 |

La Revista de la Pátria
Grande |
|
|
|
|
Sempre
aberta para trazer diferentes pontos de vista acerca
do tema específico da edição em pauta, a seção Opinião
desse número abre um espaço especial para homenagear
aquele que consideramos um dos maiores educadores
por sua obra e ações. São dez anos sem Paulo Freire,
cuja presença continua viva em nossas mentes e corações.
A ele, a nossa reverência nas palavras de Frei Beto.
Enriquecendo a seção, alguns Leitores Ativos expressam
suas diversas idéias sobre as relações entre educação
de qualidade, sociedade e cultura.
Siempre abierta a diferentes puntos de vista acerca
del tema específico de la edición en pauta, la sección
Opinión de este número abre un espacio especial
para homenajear a aquel a quien consideramos uno de
los mayores educadores, por su obra y por sus acciones.
Son diez años sin Paulo Freire, cuya presencia continúa
viva en nuestras mentes y en nuestros corazones. A
él, nuestra reverencia en las palabras del Fraile
Betto. Enriqueciendo la sección, algunos lectores
activos expresan diversas ideas sobre las relaciones
entre educación de calidad, sociedad y cultura.
Paulo
Freire: a leitura do mundo
Frei
Betto
Brasil
Filosofiasudeste-l mailing list
Filosofiasudeste-l@listas.unicamp.br
http://www.listas.unicamp.br/mailman/listinfo/filosofiasudeste-l

"Ivo
viu a uva", ensinavam os manuais de alfabetização.
Mas o professor Paulo Freire, com o seu método de
alfabetizar conscientizando, fez adultos e crianças,
no Brasil e na Guiné-Bissau, na Índia e na Nicarágua,
descobrirem que Ivo não viu apenas com os olhos. Viu
também com a mente e se perguntou se uva é natureza
ou cultura.
Ivo viu que a fruta não resulta do trabalho humano.
É Criação, é natureza. Paulo Freire ensinou a Ivo
que semear uva é ação humana na e sobre a natureza.
É a mão, multiferramenta, despertando as potencialidades
do fruto. Assim como o próprio ser humano foi semeado
pela natureza em anos e anos de evolução do Cosmo.
Colher a uva, esmagá-la e transformá-la em vinho é
cultura, assinalou Paulo Freire. O trabalho humaniza
a natureza e, ao realizá-lo o homem e a mulher se
humanizam. Trabalho que instaura o nó de relações,
a vida social. Graças ao professor, que iniciou sua
pedagogia revolucionária com trabalhadores do SESI
de Pernambuco, Ivo viu também que a uva é colhida
por bóia-frias, que ganham pouco, e comercializada
por atravessadores, que ganham melhor.
Ivo aprendeu com Paulo que, mesmo sem ainda saber
ler, ele não é uma pessoa ignorante. Antes de aprender
as letras, Ivo sabia erguer uma casa, tijolo a tijolo.
O médico, o advogado ou o dentista, com todo o seu
estudo, não era capaz de construir como Ivo. Paulo
Freire ensinou a Ivo que não existe ninguém mais culto
do que o outro, existem culturas paralelas, distintas,
que se complementam na vida social.
Ivo viu a uva e Paulo Freire mostrou-lhe os cachos,
a parreira, a plantação inteira. Ensinou a Ivo que
a leitura de um texto é tanto melhor compreendida
quanto mais se insere o texto no contexto do autor
e do leitor. É dessa relação dialógica entre texto
e contexto do autor e do leitor. É dessa relação dialógica
entre texto e contexto que Ivo extrai o pretexto para
agir. No início e no fim do aprendizado é a práxis
de Ivo que importa. Práxis-teoria-práxis, num processo
indutivo que torna o educando sujeito histórico.
Ivo viu a uva e não viu a ave que, de cima, enxerga
a parreira e não vê a uva. O que Ivo vê é diferente
do que vê a ave. Assim, Paulo Freire ensinou a Ivo
um princípio fundamental da epistemologia: a cabeça
pensa onde os pés pisam. O mundo desigual pode ser
lido pela ótica do opressor ou pela ótica do oprimido.
Resulta uma leitura tão diferente uma da outra como
entre a visão Ptolomeu, ao observar o sistema solar
com os pés na Terra, e a de Copérnico, ao imaginar-se
com os pés no Sol.
Agora Ivo vê a uva, a parreira e todas as relações
sociais que fazem do fruto festa no cálice de vinho,
mas já não vê Paulo Freire, que mergulhou no Amor
na manhã de 2 de maio de 1997. Deixou-nos uma obra
inestimável e um testemunho admirável de competência
e coerência.
Paulo deveria estar em Cuba, onde receberia o título
de Doutor Honoris Causa, da Universidade de Havana.
Ao sentir dolorido seu coração que tanto amou, pediu
que eu fosse representá-lo. De passagem marcada para
Israel, não me foi possível atendê-lo. Contudo, antes
de embarcar fui rezar com Nita, sua mulher, e os filhos,
em torno de seu semblante tranqüilo: Paulo via Deus.
(NA)
|
Paulo Freire: la lectura del Mundo
Frei
Betto
Brasil

