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A
questão das migrações internas, envolvendo inclusive
problemas relacionados à propriedade da terra, bem
como o intenso êxodo de jovens que buscam melhores
condições de vida em outros países e ainda uma reflexão
com ênfase na histórica dos movimentos e fluxos migratórios
que acontecem na América Latina desde as suas origens
ocupam o espaço dos artigos da seção Idéias em Rede
deste número.
Temas como a ausência de lugar e de enraizamento de
diversas populações e conseqüentemente a necessidade
desses grupos conquistarem cidadania, bem como o endurecimento
no trato dos imigrantes em vários países são abordados
desde a ótica dos autores que colaboraram com esta
seção e que falam a partir do lugar que ocupam, seja
no Chile ou no Uruguai.
El tema de las migraciones internas - que también
involucra problemas relacionados a la propiedad de
la tierra-, el intenso éxodo de jóvenes que buscan
mejores condiciones de vida en otros países y una
reflexión subrayando la historia de los movimientos
y flujos migratorios que sucedieron en América Latina
desde sus orígenes, son los artículos que ocupan el
espacio de la sección Ideas en Red de este número.
Temas como la ausencia de lugar y de enraizamiento
de diversas poblaciones y, consecuentemente, la necesidad
de esos grupos de conquistar su ciudadanía, así como
el endurecimiento en el trato de los inmigrantes en
varios países, son abordados desde la óptica de los
autores que colaboraron en esta sección y que hablan
a partir del lugar que ocupan: Chile o Uruguay.
Brasil:
êxodos sem fim
Jean
Pierre Leroy
Coordenador do Projeto Brasil sustentável e Democrático
Fase - Solidariedade e Educação

En
un país donde la elite casi siempre le negó al campesinado
el derecho de ser propietario de la tierra y en el que
la pose raramente le permitió al pequeño productor una
vida con dignidad, es difícil criar raíces. Los éxodos
rurales, los éxodos de los pescadores, de los agricultores,
de los expulsados por la construcción de represas, de
jóvenes que salen del país en busca de nuevos horizontes,
constituyen movimientos poblacionales con implicaciones
de ausencia de lugar, de enraizamiento, de ciudadanía.
"Porque a gente que é fraco, igual esse povo dessa
área aqui, eles gosta de falar que é pé de chinelo.
Eles pôs esse povo aqui pé de chinelo, né. (...) Outro
dia meu menino tava falando comigo assim: "Ô mãe, a
senhora fala que aquele povo da CEMIG também fala que
esse Vale aqui é o Vale da Miséria... É o Vale da Riqueza,
mãe! Senhora quer ver, senhora mira de Diamantina pra
riba, pra senhora ver o quê que é miséria, mãe. Tem
gente debaixo de viaduto, tem gente debaixo daquelas
ponte tudo, tem gente debaixo das lona.... Aquilo que
é o sofrimento da miséria! Igual eu mesmo, mãe, que
eu fiquei muito tempo na rua, sem poder" - isso em Brasília
- "sem poder vir embora, pedindo esmola, pra poder vir
embora... Isso que é o sofrimento, isso que é uma miséria,
uma coisa mais triste do mundo. Agora aqui não, aqui
todo mundo... Tem abóbora, que Nossa Senhora, moça!
Ninguém vende, num vende, num tem feira. Come, dá porco,
entrega os outro pra lá! É milho, andu, feijão de corda,
maxixe, amendoim, é melancia, é mandioca, tudo quanto
é coisa a gente planta, né? Então tá vivendo aí! Riqueza
num lugar desse a gente num espera riqueza, né? Mas
também num é miséria. (...) Igual D. Maria... Ela criou
a família dela tudo aqui nesse lugar, e ela quer cabar
a vida dela aí, isso é sinal de miséria? Pois ela criou
os filho dela aí tudo uai, e tudo ela criou tranqüilo!
Só isso, né? Tá vendo os meu também, quiser falar assim
"é pobre, é pobre", mas meus menino é tudo grande! E
tudo foi criado aí. Então pra mudar, igual a gente que
já é fraco, mudar prum lugar que a gente num tem nada,
que num conhece nada... ninguém quer isso não".
