NA - Qual é, para o
senhor, o significado do futebol?
Carlos Alberto Parreira - O futebol tem
diferentes fases na minha vida: já foi lazer,
já foi brincadeira, já foi divertimento, na época
da infância, da adolescência e hoje é trabalho.
Então, o futebol é uma vida para mim, um mundo.
Quando eu era criança e na adolescência, sempre
gostei de jogar futebol. No começo da idade adulta,
era prazer, era vontade, era brincadeira, era
lazer, era hobby mesmo, era um esporte. Hoje,
ele é uma atividade profissional, e significa
muito para mim. É impressionante como o futebol,
hoje, une as pessoas, as Nações. O que une o Brasil
é a camisa amarelinha da Copa do Mundo. A gente
não vê nenhuma manifestação de nacionalismo tão
grande quanto na época da Copa do Mundo. O futebol
é muita coisa, no mundo todo, são cerca de três
bilhões de pessoas que vão assistir a Copa do
Mundo. Ela mexe com o mundo todo. O futebol é
impressionante. Esse segmento do futebol virou
hoje um grande negócio, mas é um grande negócio
que ainda continua despertando paixões, ainda
faz as pessoas chorarem, rirem, se emocionarem.
Então, não é só um negócio, ele virou um grande
negócio que ainda faz as pessoas se emocionarem,
chorarem, brigarem, perderem todo o sentido de
qualquer racionalidade. É uma coisa que ainda
é muita emoção.

NA - E por que o senhor acha que ele mobiliza
tanta gente, desperta tanta paixão?
Carlos Alberto Parreira - Primeiro porque
ele é uma coisa fácil de ser interpretada, fácil
de ser entendida. Tem uma identificação imediata.
As pessoas não sabem explicar, nem a ciência,
nem a psicologia, porque que uma criança vai a
qualquer lugar ver um jogo e se encanta por aquele
time, aquelas cores, e não adianta o pai e a mãe
quererem que a criança torça por um outro time,
é uma identificação natural, normal, não sei nem
se algum psicólogo poderia explicar o porque dessa
identificação. Por isso ele é, no mundo todo,
esta paixão. Representa muita coisa e, até pela
imprevisibilidade, talvez o futebol seja a única
coisa onde o pobre ganha do rico, o fraco ganha
do mais forte. Porque na economia o mais forte
é, na verdade, o que produz mais, o que investe
mais, o que vende mais. O esporte, qualquer outro
esporte diferente do futebol - voleibol, basquete,
por exemplo -, é elitista, só joga quem tem dois
metros de altura. São esportes que eliminam o
baixinho, o "baixinho" com um metro e oitenta
já não entra, já não joga voleibol, já não joga
mais basquetebol. Jogava há 30 anos atrás, hoje
já não joga mais. Um esporte de alto rendimento
onde é a altura que determina, então, é um esporte
elitista. O automobilismo é esporte de rico, o
tênis é esporte de rico, ao contrário, o futebol
tem força porque você joga até descalço. Eu
trabalhei em Ghana em 1967, os times de Ghana,
os principais, treinavam num terreno baldio. Eles
iam trabalhar, voltavam às 5 horas do trabalho,
pegavam duas pedras, marcavam dois gols, trocavam
de roupa num cantinho e iam jogar. O futebol possibilita
isso. Jogar com bola de meia, com bola de
borracha e tem regras fáceis de entender. Por
isso, essa identificação, essa paixão e, no Brasil,
ele é um fenômeno cultural, sociológico. É o próprio
Comitê Olímpico Brasileiro que afirma: "nós temos
23 esportes e uma religião. Nós vamos para as
Olimpíadas com 23 esportes e uma religião. A religião
é o futebol".
NA - Agora eu vou lhe
dizer algumas palavras e associá-las com o futebol.
Por exemplo: Juventude e futebol. Que relações
o senhor estabeleceria entre essas duas expressões?
Carlos Alberto Parreira - Eu tenho até
uma palavra legal para caracterizar esta relação:
liberdade. Porque o que encanta no futebol é essa
imprevisibilidade, essa liberdade que o jovem
gosta de ter. A adolescência é uma fase difícil.
Nessa fase, o jovem costuma se rebelar contra
o mundo, contra os pais, contra os dogmas da sociedade,
ele quer liberdade. O futebol dá isso a ele, dá
essa liberdade de poder criar, de sair jogando,
você faz o que você quiser, ainda não tem regras
tão definidas. Por isso, essa paixão pelo futebol.
Liberdade e rebeldia. No futebol, você pode ser
rebelde, pode ter liberdade, pode ser criativo.
E isso é muito próprio da juventude.
NA - Qual o impacto que
pode ter sobre o jovem o fato dele sair de casa
cedo, sair do âmbito da família ou, até mesmo,
deixar o próprio país para ir jogar futebol?
Carlos Alberto Parreira - Eu sou contra.
Eles saem despreparados emocionalmente, sem estarem
com a sua formação educacional e familiar completas,
até mesmo, no que se refere ao seu amadurecimento
psicológico, emocionalmente o impacto é muito
grande. Ele tem que queimar etapas, o que, às
vezes, na vida não é bom, não é interessante.
Por exemplo, eu acho que o jovem só deveria poder
assinar contrato depois dos 18 anos. Na Inglaterra,
por exemplo, me parece que antes desta idade é
proibido o jovem assinar um contrato profissional.
Eu acho que, no Brasil, nós deveríamos ter leis
que proibissem essa prática. Nós não temos nem
idéia, os jovens do norte ou do nordeste do Brasil
saem de suas regiões e de lá já vão direto para
a Europa. Com 15 ou 16 anos e, então, o cordão
umbilical é cortado muito cedo, bem na hora da
formação do jovem, quando ele deveria ficar junto
à família, quando ele ainda está sedimentando
todas aquelas coisas importantes: o caráter, a
personalidade, ele é cortado e é jogado às feras.
