
NA - Estamos em pleno século XXI. Há muito tempo
que diferentes ambientalistas, de diferentes partes
do mundo vêm chamando a atenção para as questões
ambientais e elas parecem se agravar cada vez
mais. Diante deste contexto, gostaríamos de lhe
perguntar: quais são para você os principais problemas
ambientais, hoje? E quais as suas principais causas?
Soffiati - Começarei pela segunda parte
da pergunta. Em todas as civilizações, desenvolveu-se
algo parecido com o que chamamos de economia de
mercado, pelo menos no nível da circulação de
produtos, ou seja, no comércio. Esta atividade
apenas arranhava o corpo da sociedade e a parasitava
sem causar-lhe grandes danos. Na Europa Ocidental,
porém, durante a Idade Média, o capitalismo tomou
um desenvolvimento inédito, parasitando de tal
forma o feudalismo que, num determinado momento,
a produção para subsistência do sistema feudal
não pôde mais atender às necessidades do mercado.
Então, o capitalismo penetrou na esfera da produção
para aumentar a oferta de mercadorias. Emergiu,
assim, o modo de produção capitalista. Ele foi
a mola propulsora da expansão da Europa para outros
continentes, originando o processo de globalização,
da destruição de várias culturas pelo mundo afora
e da mudança de atitude em relação à natureza,
que foi coisificada e se transformou em recurso.
Max Weber teria sido feliz em dizer que o Ocidente
desencantou o mundo se ele não visse com otimismo
este desencantamento.
Com a concepção mecanicista do universo, concebida
pelos pensadores europeus no século XVII, abriu-se
caminho para a expansão do capitalismo e para
a revolução industrial, na segunda metade do século
XVIII. Esta consolidou mais ainda o modo de produção
capitalista, que vinha se alastrando pela Europa
Ocidental nos três séculos anteriores. Com ela,
o trabalho tendeu a se tornar assalariado, e a
sociedade viu o aumento das desigualdades. Não
sem razão, as críticas ao modo de produção capitalista
proliferaram, principalmente, pela via socialista
em suas várias vertentes. Porém, a crítica do
socialismo ao capitalismo concentrou-se mais nos
planos econômico, social e político. A utopia
marxista, por exemplo, vislumbra uma sociedade
igualitária e o fim de todas as formas de alienação,
como religião, igreja, Estado e família, mas não
tem um projeto distinto do capitalismo para a
tecnologia e para as relações da humanidade com
a natureza, salvo em algumas passagens de Marx
e Engels, bem como dos anarquistas. Assim, o socialismo
que se instalou na Rússia e depois em vários outros
países tinha o objetivo de dominar a natureza
em benefício do "Homem", tal como nas sociedades
capitalistas.
Deste modo, tanto no socialismo como no capitalismo
acentuou-se a exploração da natureza de forma
jamais praticada por qualquer outra sociedade
humana no passado. Claro que algumas sociedades
ultrapassaram os limites de sustentabilidade da
natureza e pagaram altos preços por isso. Lembremo-nos
apenas dos exemplos das sociedades mesopotâmicas,
índica, chinesa, grega, khmeriana[1], maia e da
ilha de Páscoa. No entanto, nenhuma delas pisou
a natureza com um pé tão pesado como os dois modos
de produção que emergiram da revolução industrial.
Hoje, o socialismo faliu e ficou restrito a
apenas alguns países pequenos, como Coréia do
Norte e Cuba, se é que este socialismo não é apenas
nominal. No mais, triunfou o capitalismo em sua
expressão neoliberal, a forma mais perversa de
exploração dos seres humanos e da natureza não-humana.
Esta exploração de 250 anos tocou nos limites
da natureza, provocando problemas ambientais em
dimensão global que se tornaram mais visíveis
a partir da década de 1970. No conjunto, eles
constituem a primeira crise antrópica planetária
da história da vida. Antes que a humanidade, considerada
no seu sentido mais amplo, ou seja, incluindo
todos os nossos antepassados hominídeos, entrasse
em cena, várias crises planetárias assolaram a
Terra, mas nenhuma delas foi provocada pela ação
humana coletiva, pela simples razão de o Homo
sapiens não ter ainda surgido. Tais crises
eram geradas por vulcanismo, tectonismo, mudanças
climáticas e bombardeio de asteróides. Abro um
parêntese que me parece pertinente. Nenhuma das
espécies criadas pela natureza tem capacidade
potencial de provocar grandes estragos na natureza,
nem mesmo agindo coletivamente, como fazem os
corais. O Homo sapiens é a única a desenvolver
esta capacidade. Mesmo assim, trata-se de uma
capacidade potencial só desenvolvida em sistemas
sociais agressivos, como o capitalismo. Basta
dizer que a humanidade, no seu sentido amplo,
existe há cerca de sete milhões de anos, segundo
as estimativas mais recentes, mas só começou a
desenvolver técnicas e tecnologias mais destruidoras
nos últimos dez mil anos, após a revolução do
Neolítico.
