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a Revista de la Pátria Grande


IDÉIAS EM REDE / IDEAS EN RED

Bullying tecnológico
Lucia Helena Saavedra
Rio de Janeiro - Brasil



Foto Alexandre Firmino
El término Bullying se refiere al comportamiento agresivo entre pares, o sea, entre personas que ocupan papeles semejantes en diferentes situaciones de la vida social, presentándose inclusive en la realidad de las escuelas. Recientes investigaciones revelaron, además, el uso de las nuevas tecnologías, como celulares, internet, etc., con finalidades agresivas y de intimidación entre pares, a lo que se ha denominado Bullying tecnológico. Como estas situaciones pueden generar daños prácticamente irreparables, la prevención de este tipo de comportamiento se constituye en la herramienta más eficaz, siendo la familia y la escuela los espacios privilegiados para trabajar estas cuestiones, por ser los primeros núcleos de convivencia del ser.



O vocábulo Bullying se refere ao comportamento agressivo entre pares, ou seja, entre pessoas que ocupam papéis semelhantes em diferentes situações. Assim, tanto pode ocorrer entre alunos de uma mesma escola, quanto entre colegas de trabalho.

O uso do anglicismo se justifica pelo fato de não ter sido encontrada em nosso idioma, até o momento, uma palavra igualmente abrangente. Pois o termo Bullying engloba agressão física e/ou psicológica, direta ou indireta, desde que se realize de modo intencional e repetitivo e sem que exista um motivo evidente para essas ações. E a partir desses comportamentos, desenvolve-se uma relação desigual de poder entre as pessoas, com a possibilidade de que uma delas, ou um grupo, passe a intimidar a outra, o que causa profundo sofrimento.

Nesses atos de Bullying identificam-se basicamente três tipos de protagonistas, a saber:
• Os alvos - aquelas pessoas que sofrem as agressões;
Os autores - aquelas que praticam os atos agressivos;
As testemunhas - todos aqueles que direta ou indiretamente convivem, no mesmo ambiente, com tais situações desagradáveis, permanecendo envolvidos por esse clima hostil.

O tema do Bullying atualmente vem preocupando sobremaneira educadores e pesquisadores, os quais procuram conhecer melhor este assunto tão presente em nossas escolas. Pesquisa realizada em 2002 pela ABRAPIA (Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência), envolvendo mais de 5 mil estudantes de quinta à oitava séries, revelou que as situações de Bullying fazem parte da realidade das escolas - tanto públicas, quanto particulares - do município do Rio de Janeiro, de maneira muito semelhante ao que ocorre em outros países, como mostra a literatura estrangeira.

Apesar disso, algumas pessoas têm questionado o fato de se dar tanta importância hoje a algo que sempre teria ocorrido; afinal de contas, quem não se lembra de ter presenciado, ou até mesmo experimentado na própria pele, uma situação deste tipo? Antigamente - dizem essas pessoas - o problema não tinha rótulo, ninguém dava maior atenção e todos sobreviviam a ele.

Ocorre com o Bullying, exatamente como acontece com as doenças: só a partir de pesquisas, elas passam a ser identificadas e conhecidas e esse conhecimento permite caminhar na direção de possíveis tratamentos. Também essa classe de violência, embora antiga, só veio a ser estudada e nomeada nos anos 70, na Noruega, e apenas na década de 90 passou a ser mais sistematicamente investigada em outros países da Europa. Então, hoje sabemos que esses comportamentos agressivos têm um nome específico, possuem características próprias e isso tem tornado possível conhecer mais, investigar causas, conhecer conseqüências e buscar soluções.

É verdade que o Bullying não é um fenômeno recente; ele já vem ocorrendo há muitos anos. Pode-se dizer que, como todo fenômeno, ele se veste com a roupagem de cada época, assumindo as características de cada momento. Se antigamente as situações de "brincadeira" e gozação eram mais suaves, mais ingênuas, hoje, ao contrário, elas são marcadas por intensa agressividade, por atitudes mais hostis, por uma ironia, muitas vezes cáustica, que permeia até mesmo as relações de amizade. Para perceber isso, basta observar os programas humorísticos atuais, ou as brincadeiras realizadas num grupo de amigos.