E lhe dizem: "você vai para ser um vencedor".
É isso o que ele escuta. Mas, se não for um vencedor,
ele retorna e, então, retorna como um fracassado.
Por isso, eu sou contra fazer o jovem sair do
país nessa idade. Só que a Confederação Brasileira
de Futebol - CBF - não tem mecanismos para proibir
isto. Nós até queríamos criar leis que limitassem
essa saída precoce, mas não temos meios, perante
o governo, de proibir.

NA - Outra relação: Educação
e Futebol.
Carlos Alberto Parreira - Existe a Educação
Esportiva, e o esporte serve para educar, para
disciplinar, para socializar, quer dizer, com
o esporte é possível aprender a obedecer às regras,
respeitar o adversário, o comandante, respeitar
o diretor, a torcida, o público. Eu acho que
educação tem a ver com isto. Você se educa para
que? Não é só para obter informação, é para aprender
a viver também, aprender a respeitar os seus companheiros,
os seus amigos. Educação, em termos abrangentes,
eu acredito que visa isto tudo. Educação é quando
prepara o homem para a vida. E o futebol ajuda
nisso, principalmente, quando o trabalho no clube
é muito bem feito, como no caso de alguns clubes,
e eu trabalhei em vários deles que fazem isso
- o Internacional, o Atlético, o São Paulo - inclusive
eles dispõem de psicólogos para atender aos garotos
de 15 ou 16 anos. De um modo geral, esses jovens
vão para lá cheios de ilusões, de sonhos, achando
que vão ser um novo Ronaldinho, um novo Pelé,
um novo Maradona e, de repente, com 18, 19 anos
a realidade é outra. Eles não têm a vocação necessária,
nem o talento, nem as qualidades para ser tudo
o que eles pensavam que poderiam ser. E eles acabam
tendo uma grande frustração. E se eles não tiverem
um embasamento, uma educação, uma formação, não
conseguirão ser cidadãos plenos. Nesse sentido,
eu entendo que os clubes têm essa obrigação de
preparar os jovens para o amanhã. Eles precisam
entender que pode dar certo, pode não dar certo,
que não são tantas as possibilidades, na verdade
elas são muito pequenas. O fi ltro é muito grande.
A base da pirâmide é sempre muito grande, mas
no ápice... só poucos chegam lá em cima. Por isso,
é necessário educar, o clube têm essa obrigação
social de formar cidadãos e atletas.
NA - Construção de Valores
e Futebol.
Carlos Alberto Parreira - É o que já falamos.
Jogar futebol envolve respeito ao adversário.
Envolve muitos outros valores. Por exemplo: ganhar
através da qualidade técnica e valorizando a ética.
Nunca usar de subterfúgios ou drogas, não recorrer
ao auxílio de árbitros ou a coisas que fogem das
regras convencionais, do legal.
NA - Mercado e Futebol.
Carlos Alberto Parreira - Quando me
dizem que a CBF transferiu três mil jogadores
nos últimos três anos para o exterior, eu digo
graças a Deus. Que bom, foram três mil famílias
que ficaram amparadas, tem alguém trabalhando,
o chefe da família está ganhando, logo, o futebol
é um mercado de trabalho. Quantas pessoas
no mundo vivem às custas do futebol? Se olharmos
o mundo do futebol, vamos ver que ele inclui,
por exemplo, as empresas de material esportivo.
Quantas pessoas trabalham nas fábricas de material
esportivo? Milhões de pessoas. Por outro lado,
quantas milhões de pessoas praticam futebol? Quando
estamos falando de futebol, não estamos nos referindo
apenas às grandes equipes, só nos Estados Unidos
existem 40 milhões de praticantes, crianças, mulheres,
muitos jogando. É camisa, é chuteira, alguém está
produzindo, alguém está pagando imposto. Há os
juízes, a imprensa, a televisão, os técnicos,
os jogadores, é um universo muito grande. Existem
os patrocinadores, as propagandas, quer dizer,
envolve muita gente. Hoje, o futebol, melhor dizendo,
o esporte de uma maneira geral, depois do turismo
é a maior fonte de renda do mundo, já foi o armamento,
a venda de armas, não é mais. Então, eu acho que
mercado de venda tem tudo a ver com o futebol.
E é importante. O Havelange, que foi o nosso presidente
da FIFA, melhorou ainda mais esse mercado. Antes
dele era só uma competição. Hoje tem o sub-16,
o sub-18, o sub-20, tem o futebol feminino. Portanto,
ele aumentou muito esse universo de empregos.
.
NA - Como o senhor vê
o futebol feminino?
Carlos Alberto Parreira - Há 15 anos atrás
eu tinha muitas restrições. Recentemente, a partir
de umas duas Olimpíadas para cá, eu acompanhei
as seleções femininas - a americana e a do Brasil.
E agora vi na Europa uma partida entre uma seleção
européia contra uma seleção do resto do mundo,
fiquei impressionado como o jogo mudou, como elas
já são quase atletas, como elas já têm um domínio
muito bom da técnica, mas é evidente que não vão
poder, até pela força, pela velocidade, pelas
qualidades físicas, competir com os homens. Como
há no tênis, a velocidade, a força, o saque de
um tenista, as batidas na bola, não dá para colocar
homem competindo contra mulher. Existem as limitações,
mas o jogo hoje já é empolgante, já é bonito de
ser ver quando o nível é elevado. Hoje, eu gosto
de ver.

NA - Fale um pouco sobre
as torcidas.
Carlos Alberto Parreira - A torcida é a
essência do nosso trabalho, o amor, a paixão.
Às vezes falta bom senso, alguns são até irracionais.