Houve áreas em que setores do campesinato conseguiram
ou conseguem ainda hoje, por um tempo mais ou menos
longo, se instalar e subsistir, como no passado os "moradores"
do nordeste, os "parceiros" do sudeste e, ainda hoje,
colonos do sul e os do norte. Mas, observando um tempo
mais longo, vê-se que a precariedade e a falta de estabilidade
sempre foram marcas da população rural brasileira. Permanentes
movimentos populacionais pontuaram a nossa história:
as expedições dos bandeirantes que deixavam atrás de
si pequenos núcleos populacionais; os massacres e a
escravidão indígenas que provocaram a retirada de muitos
povos para áreas remotas; a fuga dos escravos para quilombos;
a saga dos retirantes da seca tornando- se seringueiros
amazônicos ou posseiros, caminhando do sertão nordestino
para a pré-Amazônia maranhense e de lá para o Pará;
os filhos dos colonos do sul colonizando o norte do
Mato Grosso, o Pará e Rondônia.
Num país em que a elite quase sempre negou ao campesinato
o direito de ser proprietário da terra e em que a posse
raramente permitiu ao pequeno produtor uma vida com
dignidade, é difícil para ele criar raízes. É milagre
que, em tantos lugares, produtores agrícolas e/ou extrativistas,
sob suas múltiplas formas, tenham sobrevivido e persistido,
criando uma relação estreita com a sua terra e com o
ecossistema no qual estavam inseridos. O professor Klautau,
paraense, comentou um dia que, se a Revolução Francesa
consagrou como direito humano fundamental o "direito
de ir e vir", aqui deveria se declarar o "direito de
ficar". Mais do que nunca, estamos longe de reconhecer
esse direito. O capitalismo neoliberal prega o livre-mercado,
com total circulação dos capitais, das empresas e da
produção através do mundo. Somente coloca freios à livre
circulação das pessoas entre o "norte" (os países industrializados
e ricos) e o "sul" do mundo, mas, ao mesmo tempo, nunca
talvez tenha provocado tantas migrações forçadas.

Se, durante muito tempo, o latifúndio conviveu com a
produção familiar, útil para o abastecimento em produtos
alimentares de subsistência, para ele e para os núcleos
urbanos, hoje não precisa disso. O supermercado dá conta
da alimentação. Hoje, a agricultura voltada principalmente
para a exportação tem uma tendência "totalitarista":
ela não suporta a convivência com outras formas de produção.
No município paraense de Santarém, o "planalto" foi
ocupado por nordestinos remanescentes da borracha, ou
outros migrantes nordestinos, desde as primeiras décadas
do século XX, abastecendo o mercado local de grãos,
o arroz em particular, de legumes e frutas, formando
importantes e numerosos povoados. Com os preços agrícolas
deprimidos, sem apoio público, não conseguiram resistir
às ofertas dos produtores de soja vindos do Mato Grosso
para comprar suas terras. Hoje, centenas de famílias
encontram-se na periferia da cidade. O vídeo "O Grão
que cresceu demais", produção da Fase e do Cepepo de
2006, alude à história de um grupo de famílias que pretendia
resistir. Uma vendeu, outra foi seguindo; as fumigações
aéreas de agrotóxicos mataram as abelhas e as plantas
frutíferas; faltaram alunos para a escola, clientes
para o transporte... Só restava à última família deixar
o lugar. Sigam o mapa da expansão da soja, no Mato Grosso,
no Tocantins, no Maranhão ou na Bahia e escutarão histórias
parecidas.
A soja não é a única atividade a provocar êxodo rural.
No norte do Espírito Santo, no sul da Bahia e no norte
de Minas Gerais, o eucalipto chegou anunciado como a
redenção dos municípios, promessa de desenvolvimento
e de empregos. Frente a um discurso tão forte, da parte
das empresas e das autoridades locais e regionais, acompanhado
não raras vezes de sistemática campanha de desinformação,
quando não de ameaças a quem questiona, o campesinato
local, muito pobre e isolado, não tinha condição de
resistir. Pelo contrário, a maioria fi cava contente
com a promessa de trabalho. Hoje, o "deserto verde"
os levou a viver acuados em pequenos povoados, estrangulados
no meio dos eucaliptais, com o que lhe restou de terra
já imprópria para a agricultura, sem água ou com água
contaminada, ou na periferia das pequenas e médias cidades.
Há quem resiste.
