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Bullying
tecnológico
Lucia Helena Saavedra
Rio de Janeiro - Brasil

El término Bullying se refiere al comportamiento agresivo
entre pares, o sea, entre personas que ocupan papeles
semejantes en diferentes situaciones de la vida social,
presentándose inclusive en la realidad de las escuelas.
Recientes investigaciones revelaron, además, el uso
de las nuevas tecnologías, como celulares, internet,
etc., con finalidades agresivas y de intimidación
entre pares, a lo que se ha denominado Bullying tecnológico.
Como estas situaciones pueden generar daños prácticamente
irreparables, la prevención de este tipo de comportamiento
se constituye en la herramienta más eficaz, siendo
la familia y la escuela los espacios privilegiados
para trabajar estas cuestiones, por ser los primeros
núcleos de convivencia del ser.
O vocábulo Bullying se refere ao comportamento
agressivo entre pares, ou seja, entre pessoas que
ocupam papéis semelhantes em diferentes situações.
Assim, tanto pode ocorrer entre alunos de uma mesma
escola, quanto entre colegas de trabalho.
O uso do anglicismo se justifica pelo fato de não
ter sido encontrada em nosso idioma, até o momento,
uma palavra igualmente abrangente. Pois o termo Bullying
engloba agressão física e/ou psicológica, direta ou
indireta, desde que se realize de modo intencional
e repetitivo e sem que exista um motivo evidente para
essas ações. E a partir desses comportamentos, desenvolve-se
uma relação desigual de poder entre as pessoas, com
a possibilidade de que uma delas, ou um grupo, passe
a intimidar a outra, o que causa profundo sofrimento.
Nesses atos de Bullying identificam-se basicamente
três tipos de protagonistas, a saber:
Os alvos - aquelas pessoas que sofrem as agressões;
Os autores - aquelas que praticam os atos agressivos;
As testemunhas - todos aqueles que direta ou indiretamente
convivem, no mesmo ambiente, com tais situações desagradáveis,
permanecendo envolvidos por esse clima hostil.
O tema do Bullying atualmente vem preocupando
sobremaneira educadores e pesquisadores, os quais
procuram conhecer melhor este assunto tão presente
em nossas escolas. Pesquisa realizada em 2002 pela
ABRAPIA (Associação Brasileira Multiprofissional de
Proteção à Infância e à Adolescência), envolvendo
mais de 5 mil estudantes de quinta à oitava séries,
revelou que as situações de Bullying fazem
parte da realidade das escolas - tanto públicas, quanto
particulares - do município do Rio de Janeiro, de
maneira muito semelhante ao que ocorre em outros países,
como mostra a literatura estrangeira.
Apesar disso, algumas pessoas têm questionado o fato
de se dar tanta importância hoje a algo que sempre
teria ocorrido; afinal de contas, quem não se lembra
de ter presenciado, ou até mesmo experimentado na
própria pele, uma situação deste tipo? Antigamente
- dizem essas pessoas - o problema não tinha rótulo,
ninguém dava maior atenção e todos sobreviviam a ele.
Ocorre com o Bullying, exatamente como acontece com
as doenças: só a partir de pesquisas, elas passam
a ser identificadas e conhecidas e esse conhecimento
permite caminhar na direção de possíveis tratamentos.
Também essa classe de violência, embora antiga, só
veio a ser estudada e nomeada nos anos 70, na Noruega,
e apenas na década de 90 passou a ser mais sistematicamente
investigada em outros países da Europa. Então, hoje
sabemos que esses comportamentos agressivos têm um
nome específico, possuem características próprias
e isso tem tornado possível conhecer mais, investigar
causas, conhecer conseqüências e buscar soluções.
É verdade que o Bullying não é um fenômeno
recente; ele já vem ocorrendo há muitos anos. Pode-se
dizer que, como todo fenômeno, ele se veste com a
roupagem de cada época, assumindo as características
de cada momento. Se antigamente as situações de "brincadeira"
e gozação eram mais suaves, mais ingênuas, hoje, ao
contrário, elas são marcadas por intensa agressividade,
por atitudes mais hostis, por uma ironia, muitas vezes
cáustica, que permeia até mesmo as relações de amizade.
Para perceber isso, basta observar os programas humorísticos
atuais, ou as brincadeiras realizadas num grupo de
amigos.
