Revista

L
a Revista de la Pátria Grande


CONSTRUINDO CAMINHOS/ CONSTRUYENDO CAMIÑOS

O movimento de educadores em direitos humanos como espaço de formação de professores
Laura Cristina Campello do Amaral Mello
Rio de Janeiro - Brasil


Montagem sobre fotos de Alexandre Firmino
El equipo de Novamerica – Brasil - ocupa un lugar de protagonismo en el desarrollo de la Educación en Derechos Humanos en el país. Creada en 1991, Novamerica se propuso luchar por una educación que contribuya con la comprensión, conquista y vivencia de los DDHH, através de diversas estrategias que se fueron fortaleciendo a lo largo de más de diez años. En los últimos años llegó a constituir el actual Movimiento de Educadores en Derechos Humanos como espacio privilegiado de formación docente, en constante fortalecimiento y expansión.


O presente artigo levanta algumas reflexões sobre o Movimento de Educadores/as em Direitos Humanos do Rio de Janeiro – MEDH - como espaço de formação de professores/as. Em um primeiro momento, abordaremos a experiência inicial da Novamerica/Rio de Janeiro/Brasil, responsável pelo trabalho com os professores/as, sinalizando a gênese do movimento. Em seguida, discutiremos a estruturação propriamente dita desse movimento, identificando os elementos básicos que o caracterizam como espaço de formação do professor/a. Levantaremos, no final, algumas questões, delineando algumas perspectivas e desdobramentos para o Movimento dos Educadores/as.

A EXPERIÊNCIA DA NOVAMERICA AO LONGO DA DÉCADA DE 90 E A GÊNESE DO MOVIMENTO DE EDUCADORES EM DIREITOS HUMANOS

A análise sobre o sentido, caminhos e desafios da Educação em Direitos Humanos já vem sendo apresentada em inúmeros estudos e publicações, principalmente por parte da professora Vera Maria Candau que, há muito, vem se dedicando ao estudo dessa temática e de suas possibilidades de penetrar as diversas dimensões do processo escolar, no âmbito da educação formal.[1]

A educação em direitos humanos é uma realidade recente em nosso país. Aparece na segunda metade dos anos 80, no clima de mobilização social e afirmação da sociedade civil, inerentes ao processo de redemocratização do país, após longos anos de ditadura militar.

Várias foram as iniciativas pioneiras, realizadas na busca de construção de um novo estado de direito, de uma nova cultura política e de uma cidadania ativa. Naquele momento procurava-se trabalhar na perspectiva da construção de uma rede que, além de empreender atividades em diferentes partes do país, estabelecesse relações com profissionais e organizações de outros países latino-americanos com ampla experiência na temática dos direitos humanos.

Na década de 1990, os trabalhos no Brasil desenvolveram-se na perspectiva da continuidade e da ampliação das experiências, formando-se uma Rede Brasileira de Educação em Direitos Humanos, que se apresenta como um espaço de encontro, apoio, intercâmbio, articulação e coordenação de organizações que desenvolvem trabalhos sistemáticos na área de educação em direitos humanos no Brasil. Do mesmo modo, incorporaram-se novos atores, particularmente o governo federal, consubstanciando-se uma preocupação de caráter oficial em relação à educação em direitos humanos no país.

A Novamerica, organização não governamental, iniciou suas atividades em 1991, centrando-se na luta pela promoção de uma educação que contribua com a compreensão, a conquista e a vivência dos direitos humanos na sociedade brasileira.

Foto Vicente Posenblatt - Olhares do Morro

Através do programa Direitos Humanos, Educação e Cidadania, a Novamerica assumiu como um de seus objetivos promover um trabalho de formação, reflexão e ação, visando a afirmação dos direitos humanos no âmbito da educação formal, concebendo a escola como um espaço privilegiado de formação para a cidadania e de construção de uma prática educativa participativa e dialógica. Ao longo da década de 90, desenvolveu um trabalho nas escolas com professores, jovens e crianças, tendo a experiência avançado significativamente, afirmando os seus objetivos fundamentais, as estratégias de atuação e uma proposta metodológica definida.

