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La Revista de la Pátria
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O
cineasta dos vencidos
El cineasta de los vencidos

SILVIO TENDLER
Silvio Tendler é um renomado documentarista brasileiro.
Conhecido como "o cineasta dos vencidos" ou "o cineasta
dos sonhos interrompidos" por abordar em seus filmes
personalidades como Jango, JK, Carlos Marighella,
entre outros, Silvio é, antes de tudo, um humanista,
que já produziu cerca de 40 filmes, entre curtas,
médias e longasmetragens. Em 1981 fundou a Caliban
Produções Cinematográficas Ltda., produtora direcionada
para biografias históricas de cunho social. Seus filmes
são resgates da memória brasileira e inspiram seus
expectadores a reflexão sobre os rumos do Brasil,
da América Latina e do mundo em desenvolvimento.
É dono de um jeito muito peculiar de fazer cinema.
Entre a gestação de uma idéia, sua execução e finalização,
muitas vezes contam-se décadas. Tem sempre vários
projetos e vai tocando todos ao mesmo tempo placidamente.
Tendler é detentor das três maiores bilheterias de
documentários na história do cinema brasileiro: "O
Mundo Mágico dos Trapalhões" (Um milhão e 800 mil
espectadores), "Jango" (Um milhão de espectadores)
e "Anos JK" (800 mil espectadores).
Seus filmes "Jango" e "Anos JK", apesar de falarem
sobre o golpe militar de 1964 e a democracia, foram
lançados ainda em plena ditadura militar, em 1984
e 1980 respectivamente. A partir de então, continuou
produzindo uma série de documentários que conquistaram
diversos prêmios de público e crítica, divulgando
a cultura e a história brasileira para o resto do
mundo.
Seu filme mais recente, "Encontro com Milton Santos"
ou "O Mundo Global Visto do Lado de Cá", ganhou o
Prêmio de Melhor Filme do Júri Popular na última edição
do Festival de Brasília. Em 2005 recebeu o Prêmio
Salvador Allende no Festival de Trieste, Itália, pelo
conjunto da obra. Em 2008, foi homenageado no X Festival
de Cinema Brasileiro em Paris, com uma retrospectiva
de seus filmes. Ainda neste ano, foi condecorado com
a Medalha Tiradentes, da Assembléia Legislativa do
Rio de Janeiro, por relevantes serviços prestados
à causa pública do Estado.
Criou a Fundação Novo Cine Latino-Americano e o Comitê
de Cineastas da América Latina. Foi presidente da
Federação de Cineclubes do Rio de Janeiro e da Associação
Brasileira de Cineastas. Dirigiu a Fundação Rio (RIO
ARTE) (1988) e o Centro Cultural Oduvaldo Vianna Filho
(Castelinho do Flamengo) (1993). Foi diretor da TV
Brasília, do Grupo Correio Brasiliense, em 1995, e
no ano seguinte, Secretário de Cultura e Esporte do
governo Cristóvão Buarque, em Brasília. Em 1997, assumiu
a Coordenação de Audiovisual para o Brasil e o Mercosul
da Unesco, onde permanece como consultor nesta área.
Desde 1979 leciona no Departamento de Comunicação
Social da PUC-RJ. Obtido em "http://pt.wikipedia.org
Categoria: Cineastas do Brasil - 6/11/2008.
Sílvio Tendler es un renombrado documentalista
brasileño, conocido como "el cineasta de los vencidos"
o "el cineasta de los sueños interrumpidos", por abordar
en sus películas personalidades como Jango, JK, Carlos
Marighella, entre otros. Sílvio es, antes que nada,
un humanista que ya produjo cerca de 40 películas,
entre cortos, medios y largometrajes. En 1981 fundó
la Caliban Producciones Cinematográficas Ltda., productora
cuya finalidad es realizar biografías históricas de
cuño social.
Sus películas son un rescate de la memoria brasileña,
así como una inspiración para que sus espectadores
reflexionen sobre los rumbos de Brasil, de América
Latina y del mundo en desarrollo. Es dueño de un estilo
muy particular de hacer cine. Entre el surgimiento
de una idea y su ejecución y finalización, muchas
veces transcurren décadas. Tiene siempre varios proyectos,
los cuales va llevando a cabo de forma simultánea
y con mucha tranquilidad.
Tendler ha tenido, en tres oportunidades, las mejores
ventas de taquilla de películas documentales en la
historia del cine brasileño, con: O mundo Mágico dos
Trapalhões (1.800.000 espectadores); Jango (1.000.000
espectadores) y Anos JK (800.000 espectadores).
A pesar de que Jango y Anos JK hablan sobre el golpe
militar de 1964 y sobre la democracia, ambas películas
fueron estrenadas en plena dictadura: en 1984 y 1980,
respectivamente. A partir de entonces, Tendler continuó
produciendo una serie de documentales que conquistaron
diversos premios de público y de crítica, a través
de los cuales fueron divulgadas al resto del mundo
la cultura y la historia brasileña.
Su película más reciente, Encontro com Milton Santos
ou O Mundo Global visto do lado de cá, recibió el
Premio de Mejor Película, por parte del Jurado Popular,
en la última edición del Festival de Brasilia.
En 2005 recibió el Premio Salvador Allende en el Festival
de Trieste, Italia, por el conjunto de su obra. En
2008, fue homenajeado en el X Festival de Cine Brasileño
en París, oportunidad en la que se hizo una retrospectiva
de su filmografía. También este año, fue condecorado
con la Medalla Tiradentes de la Asamblea Legislativa
de Río de Janeiro, por los importantes servicios prestados
a la causa pública del Estado.
