

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