A comunidade de semi-produtores/ semi-extrativistas
de Vereda Funda, no município de São José do Rio Pardo,
no norte de Minas Gerais, dispunha do vale (a vereda)
para moradia e agricultura, e da chapada para coleta
dos frutos do Cerrado e suas criações. O estado de Minas
Gerais concedeu essa área da chapada para plantações
de eucaliptos destinadas a produzir carvão vegetal a
ser usado pela metalurgia. A única alternativa que sobrou
aos jovens de Vereda Funda foi cortar cana no interior
de São Paulo, todos os anos. O agronegócio empresarial
provoca assim um duplo fenômeno: de um lado, expulsa
e suprime trabalho, do outro, chama para cumprir as
velhas tarefas braçais que uma modernidade que cuida
dos seus interesses exige. É assim, por exemplo, que
o Maranhão exporta seus trabalhadores rurais para o
corte da cana em São Paulo, no centro-oeste ou no Pará,
para o desmatamento, para a limpeza dos pastos e a catação
de raiz prévia ao emprego de máquinas no Mato Grosso
ou no Pará. Centenas de milhares de trabalhadores conhecem
essas migrações sazonais onde imperam a sobre-exploração
do trabalho e o trabalho escravo, mecanismos perfeitos
de reprodução e de perpetuação da não cidadania.

O último ciclo a afligir o Brasil, o dos agrocombustíveis,
que chega como uma onda gigante, pode aumentar a velocidade
e o volume do êxodo rural. Vale lembrar que, se o programa
Biodiesel implantado pelo governo federal é voltado
par a agricultura familiar, as necessidades do mercado
já abrem a chance para que o agronégocio se beneficie
dele. O óleo de soja, produzido, sobretudo, por grandes
produtores, já suplanta a produção da agricultura familiar.
O que interessava ao mercado na soja era o farelo, principal
alimento animal num mundo em que o consumo de carne,
sobretudo de frango, aumenta consideravelmente. Agora,
os produtores têm a chance de comercializar o subproduto
como agrocombustível, o óleo obtido pelo esmagamento
do grão. Resultados: mais ganhos, mais plantações, mais
expulsões. Quanto à cana, ela se expande em áreas sensíveis,
em ecossistemas cruciais para a conservação da biodiversidade
e das águas: na Amazônia (apesar das afirmações em contrário
feitas pelo presidente Lula), nas bordas do Pantanal,
no que sobrou de Cerrado ou no litoral, como nas ilhas
pernambucanas de Sirinhaém, onde a usina Trapiche tenta
de maneira escandalosa expulsar a população local. Em
muitas dessas áreas, ainda há populações rurais que
não vão conseguir resistir por muito tempo. Além disso,
o "boom" dos agrocombustíveis tem outra conseqüência
perversa: o encarecimento do preço da terra, o que tem
por efeito empurrar a pecuária para a Amazônia e, em
conseqüência, a expulsão de parte da população que tinha
migrado para lá nas últimas décadas.
Quando o governo repete incessantemente, como um
mantra, que o país precisa se desenvolver e crescer,
e que está crescendo como nunca, e que as questões ambientais
não podem se sobrepor ao desenvolvimento, o dito "setor
privado", dos aventureiros às grandes empresas, entende
que tudo ou quase está permitido. Mencionei a Amazônia,
mas poderiam se dar muitos outros exemplos. O litoral
brasileiro é terra pública. Nas suas praias, manguezais,
restingas e estuários vivem milhares de famílias de
pescadores, catadores/ marisqueiras de caranguejos e
mariscos. Os empreendimentos turísticos e a especulação
imobiliária são atraídos pela sua beleza e a carcinicultura,
pelas águas dos manguezais. Os habitantes nativos são
obrigados a deixar as praias e se mudar para o interior
das terras ou para a cidade. Simples e às vezes aparentemente
insignificante mudança, de poucos quilômetros, mas que,
na realidade, afastando o pescador ou a catadora dos
seus locais de trabalho e, com isso, da sua cultura
praieira, equivale a um êxodo.
A multiplicação de obras de infraestrutura e de grandes
empreendimentos, em particular as barragens, gera igualmente
um contingente inesgotável de atingidos e refugiados.