Os problemas ambientais produzidos pelo modo de
produção capitalista, na sua fase atual, alcançaram
uma dimensão global que superam em grau incomensurável
os problemas ambientais ao longo da história da
humanidade. A meu ver, o mais greve destes problemas,
na atualidade, são as mudanças climáticas, pois,
além de expressarem com fidelidade a contrapartida
da globalização econômica neoliberal, volta-se
com fúria sobre o planeta como um todo, atingindo
os mais recônditos locais da Terra, como o Continente
Antártico, as geleiras do Ártico, os gelos das
mais elevadas cadeias de montanhas, como a do
Himalaia, os desertos desabitados e até as fossas
abissais submarinas. Em termos de sociedades humanas,
o aquecimento global atinge desigualmente as classes
sociais, afetando mais os pobres que os ricos.
Vejo também no empobrecimento da biodiversidade
um problema da maior gravidade. Nunca a humanidade
destruiu tantas áreas de floresta e extinguiu
tantas espécies. Edward Wilson, um dos maiores
especialistas em biodiversidade, diz que a Terra
passou por cinco grandes crises ambientais, todas
elas antes da existência da humanidade. Agora,
está vivendo a sexta, causada exatamente pela
humanidade. Eu diria que não é a humanidade genérica
que está provocando esta crise, mas a humanidade
dentro do sistema capitalista. Preocupam muito,
também, a extração cada vez maior dos recursos
naturais não-renováveis e o descarte de resíduos,
por um lado, causando esgotamento, por outro lado,
gerando poluição.

NA - Fale-nos sobre suas reflexões acerca da relação
entre desenvolvimento e meio ambiente.
Soffiati
- O conceito de desenvolvimento foi tão banalizado
que se tornou vazio. Em filosofia, parece um axioma,
isto é, um conceito que dispensa explicitação.
Qualquer pessoa, pobre ou rica, sabe ou pensa
saber o que é desenvolvimento. Tenho o hábito
de perguntar aos meus alunos, logo no início de
minhas disciplinas, e às pessoas, de um modo geral,
o que eles entendem por desenvolvimento. A resposta
é invariável: indústria, grandes fábricas que
gerem emprego e impostos. A maioria cala sobre
a melhoria da qualidade da vida humana e do equilíbrio
dos ecossistemas. Não apenas os sistemas econômicos
derivados da revolução industrial impregnaram
a mente das pessoas quanto a esta visão de desenvolvimento
como também o modelo norte-americano. O que é
bom para os Estados Unidos, e agora para a China,
é bom para todos os países, é o pensamento dominante.
Associamos a idéia de desenvolvimento ao consumismo.
Quando explico aos meus alunos e ao público que
assiste às minhas palestras a possibilidade de
um desenvolvimento que não se oponha à proteção
do meio ambiente, mas se construa através da proteção
do meio ambiente, a estranheza é muito grande.
Como estamos acostumados a um desenvolvimento
que só privilegia a quantidade e o ter, consideramos
inviável e delirante um desenvolvimento que valorize
a qualidade e o ser.
De maneira alguma, polarizo proteção da natureza
e desenvolvimento. Só que trabalho com um conceito
de desenvolvimento que respeite a capacidade de
suporte do ambiente e objetive a boa sociedade.
Este tipo de desenvolvimento distingue necessário,
supérfluo e pernicioso. Privilegia as necessidades
essenciais do ser humano, como alimentação, saúde,
educação, moradia, vestimenta, trabalho e tempo
disponível para o desenvolvimento de valores éticos
e espirituais, sempre no sentido qualitativo.
Não que eu descarte o supérfluo, mas acentuo sempre
que ele deve vir depois de atendidas às necessidades
essenciais, mesmo assim com moderação. Quanto
ao pernicioso, como a economia de guerra, empreendo
uma crítica radical a ela.
O que mais surpreende meus críticos é a ênfase
que dou à economia e à produção. Acho que uma
sociedade só se sustenta se caminhar com os próprios
pés. Mas isto não significa calçar sapatos de
chumbo para esmagar a natureza e inviabilizar
a própria existência da sociedade. É preciso caminhar
com sapatos de seda e com bastante leveza.
NA - E sobre a relação
entre pobreza e degradação ambiental?
Soffiati
- Existe uma outra criação inédita do sistema
capitalista, notadamente em sua fase neoliberal:
nenhuma sociedade antes conseguiu fabricar tanta
pobreza e tanta miséria, em nível mundial, como
hoje. Entendo o conceito de exclusão com muita
desconfiança, pois creio que todos os seres humanos
estão incluídos nesta economia global, seja como
miseráveis, pobres, remediados[2] e ricos. Quanto
maior a concentração de riqueza maior o número
de pessoas empurradas para as esferas remediadas,
pobre e miserável. Sendo assim, é preciso explicitar
de que esfera uma pessoa está excluída. A maioria
da humanidade, hoje, vive nas esferas pobre e
miserável. A degradação do meio ambiente é incomensuravelmente
mais provocada pela esfera rica, dentro de cada
país e no mundo todo, que pelas outras esferas.