Nesses primeiros anos de atuação, a Novamerica, considerando o caráter incipiente da educação em direitos humanos no Brasil assumiu o compromisso de socializar suas experiências e reflexões. Foi um período de expressivas publicações, citando-se como exemplo três livros básicos que expressam o trabalho junto às escolas públicas: Oficinas Pedagógicas de Direitos Humanos para professores/as de (1995), Tecendo a Cidadania (1996), Sou Criança, tenho direitos (1998) [2].

Naquele momento já se mostrava clara a tese de que não é possível dissociar a questão das estratégias metodológicas para a educação em direitos humanos de uma visão político-filosófica, de uma concepção contextualizada e histórico-crítica do papel dos Direitos Humanos na nossa sociedade e do sentido da educação neste âmbito. A oficina pedagógica é privilegiada como estratégia formativa, tendo sido concebida como espaço de construção coletiva de um saber, de análise da realidade, de confrontação e intercâmbio de experiência, de exercício concreto dos direitos humanos.

Do mesmo modo, a análise permanente da conjuntura mais ampla e todo o trabalho até então desenvolvido reforçou a crença nos pressupostos metodológicos de sua proposta de capacitação docente que implicava em troca de conhecimento, participação/diálogo e compromisso dos professores/as com a educação em direitos humanos.

Inspirada por essa crença, e tendo em vista todo o trabalho anteriormente desenvolvido junto aos professores/as, a equipe planeja o I e II Encontro de Educadores/as em Direitos Humanos em 1999 e 2000. Esses Encontros podem ser considerados o embrião do Movimento de Educadores/as em Direitos Humanos, tendo reunido cada ano cerca de 50 educadores/as dos municípios do Rio de Janeiro, que, ao longo da década, tinham participado das oficinas pedagógicas promovidas pela Novamerica e desenvolviam, nos seus contextos de trabalho, alguma experiência de educação em direitos humanos. Os documentos de sistematização desses Encontros evidenciam um avanço expressivo no que se refere à articulação dos educadores em direitos humanos [3].

A ESTRUTURAÇÃO PROPRIAMENTE DITA DO MOVIMENTO DE EDUCADORES EM DIREITOS HUMANOS

Resgatando o contexto mais geral que está presente no momento de estruturação propriamente dita do movimento de educadores/as, é importante lembrar que a década de 90 significou uma consolidação do projeto neoliberal. A década terminou com uma forte recessão econômica, elevado índice de desemprego e exclusão, anomia social, multiplicação das formas de violência, desencanto e hegemonia da perspectiva do pensamento único, que, insistentemente, buscava desqualificar qualquer forma de resistência e oposição. Esse contexto desalentador repercute na escola, expressando-se em sua crise mais geral.

Tinha-se presente, é claro, que este cenário sombrio e desmobilizante estava atravessado por tensões dialéticas e correlação de forças marcadas pela assimetria. Não era à toa que se percebia que, numa realidade educacional marcada pelo desalento, acomodação, insatisfação de professores/as, pais e alunos/as, passividade e falta de diálogo construtivo, existiam focos expressivos de resistência, indignação, vontade de reconstrução e discussão de novos caminhos. Não era por acaso que algumas experiências de educação em direitos humanos se afirmavam em algumas escolas, envolvendo seus profissionais e contaminando mais amplamente a comunidade escolar.

A Novamerica apostou nessa direção e investiu na ampliação do movimento de educadores/as em direitos humanos, entendendo-o, a partir de então, como integrante dos variados movimentos organizados da sociedade civil, como locus onde se desencadeiam processos formativos a partir de uma educação na ação e se gesta um “ sujeito coletivo” que luta por uma cidadania coletiva e uma democracia como estilo de vida.[4]

Vejamos, a seguir, algumas propostas e/ou estratégias que caracterizam o Movimento de Educadores/as em Direitos Humanos como um espaço de formação de professores/as.

A idéia de nucleação em pólos de irradiação do trabalho - na capital e no interior do Estado - correspondente às áreas de abrangência de atuação da Novamerica foi concebida, em 2000, a partir da convicção de que se mostrava importante fortalecer o Movimento de Educadores/as. Os vários núcleos passam a constituir um centro de irradiação e de confluência das ações do Movimento de Educadores/as em Direitos Humanos (MEDH).