O Movimento de Atingidos por Barragens - MAB - avalia
em mais de um milhão de pessoas o número de atingidos,
sendo que a maior parte não foi reassentada. Todo dia,
poderia se acompanhar algum caso dramático. No dia mesmo
em que escrevo, leio um artigo da jornalista Verena
Glass, da agência Carta Maior, do 23 de julho. Desta
vez, não se trata de uma barragem hidroelétrica, mas
da barragem de Acauã, destinada em parte ao consumo
de água de Campina Grande, em parte ao consumo de fazendas
e até criação de camarões. Escreve a jornalista:
"Segundo a denuncia encaminhada ao CDDPH, Acauã apresenta
a 'mais catastrófica situação social das famílias reassentadas
por uma barragem no país'. Deslocadas das margens do
rio Paraíba, onde subsistiam da pesca e da agricultura
familiar, 943 famílias foram reassentadas em pequenas
agrovilas que mais se parecem com um imenso favelão,
afirma Dorini, e carecem da maioria dos serviços mais
básicos, como água, luz, escolas, postos de saúde, transporte
e telefonia, entre outros".
Em sentido contrário, os grandes empreendimentos intensificam
a migração, das cidades e do campo, para os lugares
onde se constroem grandes obras. Foi o caso de Carajás,
de Tucurui, como o será com Porto Velho e Altamira,
se as barragens previstas forem erguidas.
A aceleração das mudanças climáticas já faz sentir seus
efeitos no Brasil. Há consenso de que o furacão Catarina
foi um evento ligado a essas mudanças. A grande seca
de 2005 na Amazônia, embora repetindo certa periodicidade,
foi ampliada por fenômenos climáticos. O semi-árido
estaria desde já atingido, com secas mais severas, desertificação
e calor crescente. Na ausência de políticas de convivência
com o semi-árido - a transposição do São Francisco se
situa no oposto do que seria tal política -, acelera-se
a migração de famílias para as cidades do litoral. Como
em qualquer catástrofe, são os pobres que são e serão
mais atingidos, por estarem já sendo vítimas de um modelo
de desenvolvimento e de políticas que os excluem ou
fazem deles meros clientes do "bolsa-família".

Deveria acrescentar a esse quadro as centenas de milhares
de jovens que deixaram o país e os milhares que continuam
tentando emigrar. O grito pela liberdade de circulação,
frente às quase insuperáveis barreiras que encontram,
não pode ser confundido com a liberdade de ir e vir.
Se eles enfrentam tamanha aventura, é porque o seu país
não lhes oferece chance de uma vida melhor. O mesmo
pode se dizer das migrações internas. Se as migrações
do campo para a cidade nas primeiras décadas da segunda
metade do século XX foram devidas à expansão urbano-industrial,
que oferecia chances reais de inserção no mercado de
trabalho, não acontece o mesmo hoje. O êxodo, com o
que compreende de não lugar, de não enraizamento, de
não cidadania, tende a ser permanente. Só não leva ao
desespero porque persiste a esperança da terra Prometida.
(NA)
Estoy
en 8º de primaria, me está yendo regular en la escuela.
Lo más difícil es matemáticas y sociales. Vivo con mis
abuelitos de parte de mi mamá porque mis papás están
en España. Los dos se fueron hace tres años. Ellos están
trabajando en Murcia. Hablamos por teléfono todos los
sábados. Somos cuatro hermanos, tengo dos hermanos y
una hermana. Todos estudiamos. Cuando mis papás viajaron
me sentí muy mal porque me sentía solo sin mamá y sin
papá. Eso es feo, ahora ya estoy bien y lo que deseo
es que mis papás sigan trabajando porque nosotros vamos
a continuar estudiando. Uno de mis hermanos sale bachiller
este año, el otro ya está en la universidad. Mis papás
viajaron porque no teníamos casa. Con el dinero que
mandaron ahora ya tenemos casa propia. Teníamos un auto
pero en un accidente se volcó y quedamos debiéndole
mucha plata a una gente. Trabajando aquí era imposible
pagar toda esa deuda, aunque mi mamá era comerciante.
Por suerte que en España consiguieron trabajo y les
está yendo muy bien. Mi papá está trabajando de albañil
y mi mamá es ama de casa, está cuidando a unos abuelitos.