É a esfera rica que provoca os maiores desmatamentos,
o maior consumo de matéria e energia não-renovável,
a maior produção de rejeitos, a maior emissão
de gases, a maior extinção de espécies. Quando
as outras esferas produzem estes estragos, é certo
encontrar por trás delas a esfera rica. Aumenta
o número de pessoas nas três esferas que sofrem
com a perturbação e com a degradação da natureza
provocadas pela esfera rica, pois as desigualdades
sociais fazem os danos ambientais pesarem desigualmente
sobre as sociedades humanas. Além do mais,
as esferas pobre e miserável vivem em grande parte
com o lixo ou no lixo gerado pelas esferas rica
e remediada. Mais ainda, no esforço de sobreviver,
as esferas pobre e miserável, principalmente esta
segunda, destroem mais ainda os poucos recursos
ao seu redor, agravando a crise geral. Mas,
ao contrário de muitos defensores dos pobres e
miseráveis, inclusive muitos amigos meus, considero
a defesa das comunidades tradicionais uma espécie
de mito dos intelectuais. O sistema capitalista
destrói e continua destruindo as comunidades tradicionais,
da mesma forma que destrói o meio ambiente. Assim,
em vez de exclusão, o que ocorre é um processo
de inclusão cultural e ideológico, arrastando
os miseráveis e pobres para a concepção de desenvolvimento
dos ricos e remediados. Pouquíssimos grupos humanos
mantêm suas tradições num mundo cada vez mais
globalizado pelo neoliberalismo. As sociedades
tradicionais estão em franco declínio e se integrando
a um sistema global. Todos ou quase todos estão
no sistema, com a ressalva de que a esmagadora
maioria está nas esferas pobre e miserável.

NA - Parece que já existem
leis e acordos suficientes para proteger a Terra
e por que a Terra continua sendo tão prejudicada?
Soffiati
- Mais importante que tratados, acordos, protocolos
e leis é a constituição de um novo paradigma ético,
que vem sendo construído progressivamente. O grande
paradigma ainda vigente foi construído sob a égide
do mecanicismo e do maquiavelismo. O mecanicismo
coisificou a natureza e o ser humano. O maquiavelismo
valeu para época dele, mas hoje alimenta o individualismo,
o egoísmo e a desonestidade. Qualquer diploma
com valor legal concebido por estas duas visões
não vai jamais resolver nossos problemas. Mesmo
um crítico realista do desenvolvimento clássico,
como o economista Ignacy Sachs, sustenta que o
Tratado de Kioto, se fosse cumprido à risca por
todos os países signatários e mesmo por todos
os países que fazem parte da ONU, reduziria em
apenas 10% as emissões de gases causadores do
aquecimento global. Assim, este tratado está servindo
mais para transações econômicas com créditos de
carbono. O mesmo se pode dizer da lei que instituiu
a política brasileira dos recursos hídricos, que,
além de mal concebida em si, está sendo reduzida
a transformar a água em mercadoria. É um mito
dizer que as leis brasileiras são boas. Quase
todas buscam, quando muito, compatibilizar crescimento
econômico capitalista e proteção da natureza.
Se falham, a corda arrebenta sempre do lado do
mais fraco, ou seja, dos pobres e miseráveis e
do meio ambiente. Precisamos de novas leis,
mas concebidas dentro de um novo paradigma, que
denomino de naturalista organicista contemporâneo.
NA - Na sua opinião, o que
podemos fazer para mudar toda essa situação ambiental?
Soffiati
- Mais uma vez, estamos diante da alternativa:
revolução ou reforma? As revoluções inglesa, francesas,
russa, chinesa e cubana mataram milhares de pessoas
e deram no que deram. A Inglaterra e a França
não colocaram o ideário liberal plenamente em
prática. A União Soviética se esfacelou e voltou
ao capitalismo. A China combina uma economia de
mercado com um governo autoritário. Cuba está
muito esclerosada. Pergunto se valeu a pena
tanto sacrifício de vidas humanas diante de tamanho
fracasso. Concluo que não. As grandes utopias
da Modernidade são ditatoriais por planejarem
o futuro para gerações que vão nascer. Cada geração
tem o direito de pensar a sua vida. Cabe-nos tão
somente, talvez, assegurar as bases ambientais
para nossos descendentes e para todos os seres
vivos.
Assim, só nos resta a via reformista. Mas, desde
logo, deixo claro que a passagem de uma civilização
pesada como a nossa para uma civilização leve
não é impossível, mas muito difícil e demorada.