Do mesmo modo, também as situações de Bullying
foram se tornando cada vez mais freqüentes e intensas,
causando portanto ainda maior dor e sofrimento às
vítimas. O que desencadeou as primeiras pesquisas
sistemáticas sobre o assunto foi justamente o suicídio
de jovens, que chegaram a esse ato extremo a partir
de dolorosas experiências de Bullying vivenciadas
na escola.
Como é evidente, o avanço da tecnologia é uma marca
de nosso tempo. Hoje temos a nosso alcance um sem
número de máquinas e de aparelhos eletrônicos, criados
e disponibilizados para nos servir e nos distrair
no nosso dia-a-dia. Parece não nos ser mais possível
viver sem esses objetos, principalmente nos grandes
centros urbanos, nem prever que outros recursos serão
desenvolvidos nos próximos anos. Toda nossa vida
se vê invadida e até caracterizada pela utilização
desses objetos. Quem é capaz de se imaginar vivendo
sem um celular ou impossibilitado de fazer uso do
computador?
E se há uns 30 anos atrás estávamos nos questionando
sobre a presença exagerada da televisão em nossos
lares, na educação de nossos filhos, hoje estamos
nos perguntando sobre a influência de todos esses
recursos tecnológicos atuais, a princípio, excelentes
instrumentos para facilitar as tarefas de nossa rotina
e melhorar a qualidade de nossa comunicação, mas nem
sempre utilizados de maneira construtiva.

POTENCIALIZANDO AGRESSIVIDADE
Assim é que se tem observado o uso de alguns desses
dispositivos com finalidades agressivas e de estabelecer
a intimidação entre pares. É a isso que se dá o nome
de Bullying tecnológico. E se todo tipo de
Bullying é pernicioso, este é ainda mais grave, uma
vez que a tecnologia tem o poder de potencializar
ações dessa natureza, tanto pela eficiência do recurso
em si, quanto pela capacidade de ampliar seu raio
de ação.
Até então, ao se verem expostas a agressões externas,
as pessoas recorriam a buscar asilo dentro dos limites
de sua própria casa. Assim, mesmo sem conseguir pedir
ajuda aos pais, como acontece via de regra nesses
casos, um(a) jovem, vítima de Bullying na escola,
podia experimentar ao menos a sensação de segurança
física, ainda que temporária, dentro de seu lar.
Hoje, com o uso dos meios de comunicação eletrônicos,
mesmo dentro de casa, a pessoa pode estar sendo alvo
de violência, via telefone celular ou pelo computador/Internet,
recursos capazes de invadir sua privacidade e até
mesmo de levar para além dos muros da própria casa
informações que, muitas vezes, passam a ser utilizadas
contra ela.
São exemplos disso os tristes casos, mais recentemente
divulgados, de jovens que têm sido alvo de violentas
ridicularizações, pela divulgação desonesta de filmagens
de sua vida íntima, ou pela exposição de fotomontagens
suas na Internet. Ou mesmo, pelo simples fato de se
tornarem objeto de maledicência e boatos disseminados
por celular, por meio de "torpedos" ou de outras formas
de mensagem.
E as vítimas mais freqüentes dessas situações são
justamente os jovens, de ambos os sexos, não só por
serem eles os principais usuários desses aparelhos,
como também porque talvez se protejam menos desse
tipo de invasão. Ao participar de algum desses momentos
de "encontro virtual", sentindo-se protegidos dentro
dos limites físicos oferecidos pelas paredes de seus
quartos, nem sempre conseguem perceber quão expostos
estão, diante do fato de estarem entrando em contato
com pessoas desconhecidas, nem sempre merecedoras
de confiança, às quais revelam peculiaridades de sua
vida, de sua rotina e até mesmo de sua personalidade.
Dessa forma, correm riscos não calculados, por se
lançarem no espaço público sem o devido cuidado, como
se estivessem gozando de privacidade.
É fácil imaginar que, depois de instaladas mensagens
de cunho agressivo numa rede de comunicação, torna-se
muito difícil lidar com o problema: deter sua expansão
parece impossível, assim como identificar culpados,
já que o anonimato é um dos problemas da comunicação
virtual. Sem falar no prejuízo emocional causado à
vítima. Trata-se de um tipo de violência irreversível.
Qualquer tentativa de reparação parece insuficiente
diante da proporção da ocorrência.

