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L
a Revista de la Pátria Grande


EM DEBATE / EN DEBATE

Mercantilização da saúde no Brasil: os planos e seguros de saúde
Ligia Bahia
Professora do Núcleo de Saúde
Coletiva da UFRJ
Coordenadora do Laboratório de
Economia Política da Saúde da UFRJ
ligiabahia@terra.com.br



Foto Ricardo Funari - TYBAS
Brasil, así como Costa Rica, Cuba y Canadá, posee una legislación generosa sobre el derecho a la salud, a pesar de la brecha existente entre el derecho enunciado y el ejercido. Después de 16 años de la formalización del derecho universal a la salud, el sistema de salud público brasileño convive con un expresivo mercado de planes y seguros privados. El aporte de recursos públicos al mercado de estos planes y seguros, a través de políticas fiscales, regulación del trabajo de profesionales de salud y pago de planes privados a empleados públicos, muestran la importancia del apoyo gubernamental al subsistema privado. La desmistificación de las acepciones sobre la viabilidad y necesidad de fortalecer sistemas y redes privadas de atención a la salud puede contribuir para reorientar las políticas de regulación y garantizar este derecho.


Sistemas de saúde de todos os países erigem-se a partir de relações entre o público (normas sobre o direito à saúde e seus prolongamentos político- institucionais e administrativos) e o privado (produção, distribuição, compra e venda de bens, insumos e serviços da indústria de medicamentos, equipamentos, estabelecimentos e profissionais de saúde). As variações no denominado complexo industrial da saúde que integra componentes públicos e privados incidem precipuamente sobre os sub-sistemas de acesso e organização de redes prestação de serviços. Nos sistemas categorizados como "públicos", como os da Europa central, Escandinávia e Canadá o acesso gratuito, ou mediado por pagamentos de taxas reduzidas, a uma rede pública (conformada por prestadores públicos e por vezes privados) é franqueado a todos. O sistema "privado", cujo maior exemplo é o dos EUA, caracteriza-se, em tese, por relações, pautadas pela livre-escolha, de compra e venda de serviços intermediados ou não por contratos com empresas com feição de seguradoras.

Dada a magnitude das transações privadas decorrentes de atividades da indústria farmacêutica e de equipamentos e seus prolongamentos sobre a pesquisa, a prestação de serviços, formação de recursos humanos e mídia e, por outro lado, o amplo e crescente reconhecimento sobre a importância social da prevenção e atenção à saúde nas sociedades contemporâneas pode-se afirmar que não existem sistemas puros. As variações entre os sistemas de saúde considerados paradigmáticos têm como substrato a natureza e a intensidade da intervenção estatal especialmente no sub-sistema de prestação de serviços médico-hospitalares.


DISTRIBUIÇÃO POUCO EQÜITATIVA DE BENS SOCIAIS NO BRASIL

No Brasil, a vinculação de ¼ da população a planos e seguros de saúde, cujos padrões assistenciais são proporcionais ao valor do pagamento das mensalidades (prêmios), evidencia uma segmentação em direção contrária à distribuição mais eqüitativa dos bens produzidos pela sociedade. Os segmentos populacionais situados nas faixas de maior renda, em conjunto mais hígidos, possuem mais acesso aos serviços de saúde do que a maioria da população, que detém maior incidência de agravos e problemas exigentes de atenção.

Um dos efeitos mais expressivos dessa estratificação é a diferenciação dos gastos com saúde para os que estão vinculados aos planos e seguros de saúde e os que se destinam àqueles que não possuem esse tipo de cobertura. Cerca de 35 bilhões de reais, segundo informações sobre o faturamento ao das empresas de assistência médica suplementar, foram alocados em 2005 para propiciar assistência médico-hospitalar para 25% da população, enquanto que a mesma ordem de grandeza de recursos do Ministério da Saúde, destinou-se a custear a assistência médico-hospitalar e os cuidados de promoção à saúde, incluindo vigilância epidemiológica e sanitária para todos.