Sempre que diagnostico a crise planetária e antrópica
da atualidade, meus ouvintes parecem ficar angustiados,
como se estivessem presos numa masmorra, e pedem
logo para sair, pedem logo que eu apresente soluções.
Agora, estou devolvendo a pergunta. Como respostas,
colho aumentar a fiscalização, cumprir as leis,
aprimorar as leis, investir mais na educação,
mobilizar a população, criar mais ONGs, escolher
melhor os governantes, etc. Assim, as pessoas
acabam se dando conta de quão difícil é transformar
a realidade. Hoje, não sou mais tão convicto de
minhas convicções. Por iniciativa humana, a mudança
poderia começar com a ocupação das áreas não ocupadas
pelo capitalismo ou abandonadas por ele por um
outro estilo de vida. De certa forma, muitas pessoas
em todo o mundo já tomaram esta iniciativa, mas
ela não merece destaque nos meios de comunicação.
De mais a mais, sempre que aparece um espaço vazio,
o paradigma clássico indica que a melhor maneira
de ocupá-lo é com estilos convencionais de desenvolvimento.
Enfim, creio que não devemos esmorecer no processo
de mudança, como propõe Immanuel Wallerstein,
do contrário eu me recusaria a falar sobre este
assunto e me daria por vencido. O adversário que
enfrentamos é muito grande e poderoso, o que nos
leva ao pessimismo. No entanto, Edgar Morin diz
que a luta deve continuar, pois fatores imprevisíveis
podem entrar em cena. Seguindo Boaventura de Sousa
Santos, não devemos abdicar das utopias, mas devemos
ser mais modestos em relação a elas. Da minha
parte, continuo a combater o paradigma hegemônico,
tendo em vista um projeto viável para o nosso
tempo. Se, no tempo de vida que me resta, eu puder
assistir ao crescimento de uma nova ética, avanços
de uma salutar relação entre humanidade e natureza,
diminuição das injustiças sociais e fortalecimento
da democracia, vou me sentir melhor. Seja como
for, com a nossa ação ou sem ela, o capitalismo
não poderá sobreviver por muito tempo. Ele anima
uma civilização insustentável. Se ela não é a
única civilização inviável que a humanidade já
construiu, é sem dúvida a mais inviável de todas.
Prevejo seu desmoronamento na forma de desastres
que acarretarão muito sofrimento e muita destruição,
embora não acredite na extinção do Homo sapiens.
Todavia, permanece o impasse: ou concluímos que
mudanças drásticas devem ser feitas por iniciativa
humana ou tais mudanças ocorrerão por ajustes
adaptativos da ecosfera.

NA - O que você gostaria
de acrescentar?
Soffiati
- Comecei meu ativismo no fim da década de 1970
com a percepção de que nosso inimigo número um
são os sistemas econômico-sociais criados pela
Modernidade, principalmente após a revolução industrial.
Hoje, quase 30 anos depois, continuo acreditando
que este é o nosso inimigo, embora minha visão
dele seja bem mais complexa. No entanto, vejo
que os chamados ambientalistas passaram a acreditar
num capitalismo ecológico e socialmente sustentável
ou adotaram as armas da própria Modernidade para
lutar contra ele. Posso estar enganado, porém
considero extremamente difícil, senão impossível,
um capitalismo com respeito ao meio ambiente e
com justiça social. Por outro lado, os socialistas,
depois de considerarem por longo tempo o ecologismo
como o último obstáculo ao avanço do comunismo
ou do anarquismo, concluem que a questão ambiental
não é uma invenção da classe média desempregada,
como proclamaram João Bernardo, Maurício Tragtenberg
e Gildo Magalhães nos anos 80. Contudo, os socialistas
que incorporam a questão ambiental em suas reflexões
não estão conseguindo ultrapassar a dimensão social
para chegar na dimensão ambiental. Na reforma
que preconizo, a abordagem transdisciplinar e
complexa é fundamental. O que vejo, entretanto,
é o desinteresse dos ecocapitalistas e dos ecossocialistas
quando manifesto preocupação com o aquecimento
global, com a extinção de espécies, com a devastação
de florestas, com a contaminação do planeta, com
a implantação de grandes unidades produtivas,
com a ameaça que paira sobre as esponjas e os
anfíbios. Em outras palavras, temo que a análise
dos problemas ambientais e seu combate caiam nas
mãos de especialistas, reproduzindo o paradigma
que combatemos. (NA)
[1] Refere-se à civilização do Khmer, que se situava
no atual Cambodja, no Sudeste Asiático.
[2] Os "remediados" podem equivaler às camadas
médias da sociedade em relação à renda. Elas são
constituídas por pessoas que não se situam no
círculo restrito dos ricos nem vivem no interior
do grande círculo da pobreza e no ainda maior
círculo dos miseráveis.
|
NA
- Estamos en pleno siglo XXI. Hace mucho tiempo
que varios ambientalistas de diferentes partes
del mundo llaman la atención a los asuntos ambientales
y estos parecen agravarse cada vez más. Frente
a este contexto, nos gustaría preguntarle: ¿cuáles
son para usted los principales problemas ambientales
hoy en día?, y ¿cuáles sus causas principales?
