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La Revista de la Pátria
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IDÉIAS
EM REDE / IDEAS EN RED
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“Futebóis”:
no plural, mesmo
Édison Gastaldo
Antropólogo e pesquisador no PPG
Ciências Sociais Aplicadas/Unisinos
Rio Grande do Sul - Brasil

El fútbol debe ser pensado como hecho social y cultural
plural, con varias dimensiones, y no simplemente como
una empresa millonaria y espectacular. Y para entender
qué campo de significados y representaciones de la sociedad
moviliza, es preciso observar qué es lo que hacen las
personas con el fútbol y cómo lo viven e interpretam
cotidianamente. Es necesario entender, por ejemplo,
a los hinchas, y la cuestión de la "sociabilidad" masculina;
el fútbol practicado en las escuelas y los partidos
entre amigos (adultos) que buscan apenas el placer de
jugar. Otra mirada no debe dejar de observar los procesos
selectivos dentro de los clubes y el mercado de compra
y venta de jugadores profesionales.
Futebol é só uma empresa milionária?, me perguntam,
numa provocação para escrever este artigo. É claro que
não, respondo, embora eu reconheça a extraordinária
visibilidade midiática que o grand-monde do futebol
profissional internacional obtenha no mundo inteiro.
Se agruparmos celebridades mundiais em categorias, veremos
facilmente que "jogadores de futebol" colocam-se facilmente
ao lado de "estrelas de Hollywood", "membros das realezas
européias" e "astros da música pop". Não é para menos:
jogos de futebol estão entre os eventos de mídia com
maior concentração mundial de audiência (mais de 2 bilhões
de pessoas assistiram simultaneamente a final da Copa
de 2002, por exemplo). Assim, eu reconheço que a faceta
mais visível do universo do futebol seja mesmo esta
aparência de "empresa milionária". Como em um mundo
neoliberal, os holofotes e as lentes estão normalmente
mostrando os vencedores - daí a visibilidade dos "galáticos"
-, gostaria de usar este espaço para tentar aprofundar
um pouco esta questão, e pensar o futebol como fato
social plural, em algumas outras dimensões, não tão
espetaculares (e certamente menos midiáticas) mas não
menos interessantes. "Futebóis", portanto.

ÓPIO DO POVO?
Pra começar, vou retomar uma velha questão - velha no
meio acadêmico, mas que ainda tem certa força nos botecos
da vida: futebol é "ópio do povo"? Ou seja, o mundo
lúdico dos times, torcedores, jogadores e campeonatos
seria na verdade uma maquinação perversa para desviar
a atenção do "povo" daquilo que deveriam ser suas reais
preocupações? Ora, sustentando esta questão está um
pressuposto elitista: nomeadamente, que quem faz a pergunta
saberia quais são as "reais preocupações" do "povo".
O "povo", por sua vez, não saberia. Para usar um termo
de Garfinkel, o "povo", nesta perspectiva, é um "imbecil
cultural". "Povo" vai aqui entre aspas para ressaltar
o que este termo pode ter de redutor, o "balaio de gatos"
conceitual que implica, no caso brasileiro, colocar
180 milhões de pessoas em uma única categoria. Então,
se quisermos saber como o futebol é interpretado na
cultura brasileira, que campo de significados e representações
da sociedade ele mobiliza, precisamos sair da poltrona
- ou da mesa do boteco - e ver mais de perto: o que
as pessoas fazem com o futebol e de que modo vivem e
interpretam este fato social no seu cotidiano? Este
deslocamento certamente dá mais trabalho do que a acusação
leviana, mas nos leva mais perto do fenômeno que, afinal,
queremos discutir seriamente. A posição "ópio do povo"
foi a tônica no meio acadêmico brasileiro por mais de
50 anos acerca do futebol. Somente em 1982, com a publicação
do hoje clássico "Universo do Futebol", por Roberto
da Matta, que o futebol começou a ser visto sob outra
perspectiva, menos redutora. Para Da Matta, o futebol
no Brasil é uma espécie de "drama da vida social", um
"teatro simbólico" onde se expressam elementos profundos
da cultura brasileira. Apenas como um exemplo, Da Matta
vê na rejeição unânime das torcidas à figura do árbitro
(que no Brasil ganha o significativo título de "juiz")
uma manifestação de resistência popular à figura da
autoridade institucionalizada, uniformizada e plena
de poder. Poder de expulsar meu centroavante, anular
nosso gol ou prender meus amigos, depende só do âmbito
da atuação do "juiz", a arbitrariedade é a mesma. Ou
seja, mudando de perspectiva, o que era "alienação"
pode ser visto como "resistência".