Foto Alex Larbac - TYBAS

Tais linhas de diferenciação de demandas traduzidas por garantias de acesso à rede de cuidados e serviços de saúde de maior ou menor prestígio estruturam-se, não apenas pela mera associação entre os gradientes de renda e sim por um painel de mecanismos assistenciais bastante complexo. O entrecuzamento da esfera pública com a privada no que se refere ao financiamento, prestação de serviços e gestão incide sobre os modelos e os conteúdos assistenciais, refletindose nas explicações sobre o processo saúde-doença. São as concepções e práticas baseadas exclusivamente no paradigma biológico, amalgamadas com o ideário das vantagens dos seguros individuais sobre os sistemas de proteção universais, que organizam os atuais esquemas financeiros assistenciais privados, crescentemente imprescindíveis à cobertura de determinados segmentos populacionais e à remuneração dos prestadores de serviços.

Atualmente a quase totalidade dos estabelecimentos de diagnóstico e terapia, que funcionam em dependências distintas das unidades hospitalares, uma significativa parcela dos médicos que atuam em consultórios particulares (cerca de 80% total) e pelo menos 40% dos hospitais dependem, em graus variados, dos repasses das empresas de planos e seguros de saúde. O envolvimento de profissionais de saúde, firmas e usuários com esses esquemas financeiro- assistenciais, contextualizado por um elevado grau de mercantilização das práticas de saúde, renova e amplia as fronteiras da acumulação capitalista no setor saúde. Tais práticas abrangem desde os incentivos para o uso de determinadas marcas de medicamentos, de órteses, próteses, passam pela proliferação das empresas privadas de consultoria, auditoria, atendimento domiciliar participação de seguradoras em empresas proprietárias de CTI e repercutem na entrada de empresas e capitais estrangeiros nos estabelecimentos de prestação de serviços e sobre as perspectivas de internacionalização do mercado de planos e seguros de saúde. Constata-se que o dinamismo do empresariamento privado na saúde tem sido um pólo atrator para os investimentos financeiros.

Foto Otacilio Rodrigues - TYBAS

Paradoxalmente, este padrão de articulação privada de financiamento, compra e prestação de serviços, viabilizado durante o regime do militar pelo apoio financeiro à pessoas, entidades e grupos empresariais em troca de adesão política implícita, e por isso supostamente incapaz de resistir à exposição do processo de redemocratização se ampliou nas últimas décadas. As explicações para as contradições entre os propósitos do SUS e o crescimento dos planos e seguros privados de saúde convergem em torno da "fuga", quase que inevitável, dos segmentos de trabalhadores especializados, com grande poder de vocalização de demandas, da assistência pouco acessível e rarefeita de serviços de média complexidade prestada pelo SUS.

Pouca atenção tem sido dada a análise de políticas governamentais, tais como: a renúncia fiscal; os gastos diretos da União, estados e municípios com o pagamento de planos de saúde para seus funcionários; e a permissão de trânsito livre de profissionais e pacientes da esfera pública para a privada e vice-versa, que mantém e dão suporte à mercantilização dos cuidados e assistência à saúde. Por outro lado, a importância dos incentivos à privatização da saúde no País tem sido plenamente reconhecida tanto no discurso quanto na prática de entidades empresarias e por setores governamentais da área econômica. A Associação Latino Americana de Medicina Privada (ALAMI) define a política de saúde brasileira como ambígua, por referência aos processos mais radicais de privatização como o chileno. Outros grupos empresariais explicitam a importância das articulações entre os planos de saúde, a privatização do seguro de acidente de trabalho e a constituição de fundos de pensão privados. Na prática, os interesses dos segmentos privados de prestação de serviços e comercialização de planos de saúde vem orientando o aprofundamento das políticas de renúncia fiscal. Os resultados dessa opção podem ser verificados em todos os âmbitos de governo. As concessões de isenções de pagamento de contribuições sociais e redução dos impostos federais, estaduais e municipais, aos serviços de saúde privados que integram a rede de serviços das empresas de assistência médica suplementar, crescem proporcionalmente ao aumento da oferta destes estabelecimentos de saúde. As empresas de planos de saúde foram autorizadas em 2002 a deduzir suas provisões técnicas, para efeito de apuração do lucro real e base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido (MP 2.158-35) e caracterizou-se a não responsabilidade tributária pela aquisição de carteira de planos privados de saúde (MP 2.189-45). As outras parcelas de gasto público direto para o financiamento do segmento privado de planos de saúde são constituídas pelo somatório de recursos dos orçamentos da União, estados e municípios para a cobertura de planos de saúde privados de uma parte significativa de seus funcionários e pelo atendimento de clientes da assistência suplementar em serviços públicos de saúde e nos particulares conveniados com o SUS.