Soffiati - Comenzaré por la segunda parte
de la pregunta. En todas las civilizaciones
se desarrolló algo parecido con lo que llamamos
de economía de mercado, por lo menos a nivel
de circulación de productos, es decir, en el
comercio. Esta actividad apenas le hacía cosquillas
a sociedad y la parasitaba sin causarle mayores
daños. En Europa Occidental, sin embargo, durante
la Edad Media el capitalismo se desarrolló de
forma inédita, parasitando de tal forma el feudalismo
que en un momento determinado, la producción
para subsistencia del sistema feudal no pudo
más atender las necesidades del mercado. Entonces,
el capitalismo penetró en la esfera de la producción
para aumentar la oferta de mercaderías. Emergió
así el modo de producción capitalista. Este
fue el eje propulsor de la expansión de Europa
para otros continentes, originando el proceso
de globalización, de la destrucción de varias
culturas por el mundo y del cambio de actitud
con relación a la naturaleza, que fue coisificada
y se transformó en recurso. Max Weber habría
sido oportuno al decir que el Occidente desencantó
al mundo si no mirase con optimismo este desencantamiento.
Con la concepción mecanicista del universo,
concebida por los pensadores europeos en el
siglo XVII, se abrió el camino para la expansión
del capitalismo y la revolución industrial,
en la segunda mitad del siglo XVIII. Esta consolidó
todavía más el modo de producción capitalista,
que se arrastraba por toda Europa Occidental
durante los tres siglos anteriores. Con ella,
el trabajo pasó a ser pago, y la sociedad vio
el aumento de las desigualdades. No sin razón,
las críticas al modo de producción capitalista
proliferaron, principalmente, por la vía socialista
en sus varias vertientes. Sin embargo, la crítica
del socialismo al capitalismo se concentró más
en los programas económico, social y político.
La utopía marxista, por ejemplo, vislumbra una
sociedad igualitaria y el fin de todos los tipos
de alienación, como religión, iglesia, Estado
y familia, pero no tiene un proyecto diferente
del capitalismo para la tecnología y para las
relaciones de la humanidad con la naturaleza,
salvo en algunos pasajes de Marx y Engels, así
como de los anarquistas. Así, el socialismo
que se instaló en Rusia y después en varios
países tenía el objetivo de dominar a la naturaleza
en beneficio del "Hombre", tal como en las sociedades
capitalistas.

De
este modo, tanto en el socialismo como en el
capitalismo se acentuó la explotación de la
naturaleza de forma jamás practicada por cualquier
otra sociedad humana en el pasado. Claro que
algunas sociedades ultrapasaron los límites
de sustentabilidad de la naturaleza y pagaron
caro por esto. Hagamos memoria apenas a los
ejemplos de las sociedades mesopotámica, índica,
china, griega, khmeriana[1], maya y la de la
Isla de Pascua. Sin embargo, ninguna de ellas
la pisó tan fuerte como los dos modos de producción
que emergieron de la revolución industrial.
Hoy, el socialismo fracasó y quedó restringido
a apenas algunos pequeños países, como Corea
del Norte y Cuba, si es que este socialismo
no es solamente de nombre. En lo demás, triunfó
el capitalismo en su expresión neoliberal, la
forma más perversa de explotación de los seres
humanos y de la naturaleza no humana.
Esta explotación de 250 años tocó los límites
de la naturaleza, provocando problemas ambientales
en dimensión global que se hicieron más visibles
a partir de la década de 1970. En conjunto,
constituyen la primera crisis antrópica planetaria
de la historia de la vida. Antes que la humanidad,
considerada en su sentido más amplio, o sea,
antes que todos nuestros antepasados homínedos
entrasen en escena, varias crisis planetarias
devastaron la Tierra, pero ninguna de ellas
fue provocada por la acción humana colectiva,
por la simple razón de que el Homo sapiens
todavía no había surgido. Tales crisis eran
generadas por vulcanismo, tectonismo, cambios
climáticos y bombardeo de asteroides.
Hago un paréntesis que me parece oportuno. Ninguna
de las especies creadas por la naturaleza tiene
capacidad potencial de provocar grandes males
a la misma, ni siquiera actuando de forma colectiva,
como hacen los corales. El Homo sapiens
es el único que desarrolló esta capacidad. Aun
así, se trata de una capacidad potencial solo
desarrollada en sistemas sociales agresivos,
como el capitalismo. Basta decir que la humanidad,
en su sentido amplio, existe cerca de siete
millones de años, según las más recientes probabilidades,
pero solo comenzó a desarrollar técnicas y tecnologías
más destructivas en los últimos diez mil años,
después de la revolución del Neolítico.