Do mesmo modo, também as situações de Bullying foram se tornando cada vez mais freqüentes e intensas, causando portanto ainda maior dor e sofrimento às vítimas. O que desencadeou as primeiras pesquisas sistemáticas sobre o assunto foi justamente o suicídio de jovens, que chegaram a esse ato extremo a partir de dolorosas experiências de Bullying vivenciadas na escola.

Como é evidente, o avanço da tecnologia é uma marca de nosso tempo. Hoje temos a nosso alcance um sem número de máquinas e de aparelhos eletrônicos, criados e disponibilizados para nos servir e nos distrair no nosso dia-a-dia. Parece não nos ser mais possível viver sem esses objetos, principalmente nos grandes centros urbanos, nem prever que outros recursos serão desenvolvidos nos próximos anos. Toda nossa vida se vê invadida e até caracterizada pela utilização desses objetos. Quem é capaz de se imaginar vivendo sem um celular ou impossibilitado de fazer uso do computador?

E se há uns 30 anos atrás estávamos nos questionando sobre a presença exagerada da televisão em nossos lares, na educação de nossos filhos, hoje estamos nos perguntando sobre a influência de todos esses recursos tecnológicos atuais, a princípio, excelentes instrumentos para facilitar as tarefas de nossa rotina e melhorar a qualidade de nossa comunicação, mas nem sempre utilizados de maneira construtiva.

Foto Alexandre Firmino

POTENCIALIZANDO AGRESSIVIDADE

Assim é que se tem observado o uso de alguns desses dispositivos com finalidades agressivas e de estabelecer a intimidação entre pares. É a isso que se dá o nome de Bullying tecnológico. E se todo tipo de Bullying é pernicioso, este é ainda mais grave, uma vez que a tecnologia tem o poder de potencializar ações dessa natureza, tanto pela eficiência do recurso em si, quanto pela capacidade de ampliar seu raio de ação.

Até então, ao se verem expostas a agressões externas, as pessoas recorriam a buscar asilo dentro dos limites de sua própria casa. Assim, mesmo sem conseguir pedir ajuda aos pais, como acontece via de regra nesses casos, um(a) jovem, vítima de Bullying na escola, podia experimentar ao menos a sensação de segurança física, ainda que temporária, dentro de seu lar.

Hoje, com o uso dos meios de comunicação eletrônicos, mesmo dentro de casa, a pessoa pode estar sendo alvo de violência, via telefone celular ou pelo computador/Internet, recursos capazes de invadir sua privacidade e até mesmo de levar para além dos muros da própria casa informações que, muitas vezes, passam a ser utilizadas contra ela.

São exemplos disso os tristes casos, mais recentemente divulgados, de jovens que têm sido alvo de violentas ridicularizações, pela divulgação desonesta de filmagens de sua vida íntima, ou pela exposição de fotomontagens suas na Internet. Ou mesmo, pelo simples fato de se tornarem objeto de maledicência e boatos disseminados por celular, por meio de "torpedos" ou de outras formas de mensagem.

E as vítimas mais freqüentes dessas situações são justamente os jovens, de ambos os sexos, não só por serem eles os principais usuários desses aparelhos, como também porque talvez se protejam menos desse tipo de invasão. Ao participar de algum desses momentos de "encontro virtual", sentindo-se protegidos dentro dos limites físicos oferecidos pelas paredes de seus quartos, nem sempre conseguem perceber quão expostos estão, diante do fato de estarem entrando em contato com pessoas desconhecidas, nem sempre merecedoras de confiança, às quais revelam peculiaridades de sua vida, de sua rotina e até mesmo de sua personalidade. Dessa forma, correm riscos não calculados, por se lançarem no espaço público sem o devido cuidado, como se estivessem gozando de privacidade.

É fácil imaginar que, depois de instaladas mensagens de cunho agressivo numa rede de comunicação, torna-se muito difícil lidar com o problema: deter sua expansão parece impossível, assim como identificar culpados, já que o anonimato é um dos problemas da comunicação virtual. Sem falar no prejuízo emocional causado à vítima. Trata-se de um tipo de violência irreversível. Qualquer tentativa de reparação parece insuficiente diante da proporção da ocorrência.