A legislação sobre a regulamentação da operação de planos e seguros de saúde, aprovada 10 anos após a Constituição de 1988, representou um importante avanço para o debate setorial e implementação de regras de proteção aos segmentos cobertos. No entanto, a Lei 9656-98 ao objetivar precipuamente a imposição de novas regras de competição para a comercialização de planos de saúde, foi fortemente marcada pelas concepções e interesses de técnicos e empresários preocupados em sanear o sub-sistema de saúde de "quem pode e quer pagar". O elemento chave para a formulação de uma agenda de debates e de uma institucionalização paralelas a do Ministério da Saúde é a idéia errônea de que os planos e seguros de saúde desoneram o SUS.

Foto Alex Larbac - TYBAS

UMA URGÊNCIA: APROFUNDAR OS DEBATES SOBRE OS PLANOS E OS SEGUROS DE SAÚDE E SOBRE AS RELAÇÕES ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADO

A suposição segundo a qual o mercado de planos e seguros é regido pela liberdade de escolha de compradores e vendedores, e não pelas políticas de proteção a grupos de maior status sócio-ocupacional, tem como tradução operacional a necessidade de regular uma equação composta por apenas duas variáveis: valores dos prêmios e pautas de coberturas, e reforça o afastamento entre a ANS e o Ministério da Saúde. Em função da concentração de empresários e autoridades governamentais em torno do denominado equilíbrio interno do segmento, os outros temas igualmente prioritários para a formulação e implementação de políticas que articulem, preservando a pluralidade das lógicas e naturezas jurídico-institucionais empresarias privadas, a assistência médica suplementar ao SUS, não tem sido devidamente abordados. Para tanto é imprescindível não apenas alargar a agenda de debates sobre os planos e os seguros de saúde, mas também ampliar e compor arenas específicas de debate sobre as relações entre o público e o privado envolvidas no financiamento, na definição de valores e formas de remuneração de prestadores de serviços e na avaliação de qualidade dos cuidados e atenção à saúde.

Não se trata, portanto apenas de constatar a presença do privado e sua magnitude no sistema de saúde brasileiro e sim de examinar com profundidade o que, o quanto e como os recursos públicos estão sendo utilizados para financiá-lo. Não passa pela cabeça de ninguém o expurgo do componente privado dos sistemas de saúde e sim a alocação mais efetiva dos recursos públicos. No que diz respeito aos planos e seguros de saúde privados o aporte de recursos públicos é considerável, mas pouco visível. O desembaralhamento dessas relações pode contribuir, não somente para "repatriar" os recursos para a sociedade que os gera, mas também para apoiar as coalizões em torno de princípios de solidariedade e da ética do bem-comum.
(NA)




Salud, mercado y poder: la aventura psicotrópica del HOMO NOVO
Jorge Vallejos Urrutia
Psicólogo
Experto en programación neurolingüística


Para muy pocas personas pasa inadvertida la idea de que el mundo ha cambiado. La Era de la Información ya está aquí, y con ella su Cibercultura y la Globalización estandarizando y asfixiando los espacios con la omnipresencia de lo virtual y la aceleración cuántica del tiempo, dejándonos la comunicación vía Internet, sin embargo, paradójicamente tan lejos y desolados los unos de los otros.