Los problemas ambientales producidos por la
forma de producción capitalista, en su actual
etapa, alcanzaron una dimensión global que superan
en un grado inconmensurable los problemas ambientales
a lo largo de la historia de la humanidad. En
mi opinón, lo más grave de estos problemas,
en la actualidad, son los cambios climáticos,
ya que aparte de expresar con fidelidad la contrapartida
de la globalización económica neoliberal, regresa
con furia sobre el planeta como un todo, alcanzando
los más recónditos lugares de la Tierra, como
el Continente Antártico, las heladas del Ártico,
el hielo de las más elevadas cadenas de montañas,
como la del Himalaya, los desiertos deshabitados
y hasta las fosas abismales submarinas. En términos
de sociedades humanas, el calentamiento global
alcanza desigualmente las clases sociales, afectando
más los pobres que a los ricos.
Veo también en el empobrecimiento de la biodiversidad
un problema sumamente grave. Nunca la humanidad
destruyó tantas áreas de floresta y extinguió
tantas especies. Edward Wilson, uno de los más
grandes especialistas en biodiversidad, dice
que la Tierra pasó por cinco grandes crisis
ambientales, todas antes de la existencia de
la humanidad. En este momento, está viviendo
la sexta, causada exatamente por ella. Yo diría
que no es la humanidad genérica que está provocando
esta crisis, sino la humanidad dentro del sistema
capitalista. La extracción cada vez mayor de
los recursos naturales no renovables y el descarte
de los deshechos, preocupan mucho, por un lado,
causando contaminación, por otro lado, generando
contaminación.
NA - Háblenos sobre sus reflexiones acerca de
la relación entre desarrollo y medio ambiente.
Soffiati
- El concepto de desarrollo fue tan banalizado
que está vacío. En Filosofía parece un axioma,
es decir, un concepto que dispensa explicación.
Cualquier persona, pobre o rica, sabe o piensa
saber lo que es desarrollo. Tengo el hábito
de preguntar a mis alumnos, apenas comienzan
las clases, y a la gente de un modo general,
lo que entienden por desarrollo. La respuesta
es invariable: industria, grandes fábricas que
generan empleo e impuestos. La mayoría calla
sobre la mejora de calidad de vida humana y
del equilibrio de los ecosistemas. No apenas
los sistemas económicos derivados de la revolución
industrial impregnaron la mente de la gente
en cuanto a esta visión de desarrollo, sino
también el modelo norteamericano. Lo que es
mejor para Estados Unidos, y ahora para China,
es bueno para todos los países, es el pensamiento
dominante. Asociamos la idea de desarrollo al
consumismo. Cuando explico a mis alumnos y al
público que asiste a mis ponencias, la posibilidad
de un desarrollo que no se oponga a la protección
del medio ambiente, pero que se construya a
través de la protección del mismo, se quedan
sorprendidos. Como estamos acostumbrados a un
desarrollo que solo privilegia la cantidad y
el tener, consideramos inviable y delirante
un desarrollo que valore la calidad y el ser.
De ninguna manera polarizo la protección a la
naturaleza y el desarrollo. Solo que trabajo
con un concepto de desarrollo que respete la
capacidad de soporte del ambiente y objetive
la buena sociedad. Este tipo de desarrollo distingue
lo necesario, superfluo y pernicioso. Privilegia
las necesidades esenciales del ser humano, como
alimento, salud, educación, vivienda, vestido,
trabajo y tiempo disponible para el desarrollo
de valores éticos y espirituales, siempre en
el sentido cualitativo. No que se descarte lo
superfluo, pero se acentúa siempre que debe
venir después que las necesidades esenciales
sean atendidas, y aún así moderadamente. En
relación a lo pernicioso, como la economía de
guerra, emprendo una crítica radical a ella.
Lo que más les sorprende a mis críticos es el
énfasis que doy en la economía y en la producción.
Creo que una sociedad solo se sustenta si camina
con sus propios pies. Pero esto no significa
ponernos zapatos de plomo para aplastar a la
naturaleza e inviabilizar la propia existencia
de la sociedad. Es necesario caminar con zapatos
de seda y muy suavemente.

NA - ¿Y sobre la relación
entre pobreza y degradación ambiental?
Soffiati
- Existe otra creación inédita del sistema capitalista,
notadamente en su fase neoliberal: ninguna sociedad
antes consiguió fabricar tanta pobreza y tanta
miseria, a nivel mundial, como hoy. Entiendo
el concepto de exclusión con mucha desconfianza,
pues creo que todos los seres humanos están
incluídos en esta economía global, sea como
miserables, pobres, remediados[2] y ricos. Cuanto
mayor sea la concentración de riqueza mayor
el número de personas empujadas hacia las esferas
remediadas, pobre y miserable. Siendo así, es
necesario explicitar de qué esfera una persona
está excluída. La mayor parte de la humanidad,
hoy en día, vive en las esferas pobre y miserable.