Existem pessoas que você não consegue conversar,
é igual na política, na religião, não tem jeito,
quando alguém tem determinados conceitos e você
não consegue mudá-los...
Eu acho a torcida muito importante. Coisa mais
decepcionante é um time, uma seleção ir para o
campo e não ter a presença da torcida ou ter um
público reduzido, um público que não está inflamado,
não está emocionado, não está apoiando, não está
entusiasmado. Eu trabalhei em algumas seleções
importantes. Trabalhei no mundo árabe que era
uma torcida muito fria. Trabalhei também na Turquia,
onde havia a torcida mais fanática do mundo, talvez
até mais fanática do que a nossa. Trabalhei no
maior clube da Turquia que era o Fenerbahçe. Eles
se auto-denominam fanatics, que é, na verdade,
uma palavra de origem grega, mas eles usam tanto
essa palavra, que já a incorporaram. Eles dizem:
"nós somos fanatics". Eles são fanatics, quer
dizer, são fanáticos. Lá, o jogo era às 6 horas
da tarde, mas ao meio dia o estádio já estava
lotado, meio dia, não é exagero não, quem não
chegasse ao meio dia não conseguia lugar, são
40 mil lugares, mas 10 mil acabavam ficando do
lado de fora do estádio, rodando, cantando, e
com as bandeiras. Se o time perdia, eles choravam,
se desesperavam, igual no Brasil. Eu acho que
a torcida é muito importante. Pena que, nos últimos
anos, com esse crescimento do futebol, dos interesses
da mídia, do dinheiro que agora o futebol canaliza
(antes tinha muito pouco dinheiro no futebol),
há uma grande diferença, não só dentro do campo,
mas também fora do campo. O futebol mudou, mudou
muito dentro do campo: é muito mais veloz, exige
mais condições físicas, muito mais disciplina
do jogador. Mas mudou também fora do campo, tem
muito mais dinheiro. Com isso, aumentou a responsabilidade
de quem comanda, de quem dirige. Hoje, o jogador,
o dirigente de futebol têm uma receita impensável
há 15 anos atrás.
E a torcida, nesse contexto, passou a exigir muito
mais. Agora, nós chegamos a um ponto até perigoso
porque começou a atingir o nível de violência.
Temos visto violência um pouco na Europa e
muito mais no Brasil. Vemos isso todo final de
semana. Pessoas sendo trucidadas, a coisa virou
uma violência gratuita, impensável e que, aos
poucos, está afastando as pessoas dos estádios,
do futebol.
NA - Há alguma coisa
que podemos fazer para mudar isso?
Os torcedores vândalos viajavam de uma cidade
para outra, de um país para o outro. Eles hoje,
se são apanhados em flagrante, são fichados. Os
estádios têm centenas de câmeras que identificam
mesmo e, quando eles são punidos no ato de violência,
dependendo do que fizeram, da gravidade de seus
atos, eles ficam presos durante seis meses, um
ano, mas da seguinte maneira: no dia do jogo do
time dele, ele é obrigado a se apresentar na polícia
e ficar lá durante todo o período do jogo. Não
podem viajar, os passaportes são caçados, são
fichados e, com isso, praticamente foi possível
quase acabar com a violência nos estádios da Inglaterra.
NA - No imaginário social,
futebol e sucesso, ou melhor, jogar futebol e
fazer sucesso parece que é uma relação automática.
O que o senhor tem a dizer sobre isso? Ser jogador
de futebol é mesmo estar sempre acompanhado de
lindas mulheres, ter carros maravilhosos?
Carlos Alberto Parreira - Ninguém conseguiu
definir o que é sucesso. O que é sucesso para
um não é para outro. Então, com certeza, ter dinheiro,
fama, andar de carro importado, andar com mulheres
bonitas, ser bonito, ter talento isso não é sucesso.
Sucesso na vida é quando você consegue realizar
as coisas que você almeja e faz. Quando você consegue
ser dono do seu nariz, fazer o que você gosta.
Então, quando você faz aquilo que você gosta você
é uma pessoa bem sucedida. Outros definem sucesso
quando você consegue vencer dificuldades, obstáculos.
Você é um vencedor porque você superou obstáculos
ou dificuldades. Isso é muito comum no esporte.
Então, nós temos esse tripé que eu acho fundamental.
Muita gente é apanhada nas armadilhas do sucesso,
só se concentra no lado do profissional, ganhar
dinheiro, ganhar dinheiro. E isso acontece
também no mundo empresarial...
Sucesso é quando você consegue realizar as suas
metas, os seus objetivos, superar os obstáculos.
Sucesso é o pai de família que paga suas contas
todo o final do mês, forma o filho numa universidade,
que constrói a sua casa. Eu dou o exemplo da Dona
Zica que está sempre no noticiário. Ela é negra,
era uma faxineira e tinha cabelos que ela não
gostava e queria amaciá-los. Ela não estava satisfeita
com os cremes que encontrava nos salões. E, então,
ela resolveu vender as pouquinhas coisas que ela
tinha em casa, juntou umas economias, o marido
tinha um fusquinha, vendeu, juntaram uns três
mil reais, contrataram um químico, eu acho e fizeram
um creme. E ela começou a divulgar esse creme
entre as amigas negras. E o sucesso do "boca-a-boca"
foi tão grande que ela hoje tem cinco lojas e
tem uma fábrica com 350 empregados. Para mim,
isso é sucesso. Sucesso mesmo.
Acredito, portanto, que o jovem precisa estar
muito ligado nisso. Saber que o sucesso pode ser
uma armadilha muito grande. O jovem não pode esquecer
o lado profissional -de um modo geral as pessoas
se concentram muito no lado profissional-, mas
não pode esquecer o lado social, da saúde e do
familiar. Sucesso é apenas o início de um processo
muito delicado e tem que ser equilibrado com a
família e com o social, com os amigos, com a saúde.
