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L
a Revista de la Pátria Grande

EDITORIAL

“Somos índios originais, somos da nova geração; nossos antepassados morreram por defender nossa nação!”

Tratamento gráfico s/foto de Valter Campanato

Cantando esse lema representantes do povo Pataxó, etnia do nordeste brasileiro, abriram a Marcha pelos Direitos Indígenas no Puxirum de Artes e Saberes, durante o Fórum Social Mundial de Porto Alegre de 2005. Dois anos depois essas mesmas lideranças puderam confirmar a força dessa luta vivenciada por gerações: conseguiram que a maioria absoluta dos Estados integrantes da ONU aprovasse o reconhecimento da Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas.

Mais do que um tratado formal, a Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas abre novas possibilidades de relação entre nações indígenas e Estado-Nação. Um novo marco é iniciado quando povos originários são reconhecidos como sujeitos de direitos coletivos, entre eles o de possuir autonomia para decidir modelos próprios de educação, de desenvolvimento e o de possuir um sistema jurídico diferenciado. Os Estados-Nacionais assim, dão os primeiros passos para o surgir de Estados- Plurinacionais, onde a hegemonia de um único modelo cultural não terá mais lugar.

Puxirum significa, em língua nhengatu, "reunião de esforços em prol de um objetivo comum". Esse número da revista Novamerica pode ser vista como mais um esforço neste Puxirum indígena. Foram vários os colaboradores, de diferentes realidades e contextos, que procuraram resumir em algumas páginas, tantas histórias, experiências, conquistas e desafios vivenciados pelos povos indígenas latino-americanos. Discute os sistemas jurídico e agrário no marco de criação de Estados Plurinacionais; aborda a luta dos povos amazônicos brasileiros contra o essencialismo que subalterniza a diferença, e discute o movimento de populações argentinas na conquista do direito à terra. Também apresenta a força do manifesto Mapuche chileno e analisa a presença das culturas indígenas no Uruguai, apesar da ausência de povos originários neste território.

Se fizermos um esforço para olhar em perspectiva, tornam-se evidentes as transformações ocorridas na América Latina nos últimos trinta anos, no tocante à diversidade cultural. O reconhecimento constitucional de sociedades multiétnicas e plurilíngües; a eleição de presidentes indígenas ou conectados às causas indígenas; a consolidação do direito a sistemas educativos que dialoguem com as diferenças étnicas e a significativa promulgação da Declaração dos Povos Indígenas pela ONU foram algumas delas. Transformações ainda insuficientes para mudar o quadro de exclusão e pobreza que atinge a maior parte dessas populações, mas às vezes faz-se necessário destacar as vitórias de uma dura jornada antes de seguir em frente. Afinal, se não existem caminhos, a melhor alternativa é mesmo caminhar... juntos!

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