La degradación del medio ambiente es inconmensurablemente
más provocada por la esfera rica, dentro de
cada país y en todo el mundo, que por las otras
esferas. Es la esfera rica la que provoca mayores
depredaciones, el más grande consumo de materia
y energía no renovable, la mayor producción
de desechos, la mayor emisión de gases, la mayor
extinción de especies. Cuando las otras esferas
producen esta destrucción, es casi seguro que
se encontrará detrás de ellas gente de la esfera
rica. Aumenta el número de personas en las tres
esferas que sufren con la perturbación y con
la degradación de la naturaleza provocadas por
la esfera rica, ya que las desigualdades sociales
hacen que los daños ambientales pesen desigualmente
sobre las sociedades humanas. Además, las
esferas pobre y miserable viven en gran parte
con la basura o en la basura generada por las
esferas rica y remediada. Todavía más, en el
esfuerzo por sobrevivir, las esferas pobre y
miserable, principalmente esta segunda, destruyen
más todavía los pocos recursos a su alrededor,
agravando la crisis general. Pero, al contrario
de muchos defensores de los pobres y miserables,
incluso muchos de mis amigos, considero la defensa
de las comunidades tradicionales una especie
de mito de los intelectuales. El sistema capitalista
destruye y continúa destruyendo las comunidades
tradicionales, de la misma forma que destruye
el medio ambiente. Así, en vez de exclusión,
lo que ocurre es un proceso de inclusión cultural
e ideológica, arrastrando a los miserables y
pobres para la concepción de desarrollo de los
ricos y remediados. Poquísimos grupos humanos
mantienen sus tradiciones en un mundo cada vez
más globalizado por el neoliberalismo. Las sociedades
tradicionales están en franco declínio e integrándose
a un sistema global. Todos o casi todos están
en el sistema, con la resalva de que la aplastante
mayoría está en las esferas pobre y miserable.
NA - Parece que ya
existen leyes y acuerdos suficientes para proteger
la Tierra. ¿Por qué la Tierra continúa siendo
tan perjudicada?
Soffiati
- Más importante que los tratados, acuerdos,
protocolos y leyes es la constitución de un
nuevo paradigma ético, que está siendo construido
progresivamente. El gran paradigma vigente todavía
fue construido sobre el escudo del mecanicismo
y del maquiavelismo. El mecanicismo coisificó
la naturaleza y el ser humano. El maquiavelismo
valió para su época, pero hoy en día se alimenta
el individualismo, el egoísmo y la deshonestidad.
Cualquier diploma con valor legal concebido
por estas dos visiones no va a solucionar jamás
nuestros problemas. Aún un crítico realista
del desarrollo clásico, como el economista Ignacy
Sachs, sustenta que con el Tratado de Kioto,
si fuese cumplido al pie de la letra por todos
los países signatarios y por todos los países
que conforman la ONU, se reducirían en apenas
10% las emisiones de gases causadores del calentamiento
global. Así, este tratado está sirviendo más
para transacciones económicas con créditos de
carbono. Lo mismo se puede decir de la ley que
instituyó la política brasileña de recursos
hídricos, que aparte de mal concebida en sí,
está siendo reducida a transformar el agua en
mercancía. Es un mito decir que las leyes
brasileñas son buenas. Casi todas buscan, a
lo sumo, compatibilizar crecimiento económico
capitalista y protección de la naturaleza. Si
fallan, la cuerda se rebienta siempre por el
lado más débil, es decir, de los pobres y miserables
y del medio ambiente. Necesitamos de nuevas
leyes, pero concebidas dentro de un nuevo paradigma,
que llamo de naturalista organicista contemporáneo.

NA - ¿En su opinión, qué
podemos hacer para cambiar toda esta situación
ambiental?
Soffiati
- Una vez más, estamos delante de la alternativa:
¿revolución o reforma? Las revoluciones inglesa,
francesa, rusa, china y cubana mataron miles
de personas y fueron a parar donde fueron a
parar. Inglaterra y Francia no colocaron el
ideario liberal plenamente en práctica. La Unión
Soviética se destruyó y regresó al capitalismo.
China mezcla una economía de mercado con un
gobierno autoritario. Cuba está muy esclerótica.
Me pregunto si valió la pena tanto sacrificio
de vidas humanas frente a tamaño fracaso. Concluyo
que no. Las grandes utopías de la Modernidad
son dictatoriales por planear el futuro para
generaciones que van a nacer. Cada generación
tiene el derecho de pensar su vida. Nos cabe
solamente, talvez, asegurar las bases ambientales
para nuestros descendientes y para todos los
seres vivos.