TORCEDORES E CLUBES
Um outro mundo do futebol que interessa discutir diz
respeito aos torcedores. Torcedores, os há de diferentes
modalidades: das torcidas organizadas - tão facilmente
satanizadas em jornais sensacionalistas - aos torcedores
de segunda-feira, que acompanham os jogos pelo jornal
para saber o que dizer ao porteiro do time rival ao
sair do prédio. Ou seja, a categoria "torcedor" também
não é simples. Apenas para apontar algumas vertentes
do fenômeno: no Brasil, pode-se mudar de profissão,
de religião, de estado civil, etc, mas não de time de
futebol. Ou até se pode, mas o custo é alto: a pecha
de "vira-casaca", como um estigma, acompanha o torcedor
indeciso pela vida afora. O vincular-se afetivamente
a um "time do coração" é um processo que se dá antes
mesmo do nascimento - e camisetas de times de futebol
em portas de quartos de maternidade são enfeites comuns
- questão de honra familiar. É importante destacar
que nada disso tem a ver com a instituição "Clube de
Futebol". Se o "Clube de Regatas Flamengo", por exemplo,
recebesse um real de cada torcedor do "Mengão" por ano,
seus históricos problemas financeiros seriam bastante
amenizados (marqueteiros de todas as cores já tentaram
obter doações como essa...). Porém, o "clube" e o "time
do coração" são entidades distintas, e freqüentemente
os torcedores do "time do coração" acusam os dirigentes
e jogadores do "clube" de traição ou incompetência -
basta uma sucessão de derrotas. Assim, para além da
estrutura institucional do futebol profissional - que
padece dos mesmos males que qualquer estruturação formal
do poder na sociedade brasileira - existem apropriações
particulares dos fatos ali gerados por parte dos torcedores,
principalmente os resultados dentro de campo. E, uma
vez que o que ocorre entre torcedores e clubes não são
relações institucionalizadas, não podem ser enquadradas
ou resolvidas no âmbito institucional. Se alguém tem
um vínculo empregatício - formal -, pode ser demitido,
mas o que fazer com um vínculo afetivo voluntário?
Novamente, vou evitar a face mais midiática/visível
deste fenômeno - as guerras de torcidas - e pensar os
torcedores de futebol no cotidiano. Não as centenas
ou milhares de torcedores violentos, mas as dezenas
de milhões de torcedores tranqüilos, que levam o futebol
"na esportiva". No Brasil, pode-se começar uma longa
conversa com qualquer homem perguntando a ele para que
time torce e como está indo seu time no campeonato.
Existe um conceito sociológico que define esta modalidade
de interação, denominada "sociabilidade", forma lúdica
da interação social. Se pensarmos a sociabilidade como
uma modalidade de interação que ocorre como fi m em
si mesma, sem outro interesse imediato que não o prazer
da própria interação, veremos que o futebol se articula
como um mote por excelência para sociabilidade masculina
por todo o Brasil, em festinhas, portarias de prédios,
recreios escolares, bares e ônibus. Constantemente alimentada
pelo fluxo de notícias da imprensa - e cada jornal diário
no Brasil tem pelo menos duas páginas em branco para
preencher com notícias futebolísticas todos os dias
- a sociabilidade masculina brasileira tem no futebol
um porto seguro, mais do que assuntos "sérios", como
religião e política. No mundo do futebol, vitória e
derrota são sempre provisórias: quem goleou hoje pode
ser goleado amanhã, e a gozação do torcedor rival se
paga na mesma moeda...
OUTROS FUTEBÓIS, OUTRAS LÓGICAS
Até aqui, não saímos da referência mais óbvia, o futebol
profissional, com seus clubes, campeonatos, torcedores,
pontos ganhos e estádios. Vamos então pensar um pouco
sobre outros futebóis do cotidiano. Por exemplo, o futebol
escolar. Na escola, o futebol desenha, entre os meninos
- e, de modo crescente, entre as meninas também - um
mapa paralelo de prestígio, competência e hierarquização
simbólica. Neste futebol - radicalmente menos formal
que um jogo profissional - os times são montados a cada
jogo, escolhidos pelos "capitães" (os dois melhores
jogadores), que, dentre os colegas disponíveis, vão,
um de cada vez, escolhendo seus companheiros de time,
em uma hierarquia de competência reconhecida publicamente.
No final, sobram os "ruins", os "pernas-depau", não
importa a nota na prova ou o salário do pai...
Uma variação interessante deste futebol cotidiano ocorre
entre adultos, em peladas e soçaites, em praias e campos
de grama sintética: muitas vezes, se joga não para ganhar,
mas simplesmente para jogar. Se um dos times é muito
mais forte que o outro, se trocam os jogadores, até
obter um arranjo equilibrado de forças que "dê graça"
ao jogo. O placar, neste caso, importa menos que o prazer
de jogar.

