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a Revista de la Pátria Grande


IDÉIAS EM REDE / IDEAS EN RED

Futebol e Mercado: uma relação em debate
José Araújo Koff
Rio de Janeiro - Brasil



Foto Agência TYBA
La práctica del deporte es tan antigua como la más antigua de las civilizaciones: hace 8.000 años en la Mesopotamia ya existían plazas deportivas. En la actualidad, el deporte ya es el tercer mayor mercado mundial. Mercado en el que se realizan las más importantes inversiones de los medios, se pagan los mayores sueldos, y que se ha convertido en un gran instrumento para el desarrollo económico de muchos paises. El mercado tiene la responsabilidad de hacer que la práctica del deporte, en general, y del fútbol -el deporte más jugado en el mundo- en particular, supere el lado mercantilista de la actividad deportiva y comience a valorarla como confraternización, salud y educación.



ESPORTE: UM MERCADO CADA VEZ MAIS PROMISSOR

Não é a indústria armamentista, nem a automobilística, tampouco a da informática ou aeronáutica. Atualmente, o esporte já é o terceiro maior mercado mundial, onde estão sendo feitos os maiores investimentos da mídia e se pagam os maiores salários. Agregado ao turismo e a todos os desdobramentos que este proporciona, tem sido um grande instrumento para o desenvolvimento econômico de muitos países. Não é à toa que os eventos esportivos se tornaram o novo filão desta indústria que cresce mais do que as convencionais.

Ninguém quer ficar para trás nessa disputa bilionária. Por isso, alguns países adiantaram-se na busca dos turistas que desejam assistir, aprender ou se aperfeiçoar na prática de esportes que não existem em suas comunidades ou, que, simplesmente, sonham em se aprimorar naquele que já praticam. E, assim, a troca internacional de experiências entre os diferentes esportistas passou a ser mais um fator fundamental para o avanço do esporte.

Não é mais novidade que a globalização contribui para que a mídia esteja presente nos quatro cantos do mundo e, nesse contexto, pode-se dizer que o esporte é o veículo mais importante para atingir metas e motivar o público-alvo. O resultado desse processo é que o poderoso binômio mídia-esporte tem servido para vender, inclusive, produtos não específicos desta área, tais como: de limpeza e higiene, relógios, óculos e eletrônicos para citar só alguns. Atento a essas mudanças, o mercado publicitário aprendeu depressa. Agora, as peças publicitárias e mercadológicas que eram realizadas em cada país são multiculturais e internacionais, facilitando a integração dos povos através de suas imagens.

Os bons ventos do esporte sopram longe gerando lucros para muitas áreas. O mercado do vestuário esportivo, equipamentos e utensílios necessários à pratica esportiva, por exemplo, tem crescido nos últimos anos a uma taxa de 12% ao ano. Além disso, a própria mídia encontra neste segmento a maior concentração de recursos de divulgação e a televisão não teria alcançado seu atual estágio sem a cobertura esportiva e os serviços que a esta vêm atrelados.

Para chegar até onde chegou, o esporte vem contando com um aliado fundamental: a tradição. A prática do esporte é tão antiga quanto a mais antiga das civilizações. Há 8.000 anos na Mesopotâmia já existiam praças esportivas de múltiplo uso. As modalidades esportivas da época evocavam a coragem e o adestramento militar daqueles que as praticavam. Alguns destes esportes são praticados até hoje com novas regras e tecnologias, mas mantendo seus princípios originais. Aos atletas vencedores eram destinados os louros e as distinções, criando então o primeiro mercado esportivo da história.

Foto Stela Quedes Caputo

"O REI DOS ESPORTES"

Se fosse possível dar a um esporte o título de "rei", sem dúvida este título seria dado ao futebol, única atividade esportiva praticada em todos os mais de 200 países hoje existentes. Criado em 1863, na Inglaterra, o futebol tornou-se o esporte mais democrático e conhecido, tendo sido trazido para o Brasil em 1894 por Charles Miller, filho do cônsul britânico em São Paulo.

As facilidades para a sua prática o transformaram em paixão mundial. Ele é praticado por atletas de todas as camadas sócio-culturais, já que seu equipamento básico permite a prática incondicional em qualquer "quadra", bastando que exista uma bola, seja ela o modelo oficial ou qualquer outra esfera que possa ser chutada. Curiosamente, alguns estudiosos constataram que a esfera é a forma geométrica que mais aproxima as pessoas e talvez esteja aí a explicação para o fenômeno de que a bola faz parte de 50% dos esportes coletivos.

Até a década de 70, o futebol (soccer) não tinha nenhuma expressão nos Estados Unidos, embora em nenhum outro lugar o esporte tenha tanta dimensão. Mas, o crescimento do futebol na Europa e na América do Sul despertou o interesse da mídia americana que acabou descobrindo ser este o mais importante mercado esportivo mundial. E, a partir de 1975, através do Cosmos de Nova Iorque, foi dada a largada para que este esporte se transformasse em uma febre americana. Em menos de 20 anos realizaram com sucesso o mundial de 1994, tendo a equipe americana, pela sua classificação, se apresentado como a maior surpresa da competição.

A equipe americana feminina de futebol é a atual campeã mundial e esta é uma façanha em que o mercado demonstrou sua grandiosidade e determinação em conquistar novos esportistas. A conseqüência disso é que o futebol foi o esporte que mais cresceu nos Estados Unidos nestas duas últimas décadas e, talvez, não seja um exagero afirmar que para além desse país, o seu crescimento tem dimensões estratosféricas.