Tendler creó la Fundación Nuevo Cine Latinoamericano
y el Comité de Cineastas de América Latina. Fue presidente
de la Federación de Cine Clubes de Río de Janeiro
y de la Asociación Brasileña de Cineastas. Dirigió
la Fundación Río (RIO ARTE) en 1988 y el Centro Cultural
Oduvaldo Vianna Filho -conocido como "o castelinho
do Flamengo" (el castillito de Flamengo)-, en 1993.
Fue director de la TV Brasilia, del Grupo Correo Brasiliense,
en 1995, y al año siguiente, fue Secretario de Cultura
y Deporte del gobierno Cristovão Buarque, en Brasilia.
En 1997, asumió la Coordinación de Audiovisual para
Brasil y el Mercosur, de la UNESCO, y actualmente
permanece como consultor en esa área.
Desde 1979 da clases en el Departamento de Comunicación
Social de la Pontificia Universidad Católica de Río
de Janeiro.
NA
- Para começar, você poderia falar sobre o estado
da arte da produção de cinema latino-americano?
ST - A produção de cinema latino-americana
ela é muito forte, ela é muito boa. O grande problema
da arte latinoamericana é que ela não circula com
a liberdade e com a penetração que ela deveria circular.
Então por exemplo, nós aqui no Brasil, vivemos muito
isolados dos países de fala hispânica. A gente sabe
muito pouco do Uruguai, da Argentina, do Chile, do
México, do Peru. A gente não recebe informações: primeiro
pela barreira da língua e segundo pela barreira cultural.
Eu acho que esse é um trabalho que deve ser superado.
Eu tenho tido nestes últimos tempos contatos muito
bons, muito profundos com cineastas uruguaios, chilenos,
argentinos, tem havido trocas muito interessantes.
Tem uma coisa que é surrealista, eu tive que ir a
Córdoba na Espanha para trocar informações com cineastas
venezuelanos, equatorianos, porque em Córdoba eles
têm um trabalho muito profundo cultural desse encontro,
dessa troca entre culturas. E não só acerca da America
Latina, mas do mundo.
Eu conheci também gente de Moçambique, gente européia,
é uma troca muito interessante. E aqui no Brasil a
gente precisa muito disso. A gente não tem canais
de difusão cultural. É muito raro um filme hispânico
chegar à televisão brasileira. É muito raro o filme
hispânico chegar às salas de cinema, mas na televisão
é mais raro ainda. O Canal Brasil, que é um canal
especializado, andou tendo um ciclo de cinema argentino.
A TV Futura andou tendo um ciclo de cinema político
da Argentina. Contudo, normalmente esses filmes não
circulam. Isso é o que entreva o conhecimento e a
troca de informação. Mas eu afirmo que a cultura latino-americana
é muito rica. E ela não se restringe a obras ficcionais.
Ela não se restringe aos grandes filmes, aos grandes
temas, aos filmes caros. Hoje, com esses meios que
a gente tem, com essa tecnologia digital, você tem
a América Latina sendo esquadrinhada pelo olhar dos
cineastas latino-americanos. Hoje, você tem gente
produzindo filmes de qualidade e reflexivos no altiplano
boliviano, peruano, no interior do Equador, quer dizer,
na verdade, você consegue, com essas tecnologias,
descentralizar a produção cultural e isso é de uma
extrema riqueza. Então, na verdade, o entrave que
a gente tem hoje é o da circulação desses bens. Essa
matéria que você está fazendo, por exemplo, é um ponto
importante para alavancagem desse diálogo.
NA - E sobre a TV o que você
teria para nos dizer? Sobre o diálogo cinema e TV,
por exemplo?
ST - É fundamental. Eu digo que são dois irmãos
xifópagos, são duas cabeças no mesmo corpo. Eu acho
que quando um filme desses de circuito é feito ele
deve ter um ritual a cumprir: ele deve ser primeiro
lançado em sala de cinema, que é o veículo ao qual
ele se destina. Porque é diferente você ver um filme
em tela grande, com qualidade de som, conforto, espetáculo
coletivo... E é outra coisa você ver o filme em uma
telinha pequena na sua casa. Agora eu acho que a telinha
pequena na sua casa é um espaço também necessário,
porque é o último território a ser conquistado. Então
você começa pela sala de cinema, quer dizer, pelas
projeções nas salas de cinema e depois das salas de
cinemas você vai para as televisões de canais fechados,
depois você vai para as televisões de canal aberto.
Aí com isso você cumpre todo um circuito que torna
visível essa obra. Mas eu acho que esse casamento
do cinema com a televisão é fundamental.
NA - Do ponto de vista da
produção cinematográfica e de TV, quais são os grandes
desafios que você vem enfrentado, ou melhor, que o
cineasta de uma maneira geral enfrenta na América
Latina?
ST - É a comunicação com o público. Eu acho
que hoje a gente tem uma produção bastante ampla,
bastante diversificada, e com muita qualidade, mas
nessa sociedade absolutamente mediática, midiatizada,
paradoxalmente a gente não tem conseguido um encontro
com o público que sempre foi nosso. Isso é uma
tragédia para o artista. É uma tragédia para o artista
ele fazer um filme que fala de uma realidade e as
pessoas que seriam seus interlocutores não têm acesso
a essa obra numa sociedade absolutamente livre, porque
os meios circulantes são muito grandes. Eu sempre
cito o exemplo do filme do François Truffaut, chamado
Farenheit 451, realizado a partir de livro homônimo
de Ray Bradbury em que ele mostra que no futuro. Ele
devia estar muito traumatizado com a França pós segunda
guerra mundial, com a experiência do nazismo, fascismo
e ele prevê uma sociedade futura, totalitária, que
vai impedir a cultura, vai impedir a leitura, que
queima os livros. Então, há um grupo de pessoas resistentes,
que são treinadas para decorar os grandes clássicos
para não se perder a história da humanidade. Esse
era o cenário futuro que ele assistia nos anos 60.