Foto Alexandre Firmino

"O QUE FAZER COM ESSE TIPO DE BULLYING?"

Então, o que fazer com esse tipo de Bullying? Como trabalhar essa questão? O que cabe aos educadores - sejam eles pais ou professores - fazer diante desse problema tão grave, que permeia a vida de crianças e jovens?

Já que diante dessas situações o dano se torna praticamente irreparável, o investimento mais valioso se refere justamente à prevenção desse tipo de comportamento, o que inclui trabalhar as relações interpessoais e a construção dos valores morais dos educandos desde a mais tenra idade.

A família e a escola são espaços privilegiados para lidar com essas questões, por serem os primeiros núcleos de convivência do ser.

A comunidade escolar, de modo especial, é provavelmente o local onde a criança vai começar a interagir com pessoas oriundas de outras realidades familiares. Portanto, é aí que ela vai aprender a lidar com as diferenças e a encará-las não como um obstáculo para a interação social, mas, ao contrário, como um desafio para atingir uma melhor qualidade nesses relacionamentos. Nesse espaço, vai ter que aprender a respeitar os outros e a se fazer respeitar.

Torna-se fundamental que toda a comunidade educativa esteja consciente da necessidade de se focalizar a questão dos relacionamentos dentro da escola, tanto quanto da urgência de investir mais na formação moral de seus alunos. Trabalhar esses assuntos significa valorizar todas as formas de interação, oferecendo a oportunidade de trocar experiências e de refletir sobre elas, desenvolvendo sempre o senso crítico, para que os jovens se tornem capazes de observar e analisar as diferentes situações de vida. Não se trata de dar "lições de moral", mas, ao contrário, investir na construção dessa moral, que, como toda construção, pressupõe um alicerce, que já deve ser iniciado desde os primeiros anos da criança, adequando evidentemente a maneira de se trabalhar ao nível de desenvolvimento dos alunos. Assim, promover ocasiões em que seja necessário discernir entre o certo e o errado, entre o permitido e o proibido, levando os alunos a descobrirem enfim os princípios básicos que devem nortear e oferecer os limites para os comportamentos e as atitudes durante toda a vida.

Como não podia deixar de ser, a família - onde tudo se inicia - tem um papel preponderante nessa construção. Para que sejam bem sucedidos nessa tarefa, os pais devem se conscientizar da necessidade de desenvolverem, desde cedo, um diálogo franco e verdadeiro com os filhos, debatendo especialmente essas questões. É inútil pensar que hoje seja possível controlar as atividades e os passos dos filhos. O uso dos meios de comunicação eletrônicos torna tudo, ou quase tudo, possível. Não dá para saber, por exemplo, o que seu filho faz, nem com quem se relaciona, quando utiliza seu computador, ou seu multifuncional celular. Então, o que importa é estabelecer o relacionamento familiar com base no amor e na confiança mútua entre as pessoas, para que seja possível aos pais se aproximarem, orientarem e aconselharem sempre seus filhos.

Hoje, ao ouvir falar de Bullying, não é mais admissível achar que se trata de uma mera e inofensiva brincadeira. Bullying é assunto sério e deixa marcas para toda a vida. Inserido na comunidade escolar, interfere diretamente na capacidade de estudo dos alunos, em sua autoestima, em seu desenvolvimento emocional, enfim em sua formação pessoal como um todo. Portanto, ocorrências desse tipo - fazendo ou não uso de instrumentos de alta tecnologia - não devem ser ignoradas, mas, ao contrário, precisam ser analisadas e trabalhadas entre todos os envolvidos. E principalmente, vale ressaltar a necessidade de se investir na prevenção desses fatos, seja na família ou na escola.

É importante lembrar que a Educação é muito mais do que simplesmente transmitir conhecimentos. É formar pessoas, é preparar cidadãos, que vão ter que interagir socialmente nos mais diversos ambientes e que vão ter à sua disposição instrumentos muito valiosos, se utilizados positiva e eticamente a favor do bem. (NA)



*Lopes Neto, Aramis A., Saavedra, Lucia H. Diga Não para o Bullying - Programa de Redução do Comportamento Agressivo entre Estudantes - Rio de Janeiro, 2003. www.bullying.com.br

Lucia Helena Saavedra. Psicóloga e psicopedagoga. (Diretora Cultural da Associação Brasileira de Psicopedagogia.) lusaavedra@hotmail.com



Na sua opinião, quais os serviços prestados pelas novas tecnologias?

