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L
a Revista de la Pátria Grande

EDITORIAL

EDUCAÇÃO: questões atuais

Foto: Alexandre Firmino

As questões educacionais voltam a estar na ordem do dia nos nossos países. Muitos são os aspectos em debate: qualidade da educação, acesso e permanência dos diferentes grupos sociais no sistema educacional, confronto entre escola pública e particular, sistemas nacionais de avaliação da escolarização, formação de educadores/as, educação á distância, impacto das novas tecnologias nos processos de ensino e de aprendizagem, diferentes modalidades de educação não formal, relação entre empresa e educação, movimentos sociais e educação, etc. A sensação que temos é que não se trata de temas pontuais ou de simplesmente de se propor a introdução ou modificação de alguns aspectos dos processos educacionais vigentes. É a própria função social da educação que está em questão. Emerge um sentimento difuso e algumas vezes com forte componente emocional, de que estamos vivendo uma crise profunda do próprio sentido da educação hoje. O mal estar entre educadores/as e sujeitos dos processos educacionais parece se intensificar e alastrar.

Diante deste quadro, algumas perspectivas vão se delineando. Uma primeira, talvez a mais poderosa, parte da afirmação de uma relação mais estreita entre as propostas educativas e o sistema produtivo e o mercado, tendo-se por referência as políticas econômicas vigentes na quase totalidade dos países. Privilegia-se uma visão técnica da educação, concebida como agência de formação dos recursos humanos necessários para a modernização das nossas sociedades e sua inserção na sociedade global. Para tal é necessário formar sujeitos empreendedores. São acentuados processos de individualização, aquisição de competências específicas, competitividade e políticas em que o mérito individual é enfatizado.

No entanto, existem também buscas orientadas a outro modelo de sociedade, mais inclusiva, democrática, igualitária e solidária. Acredita-se que é necessário pensar a educação a partir de outro enfoque em que a transformação do modelo de sociedade seja o centro. Os processos educativos devem estar orientados para formar sujeitos de direito no plano pessoal e coletivo. Capazes de uma cidadania participativa e ativa. Em que a formação científica e técnica esteja a serviço da construção de sociedades inclusivas em que o diálogo intercultural seja um componente central. Neste sentido privilegia-se um enfoque sócio-educativo e é a partir desta matriz que as diferentes dimensões dos processos educativos são situadas. Trata-se de uma construção coletiva, em gestação, e os movimentos de educadores/as são fundamentais nesta perspectiva.

Estas questões constituem o núcleo dos diferentes artigos do presente número da revista Novamerica. Queremos também concebê-lo como uma homenagem a Paulo Freire, no décimo ano de seu falecimento, educador que empenhou toda sua vida na construção de processos educativos, no âmbito formal e não formal, capazes de formar sujeitos plenamente humanos, solidários e comprometidos com a transformação social e a construção de sociedades justas e democráticas.

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