Revista

L
a Revista de la Pátria Grande


CONSTRUINDO CAMINHOS/ CONSTRUYENDO CAMIÑOS

A rua como lugar social e de convivência pacífica
Náthima Ferreira Sampaio Danel
Jornalista e Especialista em Segurança Pública e Cidadania
Brasil
nathimasampaio@hotmail.com



foto de Rodolpho Oliva
El considerable aumento de la población ha venido acompañado de elevados índices de violencia como resultado de la falta de preparación del Estado como ente promotor de seguridad y bienestar social. La actual realidad de la calle -lugar social- se encuentra marcada por la violencia hacia las personas, hacia la vida, es decir, pasó a ser de vacío de convivencia pacífica. La educación para el tránsito también es papel de las escuelas; orientar y educar principalmente a los niños y jóvenes que usan este escenario es responsabilidad de padres, educadores y Estado. Esa educación ayudará a construir una sociedad menos violenta, una calle feliz y a celebrar la vida a través de la seguridad pública de los ciudadanos.


Há pelo menos duas décadas atrás, a rua era lugar de lazer, saía-se para ela em busca de conversas com vizinhos, as crianças para brincar de barra bandeira, esconde- esconde, entre outras brincadeiras infantis. Em frente às casas, o clima era de alegria, descontração e troca de informações acerca de acontecimentos da própria rua, do bairro, da cidade, bem como de contexto nacional e internacional, onde os casos de violência social eram mais escassos, se comparados aos dias de hoje, apesar de também chocarem a sociedade da época.

O crescimento considerável da população foi acompanhado pelos índices de violência, o que se pode deduzir que seja resultado do despreparo do Estado enquanto ente promotor da segurança e bem estar social em conseguir controlar o crescimento populacional, bem como as mazelas sociais: pobreza, miséria, violência, analfabetismo, etc.

A realidade da rua, lugar social, nos dias de hoje, passa a ser de vazio da convivência pacífica, e de entupimento por mendigos, crianças de rua, desocupados, assaltantes, ladrões, enfim, pela violência às pessoas, à vida.

Esse cenário é manifestado ainda no grande número de acidentes de trânsito, em que milhares de pessoas são vitimadas, vidas ceifadas, e outras terão seqüelas físicas e psicológicas, às vezes, insuperáveis, gerando transtornos e dificuldades às famílias que quando pobres, viverão esses problemas de modo mais efetivo, além do Estado, que terá mais pessoas nas filas dos hospitais públicos e mais gastos a serem cobertos. Dessa forma, o espaço deixado nas cidades para a circulação de pessoas, o diálogo, encontros passa a ser de desencontros, brigas e morte, porém, as crianças não sabem disso (os pais quando trabalham não têm tempo para acompanhar o dia-a-dia dos filhos e alguns até estimulam a inserção dos menores nesse cenário de violência) e continuam nas ruas, sendo vítimas da violência, de toda espécie de abuso, daqueles acidentes de trânsito, e da criminalidade. Vê-se que muitas são usadas para a prostituição, na prática de furtos, venda de drogas ilícitas e até mesmo homicídios.

O espaço em que se chega aos diferentes lugares da cidade e que se alcança também o mundo é encoberto ainda pela poluição sonoro e do ambiente físico. A fumaça excessiva emitida pelos milhares de carros que circulam as ruas, faz mal e prejudica a saúde das pessoas, além de contribuir para o aumento do aquecimento global, que traz também por conseqüência, o descontrole ambiental. O lixo jogado nas ruas enfeia a cidade, entope bueiros, causa enchentes e adoece as pessoas.

foto de Davi Marcos

É papel também das escolas a educação para o trânsito, é responsabilidade dos pais, educadores e Estado orientar e educar principalmente as crianças e os jovens (os jovens e os adolescentes estão cada dia mais violentos e responsáveis por muitos acidentes no trânsito, sendo eles, a maior parte das vezes, as principais vítimas) que desde cedo, já fazem uso deste cenário. Essa educação irá ajudar a reconstruir uma sociedade menos violenta; uma rua feliz.

A grande circulação de pessoas, o fluxo intenso de carros, motos, pedestres, o barulho emitido pelos veículos automotores; o céu nublado pela fumaça liberada pelos carros; o saco plástico e o papel jogados no chão; gente passando de um lado para o outro da rua; a faixa de pedestre em que os carros e motos não respeitam; o semáforo com a luz vermelha acesa e carros em movimento; o caos nos hospitais públicos (não há médico e nem remédio para todos os pacientes); as viaturas policiais, todas em atendimento à ocorrências (não há policiais nem veículos suficientes para atender de modo satisfatório aos chamados da população); a corrupção no judiciário, legislativo, executivo montam um cenário chamado de caos social.

A vida das pessoas é representação simbólica da violência em todas as esferas da sociedade. Porém, vemos grupos de estudantes de escolas públicas fazendo campanha para salvar igarapés; ecologistas de todo o mundo lutando para preservar animais em extinção da fauna brasileira; políticos que lutam contra a corrupção e em favor do desenvolvimento sustentável; profissionais da saúde que se dispõem a atuar em lugares onde só é possível chegar por meio de barco (às vezes, leva-se até dias para alcançar certos destinos); o Estatuto do Índio, que apesar de não garantir, na prática, todos os direitos aos indígenas, serve de grande passo para legitimar a igualdade entre as pessoas; policiais, de diferentes esferas de competência, realizando trabalhos éticos, não violento, não corrupto, valorizando a vida humana e respeitando os direitos do homem, da criança e do adolescente.

foto de Rodolpho Oliva

Na busca por dias melhores, num futuro próximo e diferente, há esperança da reconstrução da rua como espaço de reconstrução do considerado ético e moralmente aceito, onde brincadeiras de criança, os trabalhos lícitos, a harmonia com a natureza, a convivência pacífica entre negros, índios, homossexuais, brancos, mulheres e homens, em fim, celebrem a da vida numa ampliação do espectro chamado de segurança pública aos cidadãos.
(NA)


Texto extraído do site www.forumseguranca.org.br. Publicação na Revista Novamerica autorizada pela autora.

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