Esta nova configuração exigiu a criação de uma estratégia específica correspondente ao trabalho com um grupo permanente de professores que se responsabilizaria por dinamizar o trabalho de educação em direitos humanos na sua escola. Tratava-se de viabilizar uma proposta de capacitação docente tomando como centro irradiador um/a professor/a da escola, mais preparado/a e sensibilizado/a na discussão dos DDHH na educação. Este/a professor/a passava a assumir o papel de agente multiplicador da Educação em Direitos Humanos não só da sua escola como também em outros espaços, como os Encontros de Educadores/as, seminários, etc, com vista a fortalecer o MEDH.

Enfatiza-se o papel dos Encontros de Educadores/as como um elemento importante na caracterização do MEDH como um espaço de formação do/a professor/a. Nos anos de 2001, 2002, 2003 foram realizados três Encontros Regionais e três Estaduais.

Todos os Encontros já explicitam o objetivo de ampliar e fortalecer o MEDH, comprometendo-se com a disseminação da cultura dos direitos humanos em escolas do Rio de Janeiro. Estes Encontros apresentam, ainda, o objetivo de, através das mesas de debate e da apresentação de posters, permitirem a troca de experiências entre as escolas envolvidas no Programa e a reflexão sobre o papel da educação em direitos humanos.

Os Encontros reúnem em média 100 professores/as e - sobretudo o Encontro Estadual que é realizado no final do ano - assumem um caráter prospectivo à medida em que constróem o alicerce comum para o trabalho a ser desenvolvido no ano seguinte. Neles se faz o lançamento do lema que explicita a linha temática e o foco das ações a serem realizadas no próximo ano letivo. “Cuidar da vida construir cidadania: um outro mundo é possível” (2003); “Iguais e diferentes: democracia para tod@s” (2002) e “Afirmar a igualdade, reconhecer a diferença: diga não à discriminação” (2001), foram os lemas destes últimos três anos. A temática enfocada pelo lema é levantada junto ao grupo de dinamizadores/as e a Novamerica, através de um manifesto, marca sua posição na articulação do tema com a proposta de educação em direitos humanos, possibilitando a incorporação da temática no planejamento do trabalho da escola.

É importante mencionar que, ainda na lógica do fortalecimento do MEDH, conta-se com outras estratégias tais como a edição do “DDHH na sala de aula”, boletim mensal de apoio pedagógico que apresenta sugestões práticas para o trabalho em Direitos Humanos, oferece subsídios teóricos e divulga as atividades desenvolvidas nas escolas. Ainda na linha das publicações, conta-se com esta revista “Novamerica/Nuevamerica”, que reflete sobre os desafios comuns para a América Latina. Conta-se, também, com os “Cadernos Novamerica”, de produção assistemática, que visa divulgar textos da equipe sobre temas específicos relacionados aos direitos humanos e recolher experiências desenvolvidas pelos/as professores/as nas suas unidades escolares. Além disso, a Novamerica dispõe de biblioteca, videoteca e um banco de dados que podem ser consultados pelas escolas parceiras. Agrega-se às atividades próprias do programa de formação de educadores/as em direitos humanos outras de enriquecimento e/ou aprofundamento, a saber: Ciclo de oficinas de temas específicos como “Multiculturalismo e Educação”; “Violência na escola”. Assim, vários elementos e estratégias estão presentes na configuração do Movimento de Educadores/as em Direitos Humanos.

Certamente este movimento vem sendo entendido pelos/as professores/as como um espaço importante de formação. Muitas falas e depoimentos ao longo dos Encontros, das oficinas, das demais atividades assim o expressam, revelando o valor que atribuem a este espaço efetivo de troca de experiência e de aprofundamento teórico.

