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La Revista de la Pátria
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“Somos
índios originais, somos da nova geração; nossos antepassados
morreram por defender nossa nação!”

Cantando esse lema representantes do povo Pataxó, etnia
do nordeste brasileiro, abriram a Marcha pelos Direitos
Indígenas no Puxirum de Artes e Saberes, durante o Fórum
Social Mundial de Porto Alegre de 2005. Dois anos depois
essas mesmas lideranças puderam confirmar a força dessa
luta vivenciada por gerações: conseguiram que a maioria
absoluta dos Estados integrantes da ONU aprovasse o
reconhecimento da Declaração Universal dos Direitos
dos Povos Indígenas.
Mais do que um tratado formal, a Declaração Universal
dos Direitos dos Povos Indígenas abre novas possibilidades
de relação entre nações indígenas e Estado-Nação. Um
novo marco é iniciado quando povos originários são reconhecidos
como sujeitos de direitos coletivos, entre eles o de
possuir autonomia para decidir modelos próprios de educação,
de desenvolvimento e o de possuir um sistema jurídico
diferenciado. Os Estados-Nacionais assim, dão os primeiros
passos para o surgir de Estados- Plurinacionais, onde
a hegemonia de um único modelo cultural não terá mais
lugar.
Puxirum significa, em língua nhengatu, "reunião de esforços
em prol de um objetivo comum". Esse número da revista
Novamerica pode ser vista como mais um esforço neste
Puxirum indígena. Foram vários os colaboradores, de
diferentes realidades e contextos, que procuraram resumir
em algumas páginas, tantas histórias, experiências,
conquistas e desafios vivenciados pelos povos indígenas
latino-americanos. Discute os sistemas jurídico e agrário
no marco de criação de Estados Plurinacionais; aborda
a luta dos povos amazônicos brasileiros contra o essencialismo
que subalterniza a diferença, e discute o movimento
de populações argentinas na conquista do direito à terra.
Também apresenta a força do manifesto Mapuche chileno
e analisa a presença das culturas indígenas no Uruguai,
apesar da ausência de povos originários neste território.
Se fizermos um esforço para olhar em perspectiva, tornam-se
evidentes as transformações ocorridas na América Latina
nos últimos trinta anos, no tocante à diversidade cultural.
O reconhecimento constitucional de sociedades multiétnicas
e plurilíngües; a eleição de presidentes indígenas ou
conectados às causas indígenas; a consolidação do direito
a sistemas educativos que dialoguem com as diferenças
étnicas e a significativa promulgação da Declaração
dos Povos Indígenas pela ONU foram algumas delas. Transformações
ainda insuficientes para mudar o quadro de exclusão
e pobreza que atinge a maior parte dessas populações,
mas às vezes faz-se necessário destacar as vitórias
de uma dura jornada antes de seguir em frente. Afinal,
se não existem caminhos, a melhor alternativa é mesmo
caminhar... juntos! |
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