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La Revista de la Pátria
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EDUCAÇÃO:
questões atuais

As questões educacionais voltam a estar na ordem do
dia nos nossos países. Muitos são os aspectos em debate:
qualidade da educação, acesso e permanência dos diferentes
grupos sociais no sistema educacional, confronto entre
escola pública e particular, sistemas nacionais de avaliação
da escolarização, formação de educadores/as, educação
á distância, impacto das novas tecnologias nos processos
de ensino e de aprendizagem, diferentes modalidades
de educação não formal, relação entre empresa e educação,
movimentos sociais e educação, etc. A sensação que temos
é que não se trata de temas pontuais ou de simplesmente
de se propor a introdução ou modificação de alguns aspectos
dos processos educacionais vigentes. É a própria função
social da educação que está em questão. Emerge um sentimento
difuso e algumas vezes com forte componente emocional,
de que estamos vivendo uma crise profunda do próprio
sentido da educação hoje. O mal estar entre educadores/as
e sujeitos dos processos educacionais parece se intensificar
e alastrar.
Diante deste quadro, algumas perspectivas vão se delineando.
Uma primeira, talvez a mais poderosa, parte da afirmação
de uma relação mais estreita entre as propostas educativas
e o sistema produtivo e o mercado, tendo-se por referência
as políticas econômicas vigentes na quase totalidade
dos países. Privilegia-se uma visão técnica da educação,
concebida como agência de formação dos recursos humanos
necessários para a modernização das nossas sociedades
e sua inserção na sociedade global. Para tal é necessário
formar sujeitos empreendedores. São acentuados processos
de individualização, aquisição de competências específicas,
competitividade e políticas em que o mérito individual
é enfatizado.
No entanto, existem também buscas orientadas a outro
modelo de sociedade, mais inclusiva, democrática, igualitária
e solidária. Acredita-se que é necessário pensar a educação
a partir de outro enfoque em que a transformação do
modelo de sociedade seja o centro. Os processos educativos
devem estar orientados para formar sujeitos de direito
no plano pessoal e coletivo. Capazes de uma cidadania
participativa e ativa. Em que a formação científica
e técnica esteja a serviço da construção de sociedades
inclusivas em que o diálogo intercultural seja um componente
central. Neste sentido privilegia-se um enfoque sócio-educativo
e é a partir desta matriz que as diferentes dimensões
dos processos educativos são situadas. Trata-se de uma
construção coletiva, em gestação, e os movimentos de
educadores/as são fundamentais nesta perspectiva.
Estas questões constituem o núcleo dos diferentes artigos
do presente número da revista Novamerica. Queremos também
concebê-lo como uma homenagem a Paulo Freire, no décimo
ano de seu falecimento, educador que empenhou toda sua
vida na construção de processos educativos, no âmbito
formal e não formal, capazes de formar sujeitos plenamente
humanos, solidários e comprometidos com a transformação
social e a construção de sociedades justas e democráticas.
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