La descripción anterior pudiera parecer anacrónica, el fin de siglo ya pasó y con él las desagradables peroratas apocalípticas. La sensación actual es de vigor desbordante, todo nuevo siglo trae consigo expectativas esperanzadoras. La vida siempre engendra esperanzas, pero la propia esperanza obliga a abrir los ojos con mayor intención observadora, transformando así una inocente mirada en una incisiva y escudriñadora observación microscópica. Ejemplo de ello son las miradas inquisidoras de Michael Foucault en su Microfísica del Poder, donde se permite transparentar las prácticas disciplinarias de algunas "disciplinas" científicas vinculadas con el comportamiento humano, a saber: la medicina, la psiquiatría, la psicología, la pedagogía, multiplicando la acción del poder a través de infinitas operaciones y actos sociales. La misma esperanza que me entusiasma a trabajar con la posibilidad del cambio, me entregó la misma incisiva y escudriñadora mirada de Foucault. Parece ser un lente que nos ponemos, nosotros los siempre escépticos y molestos disconformes.

Llevo años disconforme con la ciencia y su siempre renovada taxonomía de enfermedades. Disconforme de mirar la educación como enfermedad, la pena y el dolor. El cansancio y la angustia, la pobreza y el hambre como enfermedad. No se detuvo ahí, se comenzó a mirar la excesiva energía, la confrontación y la irritabilidad, el aburrimiento y la valentía de decirlo, como enfermedad… fue tanta la insistencia del diagnóstico "enfermedad", que me atreví a escudriñar los grandes temas de "enfermedad" de la sociedad de la Información: Depresión, Estrés, Síndrome de Déficit Atencional con Hiperactividad (SDA-H), Cáncer, Esquizofrenia, entre otros. Y qué descubrí… al Poder haciendo Mercado con la Salud, y cuál es su detestable y sistemática práctica: narcotizar a la sociedad a nivel mundial. Idea alarmista, paranoica y de mentes "enfermas", dirán. Pero resulta que evidencias medibles y observables delatan la narcotización social por vías formales, con el permiso social y la connotación pública adecuada de ser un "alivio a la enfermedad". Por supuesto, se debió crear la enfermedad (la droga ya estaba hecha) y luego diagnosticar su uso a través del sistema médico formal.

La receta médica hoy ya no hace falta, solo se va a la farmacia y se obtiene la droga como si fuera un supermercado que expende alimentos. ¡Bienvenidos psicotrópicos! Para atacar a las enfermedades de salud mental que polulan nuestra cibercultura como lo hacen los virus informáticos, Uds. verán con la más escalofriante crónica de efectos secundarios -incluyendo el cáncer y la muerte- al Ritalín, Concerta, Adderall, Paxil, Prozac, Trytano, Anafranil, Motival, Tofranil, Talpramin, Photodisc, Zoloft, Nardil Anapsique, Marplan, entre muchos otros conocidos, y a los genéricos Metilfenidato y Fluoxitina; todos ellos expandiéndose por las venas jóvenes y viejas de nuestra humana sociedad.

Las cifras no las enunciaré, por respeto a los pocos sentidos desintoxicados que me restan. Lejos de espantar la enfermedad, la determinan, y conminan al ser humano a la dependencia y al control. Objetivos claros y evidentes del poder.

¿Por qué se permite la venta de sustancias que intoxican nuestro cuerpo y nuestra mente, manipulando nuestro sistema nervioso central y periférico, comando de nuestra existencia en todos sus órdenes; bio-psico-social (y espiritual)? Las enormes ganancias económicas y de poder por comerciar salud pueden dar la respuesta.



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