A indústria de material futebolístico contratou os maiores astros desse esporte e com eles foram realizados os maiores contratos publicitários do mundo esportivo. É o futebol quem hoje detém a maior verba publicitária esportiva mundial. Jogadores milionários, cujos salários são muitas vezes superiores aos salários dos executivos que os contratam, estimulam a imaginação de todos os atletas.

Foto Adélia Maria Koff

FUTEBOL, MERCADO E RESPONSABILIDADE SOCIAL


O mercado tem a responsabilidade de fazer com que a realidade da prática do esporte, em geral, e do futebol, em particular, se sobreponha ao lado mercantilista da atividade esportiva. Com tanto dinheiro em jogo, talvez esta seja uma tarefa próxima do impossível, mas ela precisa ser realizada, já que é quase uma unanimidade a idéia de valorizar o esporte como confraternização, saúde e educação.

Acredita-se que pela sua natureza associativa, o futebol tem uma grande responsabilidade educacional e este é um foco onde o mercado ainda não compreendeu, pelo menos de uma forma mais efetiva, a sua função social. Investir na criação de centros educacionais e de formação é tão ou mais importante que a divulgação da marca. É a forma inteligente de ampliar o quadro de esportistas conscientes de seu papel na sociedade moderna. A ausência deste trabalho tem se manifestado, até mesmo, através de disputas entre torcidas que enfraquecem a imagem agregadora do futebol.

Enquanto esta consciência não se instalar, estaremos cada vez mais vendo a indústria do material e do entretenimento esportivos investindo apenas na criação de mitos. Atletas como Ronaldinho, Zidane, David Beckham, Roberto Carlos, Ronaldinho Gaúcho, Romário e Zico são exceções que sempre existirão e, embora sejam eles exemplos que despertam a paixão individual, que povoa a imaginação das torcida, é preciso favorecer a idéia de que o futebol é uma prática coletiva.

Nesse sentido, os times e as agremiações esportivas são o outro lado da moeda. São os geradores da paixão coletiva. São os formadores do atleta e os responsáveis por sua projeção. É oportuno dizer que o mercado seleciona as agremiações na proporção em que elas poderão dar o retorno na mídia e na aquisição dos produtos fabricados por ele. São as torcidas que impulsionam os diversos segmentos dessa indústria, com a venda de camisetas e todos os demais materiais esportivos pertinentes.

Grandes agremiações descobriram que suas marcas poderiam agregar vendas de produtos não esportivos transformando-se em verdadeiras "grifes". A paixão pelos clubes e suas cores é hoje um mercado que movimenta dezenas de bilhões de dólares ao ano. Esta verdade é tão significativa que deu, infelizmente, margem à criação da maior inimiga do esporte, a pirataria de material esportivo.

Outro aspecto que parece relevante lembrar é que o mercado de mídia associado ao futebol é sem dúvida o que envolve as maiores cifras. O custo das transmissões televisivas é da ordem de bilhões de dólares, cobertos pelo patrocínio de empresas que sabem ser este o melhor veículo de divulgação de seus produtos. Cosméticos, refrigerantes, bebidas, serviços de telefonia, vestuário esportivo estão entre os maiores anunciantes. E, nesse sentido, cada país, com sua cultura e costumes, trabalha intensamente para encontrar a melhor forma de divulgar e faturar com a divulgação de eventos esportivos.

Foto João Ripper

Este ano é "ano de Copa do Mundo" e, com certeza, a mídia vai explorar muito todas as situações que envolvem a preparação e a realização deste mega evento, pelo menos, nos 32 países classificados para a disputa.

Por conta de seus calendários extensos e sofisticados, cuja formulação envolve clubes, federações, associações, governos e, sobretudo, a mídia, podemos garantir que nos últimos 100 anos, em toda América do Sul, para citar um exemplo, nunca houve uma tiragem de grandes periódicos que não trouxesse notícias ou artigos sobre futebol.

Com a Internet, facilitando a divulgação de informações, novos nichos de mercado foram criados e o desenvolvimento do e-comércio de material esportivo já é uma realidade.

Por sua vez, o mercado que, por diversas vezes, cria datas especiais para motivar vendas, conta com 365 dias por ano para atender à demanda esportiva. Para o torcedor ou para o desportista, não existe trégua, não existem restrições e sua escolha se transforma em envolvimento, amor e paixão. E é por estas condições específicas que o futebol é o maior mercado esportivo mundial.

Entretanto, não é demais lembrar que todo mercado tem obrigação de zelar pela imagem de seu produto e, hoje, não existe nenhum produto esportivo tão importante quanto o futebol. Descuidar dele e de todas as suas implicações é o mesmo que descuidar da saúde e da educação do povo.

O futebol, assim como os demais esportes, precisam encontrar um caminho de melhor servir à educação. Programas educativos associados à prática esportiva têm demonstrado resultados positivos em diferentes partes do mundo, contribuindo de modo significativo para o desenvolvimento sócio-cultural de muitas crianças e jovens atletas. Estimular a idéia de que o esporte também é cultura é um desafio que se impõe aos países, comprometidos com a transformação e com a melhoria da qualidade de vida da suas sociedades. (NA)


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