“Quando no ano de 2000 no II Encontro Estadual nos foi proposto a nucleação, achei difícil a proposta... No inicio de 2001 tornou-se realidade. Senti uma força, porém cheia de receios, comecei a atividade. O projeto da PAZ levou toda a Unidade Escolar a se envolver, o que mostrou que era possível. Durante esse desenvolvimento, com apoio da equipe e, com a idéia de outras dinamizadoras, a estrutura começou a se organizar e o momento virou movimento. Os encontros Regional e Estadual serviram para motivar a participação de outros colegas e ampliaram a visão do que era DDHH. Recebemos publicações sistematizadas, o DDHH em sala de aula, revistas, livros, o DDHH juntos entre outras. Serviu de reflexão e embasamento teórico para as propostas práticas que necessitavam serem desenvolvidas.”


Trata-se, sem dúvida, de um processo de reconhecimento de identidades, de efetiva valorização da troca de experiência, de respeito e confiança na proposta de trabalho da Novamerica e de construção de uma cidadania coletiva.

Foto João Ripper

ALGUMAS QUESTÕES E PERSPECTIVAS

Algumas questões suscitadas pelo Movimento de Educador/a mostram-se significativas, delineando novas perspectivas e desdobramentos:

• Manter a proposta de fortalecimento permanente do MEDH, aprofundando a experiência dos Encontros Regionais e Estaduais e garantindo o aprofundamento crescente do trabalho junto a base dos/as professores/as nas escolas através da realização sistemática do ciclo de oficinas pedagógicas e da ampliação das estratégias mencionadas (boletim de apoio pedagógico, videoteca, banco de dados, biblioteca, seminários, publicações). Isto quer dizer que se reconhece que o movimento não se sustenta a partir de promoção de eventos, de introdução pontual de temas relacionados aos direitos humanos, de consultoria indiretas e esporádicas. Muito ao contrário, um efetivo MEDH é resultado de um processo de formação inspirado por uma proposta de aprofundamento crescente e investimento comprometido na constituição de sujeitos e atores sociais, articulando a dimensão cognitiva com aspectos sócio-afetivos, simbólicos e celebrativos.

• Ampliar o movimento no âmbito da educação não formal e enfatizar o processo de articulação do movimento com outros movimentos na área da educação que tenham também imbutido a proposta de uma educação para a cidadania e de defesa de uma prática educativa dialógica, participativa e democrática. Trata-se de localizar parceiros que compartilhem convicções comuns, construir identidades e, mais ampliadamente, forjar caminhos conjuntos na luta por uma sociedade mais justa.

Considerando os resultados positivos da participação de vários integrantes do MEDH no III Fórum Social Mundial - FSM e o entendimento de que o Fórum, na luta por um mundo mais justo e solidário, representa um movimento de movimentos que se articulam, é importante continuar organizando uma participação do MEDH crescentemente mais significativa e orgânica nos próximos FSM.
(NA)




Candau, Vera Maria e Sacavino, Susana (org.) Educar em Direitos Humanos. Construir Cidadania. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.

Candau, Vera Maria e outras. Oficinas Pedagógicas de Direitos Humanos. Petrópolis: Vozes, 1996.
______. Tecendo a Cidadania. Petrópolis:Vozes,1996.
______. Sou criança: tenho direitos.Petrópolis:Vozes,1998.

Candau, Vera Maria. Direitos Humanos na Formação de Professores. Rio de Janeiro: Cadernos Novamerica, n°5- abril 2000. Novamerica. Rio de Janeiro: Cadernos Novamerica, n°4, junho/1999.

Novamerica. Rio de Janeiro: Cadernos Novamerica, n°6, julho/2000.

Ramírez, Janett. Movimentos Sociais: locus de uma educação para a cidadania e para a democracia. In Revista Novamerica, n°89, março,2001.