Nos anos 2000 o que a gente está vendo é exatamente
o contrário, é uma produção em excesso. Então você
tem tanta produção cultural que você não consegue
hoje que as pessoas conversem sobre os mesmos temas.
A menos que elas sejam intermediadas pela mídia. Se
eu não for intermediado pela mídia, eu não me encontro
com você nas páginas do autor ou eu tenho que entrar
em um site da Internet especialista, e aí você tem
os Orkut da vida: eu amo Pablo Neruda, ou eu detesto
não sei quem ou eu gosto do Walt Whiman. Porque você
começa a entrar nos nichos especializados.
Na verdade, quando você faz um filme para o cinema
é um congraçamento, é um esforço de todos e o que
está acontecendo é que todos, todos mesmo, a exceção
dos chamados Blockbuster (eu não gosto dessa expressão,
mas é como se chama), que chegam a três ou cinco milhões
de pessoas, os resultados dos outros filmes - comerciais,
inclusive de alta qualidade, ficção, documentários
- são pífios em relação ao que deveria ser. E eu estou
citando, por exemplo, Ensaio sobre a Cegueira, Linha
de Passe, eu estou citando filmes que envolvem muito
talento, arte, premiação. Ensaio sobre a Cegueira
abriu o Festival de Cannes, Linha de Passe ganhou
o prêmio de melhor atriz em Cannes e esses filmes
não batem um milhão de espectadores e isso não é nada,
nada. Eu com o filme Jango fiz um milhão de espectadores.
O que então está acontecendo? Que retrocesso foi esse
que faz com que o público de cinema se afaste dos
temas culturais? Temas que são fundamentais e que
refletem o próprio olhar sobre a sociedade que a gente
vive. Eu acho que é esse excesso de produção que agente
tem e que esse excesso nos obriga a não pensar na
vida que a gente. A nossa luta então é recriar
um sistema de informação e reflexão que faça com que
as pessoas assistam aos nossos filmes. E quando eu
estou falando isso, não estou me referindo só ao cinema
brasileiro, eu acredito que isso é um fenômeno mundial.
E em relação à América Latina essa questão se agrava,
pois os países não dialogam entre eles. Você conhece
algum filme equatoriano?
NA - Na Revista Novamerica nós temos uma seção
chamada Mosaico, exatamente com esse objetivo: divulgar
filmes latino-americanos, além dos sites e livros
sobre o tema da edição. Fazemos muitas pesquisas.
É preciso ficar garimpando atrás dos títulos e, quase
sempre, enfrentamos muitas dificuldades para ter acesso
aos lançamentos ou mesmo aos filmes já exibidos.
ST - Eu assiste filmes, no Uruguai, maravilhosos
e que eu tenha visto no circuito de cinema por aqui
só Whisky. É o único que vi no circuito por aqui no
Brasil. Eu conheço filmes de uma cineasta uruguaia,
chamada Virgínia Martinez que são lindíssimos. Ela
fez um sobre os anarquistas no Uruguai no começo do
século passado, fez Charlotte, fez recentemente um
filme sobre Henry Engler, que é um Tupamaro que ficou
preso 13 anos em solitária e quando ele saiu ele enlouqueceu
com aqueles 13 anos de solitária, ele desaprendeu
o mundo, se desorganizou mentalmente. Então ele foi
para a Suécia e conseguiu se reorganizar mentalmente,
estudou Medicina (antes de ser preso ele era estudante
de Medicina) e hoje ele é um dos maiores especialistas
do mundo em Alzheimer. E a gente só consegue ver esses
filmes em festivais. Não vê no cinema, não vê na televisão,
a gente não consegue tocar o nosso irmão. Por isso,
a nossa luta é essa romper com essa ditadura da mídia.
NA - Qual seria para você
a relação entre cinema, TV e a construção da identidade
latino-americana?
ST - Eu acho fundamental. Se eu me tomar como
exemplo, eu sou fruto disso. Eu sou ser humano graças
a uma identidade latina que eu criei no final dos
anos 60 e anos 70. Eu via cinema cubano e me identificava.
Eu via cinema argentino e me identificava. Eu via
filmes chilenos e me identificava e eu fui me constituindo
ser humano assim. Quer dizer, eu consegui criar uma
identidade própria. É claro que sem dúvida nenhuma
com a contribuição do cinema brasileiro. Os filmes
de Nelson Pereira dos Santos, de Joaquim Pedro de
Andrade, entre outros, eram filmes que iam fazendo
a minha cabeça a cada ano. Nos 15, 16, 17, 18 anos,
com 20 poucos anos eu era um ser humano formado
graças ao cinema. Eu, como vivi mundo a fora, eu também
conseguia ver esses filmes também na televisão, mas
aqui no Brasil eu nunca consegui assistir. E,
quando eu consegui assistir, foi sempre em espaço
nobre, quer dizer, em espaço alternativo.
NA - Você acredita que os outros povos (americanos
do norte, europeus e outros) nos vêem através do cinema?
ST - Curiosa e paradoxalmente, eu acho que eles
nos vêm mais do que nós mesmo nos vemos. Quando eu
fui morar na França em 1972, com 22 anos, eu tinha
muitas facilidades por ser brasileiro e graças ao
Cinema Novo. Eu me lembro uma vez em que eu conheci
o Bertolucci, em 72, logo que eu cheguei, eu tinha
um amigo que era comunista, era editor de som e mixador.
Ele estava mixando um filme e me chamou para assistir
no estúdio como é que operava e tal. Eu estava chegando
do Brasil e do Chile com aquelas coisas ainda muito
improvisadas, poucos canais e ele tinha 16 canais
e eu fiquei rindo de todo aquele luxo e então ele
me apresentou: esse aqui é o Bernardô, o Silviô. O
Bernardô estava com uma menina bonita e um cara grandão.
E o Bernardô então me perguntou: como vai o Glauber?