"O QUE FAZER COM ESSE TIPO DE BULLYING?"
Então, o que fazer com esse tipo de Bullying?
Como trabalhar essa questão? O que cabe aos educadores
- sejam eles pais ou professores - fazer diante desse
problema tão grave, que permeia a vida de crianças
e jovens?
Já que diante dessas situações o dano se torna praticamente
irreparável, o investimento mais valioso se refere
justamente à prevenção desse tipo de comportamento,
o que inclui trabalhar as relações interpessoais e
a construção dos valores morais dos educandos desde
a mais tenra idade.
A família e a escola são espaços privilegiados para
lidar com essas questões, por serem os primeiros núcleos
de convivência do ser.
A comunidade escolar, de modo especial, é provavelmente
o local onde a criança vai começar a interagir com
pessoas oriundas de outras realidades familiares.
Portanto, é aí que ela vai aprender a lidar com as
diferenças e a encará-las não como um obstáculo para
a interação social, mas, ao contrário, como um desafio
para atingir uma melhor qualidade nesses relacionamentos.
Nesse espaço, vai ter que aprender a respeitar os
outros e a se fazer respeitar.
Torna-se fundamental que toda a comunidade educativa
esteja consciente da necessidade de se focalizar a
questão dos relacionamentos dentro da escola, tanto
quanto da urgência de investir mais na formação moral
de seus alunos. Trabalhar esses assuntos significa
valorizar todas as formas de interação, oferecendo
a oportunidade de trocar experiências e de refletir
sobre elas, desenvolvendo sempre o senso crítico,
para que os jovens se tornem capazes de observar e
analisar as diferentes situações de vida. Não se trata
de dar "lições de moral", mas, ao contrário, investir
na construção dessa moral, que, como toda construção,
pressupõe um alicerce, que já deve ser iniciado desde
os primeiros anos da criança, adequando evidentemente
a maneira de se trabalhar ao nível de desenvolvimento
dos alunos. Assim, promover ocasiões em que seja necessário
discernir entre o certo e o errado, entre o permitido
e o proibido, levando os alunos a descobrirem enfim
os princípios básicos que devem nortear e oferecer
os limites para os comportamentos e as atitudes durante
toda a vida.
Como não podia deixar de ser, a família - onde tudo
se inicia - tem um papel preponderante nessa construção.
Para que sejam bem sucedidos nessa tarefa, os pais
devem se conscientizar da necessidade de desenvolverem,
desde cedo, um diálogo franco e verdadeiro com os
filhos, debatendo especialmente essas questões. É
inútil pensar que hoje seja possível controlar as
atividades e os passos dos filhos. O uso dos meios
de comunicação eletrônicos torna tudo, ou quase tudo,
possível. Não dá para saber, por exemplo, o que seu
filho faz, nem com quem se relaciona, quando utiliza
seu computador, ou seu multifuncional celular. Então,
o que importa é estabelecer o relacionamento familiar
com base no amor e na confiança mútua entre as pessoas,
para que seja possível aos pais se aproximarem, orientarem
e aconselharem sempre seus filhos.
Hoje, ao ouvir falar de Bullying, não é
mais admissível achar que se trata de uma mera e inofensiva
brincadeira. Bullying é assunto sério e deixa
marcas para toda a vida. Inserido na comunidade
escolar, interfere diretamente na capacidade de estudo
dos alunos, em sua autoestima, em seu desenvolvimento
emocional, enfim em sua formação pessoal como um todo.
Portanto, ocorrências desse tipo - fazendo ou não
uso de instrumentos de alta tecnologia - não devem
ser ignoradas, mas, ao contrário, precisam ser analisadas
e trabalhadas entre todos os envolvidos. E principalmente,
vale ressaltar a necessidade de se investir na prevenção
desses fatos, seja na família ou na escola.
É importante lembrar que a Educação é muito mais do
que simplesmente transmitir conhecimentos. É formar
pessoas, é preparar cidadãos, que vão ter que interagir
socialmente nos mais diversos ambientes e que vão
ter à sua disposição instrumentos muito valiosos,
se utilizados positiva e eticamente a favor do bem.