[1] Essas análises vem referenciando e também são referenciadas pela prática de trabalho desenvolvida por um dos programas da Novamerica intitulado “Direitos Humanos, Educação e Cidadania”. Coerentemente com o objetivo de enfatizar a relação teoria e prática, a Novamerica preocupa-se com a sistematização de sua prática social e de suas reflexões teóricas e as considerações levantadas nesta parte inicial do artigo foram extraídas de: Candau, Vera e Sacavino,Susana (org). Educar em Direitos Humanos. Construir Cidadania. Rio de Janeiro: DP&A, 2000 e Cadernos Novamerica nº 5 – abril 2000.
[2] Os livros mencionados apresentam as oficinas pedagógicas como uma proposta de trabalho em direitos humanos na educação, entendendo-as como uma estratégia formativa que possui um caminho metodológico próprio.
[3] Cadernos Novamerica n° 4, 1999 e n°5, 2000. Os documentos - que incluem a programação dos Encontros, objetivos, atividades, textos discutidos e conclusões alcançadas - contribuem para o entendimento do processo inicial de articulação dos educadores,chegando a firmar uma pauta de atuação e de compromissos.
[4] Ramirez, Janett em Cidadania em Ação. Rio de Janeiro: DP&A, 2001, baseada em ampla bibliografia, reflete com profundidade sobre a relação entre movimentos sociais, educação para a cidadania e para a democracia, mostra a importância de se construir as pontes entre as ações desenvolvidas e os movimentos organizados enquanto processo.



Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos
Vera Maria Candau
Membro do Comitê Nacional de Educação em Direitos Humanos


O Brasil lançou no dia 10 de dezembro de 2003, Dia Internacional dos Direitos Humanos, pela primeira vez, um Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos. Trata-se de uma iniciativa da Secretaria Especial de Direitos Humanos, vinculada diretamente à Presidência da República, e do Ministério de Educação. Na apresentação do documento afirma-se:

“Neste governo, é prioridade e eixo fundamental das políticas públicas a educação em direitos humanos. Acreditamos que o quadro de graves violações somente será alterado se conseguirmos formar cidadãos mais conscientes de seus direitos, dos meios para a sua proteção e voltados para o fortalecimento do Estado Democrático de Direito e da cultura de paz.

Educar em direitos humanos é fomentar processos de educação formal e não formal, de modo a contribuir para a construção da cidadania, o conhecimento dos direitos fundamentais, o respeito à pluralidade e à diversidade sexual, étnica, racial, cultural, de gênero e de crenças religiosas.”


O responsável pela elaboração do plano foi o Comitê Nacional de Educação em Direitos Humanos, de caráter interdiscilplinar, instituído em maio de 2003 e formado por especialistas de diferentes áreas do conhecimento, membros de associações e organizações não governamentais, além de representantes da UNESCO, do Ministério de Educação e da Secretaria Especial de Direitos Humanos.

A atual publicação do plano constitui uma primeira versão oferecida a toda a sociedade brasileira para ser debatida nos diferentes espaços e pelos diversos atores comprometidos com esta problemática. Parte do pressuposto de que a educação é, ao mesmo tempo, tanto um direito humano em si mesmo, como um meio indispensável para viabilizar outros direitos. A construção de uma democracia plena e de uma cidadania ativa implica em que se afirme na sociedade uma cultura dos direitos humanos e, neste sentido, o papel da educação é fundamental.

Os objetivos do plano são os seguintes:
• fortalecer o Estado Democrático de Direito;
• enfatizar o papel dos direitos humanos no desenvolvimento nacional;
• contribuir para a efetivação dos compromissos assumidos com relação à educação em direitos humanos no âmbito dos instrumentos e programas internacionais e nacionais;
• avançar nas ações e propostas do Programa Nacional de Direitos Humanos;
• orientar políticas educacionais direcionadas para o respeito aos direitos humanos;
• estabelecer concepções, objetivos, princípios e ações para a elaboração de programas e projetos na área de educação em direitos humanos;
• incentivar a criação e o fortalecimento de instituições e organizações nacionais, estaduais e municipais de direitos humanos.

São também propostas Linhas de Ação de caráter geral - por exemplo: promover a ampla capacitação em direitos humanos, integrada, continuada e sustentável, considerando variadas metodologias, materiais e tecnologias, dirigida aos membros da sociedade civil e do Governo-, assim como para cada uma das ares específicas privilegiadas: educação básica (infantil, fundamental e média), ensino superior, educação não formal, educação dos profissionais dos sistemas de Justiça e Segurança e educação e mídia.

O horizonte proposto pelo plano é amplo e desafiante. Uma exigência se faz ineludível: a urgência da formação de educadores em direitos humanos, tanto no âmbito da educação escolar como nos espaços de educação não formal, capazes de ser agentes multiplicadores, promotores de uma cultura dos direitos humanos nos distintos âmbitos da educação e da vida social.


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