E eu sei lá de Glauber... Logo depois, eu fiquei sabendo
que o Bernardô era o Bertolucci e o filme era O Último
Tango em Paris. E isso tudo só era possível porque
eles conheciam o cinema brasileiro que inclusive tinha
um espaço privilegiado no contexto do cinema latino.
Mas não era só isso. Eu me lembro que com 20 anos,
quando cheguei do Chile já ouvindo falar do filme
Chacal de Nahueltoro, do Miguel Littin, dos filmes
do cineasta cubano Santiago Álvarez, e os de Fernando
Solanas da Argentina, todos esses fizeram a minha
cabeça. Eu tinha muito a cabeça feita por esse cinema.
Era esse movimento que pulsava que me formou ser humano.
Hoje, nós não temos mais nada disso. Mas eu acho que
a gente não tem que se lamentar não. A gente tem que
fazer. Eu não sou a favor da lamúria. A lamúria não
constrói nada. Eu não tenho amargura. A minha fala
é um espírito de luta para a gente tentar criar as
nossas opções.
NA - Para avançar um pouco
mais: o que aproxima e o que distancia cinema e TV?
ST - Eu acho que isso não pode ser uma teoria
geral. Eu acho que isso é uma coisa que muda segundo
as circunstâncias e a conjuntura. Do ponto de vista
prático a linguagem, você tem o cinema é o espetáculo.
É aquilo que o McLuhan já colocou sobre meios quentes
e meios frios em comunicação. Cinema é quente. Aquela
telona... Aquele som no ambiente... As novas tecnologias
foram criando também novas estéticas... O som atualmente
no cinema é incrível... Se você pegar o som dos filmes
dos anos 60 é aquela coisa mono e sem os efeitos sonoros,
não tem todo o envolvimento do espectador. Coisa que
o cinema hoje tem. Se bem que você hoje consegue reproduzir
certas condições para a televisão. Por exemplo, os
mais ricos que têm home theatre, eles conseguem algum
efeito, mas a televisão não reproduz aquele clima
do cinema e então ela vira um meio de conhecimento,
de informação e não de fruição. O cinema é um meio
de fruição e a televisão de informação. [Ah! Eu nunca
vi Deus e o Diabo na Terra do Sol, vai passar na TV,
então eu vou ver]. Uma coisa é você ver Deus e o Diabo
em uma telinha de 40cm x 50cm e outra coisa é você
ver na telona de 2m x 2m. Eu acho que isso é diferente.
Contudo a grande questão da televisão não é a técnica
é o conteúdo, é a programação. E isso muda segundo
as circunstâncias e a conjuntura. Você tem países
que se preocupam muito em colocar produtos na televisão,
você tem canais que se preocupam em colocar uma produção
alternativa na televisão. É muito diferente de você
ter a noção exclusiva do espetáculo. Recentemente
eu estive na Argentina e fiquei impressionado com
o número de TVs a cabo e todos eles ocupados pelo
cinema americano. E aí? O que eles estão fazendo de
diferente? De diferente nada. E isso daí em uma outra
conjuntura política e não venha me dizer que isso
é liberdade. Liberdade é pluralidade. Não é essa monotonia,
não é um samba de uma nota só.
Ter toda a produção vinda de um só lugar. Eu sou muito
crítico em relação a isso.
NA - Cultura, Cinema, TV e Políticas
Públicas. Fale sobre essa relação.
ST - Eu não acredito em nada muito impositivo.
Eu sou muito rebelde a imposições. Eu acho que a gente
tem que lutar consensualmente pela construção de uma
sociedade. Nesse caso, eu acho que as políticas públicas
devem ser feitas no incentivo à produção do cinema
brasileiro, à circulação dele. Isso é um assunto que
é fundamental. Hoje a cultura brasileira está voltada
para a produção. Você tem uma produção muito maior
que a nossa capacidade de absorver. Na verdade
não é que sobrem filmes. O que acontece é que faltam
mercados. A gente tem que produzir esse mercado e,
portanto, as políticas públicas têm que contemplar
isso, inclusive, no espaço das televisões. Eu
acredito que essas questões são fundamentais, mas
sem essa de obrigação, por exemplo, querer que a TV
Globo passe o meu filme no horário nobre. Ela tem
o direito de não passar, mas eu acho que devem ter
canais que passem os filmes em horário nobre. E acho
até que a TV Brasil está fazendo isso um pouco. Está
cobrindo essa deficiência. E se podia incentivar outras
televisões a fazerem a mesma coisa. E não ficar essa
mesmice de estimular só os espetáculos sanguinários.
NA - Sílvio, fale sobre esse
documentário que você está fazendo agora.
ST - Esse documentário é a síntese de tudo isso
que eu falei até agora. É um documentário chamado
Utopia e Barbárie. Eu o estou fazendo desde 1990.
Eu estou fazendo esse filme, portanto, há 18 anos.
Esse filme nasceu no pior momento da vida brasileira,
que foi a eleição do Fernando Collor. Eu fui votar
pela primeira vez para Presidente da República com
39 anos de idade e na ocasião nós tínhamos um elenco
enorme de candidatos à presidência de todas as posturas
políticas: ia desde o Dr. Ulisses Guimarães, passando
pelo Aureliano Chaves, pelo Paulo Maluf, pelo Guilherme
Afif Domingos, pelo Leonel Brizola, Mário Covas, o
Lula, o Roberto Freire, você tinha de tudo. Vista
sua fantasia e vote... E o Collor foi eleito. O mais
medíocre. Era uma falta de experiência eleitoral.