Así, sólo nos resta la vía reformista. Pero,
desde luego, dejo claro que el pasaje de uma
civilización de tanto peso como la nuestra hacia
una civilización más suave no es imposible,
pero es muy difícil y demorado. Siempre que
diagnostico la crisis planetaria y antrópica
de la actualidad, mis oyentes parece que se
angustian, como si estuviesen presos en una
masmorra, y piden para salir rápido, piden rápidamente
que se presenten soluciones. Ahora estoy devolviendo
la pregunta. Como respuestas, elijo aumentar
la fiscalización, cumplir las leyes, perfeccionar
las leyes, invertir más en educación, movilizar
a la población, crear más ONGs, escoger mejor
a los gobernantes, etc. Así, la gente acaba
dándose cuenta de cuan difícil es transformar
la realidad. Hoy por hoy, no estoy más convencido
de mis convicciones. Por iniciativa humana,
el cambio podría comenzar con la ocupación de
áreas no ocupadas por el capitalismo o abandonadas
por él por otro estilo de vida. De cierta forma,
muchas personas en todo el mundo ya tomaron
esta iniciativa, pero no se destaca en los medios
de comunicación. Además, siempre que aparece
un espacio vacío, el paradigma clásico indica
que la mejor manera de ocuparlo es con estilos
convencionales de desarrollo. En fi n, creo
que no debemos flaquear en el proceso de cambio,
como propone Immanuel Wallerstein, de lo contrario
me rehusaría a hablar sobre este asunto y me
daría por vencido. El adversario que enfrentamos
es grande y poderoso, lo que nos lleva al pesimismo.
Sin embargo, Edgar Morin nos dice que la lucha
debe continuar, pues factores imprevisibles
pueden entrar en escena. Como nos dice Boaventura
de Sousa Santos, no debemos abdicar de las utopías,
pero debemos ser más modestos en relación a
ellas. De mi parte, continúo combatiendo el
paradigma hegemónico, considerando un proyecto
viable para nuestro tiempo. Si en el tiempo
de vida que me queda, pudiera asistir el crecimiento
de una nueva ética, al avance de una saludable
relación entre humanidad y naturaleza, disminución
de las injusticias sociales y fortalecimiento
de la democracia, me sentiría mejor. Sea como
sea, con nuestra acción o sin ella, el capitalismo
no podrá sobrevivir por mucho tiempo. Alienta
una civilización insustentable. Si no es la
única civilización inviable que la humanidad
ya construyó, es sin duda alguna la más inviable
de todas. Preveo su desmoronamiento en la forma
de desastres que acarretarán mucho sufrimiento
y destrucción, a pesar de que no crea en la
extinción del Homo sapiens. Aún así, permanece
la disyuntiva: o concluímos que cambios drásticos
deben ser hechos por iniciativa humana o tales
cambios ocurrirán por ajustes adaptativos de
la ecosfera.
NA - ¿Le gustaría decir
algo más?
Soffiati
- Comencé a ser activista a fines de la década
de 1970 con la percepción de que nuestro enemigo
número uno son los sistemas económico- sociales
creados por la Modernidad, principalmente después
de la revolución industrial. Hoy, casi 30 años
después, continúo creyendo que este es nuestro
enemigo, a pesar de que mi visión de ella sea
aún más compleja. Sin embargo, veo que los
dichos ambientalistas empezaron a creer en un
capitalismo ecológico y socialmente sustentable
o adoptaron las armas de la propia Modernidad
para luchar contra él. Puedo estar equivocado,
pero considero extremamente difícil, sino imposible,
un capitalismo de respeto al medio ambiente
y con justicia social. Por otro lado, los
socialistas, después de que consideraron por
un largo tiempo el ecologismo como último obstáculo
al avance del comunismo o del anarquismo, concluyen
que el asunto ambiental no es un invento de
la clase media desempleada, como proclamaron
João Bernardo, Maurício Tragtenberg y Gildo
Magalhães en los años 80. Con todo esto, los
socialistas que incorporan el asunto ambiental
en sus reflexiones no están consiguiendo ultrapasar
la dimensión social para llegar a la dimensión
ambiental. En la reforma que preconizo, el abordaje
transdiciplinar y complejo es fundamental. Lo
que veo, sin embargo, es el desinterés de los
ecocapitalistas y de los ecosocialistas cuando
manifiesto preocupación con el calentamiento
global, con la extinción de las especies, con
la devastación de los árboles, con la contaminación
del planeta, con la implantación de grandes
unidades productivas, con la ameaza que paira
sobre las esponjas y los anfibios. En otras
palabras, temo que el análisis de los problemas
ambientales y su combate caigan en las manos
de especialistas, reproduciendo el paradigma
que combatimos. (NA)
[1] Se refiere a la civilización Kmer, actualmente
Camboya, en el Sudeste Asiático.
[2] Los “remediados” pueden equivaler a los sectores
medios de la sociedad en relación a la renta.
Constituidas por personas que no se situan em
el círculo restricto de los ricos ni viven en
el interior del gran círculo de la pobreza y en
el todavía mayor círculo de los miserables.
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