Um dos pontos de confluência deste futebol jogado no
cotidiano em praias, ruas e campinhos e o universo institucionalizado
do futebol profissional são os chamados "peneirões":
um processo seletivo de jovens jogadores para clubes
de futebol profissional realizado nas periferias das
grandes cidades. Um "peneirão" é antes de tudo um
processo de exclusão: há muito mais garotos sonhando
com a carreira de jogador profissional do que vagas
nos clubes. Nesse funil, para cada jogador profissional,
ficam alguns milhares de garotos (e suas famílias) desiludidos
pelo caminho. E quando falo de "jogador profissional",
estou referindo quem recebe salário para jogar, inclusive
quem recebe salário mínimo nos times da terceira divisão
estadual - tão profissionais, neste sentido, quanto
o Barcelona. Ainda assim, a ascensão social pelo futebol
continua a ser um projeto de vida para milhões de meninos
a quem a infância pobre dos Ronaldinhos é exibida como
a prova de que o sonho pode virar realidade. Novamente,
a preferência da lente pelos vencedores "oculta mostrando",
como diz Bourdieu.
Voltando agora de vez para o grand monde do futebol
profissional mundial, em tempos globalizados, jogadores
de futebol brasileiros têm se tornado um excelente produto
de exportação. Aqui também opera uma lógica similar
à do "peneirão", só que em escala mundial. De modo muito
similar a um regime escravista, jogadores de futebol
(do Brasil, mas também da África e de toda América Latina)
são "comprados", "emprestados" e "vendidos" por consórcios
de empresas, clubes, procuradores e "empresários". Mais
uma vez, a lógica capitalista se coloca: para cada Real
Madrid ou Manchester United, há centenas de clubes de
terceira divisão nos Emirados Árabes, na Turquia ou
Coréia do Sul que absorvem esses "pés-de-obra". Existe
hoje um grande contingente de jovens jogadores brasileiros
espalhados pelo mundo, presos por armadilhas contratuais
em situações diplomáticas complicadíssimas, onde falsificação
de documentos e passaportes é muitas vezes o menor dos
males. Um sonho pode virar pesadelo com uma facilidade
impressionante.

PARA FINALIZAR
Enfim, retomando a questão inicial: o futebol também
é uma empresa milionária, mas a riqueza do campo de
significados que ele suscita é muito maior que sua dimensão
empresarial. Eu diria que o futebol não é culturalmente
importante porque rende dinheiro, mas que rende dinheiro
por causa de sua importância na cultura. Seja como veículo
de identificação simbólica com a nação em um mundo globalizado
- e numa Copa do Mundo celebra-se a pátria no Brasil
com muito mais fervor que em qualquer sete de setembro
- seja como motivo para conversar fiado com os amigos,
há no futebol como fato social uma dimensão que escapa
a qualquer controle institucional, policial ou estatal.
Nesse mundo limitado por quatro linhas e noventa minutos,
há um imenso espaço de apropriação e expressão: o que
fazemos com o futebol pode ser visto como uma janela
reveladora sobre quem somos, como vemos o mundo e nosso
lugar dentro dele. Eu não diria que o futebol é uma
metáfora da vida - ele é parte dela, feito da matéria
mesma da vida, de alegrias, de tristezas, de raivas,
de frustrações, de encantos, de torpezas, de fraudes
e de genialidades sempre renovadas, ano após ano, domingo
após domingo, num eterno retorno ao placar vazio. E
em 2006 tem Copa... (NA)
PARA
VOCÊ O QUE SIGNIFICA FUTEBOL?
¿PARA USTED, QUÉ SIGNIFICA EL FÚTBOL?
Me
preguntaba que relación tenía el fútbol con los mensajes
de esperanza. En realidad el fútbol es un sentimiento,
es una pasión, pasión de multitudes que desencadena
apoyos, solidaridades al campeón, a River, a Boca o
a otro cuadro que pertenezca. Es un fenómeno que exalta,
apasiona sin mucha razón, por ser el ganador o el cuadro
querido. En realidad, es un sentimiento que nubla, que
obnubila, que absolutiza porque apunta a lo grande,
al más querido. Se siguen resultados y se apuesta, se
empuja literalmente a ganar, se sufre y se alegra, es
algo especial. Canaliza frustaciones y se hace anestesia
muchas veces ante problemas sociales; no es fácil decir
todo lo que significa y menos dar razones de lo que
es o no es, porque nos supera en lo que produce. Es
esperanza y alienación, es algo grande. GOL!!!!