Beto - 14 años, boliviano e hijo de bolivianos
que emigraron para España
Viajé a Madrid y regresé muy mal. Fui con el propósito
de trabajar y encontrar un horizonte mejor que en nuestro
país pero, lamentablemente, ha sido un desastre. En
España el trato es muy discriminante y humillante. El
trabajo que realizaba era de empleada doméstica y nos
decían "limpiaculos". En mi país yo soy profesional,
soy maestra. Para mí ha sido una experiencia negativa,
un choque de cultura muy fuerte. Cruzar el océano para
realizar un trabajo de empleada doméstica, limpiar baños,
personas y recibir un trato muy humillante, es inhumano
e insoportable. Estuve solamente durante tres meses
porque no pude aguantar más, tuve que volver, se acabó
mi paciencia para estar allá. Cuando regresé estuve
un tiempo intentando volver a trabajar como profesora
porque había perdido mi puesto de trabajo. Ahora estoy
contenta porque pude reincorporarme al magisterio. No
pienso volver a salir de mi país nunca más a ningún
lugar. Prefiero trabajar ejerciendo mi profesión que
trabajar siendo humillada. No se puede aguantar los
malos tratos solo por ganar un poco más. No podemos
renunciar a nuestros derechos por dinero. Esta experiencia
negativa me enseñó a saber valorar, a valorarnos a nosotros
mismos y a no tratar de conseguir dinero en cualquer
lugar.
Noni Rodríguez - boliviana
Regresé de España después de dos años. Allá trabajo
en una hacienda, en Andalucía. He tenido suerte de conseguir
un buen trabajo. Mientras estaba en España mandé dinero
y aquí mi esposa hizo construir nuestra casita. Después
he pensado que sería bueno que mi esposa también vaya
a España a trabajar por lo menos por un tiempito. Le
mandé dinero para sus pasajes, ahora estamos allá trabajando
los dos en la misma hacienda. Mi patrón es muy bueno.
Me mandó a Cochabamba para que lleve a más personas
para que trabajen en el campo. Los españoles dicen que
los bolivianos somos muy trabajadores y que sabemos
hacer muchas cosas. Yo hago de todo: sembrar, cosechar,
limpiar la casa, construir, arreglar cañerías, manejar
tractor, por eso me han dado el encargo de llevar a
personas que sepan hacer de todo. Los que mejor estamos
en España somos la gente del campo. Los bolivianos profesionales
o esos que tenían plata aquí son los que más sufren
y tienen menos trabajo. En cambio, las personas que
estábamos acostumbradas a trabajar y somos del campo,
¡uh!, estamos muy bien, de maravilla. Dentro de cinco
años regresaré con capital para abrir mi negocio.
José, de 45 años, boliviano que vivía en el barrio
Guadalupe. Migrante del campo a la ciudad. Su último
trabajo era de chofer de transporte público
Sou Abram Lejbus Felzenszwalbe. Nasci na Polônia, em
1918 e cheguei ao Brasil, Rio de Janeiro, com 10 anos,
em janeiro de 1929. Meu pai tinha vindo 5 anos antes,e
durante esses anos trabalhou muito para juntar dinheiro
e conseguir comprar as passagens para trazer toda a
família (esposa e 4 filhos). Nós éramos 6 irmãos, mais
um morreu ainda criança, e o mais velho ficaria na Polônia
por mais alguns anos e talvez viesse depois, mas acabou
morrendo em um campo de concentração, durante a 2ª Guerra
Mundial.
Saímos da Polônia por conta de dois fatores: primeiro
e o mais grave, por causa do anti-semitismo, que era
muito forte e sofríamos todo o tipo de humilhação, mesmo
eu ainda sendo criança. Por ser judeu, eu tinha que
atravessar para o outro lado da rua se um polonês católico
estivesse passando na mesma calçada que eu, éramos constantemente
ofendidos por nada. Além disso, como nossas condições
de vida eram bastante precárias - vivíamos em uma aldeia
bem pobrezinha - meu pai achou melhor tentar a sorte
na "América", e veio para cá porque um cunhado dele
já estava aqui e escrevia maravilhas sobre como o Brasil
era bom para trabalhar. Aqui não havia preconceito e
todos respeitavam a todos. Quero dizer que éramos pobres,
mas nunca fomos miseráveis: durante os 5 anos em que
ficamos separados de meu pai fomos morar na casa de
minha avó materna. Minha mãe trabalhava e não nos faltava
comida nem educação.
O que mais me chamou a atenção assim que cheguei foram
os negros. Na Polônia, não existiam negros, portanto
eu nunca tinha visto nenhum, e para mim, com meus olhos
de criança, decidi que aquelas pessoas se pintavam todas
de preto para ficarem diferentes! Levei algum tempo
para perceber que aquilo não era tinta! A quantidade
de frutas também me assombrava!
Abram Lejbus Felzenszwalbe - Polonês, vivendo
no Rio de Janeiro, Brasil
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