É igual uma mesa, um tripé, se você tirar um ou
dois pés ela desaba.
O jovem tem que estar preparado para isso,
para entender qual o verdadeiro significado do
sucesso. Quer jogar futebol, vai jogar futebol,
mas se não deu certo, procura uma outra alternativa.
Nem todos conseguem realizar as suas metas no
futebol até porque não depende só dele.

NA - Agora, eu gostaria
de mudar um pouco o rumo de nossa conversa. Não
é possível entrevistá-lo nesse momento e não falar
da nossa Seleção. O que o senhor gostaria de destacar
sobre esta fase de treinamento, sobre os nossos
jogadores.
Carlos Alberto Parreira - A Seleção é a imagem
do Brasil que dá certo. É o orgulho do brasileiro.
Estou indo para a minha terceira Copa do Mundo,
com a Seleção Brasileira, e vejo que nós saímos
daquela época de muitos anos atrás de empirismo,
pragmatismo, para uma fase de super profissionalização.
A Seleção Brasileira é um modelo, um paradigma
para o mundo. Eu queria que neste Brasil tudo
funcionasse como funciona na Seleção Brasileira
em termos de planejamento, de previsão, de tudo.
Não fica nada a dever para nenhuma grande empresa.
A Copa do Mundo é um grande empreendimento. Seis
meses antes dela acontecer mandamos duas pessoas
para a Alemanha, para ver aonde as partidas iam
acontecer, os horários, os vôos, os hotéis. Se
a grama não está boa, pedimos para trocar de estádio,
mandamos preparar tudo. São 45 pessoas, entre
elas, 18 profissionais, 22 jogadores, seguranças,
mídia, informática, vídeo, há um fotógrafo que
viaja com a Seleção, um outro rapaz que filma.
A Seleção é algo impressionante. Quando as equipes
chegam no local, já há um ônibus esperando dentro
da pista. Quando as autoridades locais permitem,
e quase sempre elas permitem, nós saímos do avião
e entramos direto no ônibus, já com a vistoria
do passaporte feita, chegamos no hotel e a comida
já está pronta, pois o cozinheiro foi na frente.
É uma máquina super azeitada que funciona muito
bem. Por conta de tudo isso, dentro do campo,
nós temos os melhores do mundo. Na verdade, nós
facilitamos a tarefa deles que é jogar futebol.
Eu era contra a idéia do time Campeão do Mundo
disputar as eliminatórias. Na minha opinião, o
Campeão do Mundo estaria automaticamente classificado.
O Brasil foi o primeiro Campeão do Mundo a disputar
eliminatória e, atualmente, até porque nós temos
100% dos nossos jogadores atuando no exterior,
eu reconheço que essa eliminatória nos ajudou.
A Seleção foi formada na eliminatória, na Copa
América e na Copa das Confederações, em competições
oficiais. De dezembro de 2005 até junho de 2006,
eu só vou ver os jogadores durante três dias.
E em um amistoso que a FIFA definiu para 1° de
março. É muito pouco. Logo, se não fossem esses
jogos das eliminatórias -foram 18 jogos-, eu estaria
muito pouco tempo com os jogadores. Por isso,
a eliminatória foi boa para a nossa seleção. Nós
vamos chegar na Copa, não gosto do termo favorito,
mas vamos chegar como um dos bons, com certo favoritismo...
Em 50, o Brasil era favorito, em 54 o Brasil era
favorito, em 82 o Brasil também era favorito,
em 2002 a França e a Argentina eram os favoritos
e vai por aí afora, e em todos esses casos, todo
mundo voltou mais cedo para a casa. Por isso,
acho que o melhor é esquecer este favoritismo
e a cada jogo, a cada partida jogar como se fosse
o jogo da vida, o jogo mais importante. Pés no
chão porque a Copa do Mundo é muito traiçoeira.
Qualquer time pode ganhar um do outro, o mais
fraco pode ganhar do mais forte. No futebol isso
pode acontecer. Não acontece no voleibol, não
acontece no basquete onde o mais forte, 98% das
vezes ganha. Por exemplo, o Brasil vai jogar voleibol
eu nem sei contra quem, mas eu sei que ele tem
99% de chance de ganhar. Pode perder sim, como
perdeu para a Venezuela numa final, mas a chance
disso acontecer é de 1%. O basquete americano
quando vai para uma Olimpíada com o time principal
ganha medalha de ouro, sempre ganhou porque é
o melhor. No futebol, é imprevisível. Num jogo
o mais fraco pode ganhar do mais forte. Pois esse
jogo pode ser o jogo em que o time não está bem
E as coisas podem não dar certo e o time ser eliminado.
O Brasil perdeu seis jogos na eliminatória de
2002, mas acabou se classificando e depois foi
campeão do mundo. Nessa fase, você pode perder
vários jogos. Agora, na Copa do Mundo, a partir
das oitavas, quartas e semifinal, são quatro jogos,
que se você perder volta para casa. É isso aí:
temos que ficar atentos. Um time menor, um
time inferior tecnicamente pode, em um dia em
que as coisas não estiverem dando certo, eliminar
o time mais forte. Por isso, o futebol é essa
paixão. Essa imprevisibilidade é apaixonante.
NA - Obrigada por sua atenção, boa sorte e sucesso
na Copa do Mundo!
|
NA
- ¿Cuál es para usted el significado del fútbol?
Carlos Alberto Parreira - El fútbol presenta
diferentes fases en mi vida: ya fue placer,
ya fue un juego, ya fue divertimento, en la
época de la infancia, de la adolescencia y hoy
es trabajo. Entonces, el fútbol es una vida
para mí, un mundo. Cuando era chico, y en la
adolescencia, siempre me gustó jugar al fútbol.
