Revista

L
a Revista de la Pátria Grande


CONSTRUINDO CAMINHOS/ CONSTRUYENDO CAMIÑOS

Uma Universidade virtual na Amazônia
Selma Leite
Brasil


Arquivo Novamerica Republica Diminicana
La educación a distancia a través de las universidades virtuales de Amazonia representa una alternativa a favor de la inclusión social. Para cumplir la misión social de inclusión de tantos miles de excluidos, profesores y gestores necesitan seguir el trabajo político y al mismo tiempo técnico de proponer proyectos bien estructurados para la búsqueda de recursos fi nancieros, lucha esta que no puede ser ideológica de grupos o partidos, sino movida por el ideal de la justicia social.




O
conceito de virtual será trabalhado no sentido pedagógico de um sistema de colaboração em rede, e ambientes virtuais de aprendizagem que pressupõem relacionamentos mediados por computadores que utilizam softwares, como ambientes que possibilitam as conexões e a mediação dos encontros entre os sujeitos. Falar de uma universidade virtual no contexto da Amazônia brasileira é falar de grandes contrastes entre riquezas e pobrezas, equilíbrios e desequilíbrios, desenvolvimento e subdesenvolvimento. Contrastes que interpelam a todos os que a pensam ou nela vivem.


FORMANDO REDES


Para uma universidade pública, as questões são:

  • Como trabalhar essas contradições para superá-las ou mesmo diminuí-las?
  • Como incluir um maior número de pessoas hoje excluídas e caminhar rumo à implantação de um sistema colaborativo em rede, utilizando as mídias disponíveis inclusive as redes educativas que integram comunidades e mundos diversos?
  • Seria este mais um contraste que serve como divisor de águas entre o mundo dos conectados e o dos desconectados, aumentando o fosso entre pobreza e riqueza?

Diante desses questionamentos e, tomando como referência a população economicamente ativa residente na região, a resposta seria afirmativa porque essas pessoas não podem pagar pelo serviço de altas tarifas, praticados pelas teles. A resposta seria negativa se fosse considerada a população residente em municípios do interior da Amazônia, sem acesso à Internet (a grande maioria), que não conhece um computador e a comunicação é feita por rádio ou por um telefone comunitário.

O grande desafio para a Universidade Virtual na Amazônia é, portanto, a ausência ou precariedade de conexões entre as capitais dos Estados e os municípios do interior. As conexões das redes disponíveis hoje, com raras exceções, são de baixa velocidade fato que encarece o preço do impulso da conexão telefônica, e acaba desmotivando os alunos, que precisam de muito tempo para baixar um arquivo ou abrir um site.

Uma das alternativas para formação da rede e para inclusão social pelas universidades virtuais na Amazônia é a educação a distância como uma modalidade de ensino que tem a possibilidade de maior inclusão. Mas, no caso da Amazônia, há que se definir quais mídias utilizar, e onde está a população alvo, para definir que recurso vai ser possível dispor aos alunos usuários do sistema.

Postas essas considerações, pode-se dizer que a universidade virtual na Amazônia já é uma realidade para alguns, porque atende apenas a cursos de pós-graduação lato sensu que têm como demanda pessoas trabalhadoras que podem pagar e arcar com as despesas de comunicação e equipamentos.

A Universidade Federal do Pará, há 3 anos, oferece cursos virtuais, de línguas estrangeiras (instrumental), cursos de Planejamento e Gestão do Desenvolvimento Regional, Direito Ambiental e Recursos Hídricos (ver pg. http://www.sead.ufpa.br)

Um bom exemplo de um curso virtual é o de Direito Ambiental, no qual foi formada uma comunidade de aprendizagem em rede, com alto grau de interatividade entre os alunos. Eles chegam até mesmo, a dispensar, as orientações do tutor, para esclarecer dúvidas, porque as esclarecem entre si.

O aumento das demandas por cursos de pós-graduação tem exigido, das universidades da Amazônia, a ampliação das ofertas em rede e o desenvolvimento de estratégias de inclusão porque essas pessoas não podem abandonar seus domicílios ou seus postos de trabalho, para estudar No entanto, elas, precisam atualizar seus conhecimentos, exigência do mundo moderno e globalizado da sociedade da informação.

As novas tecnologias têm pressionado o setor da educação e, finalmente, tem-se hoje uma política de governo, inaugurada com o Programa de Formação de Professores da rede pública - o Pró-Licenciatura e com o Sistema Universidade Aberta a UAB, apoiada pelo Fórum das Estatais que já financiarão pólos de EaD, e cursos de graduação e de pós-graduação.

Um dado positivo que merece registro são os programas do governo que apontam para a oferta de meios e recursos que vão possibilitar a ampliação das redes e a popularização do acesso às novas tecnologias, por parte de ministérios, como o das Comunicações, Ciência e Tecnologia e o da Educação, a exemplo de programas como: o TV na Escola, Mídias Integradas, PROINFO, RIVED, Micro Popular, a própria ampliação da RNp (expansão física e aumento da velocidade), TV digital aberta, todos voltados para atender às demandas da educação e, em particular, dos agentes que fazem essa educação, que são as universidades públicas (ver página do MEC: http: www/mec.gov.br).

Foto João Ripper

A TÍTULO DE CONCLUSÃO


Como reflexão conclusiva poderia se reafirmar que uma universidade virtual na Amazônia tem como principal problema a ausência ou a má qualidade das conexões em rede internet. Se houvesse uma boa conexão, os cursos virtuais propiciariam a ampliação do acesso ao ensino superior público e gratuito.

Neste sentido, para cumprir a missão social de inclusão de tantos milhares de excluídos, professores e gestores precisam prosseguir no trabalho político e ao mesmo tempo técnico de denunciar e propor projetos bem estruturados, para serem financiados, como tem acontecido desde 2004, com a organização (a partir de 2000), das universidades públicas em consórcios regionais e nacional, como a UniRede, hoje se transformando numa Associação da Rede de Universidades Públicas. Advertese, entretanto, que essa não pode ser uma luta ideológica de grupos ou partidos, ela tem que ser uma luta pelo ideal de fazer justiça social incluindo os milhares de brasileiros que não terão acesso aos cursos presenciais, por falta de vagas e oportunidades de residirem em centros onde as universidades públicas estejam presentes.
(NA)


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