"Ivo
vio una uva", enseñaban los manuales de alfabetización.
Pero el profesor Paulo Freire, con su método de alfabetizar
concientizando, hizo que los adultos y chicos, en Brasil
y en Guinea Bissau, en India y en Nicaragua, descubrieran
que Ivo no vio solamente con los ojos. También vio con
la mente y se preguntó si la uva era naturaleza o cultura.
Ivo vio que la fruta no resultaba del trabajo humano.
Es Creación, es naturaleza. Paulo Freire le enseñó a
Ivo que sembrar la uva es acción humana en y sobre la
naturaleza. Es la mano, la multiherramienta, que despierta
las potencialidades del fruto. Así como el propio ser
humano fue sembrado por la naturaleza a lo largo de
años y años de evolución del Cosmos.
Cosechar la uva, pisarla y transformarla en vino es
cultura, señaló Paulo Freire. El trabajo humaniza a
la naturaleza y, al hacer esto, el hombre y la mujer
se humanizan. Trabajo que instaura el nudo de relaciones,
la vida social. Gracias al profesor que inició su pedagogía
revolucionaria con trabajadores del Sesi (Servicio Social
de la Industria) de Pernambuco, Ivo vio también que
la uva es cosechada por campesinos, que ganan poco,
y comercializada por intermediarios, que ganan mejor.
Ivo aprendió con Paulo que, aun sin saber leer, no es
una persona ignorante. Antes de aprender las letras,
Ivo ya sabía erguer una casa, ladrillo por ladrillo.
El médico, el abogado, el dentista, con todo su estudio,
no eran capaces de construir como Ivo. Paulo Freire
le enseñó a Ivo que nadie es más culto que otro ser
humano, existen culturas paralelas, distintas, que se
complementan en la vida social.
Ivo vio una uva y Paulo Freire le mostró los racimos,
la parra, la plantación entera. Le enseñó a Ivo que
la lectura de un texto es mejor comprendida cuanto más
inmerso está el texto en el contexto del autor y del
lector. Es de esa relación dialógica entre texto y contexto
que Ivo extrae el pretexto para actuar. Al comienzo
y al final del aprendizaje es la praxis de Ivo lo que
importa. Praxis-teoría-praxis, en un proceso inductivo
que convierte al educando en sujeto histórico. Ivo vio
una uva y no vio al ave que, desde lo alto, vio la parra
y no vio la uva. Lo que Ivo ve es diferente de lo que
ve el ave. De esta manera, Paulo Freire le enseñó a
Ivo un principio fundamental de la epistemología: la
cabeza piensa donde los pies pisan. El mundo desigual
puede ser leído bajo la óptica del opresor o bajo la
óptica del oprimido. Resulta una lectura tan diferente
una de la otra como entre la visión de Ptolomeo, al
observar el sistema solar con los pies en la Tierra,
y la de Copérnico, al imaginarse con los pies en el
Sol.
Ahora Ivo ve una uva, el parral y todas las relaciones
sociales que hacen que el fruto se vuelva fi esta en
la copa de vino, pero ya no ve a Paulo Freire, que se
entregó al Amor la mañana del 2 de mayo de 1997. Nos
dejó una obra inestimable y un testimonio admirable
de competencia y coherencia. Paulo debería estar en
Cuba, en donde recibiría el título de Doctor Honoris
Causa, de la Universidad de La Habana. Al sentir dolorido
el corazón que tanto amó, me pidió que fuera en representación
suya. Ya con el pasaje para ir a Israel, no me fue posible
atenderlo. Sin embargo, antes de embarcar fui a rezar
con Nita, su mujer, y con los hijos, en torno a su semblante
tranquilo: Paulo veía a Dios.
(NA)
|
|
|
NOVAMERICA
Rua Dezenove de Fevereiro, 160 - Botafogo
22280-030 - Rio
de Janeiro - RJ
Brasil
Tel. (fax): (55) (21) 2542-6244
e-mail: novamerica@novamerica.org.br
|
CENTRO
NOVAMERICA DE EDUCAÇÃO POPULAR
Praça Santos Dumont, 14 - Centro
25880-000 - Sapucaia
- RJ
Brasil
Tel. (fax): (55) (24) 2271-2004
e-mail: centronovamerica@uol.com.br
|
2003/2010
Novamerica - www.novamerica.org.br - Todos os direitos resevados.
|