Al comienzo de la edad adulta, era placer, era
ganas, era un juego, era diversión, era realmente
un hobby, era un deporte. Hoy es una actividad
profesional y significa mucho para mí. Es impresionante
cómo el fútbol, hoy, une a las personas, a las
Naciones. Lo que une a Brasil es la camiseta
amarilla de la Copa del Mundo. No se ve ninguna
manifestación de nacionalismo tan grande como
en la Copa del Mundo. El fútbol es muchas cosas
en todo el mundo. Son cerca de tres mil millones
de personas que van a ver la Copa del Mundo.
El fútbol afecta al mundo entero. El fútbol
es impresionante. Ese segmento del fútbol se
volvió hoy un gran negocio, pero es un gran
negocio que todavía continúa despertando pasiones,
todavía hace que las personas lloren, rían,
se emocionen. Entonces, no es solamente un negocio,
se volvió un gran negocio que todavía hace que
las personas se emocionen, lloren, peleen, pierdan
el sentido de cualquier racionalidad. Es una
cosa que todavía emociona mucho.
NA - ¿Por qué usted
cree que moviliza a tanta gente, que despierta
tanta pasión?
Carlos Alberto Parreira - Primero porque
es una cosa fácil de ser interpretada, fácil
de ser entendida. Hay una identificación inmediata.
Las personas no saben explicar, ni la ciencia,
ni la psicología, por qué un chico va a cualquier
lugar a ver un juego y se encanta por aquel
equipo, por aquellos colores, y de nada vale
que el padre y la madre quieran que el chico
hinche por otro equipo, es una identificación
natural, normal, no sé ni si algún psicólogo
podría explicar el porqué de esa identificación.
Por eso el fútbol es en todo el mundo una pasión.
Representa muchas cosas e incluso por ser imprevisible,
tal vez el fútbol sea lo único en lo que el
pobre le gana al rico, en lo que el débil le
gana al más fuerte. Porque en la economía el
más fuerte es, en realidad, el que produce más,
el que invierte más, el que vende más. El deporte,
cualquier otro deporte diferente al fútbol -
voley, básquet, por ejemplo- es elitista, solo
juega quien tiene dos metros de altura. Son
deportes que eliminan al bajito, el "bajito"
con un metro ochenta ya no entra, ya no juega
voley, ya no juega más básquet. Jugaba hace
30 años, pero hoy no juega más. Un deporte de
alto rendimiento en el que es la altura la determinante,
entonces, es un deporte elitista. El automovilismo
es un deporte de rico, el tenis es un deporte
de rico. Por el contrario, el fútbol tiene fuerza
porque se puede jugar incluso descalzo. Yo
trabajé en Ghana en 1967. Los equipos de Ghana,
los principales, entrenaban en un terreno baldío.
Ellos iban a trabajar, volvían a las 5 h del
trabajo, agarraban dos piedras, hacían dos goles,
se cambiaban de ropa en un rinconcito e iban
a jugar. El fútbol posibilita estas cosas.
Jugar con una pelota de trapo, con una pelota
de goma y tiene reglas fáciles de ser entendidas.
Por eso, esa identificación, esa pasión. En
Brasil, es un fenómeno cultural, sociológico.
Es el propio Comité Olímpico Brasileño el que
afirma: "nosotros tenemos 23 deportes y una
religión. Vamos a las Olimpíadas con 23 deportes
y una religión. La religión es el fútbol".

NA - Ahora le voy a
decir algunas palabras y las voy a asociar al
fútbol. Por ejemplo: juventud y fútbol. ¿Qué
relaciones usted establecería entre esos dos
términos ?
Carlos Alberto Parreira - Tengo incluso
una buena palabra para caracterizar esa relación:
libertad. Porque lo que encanta en el fútbol
es ese carácter imprevisible, esa libertad que
al joven le gusta tener. La adolescencia es
una fase difícil. En esa fase, el joven acostumbra
rebelarse contra el mundo, contra los padres,
contra los dogmas de la sociedad, quiere libertad.
El fútbol le da eso, le da esa libertad de poder
crear, de salir jugando, de poder hacer lo que
se quiere, todavía no hay reglas tan definidas.
Por eso esa pasión por el fútbol. Libertad y
rebeldía. En fútbol se puede ser rebelde, se
puede tener libertad, se puede ser creativo.
Y eso es muy propio de la juventud.
NA - ¿Cuál es el impacto que puede tener sobre
el joven el hecho de salir de casa temprano,
de salir del ámbito de la familia o, incluso,
el hecho de dejar el propio país para ir a jugar
fútbol?
Carlos Alberto Parreira - Yo estoy en
contra. Salen sin estar preparados emocionalmente,
incluso sin estar con su formación educacional
y familiar completas, y en lo que se refiere
a su madurez psicológica, emocionalmente el
impacto es muy grande. Tienen que quemar etapas,
lo que a veces en la vida no es bueno, no es
interesante. Por ejemplo, creo que el joven
solo debería poder firmar contratos después
de los 18 años. En Inglaterra, por ejemplo,
me parece que antes de esa edad es prohibido
que el joven firme un contrato profesional.
Creo que, en Brasil, deberíamos tener leyes
que prohibieran esa práctica. No tenemos ni
idea, los jóvenes del norte o del noreste de
Brasil salen de sus regiones y de allá van directo
a Europa. Con 15 o 16 años y, entonces, el cordón
umbilical es cortado desde muy temprano exactamente
en el período de formación del joven, cuando
él debería estar junto a su familia, cuando
él todavía está sedimentando todas aquellas
cosas importantes: el carácter, la personalidad;
es arrancado y arrojado a las fieras. Y le dicen:
"vas a ser un vencedor". Eso es lo que él escucha.