(NA)
*Lopes
Neto, Aramis A., Saavedra, Lucia H. Diga Não para o
Bullying - Programa de Redução do Comportamento Agressivo
entre Estudantes - Rio de Janeiro, 2003. www.bullying.com.br
Lucia Helena Saavedra. Psicóloga e psicopedagoga. (Diretora
Cultural da Associação Brasileira de Psicopedagogia.)
lusaavedra@hotmail.com
Na
sua opinião, quais os serviços prestados pelas novas
tecnologias?
Para usted, ¿qué servicios prestan las nuevas tecnologías?
Las
nuevas tecnologías son como un cuchillo de dos hilos.
Pueden favorecer mucho la vida y pueden matarla. En
cuanto a medicina y salud, mucho han contribuído para
sanar, prevenir patologías, en biogenética, ¡cuántos
avances…! Pero no nos olvidemos que en un minuto se
puede destruir el mundo con una guerra bacteriológica.
Así mismo, veo muy importante el desarrollo tecnológico
desde que el ser humano sea de verdad HUMANO, para usar
la tecnología como se debe.
Iolanda Maria Pires
México
Las nuevas tecnologías, vistas en sentido positivo,
prestan un servicio muy favorable al proceso de aprendizaje.
Ayudan a centrar la atención de participantes y facilitadores.
Acortan las distancias entre los pueblos y los(as) ciudadanos(as),
y satisfacen distintas necesidades de las personas y
los grupos sociales.
Aidée Santos
República Dominicana
Las nuevas tecnologías -y las de todos los tiempos-,
como sabemos, no tienen valor en sí mismas. El monto
valorativo lo otorga quien las usa y quien las observa
desde su perspectiva. Son, simples o sofisticadas, medios
para alcanzar determinados fines. Encontramos tecnologías
al servicio de la humanización y otras al servicio de
la deshumanización. Unas al servicio del bien común
y otras al del individualismo; unas al servicio de la
justicia y otras al de la corrupción; unas al servicio
de la guerra y otras al de la paz; unas al servicio
de la comunión y otras al del egoísmo; y podríamos seguir
enumerando... Encontramos también que muchas de éstas
sirven a dos fines antitéticos a la vez. Resulta imprescindible
discernir éticamente -a nivel personal, grupal y social-
qué procesos estamos impulsando con nuestros usos y,
junto con ello, favorecer la reflexión crítica en los
ámbitos de misión y convivencia.
Marisa Salúm
Uruguay
Muchos, el más importante: las personas con discapacidades,
ceguera, sordera, motrices, intelectuales etc. En el
espacio virtual entran por sus capacidades, por sus
valores y desaparece el halo de discapacidad que genera
la discriminación y el rechazo. Acorta las distancias
y permite formar redes que pueden cambiar los vínculos,
abrir conciencias y unir multitudes para en solidaridad
hacer un mundo mejor.
Ana Maria Fossatti
Uruguay
Os serviços que prestam as novas tecnologias são, em
sua totalidade, para facilitar e aprimorar o trabalho
das pessoas, ainda que afirmemos que "as máquinas não
errem", o que realmente existe em uma porcentagem bem
pequena e que justifica essa afirmação é: "erra apenas
quem opera a máquina!" Apesar de todo esse contexto,
a verdade é que elas realmente facilitam e dão precisão
ao trabalho, uma vez que qualificam ainda mais a produção;
não podemos esquecer que, atrás de muitas máquinas e
tecnologias, existem pessoas muito competentes que as
fazem realizar tais atribuições. Portanto, são serviços
que, se usados corretamente e para o bem comum, atingem
uma plenitude e contemplam a tod@s!
Rafael de Jesus França
Brasil
Me parece que las nuevas tecnologías, en concreto el
multimedia, son un apoyo para el trabajo docente, siempre
y cuando se las sepa utilizar bien. Pueden ampliar el
espectro de información y agregar animación al trabajo
docente, pero nunca substituirán la relación pedagógica
que se debe establecer entre profesor y alumnos. Son
un recurso, no suplen al maestro.
Lesvia Rosas
México
Trabajo animando el Movimiento ciudadano por la no violencia
en Colombia (www. aquiestoypais.org), y los recursos
virtuales son muy importantes porque resultan más económicos
y de acceso relativamente fácil. También nos permiten
conocer y compartir con personas experiencias semejantes
en otros lugares del mundo. Sin embargo, resultan inadecuados
para las personas de zonas lejanas a las ciudades y
con baja escolaridad.
Roberto Solarte
Colombia
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