A gente não tinha o convívio com a democracia. Naquele
momento nós tínhamos isso de um lado e de outro lado
teve a queda do muro de Berlim. Que em si foi uma
coisa muito boa. Os muros não são bons para aproximar
as pessoas. Eu acho que a queda do muro foi muito
boa na história da humanidade. Mas junto com ele ruiu
o sonho do socialismo. E então eu quis entender tudo
o que estava acontecendo nesse momento. Comecei a
criar Utopia e Barbárie, um quebra cabeça muito difícil
de armar. Agora é que estou começando a me entender
com ele e pretendo finalizar esse ano. Mas basicamente
é ter 18 anos em 1968. É o mundo do ponto de vista
de quem tinha 18 anos em 68 e vem do final da segunda
guerra mundial até a estatização da economia americana.
Porque ninguém esperava que acontecesse isso. Eu achei
que já tinha visto tudo na minha vida.
Eu achei que já tinha visto a queda do muro de Berlim,
o regime que veio para ser eterno e duradouro ruiu,
acabou, o socialismo foi embora em um piscar dos olhos.
Eu estava morando na França quando eu vi o golpe que
aprisionou o Gorbachev veio o Helsinger, acabou a
União Soviética, que virou Rússia, eu vi muitos países
acabarem. Como na história que nossos pais contavam
por ocasião da primeira guerra mundial. Um império
austro-húngaro que se desfaz. A Iugoslávia que se
forma. E a gente assistiu isso em 69. Acaba a União
Soviética. Vem um bando de países. O socialismo acaba
na Albânia e sobra apenas no Vietnã e na China e na
China do jeito que agente está vendo. Tudo isso para
mim é muito chocante.
O primeiro final do filme era em 89 com o muro de
Berlim. Eu estava acabando o filme e vem as Torres
Gêmeas e eu pensei: não posso deixar de falar nisso.
Era utopia e barbárie outra vez. Estava fechando o
filme novamente e o Fidel se aposenta e eu pensei:
era o fim da história de toda uma geração e eu tenho
que tocar nisso. O filme estava fechadinho e veio
a crise econômica americana e o Bush, o presidente
mais conservador da história americana, investe 700
bilhões de dólares para salvar o sistema financeiro
e eu pensei: mas tudo que ele condenava nos outros
países, quer dizer, o Estado participando da economia,
ele está fazendo e isso também tem que entrar... Esse
é o ponto final: a estatização da economia.
NA - O que você gostaria
de acrescentar?
ST - Eu acho essa entrevista muito boa e fica
a sugestão para a Novamerica ter coragem de tentar
dar um amalgama para essa América que não se conhece.
Eu, pessoalmente, adoro papel, revistas, mas cultivo
muito filmes e acho que vocês poderiam entrar nessa
de criar os links para fazer circular os bens culturais
audiovisuais que a nossa América produz. O capitalismo
tenta romper com essa nossa identidade - um cinema
latino-americano feito por latino-americanos - ele
não quer que a gente tenha uma identidade latina.
Isso é fundamental para eles. Esse a-historicismo
que a gente vive, sobretudo a partir dos anos 90 com
o fim da história, eu acho fundamental entender as
lutas de cada país e há lutas que são muito comuns.
Agora mesmo eu recebi um e-mail de uma amiga que projetou
meus filmes no Uruguai e eles adoraram. Eu tenho direito
de projetar meus filmes lá, não sendo levado pelas
multinacionais de distribuição de entretenimento,
eu quero levar meus filmes para ser visto por gente
como eu sou e eu quero ter o direito de ver os filmes
deles.
E essa NOVAMERICA pode criar essa perspectiva de que
essa NOVAMERICA tem raízes. Ela é nova no sentido
de recriação, de olhar para o futuro, mas ela tem
uma raiz. (NA)
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NA
- Para empezar, ¿usted nos podría hablar sobre el
estado en que se encuentra el arte de producción del
cine latinoamericano?
ST - La producción del cine latinoamericano es muy
fuerte, es muy buena. El gran problema del arte latinoamericano
es que no circula con la libertad y con el alcance
con el que debería circular. Entonces, por ejemplo,
nosotros acá en Brasil vivimos muy aislados de los
países de habla hispana. Sabemos muy poco sobre Uruguay,
Argentina, Chile, México, Perú. No recibimos información.
En primer lugar, por la barrera de la lengua y en
segundo lugar, por la barrera cultural. Tendremos
que trabajar para poder superar estas dificultades.
En los últimos tiempos, he hecho contactos muy buenos,
muy profundos con cineastas uruguayos, chilenos, argentinos.
Hemos hecho un intercambio muy interesante. Hay una
cosa que es surrealista: yo tuve que ir a Córdoba
(España) para intercambiar informaciones con cineastas
venezolanos, ecuatorianos, porque en Córdoba ellos
realizan un trabajo cultural muy profundo, resultante
de ese encuentro, de ese intercambio de culturas.
Y no se trata solamente de un intercambio de culturas
latinoamericanas, sino también de culturas del mundo.
Además, conocí gente de Mozambique, gente europea.
Es un intercambio muy interesante. Nosotros, acá en
Brasil, necesitamos mucho de todo eso. No tenemos
canales de difusión cultural. Es muy raro que una
película hispanoamericana llegue a la televisión brasileña,
a nuestras salas de cine, y más raro aún, que llegue
a nuestra televisión. El Canal Brasil, que es un canal
especializado, tuvo en su programación un ciclo de
cine argentino. La TV Futura también programó un ciclo
de cine político de Argentina. Sin embargo, normalmente
esas películas no circulan. Eso es lo que dificulta
el conocimiento y el intercambio de información. Pero
creo realmente que la cultura latinoamericana es muy
rica. No se restringe a obras de ficción, no se restringe
a las grandes películas, a los grandes temas, a las
películas caras. Hoy, con los medios que tenemos,
con la tecnología digital, vemos que América Latina
es escudriñada desde la óptica de los cineastas latinoamericanos.