Pero si no vence, vuelve y, entonces, regresa
como fracasado. Por eso, estoy en contra de
que el joven salga del país a esa edad. Pero
la Confederación Brasileña de Fútbol -CBF- no
tiene mecanismos para prohibirlo. Nosotros incluso
queríamos crear leyes que limitasen esa salida
precoz, pero no tenemos medios, ante el gobierno,
para prohibirlo.
NA - Otra relación:
Educación y Fútbol.
Carlos Alberto Parreira - Existe la Educación
Deportiva y el deporte sirve para educar, para
disciplinar, para socializar, es decir, con
el deporte es posible aprender a obedecer las
reglas, a respetar al adversario, al que comanda,
a respetar al director, al hincha, al público.
Creo que la educación tiene que ver con eso.
¿Uno se educa para qué? No solo para obtener
información, sino también para aprender a vivir,
para aprender a respetar a sus compañeros, a
sus amigos. La educación, en términos globales,
creo que apunta a todas esas cosas. Es educación
porque prepara al hombre para la vida. Y el
fútbol ayuda en esto, principalmente cuando
el trabajo en el club está bien hecho, como
en el caso de algunos clubes, y yo trabajé en
varios que hacen esto -el Internacional, el
Atlético, el San Pablo-, inclusive disponen
de psicólogos para atender a los jóvenes de
15 o 16 años. En general, esos jóvenes van para
allá llenos de ilusiones, de sueños, creyendo
que van a ser un nuevo Ronaldinho, un nuevo
Pelé, un nuevo Maradona y, entonces, con 18,
19 años la realidad es otra. No tienen la vocación
necesaria, ni el talento, ni las cualidades
para ser todo lo que pensaban que podían ser.
Y acaban teniendo una gran frustración. Y si
no tienen una base, una educación, una formación,
no van a conseguir ser ciudadanos plenos. Por
un lado, entiendo que los clubes tengan esa
obligación de preparar a los jóvenes para el
día de mañana. El joven necesita entender que
las cosas pueden salir bien, pueden no salir
bien, que no son tantas las posibilidades, en
realidad son muy pequeñas. El filtro es muy
grande. La base de la pirámide es siempre muy
grande, pero en el ápice... solamente pocos
llegan a la cima. Por eso, es necesario educar,
el club tiene esa obligación social de formar
ciudadanos y atletas.
NA -
Construcción de Valores y Fútbol.
Carlos Alberto Parreira - Es lo que ya
dijimos. Jugar al fútbol implica respeto por
el adversario. Implica muchos otros valores.
Por ejemplo: ganar a través de la calidad técnica
y de la valoración de la ética. Nunca usar subterfugios
o drogas, no recurrir al auxilio de árbitros
o de cosas que escapan a las reglas convencionales,
a lo legal.

NA - Mercado y Fútbol.
Carlos Alberto Parreira - Cuando me
dicen que la CBF transfirió tres mil jugadores
en los últimos tres años al exterior, yo digo
gracias a Dios. Qué bueno, fueron tres mil familias
que quedaron amparadas, que tienen a alguien
trabajando, el jefe de la familia está ganando,
por lo tanto, el fútbol es un mercado de trabajo.
¿Cuántas personas en el mundo viven a costas
del fútbol? Si nos fijamos en el mundo del fútbol,
vamos a ver que el mismo incluye, por ejemplo,
a las empresas de material deportivo. ¿Cuántas
personas trabajan en las fábricas de material
deportivo? Millones de personas. Por otro lado,
¿cuántos millones de personas practican fútbol?
Cuando hablamos de fútbol, no nos referimos
solamente a los grandes equipos. Solamente en
Estados Unidos existen 40 millones de personas
que lo practican, chicos, mujeres, muchos juegan.
Camisetas, punteras, alguien las está produciendo,
alguien está pagando impuestos. Están los jueces,
la prensa, la televisión, los técnicos, los
jugadores, es un universo muy grande. Están
los patrocinadores, las propagandas, o sea,
envuelve a mucha gente. Hoy, el fútbol, o mejor
dicho, el deporte de manera general, después
del turismo es la mayor fuente de renta del
mundo, ya lo fue el armamento, la venta de armas,
pero ya no lo es más. Entonces, creo que el
mercado de venta tiene todo que ver con el fútbol.
Y es importante. Havelange, que fue nuestro
presidente de la FIFA, mejoró aún más este mercado.
Antes de él era solamente una competencia. Hoy
existe el sub-16, el sub-18, el sub-20, existe
el fútbol femenino. Por lo tanto, él aumentó
mucho ese universo de empleos.
NA - ¿Cómo ve usted
al fútbol femenino?
Carlos Alberto Parreira - Hace 15 años
tenía muchas restricciones. Recientemente, a
partir de una de las Olimpíadas, vengo observando
las selecciones femeninas -la americana y la
de Brasil. Y ahora vi en Europa un partido entre
una selección europea contra una selección del
resto del mundo. Quedé impresionado con cómo
cambió el juego, cómo ellas son ya casi atletas,
cómo tienen un dominio muy bueno de la técnica,
pero es evidente que no van a poder, incluso
por la fuerza, por la velocidad, por las cualidades
físicas, competir con los hombres. Al igual
que en tenis, la velocidad, la fuerza, el saque
de un tenista, el golpe en la pelota, no es
posible poner al hombre compitiendo con la mujer.
Existen las limitaciones, pero el juego hoy
ya entusiasma, ahora es lindo verlo cuando el
nivel es elevado. Hoy me gusta verlo.
NA - Hable un poco
sobre las hinchadas.