Para usted, ¿qué servicios prestan las nuevas tecnologías?


Las nuevas tecnologías son como un cuchillo de dos hilos. Pueden favorecer mucho la vida y pueden matarla. En cuanto a medicina y salud, mucho han contribuído para sanar, prevenir patologías, en biogenética, ¡cuántos avances…! Pero no nos olvidemos que en un minuto se puede destruir el mundo con una guerra bacteriológica. Así mismo, veo muy importante el desarrollo tecnológico desde que el ser humano sea de verdad HUMANO, para usar la tecnología como se debe.
Iolanda Maria Pires
México



Las nuevas tecnologías, vistas en sentido positivo, prestan un servicio muy favorable al proceso de aprendizaje. Ayudan a centrar la atención de participantes y facilitadores.
Acortan las distancias entre los pueblos y los(as) ciudadanos(as), y satisfacen distintas necesidades de las personas y los grupos sociales.
Aidée Santos
República Dominicana



Las nuevas tecnologías -y las de todos los tiempos-, como sabemos, no tienen valor en sí mismas. El monto valorativo lo otorga quien las usa y quien las observa desde su perspectiva. Son, simples o sofisticadas, medios para alcanzar determinados fines. Encontramos tecnologías al servicio de la humanización y otras al servicio de la deshumanización. Unas al servicio del bien común y otras al del individualismo; unas al servicio de la justicia y otras al de la corrupción; unas al servicio de la guerra y otras al de la paz; unas al servicio de la comunión y otras al del egoísmo; y podríamos seguir enumerando... Encontramos también que muchas de éstas sirven a dos fines antitéticos a la vez. Resulta imprescindible discernir éticamente -a nivel personal, grupal y social- qué procesos estamos impulsando con nuestros usos y, junto con ello, favorecer la reflexión crítica en los ámbitos de misión y convivencia.
Marisa Salúm
Uruguay



Muchos, el más importante: las personas con discapacidades, ceguera, sordera, motrices, intelectuales etc. En el espacio virtual entran por sus capacidades, por sus valores y desaparece el halo de discapacidad que genera la discriminación y el rechazo. Acorta las distancias y permite formar redes que pueden cambiar los vínculos, abrir conciencias y unir multitudes para en solidaridad hacer un mundo mejor.
Ana Maria Fossatti
Uruguay



Os serviços que prestam as novas tecnologias são, em sua totalidade, para facilitar e aprimorar o trabalho das pessoas, ainda que afirmemos que "as máquinas não errem", o que realmente existe em uma porcentagem bem pequena e que justifica essa afirmação é: "erra apenas quem opera a máquina!" Apesar de todo esse contexto, a verdade é que elas realmente facilitam e dão precisão ao trabalho, uma vez que qualificam ainda mais a produção; não podemos esquecer que, atrás de muitas máquinas e tecnologias, existem pessoas muito competentes que as fazem realizar tais atribuições. Portanto, são serviços que, se usados corretamente e para o bem comum, atingem uma plenitude e contemplam a tod@s!
Rafael de Jesus França
Brasil



Me parece que las nuevas tecnologías, en concreto el multimedia, son un apoyo para el trabajo docente, siempre y cuando se las sepa utilizar bien. Pueden ampliar el espectro de información y agregar animación al trabajo docente, pero nunca substituirán la relación pedagógica que se debe establecer entre profesor y alumnos. Son un recurso, no suplen al maestro.
Lesvia Rosas
México



Trabajo animando el Movimiento ciudadano por la no violencia en Colombia (www. aquiestoypais.org), y los recursos virtuales son muy importantes porque resultan más económicos y de acceso relativamente fácil. También nos permiten conocer y compartir con personas experiencias semejantes en otros lugares del mundo. Sin embargo, resultan inadecuados para las personas de zonas lejanas a las ciudades y con baja escolaridad.
Roberto Solarte
Colombia




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