Actualmente hay gente que produce películas de calidad,
y que son reflexivas, en el altiplano boliviano, en
el peruano y en el interior de Ecuador. Es decir,
en realidad con estas tecnologías es posible descentralizar
la producción cultural, lo cual permite una gran riqueza.
Entonces, la dificultad que tenemos hoy es la de la
circulación de esos productos. La materia que se produce,
por ejemplo, es un punto importante para darle impulso
a este diálogo.
NA - Y con respecto a la TV, ¿qué nos podría decir?
En relación con el diálogo entre el cine y la televisión,
por ejemplo.
ST - Es fundamental. Creo que son dos hermanos
xifópagos, son dos cabezas en el mismo cuerpo. Creo
que cuando se realiza una película de circuito, hay
que cumplir con un ritual. Primero hay que pasarla
en los cines, que es el vehículo al cual está destinada.
Porque es diferente cuando vemos una película, que
se convierte en un espectáculo colectivo, con calidad
de sonido en la pantalla grande, con comodidad, que
cuando la vemos en la televisión de casa. Sin embargo,
también creo que la pantalla chica es un espacio necesario,
porque es el último territorio a ser conquistado.
Entonces, se comienza por las proyecciones en las
salas de cine, y después se sigue por la televisión
por cable. El último paso es la televisión abierta.
De esta manera, se cumple un circuito que permite
que una determinada obra adquiera visibilidad. Pero
creo que ese casamiento entre el cine y la televisión
es fundamental.
NA - Desde el punto de vista de la producción cinematográfica
y de la TV, ¿cuáles son los grandes desafíos que usted
ha venido enfrentando o, mejor, que el cineasta en
general, enfrenta en América Latina?
ST - Es la comunicación con el público. Creo
que hoy contamos con una producción bastante amplia,
bastante diversificada y de gran calidad. Sin embargo,
a pesar de que la nuestra es una sociedad absolutamente
mediática, mediatizada, no se consiguió la concreción
de un encuentro con nuestro público, lo que para
un artista es una tragedia. Es una tragedia para el
artista hacer una película que habla de una determinada
realidad, y que las personas, que son sus interlocutores
y que viven en una sociedad absolutamente libre, no
puedan tener acceso a la obra debido a las grandes
deficiencias de circulación. Siempre cito el ejemplo
de la película de François Truffaut, llamada Fahrenheit
451, basada en el libro homónimo de Ray Bradbury,
en el que se muestra el futuro... el autor debe de
haber estado muy obsesionado con la Francia de finales
de la Segunda Guerra con la experiencia del nazismo,
el fascismo, porque prevé una sociedad futura totalitaria
que impide la cultura, la lectura y que quema libros.
En la historia hay un grupo de personas que resisten
y que memorizan los grandes clásicos para que, de
esa manera, no se pierda la historia de la humanidad.
Ese era el escenario del futuro que el autor imaginaba
en los años 60. En los años 2000, lo que las personas
ven es exactamente lo contrario, es decir, una producción
en exceso. Existe tanta producción cultural que hoy
no es posible ver a las personas hablando de los mismos
temas. A no ser que intervenga la media. Sin la intervención
de la media, la gente no tiene cómo encontrarse en
las páginas del autor; necesita entrar a un site de
internet que sea especializado. Es en este punto que
entran los Orkut nuestros de cada día, como por ejemplo,
el grupo Yo amo a Pablo Neruda, o A mí no me gusta
fulano, o A mí me gusta Walt Whitman. Entonces, se
empieza a entrar a esos grupos especializados.
En realidad, hacer una película para el cine es un
trabajo conjunto, es un esfuerzo de todos, y lo que
está sucediendo es que hay películas que, a excepción
de los Blockbuster que llegan a tres o cinco millones
de personas, no obtuvieron la respuesta que merecían
(inclusive, algunas comerciales de alta calidad, de
ficción o documentales). Por ejemplo, Ensayo sobre
la Ceguera y Línea de Pase son películas que demandaron
mucho talento, arte y que fueron premiadas. La primera
abrió el Festival de Cannes y la segunda ganó el premio
de mejor actriz en ese mismo Festival. Y, sin embargo,
esas películas no tienen un millón de espectadores.
Yo con la película Jango tuve un millón de espectadores.
¿Qué está sucediendo? ¿Qué retroceso es este que estamos
viviendo que hace que el público de cine se aleje
de los temas culturales? Temas que son fundamentales
y que reflejan la propia mirada sobre la sociedad
en la que vivimos. Creo que la causa es ese exceso
de producción que no nos deja pensar en nuestra vida.
Nuestra lucha es recrear un sistema de información
y de reflexión que mueva a las personas a que vean
nuestras películas. Y cuando digo esto, no me refiero
solamente al cine brasileño, sino al cine del mundo
entero. En relación con América Latina este tema
se agrava aún más, ya que los países no dialogan entre
sí. ¿Usted conoce alguna película ecuatoriana?
NA - La Revista Novamerica tiene una sección llamada
Mosaico, exactamente con ese objetivo: divulgar películas
latinoamericanas, además de sites y libros sobre el
tema de la edición. Investigamos mucho. Es necesario
hurgar por detrás de los títulos, y casi siempre enfrentamos
muchas dificultades para poder ir a un estreno. Tenemos
dificultades aun cuando la película ya fue exhibida.
ST - Yo vi películas en Uruguay que son maravillosas,
pero en el circuito de aquí de Brasil, solamente vi
Whisky. Conozco películas de una cineasta uruguaya
llamada Virginia Martínez que son lindísimas. Ella
hizo una película sobre los anarquistas en Uruguay
de comienzos de siglo pasado. Hizo Charlotte y, recientemente,
realizó una película sobre Henry Engler, que es un
tupamaro que estuvo preso 13 años en un calabozo y
que cuando salió, se volvió loco. Desaprendió el mundo,
se desorganizó mentalmente. Entonces, el personaje
va a Suecia y allí consigue reorganizarse mentalmente.