Carlos Alberto Parreira - La hinchada
es la esencia de nuestro trabajo, el amor, la
pasión. A veces falta sentido común, algunas
son incluso irracionales. Existen personas con
las que no se puede conversar, es igual que
en política, en religión, no hay nada que hacer,
cuando alguien tiene determinados conceptos
y no consigue cambiarlos... Yo creo que la hinchada
es muy importante. No hay nada más decepcionante
que un equipo, una selección vaya a la cancha
y no cuente con la presencie de una hinchada,
o de un público reducido, un público que no
esté inflamado, que no esté emocionado, que
no lo esté apoyando, que no esté entusiasmado.
Trabajé en algunas selecciones importantes.
Trabajé en el mundo árabe que era una hinchada
muy fría. Trabajé también en Turquía, en donde
estaba la hinchada más fanática del mundo, tal
vez más que la nuestra. Trabajé en el mayor
club de Turquía que era el Fenerbahçe. Ellos
se autodenominan fanatics que, en realidad,
es una palabra de origen griego, pero ellos
la usan tanto que ya la incorporaron. Ellos
dicen: "nosotros somos fanatics". Ellos son
fanatics, es decir, son fanáticos. Allá, el
juego era a las 6 de la tarde, pero al mediodía
el estadio ya estaba lleno, al mediodía, y no
es exageración. El que no llegaba al mediodía
no conseguía lugar. Son 40 mil lugares, pero
10 mil quedaban del lado de afuera del estadio,
andando, cantando, y con las banderas. Si el
equipo perdía, lloraban, se desesperaban, igual
que en Brasil. Creo que la hinchada es muy importante.
Lástima que, en los últimos años, con ese crecimiento
del fútbol, de los intereses de los medios de
comunicación, del dinero que ahora el fútbol
canaliza (antes había muy poco dinero en el
fútbol), hay una gran diferencia, no sólo dentro
de la cancha, sino también fuera. El fútbol
cambió, cambió mucho dentro de la cancha: es
mucho más veloz, exige más condiciones físicas,
mucha más disciplina del jugador. Pero cambió
también fuera de la cancha, hay mucho más dinero.
Por eso aumentó la responsabilidad de quien
comanda, de quien dirige. Hoy, el jugador, el
dirigente de fútbol tiene una renta que era
impensable hace15 años.
Y la hinchada, en ese contexto, pasó a exigir
mucho más. Ahora llegamos a un punto incluso
peligroso porque alcanzó niveles de violencia.
Vimos un poco de violencia en Europa y mucha
en Brasil. Lo vemos todos los fi nes de semana.
Personas que son cruelmente asesinadas. Esto
se convirtió en violencia gratuita, impensable,
y que, de a poco, está alejando a las personas
de los estadios, del fútbol.
NA - ¿Hay algo que
podamos hacer para cambiar esto?
Carlos Alberto Parreira - Sí, sí. En
Europa consiguieron. Los hinchas vándalos viajaban
de una ciudad a otra, de un país a otro. Hoy,
si son presos in fraganti, son fichados. Los
estadios tienen centenas de cámaras que permiten
la identificación y cuando son punidos en pleno
acto de violencia, dependiendo de lo que hicieron,
de la gravedad de sus actos, quedan presos durante
meses, un año, pero de la siguiente manera:
el día que juega su equipo, tienen obligación
de presentarse a la policía y de quedarse ahí
durante todo el juego. No pueden viajar, los
pasaportes son retenidos, son fichados y, de
esa manera, prácticamente fue posible acabar
con la violencia en los estadios de Inglaterra.
.

NA - En el imaginario social, fútbol y éxito,
o mejor, jugar fútbol y tener éxito parece que
es una relación automática. ¿Qué podría decirnos
sobre esto? ¿Ser jugador de fútbol es realmente
estar siempre acompañado de lindas mujeres y
tener autos maravillosos?
Carlos Alberto Parreira - Nadie consiguió definir
lo que es el éxito. Lo que es éxito para unos,
no lo es para otros. Evidentemente tener dinero,
fama, andar en un auto importado, con mujeres
bonitas, ser lindo, tener talento, no es éxito.
El éxito en la vida se da cuando uno consigue
realizar las cosas que desea. Cuando uno consigue
ser dueño de su nariz, cuando consigue hacer
lo que le gusta. Entonces, cuando uno hace aquello
que le gusta es una persona exitosa. Otros definen
que el éxito se da cuando se consigue vencer
dificultades, obstáculos. Uno es un vencedor
porque superó obstáculos y dificultades. Eso
es muy común en el deporte. Entonces, existe
esa tríada que me parece fundamental. Muchas
personas son presas in fraganti en las trampas
del éxito, solamente se concentran en el lado
profesional, en ganar dinero, ganar dinero.
Y eso sucede también en el mundo empresarial.
El éxito se da cuando uno consigue realizar
sus metas, sus objetivos, superar los obstáculos.
Exitoso es el padre de familia que paga las
cuentas todo fin de mes, que pone a su hijo
en una universidad, que construye su casa. Por
ejemplo, Doña Zica, que está siempre en los
noticieros. Ella es negra, era empleada doméstica
y tenía un cabello que no le gustaba, quería
alisarlo. No estaba satisfecha con las cremas
que encontraba en los salones de belleza. Y,
entonces, resolvió vender las poquitas cosas
que tenía en casa, juntó unas economías; el
marido tenía un fusquinha[1], lo vendió;
juntaron unos tres mil reales, contrataron a
un químico y creo que hicieron una crema. Y
ella empezó a divulgar esa crema entre las amigas
negras. El éxito de ese boca a boca fue tan
grande que hoy tiene cinco negocios y tiene
una fábrica con 350 empleados. Para mí, eso
es el éxito. El éxito de verdad.