Elena Picasso - Argentina
Significa trabalho em equipe, um turbilhão de sentimentos
como: nervosismo, felicidade, ansiedade, afetividade,
companheirismo, nacionalidade entre outros. Futebol
é a arte de manipular o objeto "bola", uns jogadores
manipulam bem e outros são pernas de pau. Considero
um esporte aglutinador e envolvente capaz de juntar
milhares de homens e mulheres de diferentes nacionalidades
e religiões em prol de um mesmo propósito, torcer para
a vitória de seu time.
Bianca Reis - Brasil
Para mí, el Fútbol representa, para los participantes,
una oportunidad de involucrarse y desarrollar la competencia
de trabajar en equipo, lograr una meta común y ganar
amigos. Para los expectadores, una sana distracción.
Aidée Santos Jiménez - República Dominicana
El Fútbol es un deporte colectivo muy sano que supone
un serio entrenamiento del cuerpo, exige dominio de
las emociones e infunde sentido de juego en colaboración
con otros. Se ha tornado actualmente en manifestación
internacional de competición que puede canalizar de
manera muy sana las agresividades y mantener controladas
las agresividades entre los pueblos, encauzándolas en
enfrentamientos en donde importa el respeto de las reglas.
Actualmente puede ser uno de los medios más pertinentes
para el conocimiento y el diálogo entre los pueblos.
Vicente Santuc - Perú
El fútbol es un deporte, una diversión sana, una actividad
que permite, a través del esfuerzo físico y el talento
deportivo, alimentar el espíritu para hacernos mejores
personas. El fútbol no puede ser un negocio en el que
se trate de optimizar ganacias o utilidades económicas
que conducen a su desfiguración por medio de apuestas,
ya que conduce al surgimiento de formas de violencia
que lo alejan de su razón de ser.
Antonio José López López - Colombia
Se convirtió en un gran negocio para dirigentes que
se perpetúan en sus cargos y además es fuente de preocupación
por la pasión y fanatismo que desencadena en los jóvenes,
quienes se aglutinan como masa informe alrededor de
algunos equipos -los más antiguos- cuyas llamadas "barras
bravas" los movilizan a través de liderazgos cuestionables,
generando violencia, desorden, delincuencia y eventualmente
la muerte de algún joven en nuestra capital, dejó se
ser un deporte. Me entristece ver a la gente ILUSIONARSE
con la posibilidad remota (imposible siempre) de ser
representados en el mundial por la selección nacional
y festejar un triunfo esporádico como si fuera el definitivo
y como si ello fuese a solucionar sus problemas.
Teresa Pecho Vigil - Perú
Un deporte de equipo que podría ser fuente de entendimiento,
de alegría, de placer común. Pero las competiciones
y el dinero, creo, hacen que se haya convertido casi
en un arma de guerra y de falta de respeto entre jugadores
y entre fans. A mí, me preocupa lo que va a pasar en
el estadio en esos grandes encuentros, más que el placer
de verlos jugar bien, y eso no es normal en un espectáculo
deportivo.
Elena Cenit - España
El fútbol nos une, nos convoca, nos representa, el fútbol
es parte de nuestra cultura, y puede llegar a ser un
instrumento para construir un futuro mejor.
Juan Carlos Carr - Argentina
Es uno de los deportes que más convoca y une a los aficionados.
Contagia alegría y hace florecer el amor por el país.
Lástima que algunas veces, esa pasión desemboca en tragedias
haciendo que los hinchas de un equipo agredan a los
contrarios. Para que no ocurran estas situaciones se
debe tener pasión por el equipo pero conmesura, apertura
y sin olvidar que ante todo es un medio de diversión
y no un fin en sí mismo.
Consuelo Vélez - Colômbia
Futebol para mim, hoje, tem pouco significado. Uma atividade
mundialmente difundida e que deveria nos trazer benésses
do tipo diversão, união, cooperação, tem-nos oferecido
espetáculos dramáticos de violência e exercício do poder,
considerando-se principalmente quando vemos juízes "comprados"
para manipular resultados.
Além do mencionado, representa ainda uma grande preocupação
quando vemos nossas crianças e adolescentes vislumbrando
ascensão social rápida especialmente preterindo os estudos.
Vem sendo transmitida uma imagem equivocada dos jogadores,
parece-nos que todos chegarão ao ápice de suas carreiras
assim como o fizeram alguns ídolos praticantes deste
esporte. Na verdade, a grande maioria deles não chega
sequer a sair de pequenos times sem nunca alcançarem
condições financeiras sequer para um sustento digno.
Quando pudermos associar este esporte à aquisição de
conhecimento e não somente à ambição de mobilidade social,
poderemos também, considerá-lo mais um aspecto colaborador
no processo de inclusão social.
Carla Terezinha Tiné Costa - Brasil
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