Estudia medicina (antes de ser preso era estudiante
de medicina) y se convierte en uno de los mejores
especialistas del mundo del Mal de Alzheimer. Y nosotros
solamente conseguimos ver esas películas en festivales.
No las pasan en el cine ni en la televisión. No conseguimos
tocar a nuestro hermano. Por eso, nuestra lucha es
romper con la dictadura de la media.

NA - ¿Cuál sería para usted
la relación entre cine, TV y la construcción de la
identidad latinoamericana?
ST - Me parece fundamental. Si yo me tomara como
ejemplo, podría decir que soy fruto de esa relación.
Soy ser humano gracias a una identidad latina a la
que di forma, a fines de los años 60 y 70. Yo veía
cine cubano y me identificaba. Veía cine argentino
y me identificaba. Veía películas chilenas y me identificaba.
Y fue de esa manera que me constituí como ser humano.
O sea, conseguí crear una identidad propia. Obviamente
que también con la contribución del cine brasileño.
Las películas de Nelson Pereira dos Santos, de Joaquim
Pedro de Andrade, entro otros, me formaron. A los
15, 16, 17, 18 años, a los 20 y tantos años yo
era un ser humano formado gracias al cine. Como pasé
mucho tiempo viviendo en el exterior, muchas películas
pude verlas por la televisión, pero aquí en Brasil
no podía verlas. Y cuando conseguía hacerlo era
porque las pasaban en alguna sesión o espacio alternativo.
NA - ¿Usted cree que los
otros pueblos americanos del norte, europeos y otros,
nos ven a través del cine?
ST - Curiosa y paradojalmente, creo que ellos
nos ven más de lo que nos vemos nosotros mismos. Cuando
fui a vivir a Francia en 1972, con 22 años, se me
facilitaban muchas cosas por el hecho de ser brasileño
y por el Cinema Novo. Me acuerdo que, enseguida de
llegar, conocí a Bertolucci. Yo tenía un amigo que
era comunista, era editor de sonido y montajista.
Estaba montando una película y me invitó al estudio
para mostrarme cómo funcionaba, etc. Yo venía de Brasil
y de Chile, en donde se improvisaba mucho y había
pocos canales. Y él tenía 16 canales. Yo me reía de
todo ese lujo y entonces él hizo las presentaciones:
"Este es Bernardo, este es Silvio". Y entonces Bernardo
me preguntó: ¿cómo va Glauber? Yo no sabía nada de
Glauber... Después supe que Bernardo era Bertolucci
y que la película que estaban editando era El último
tango en Paris. Y todo eso fue posible porque ellos
conocían el cine brasileño, el que, por otra parte,
ocupaba un espacio privilegiado en el contexto del
cine latino.
Pero no era solamente eso. Me acuerdo de mis 20 años,
cuando llegué de Chile. Allí había oído sobre la película
Chacal de Nahueltoro de Miguel Littin. Sobre las películas
del cubano Santiago Álvarez y las de Fernando Solanas,
en Argentina, todas esas obras me hicieron la cabeza.
Fue todo ese movimiento el que me formó como ser humano.
Hoy ya no existe todo eso. Pero creo que no tenemos
que lamentarnos, tenemos que hacer. No estoy a favor
de que nos quejemos. La queja no construye nada. Yo
no guardo amargura. Mi discurso es un espíritu de
lucha que tiene por objetivo crear opciones nuestras.
NA - Siguiendo un poco más
con este tema: ¿qué elementos acercan o separan al
cine y la televisión?
ST - Creo que no se lo puede ver como una teoría
general. Creo que cambia según las circunstancias
y la coyuntura. Desde el punto de vista del lenguaje,
el cine es espectáculo. Es aquello que McLuhan habló
sobre los medios de comunicación fríos o calientes.
El cine sería caliente. Esa pantalla grande... Ese
sonido... Las nuevas tecnologías también crearon nuevas
estéticas. Actualmente el sonido en el cine es increíble.
Si usted lo compara con el de las películas de los
años 60, en esa época era mono y no se contaba con
los efectos sonoros de ahora. No involucraba al espectador,
como sucede hoy. Si bien es cierto que en la actualidad
es posible reproducir algunos de esos efectos para
la televisión. Por ejemplo, las personas más pudientes
que tienen home theatre pueden captar algunos de esos
efectos. Pero en realidad la televisión no llega a
reproducir ese clima de cine y, entonces, se convierte
en un medio de conocimiento, de información, y no
de fruición. El cine es un medio de fruición y la
televisión de información. ¡Ah! Yo nunca vi Dios y
el Diablo en la Tierra del Sol. La van a pasar por
la televisión y la voy a ver. Imagínese que una cosa
es ver a Dios y al Diablo en una pantallita de 40
cm x 50 cm y otra, muy diferente, verlos en una pantalla
de 2m x 2m.Es muy diferente.
Sin embargo, el gran tema de la televisión no es la
técnica, es el contenido, la programación. Y esta
cambia según las circunstancias, la coyuntura. En
algunos países existe una preocupación grande en poner
productos en la televisión; algunos canales se preocupan
en pasar una producción alternativa. Esto difiere
mucho de la mera noción de espectáculo. Recientemente,
estuve en Argentina y quedé impresionado con el número
de TVs por cable. Todos ellos ocupados con películas
norteamericanas. Y uno se pregunta qué aporte diferente
están haciendo. Ninguno, claro. Eso nos habla de una
coyuntura política, ¡y no me vengan a hablar de libertad!
Libertad es pluralidad, no esa monotonía, no esa samba
de una nota sola...1 Ver toda una producción que procede
de un único lugar... Yo soy muy crítico en relación
con eso.
NA - Cultura, Cine, TV y
Políticas Públicas: hable sobre esta relación.