Creo, por lo tanto, que el joven necesita estar
muy atento a eso. Saber que el éxito puede ser
una trampa muy grande. El joven no puede olvidarse
del lado profesional -de un modo general las
personas se concentran mucho en el lado profesional-,
pero tampoco puede olvidarse del lado social,
de la salud y de la familia. El éxito es solamente
el comienzo de un proceso muy delicado y tiene
que estar equilibrado con la familia y con lo
social, con los amigos, con la salud. Es como
con una mesa, como una tríada, si se le saca
una pata se viene abajo.
El joven tiene que estar preparado para eso,
para entender cuál es el verdadero significado
del éxito. ¿Quiere jugar fútbol?, que vaya a
jugar fútbol, pero si las cosas no salen bien,
que busque otra alternativa. No todos consiguen
realizar sus metas en el fútbol, incluso porque
no depende solamente de ellos.
NA - Ahora me gustaría
cambiar un poco el rumbo de nuestra charla.
No es posible entrevistarlo en este momento
y no hablar sobre nuestra Selección. ¿Qué quisiera
destacar sobre esta fase de entrenamiento, sobre
nuestros jugadores?
Carlos Alberto Parreira - La Selección es la
imagen del Brasil que funciona. Es el orgullo
del brasileño. Voy hacia mi tercera Copa del
Mundo con la Selección Brasileña y veo que salimos
de aquella época de muchos años de empirismo,
pragmatismo, hacia una fase de súper profesionalización.
La Selección Brasileña es un modelo, un paradigma
para el mundo. Quisiera que en este Brasil todo
funcionase como funciona la Selección Brasileña,
en términos de planeamiento, de previsión, en
términos de todo. No tiene nada que envidiarle
a ninguna gran empresa. La Copa del Mundo es
un gran emprendimiento. Seis meses antes de
que empiece, mandamos a dos personas a Alemania,
para ver dónde van a ser los partidos, los horarios,
los vuelos, los hoteles. Si el césped no está
en condiciones, pedimos que cambien de estadio,
mandamos preparar todo. Son 45 personas, entre
ellas, 18 profesionales, 22 jugadores, hombres
de seguridad, medios de comunicación, informática,
video, hay un fotógrafo que viaja con la Selección,
otro chico que filma. La Selección es algo impresionante.
Cuando los equipos llegan, ya hay un ómnibus
esperando dentro de la plataforma. Cuando las
autoridades locales lo permiten, y casi siempre
lo permiten, salimos del avión y entramos directamente
al ómnibus; ya con la inspección del pasaporte
hecha, llegamos al hotel y la comida ya está
lista, porque el cocinero fue antes. Es una
máquina súper aceitada que funciona muy bien.
Es por eso que, dentro de la cancha, tenemos
a los mejores del mundo. En realidad, nosotros
les facilitamos el trabajo que es el de jugar
fútbol.
Yo estaba en contra de que un equipo Campeón
del Mundo disputase las eliminatorias. En mi
opinión, el Campeón del Mundo debería estar
automaticamente clasificado. Brasil fue el primer
Campeón del Mundo a disputar eliminatorias y,
actualmente, por el hecho de tener al 100% de
nuestros jugadores actuando en el exterior,
reconozco que esa eliminatoria nos ayudó.

La Selección se formó en la eliminatoria, en
la Copa América y en la Copa de las Confederaciones,
en competencias oficiales. De diciembre de 2005
a junio de 2006, solamente voy a ver a los jugadores
durante tres días. Y en un amistoso que la FIFA
definió para el 1º de marzo. Es muy poco. Por
lo tanto, si no hubiera sido por esos juegos
de las eliminatorias -fueron 18 juegos-, habría
estado muy poco tiempo con los jugadores. Por
eso, la eliminatoria fue buena para nuestra
selección. Nosotros vamos a llegar a la Copa,
no me gusta el término favorito, pero vamos
a llegar como uno de los buenos, con cierto
favoritismo... En el 50, Brasil era el favorito;
en el 54 Brasil era el favorito; en el 82 Brasil
también era el favorito; en 2002 Francia y Argentina
eran los favoritos y otros años hubo otro tanto,
y en todos esos casos, todo el mundo volvió
más temprano a casa. Por eso, creo que lo mejor
es olvidarse de ese favoritismo y, en cada juego,
en cada partido, jugar como si fuese el juego
de la vida, el juego más importante. Hay que
tener los pies sobre la tierra porque la Copa
del Mundo es muy traicionera. Cualquier equipo
le puede ganar al otro, el más débil le puede
ganar al más fuerte. En fútbol eso puede suceder.
No sucede en voley, no sucede en básquet, en
donde el más fuerte gana el 98% de las veces.
Por ejemplo, Brasil va a jugar voley no sé contra
quién, pero ya sé que tiene 99% de chances de
ganar. Puede perder, sí, como perdió con Venezuela
en una final, pero la chance de que eso suceda
es de 1%. El básquet americano cuando va a una
Olimpíada con el equipo principal gana medallas
de oro, siempre ganó, porque es el mejor. En
fútbol, es imprevisible. En un juego el más
débil puede ganarle al más fuerte. Porque ese
juego puede ser el juego en que el equipo no
está bien. Y las cosas pueden no salir bien
y el equipo ser eliminado. Brasil perdió seis
juegos en la eliminatoria de 2002, pero acabó
clasificado y después fue campeón del mundo.
En esa fase, se pueden perder varios juegos.
Ahora, en la Copa del Mundo, a partir de las
octavas, cuartas y semifinales, son cuatro juegos
en los que, si perdemos, volvemos a casa. Y
es eso: tenemos que estar atentos. Un equipo
menor, un equipo inferior técnicamente puede
en un día en que las cosas no salen bien, eliminar
al equipo más fuerte. Por eso, el fútbol es
esa pasión. Ese carácter imprevisible es apasionante.
NA - NA - Gracias por
su atención, ¡buena suerte y éxito en la Copa
del Mundo!
[1] Nome, en Brasil, de automóvil popular Volkswagen.
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