ST - Yo no creo en nada que sea muy impositivo.
Me rebelo a las imposiciones. Creo que la gente tiene
que luchar consensualmente por la construcción de
una sociedad. En nuestro caso, creo que las políticas
públicas deben hacerse para incentivar la producción
del cine brasileño, para incentivar su circulación.
Esto es fundamental. Hoy la cultura brasileña está
dirigida a la producción. En nuestro país existe una
producción mucho mayor a la capacidad que tenemos
de absorverla. En realidad no se trata de que sobren
películas, sino de que faltan mercados. Nosotros tenemos
que producir ese mercado y, por lo tanto, es necesario
que las políticas públicas contemplen ese aspecto,
inclusive en el espacio de la televisión. Creo
que estos temas son de gran importancia, pero sin
esa pretensión de querer, por ejemplo, que la TV Globo
pase una película mía en el mejor horario. Ellos tienen
el derecho de no pasarla, pero sí creo que debe haber
canales que pasen esa película en un buen horario.
Me parece, incluso, que la TV Brasil está haciendo
eso, con lo cual cubre esa deficiencia. Se podría,
también, incentivar a otros canales para que hagan
lo mismo, para que no caigan en esa rutina de estimular
solamente los espectáculos sanguinarios.
NA - Silvio, háblenos un poco
sobre el documental que está realizando en este momento.
ST - El documental es la síntesis de todo lo que
estuve hablando hasta ahora. Se llama Utopía y Barbarie
y lo estoy filmando desde 1990, es decir, ¡estoy en
su elaboración hace 18 años! Nació en el peor momento
de la vida de Brasil, que fue la elección de Fernando
Collor como presidente. Voté por primera vez para
presidente de la República con 39 años y en esa época
había un elenco enorme de candidatos a la presidencia,
de todas las posturas políticas: iba desde el Dr.
Ulisses Guimarães, pasando por Aureliano Chaves, Paulo
Maluf, Guilherme Afif Domingos, Leonel Brizola, Mário
Covas, hasta llegar a Lula o Roberto Freire. Había
de todo. Y quien fue electo fue Collor, el más mediocre.
El resultado fue por la falta de experiencia electoral.
Las personas no tenían la experiencia de convivir
con la democracia. Y mientras de este lado nosotros
vivíamos esto, del otro lado del mundo se produce
la caída del muro de Berlín, lo que en sí, fue algo
muy bueno. Los muros no son buenos para acercar a
las personas. Creo que la caída del muro de Berlín
fue algo muy positivo para la historia de la humanidad,
pero junto con él se desmoronó el sueño del socialismo.
Fue en ese momento que quise entender todo lo que
estaba pasando y empecé a crear Utopía y Barbarie,
un rompecabezas muy difícil de armar. Recién ahora
estoy empezando a entenderme con él y pretendo terminarlo
este año. Básicamente, la película muestra el mundo
desde el punto de vista de una persona de 18 años
en 1968; abarca el final de la Segunda Guerra Mundial
y va hasta la estatización de la economía americana.
Nadie esperaba que sucediera eso. Yo creí que ya lo
había visto todo.
Yo creí que ya había visto la caída del muro de Berlín.
El régimen que vino para ser eterno y duradero, se
desmoronó, acabó. El socialismo se fue en un pestañear.
Yo vivía en Francia cuando salió Gorbachov y vino
Helsinger y acabó la Unión Soviética para convertirse
en Rusia. El socialismo acaba en Albania y quedan
solamente Vietnam y China. Todo esto para mí es chocante.
El primer final del documental era en el año 89 con
la caída del muro de Berlín. Estaba terminando la
película, pero entonces sucedió lo de las Torres Gemelas
y vi que no podía dejar de mencionar este hecho. Era
utopía y barbarie otra vez. Nuevamente estaba terminando
la película cuando Fidel decide retirarse. Me di cuenta,
entonces, que este era el fin de la historia de toda
una generación y que no podía dejar de hablar sobre
ello. La película ya estaba acabada cuando surge la
crisis económica americana y Bush, el presidente más
conservador de la historia de ese país, invierte 700
mil millones de dólares para salvar el sistema financiero.
Pensé en ese momento que Bush estaba haciendo aquello
que había condenado en otros países, o sea, hacer
que el Estado participe de la economía. Me di cuenta
de que ese hecho también tenía que entrar en el documental.
Ese es el punto final: la estatización de la economía.
NA - ¿Quisiera agregar algo
más?
ST - Creo que esta entrevista ha sido muy buena
y queda, para Novamerica, el apelo de que tome coraje
para amalgamar a esta América que no se conoce. Personalmente,
me encanta el papel, me encantan las revistas, pero
cultivo muchas películas y creo que ustedes podrían
colaborar creando enlaces para hacer circular los
bienes culturales audiovisuales que nuestra América
produce.
El capitalismo intenta romper nuestra identidad, es
decir, un cine latinoamericano hecho por latinoamericanos.
No quiere que tengamos una identidad latina. Para
los que alimentan el capitalismo eso es fundamental.
Me parece importantísimo que intentemos comprender
este ahistoricismo en el que vivimos, las luchas de
cada país y que nos son comunes, sobre todo a partir
de los años 90. Hoy recibí un email de una amiga que
proyectó películas mías en Uruguay y me dijo que les
encantaron. Yo tengo derecho a que pasen mis películas
allá, sin que se las lleven las multinacionales de
distribución de entretenimiento. Quiero llevar mis
películas para que las vea la gente como yo y quiero
tener el derecho de ver películas de esas mismas personas.
Y Novamerica podría crear esa perspectiva de que nuestra
NOVAMERICA tiene raíces. Es nueva en el sentido de
que se recrea, de que tiene una mirada hacia el futuro,
pero sí tiene una raíz. (NA)
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2003/2010
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