Revista

L
a Revista de la Pátria Grande


CONSTRUINDO CAMINHOS/ CONSTRUYENDO CAMIÑOS

Mídia, deficiência e inclusão
Rogério Ferrer Koff [1]
Lucia B. Fleig Koff
[2]
Brasill


Foto João Ripper
El antiguo concepto de “deficiencia” relacionado a incapacidad para realizar determinadas tareas ha cambiado recientemente, lo que acabó provocando en Brasil un debate público sobre el respeto a las diferencias y a la capacidad de aceptar realidades diferentes frente a los padrones tradicionales. En ese contexto, la reciente idea de responsabilidad social de los medios de comunicación significa un importante avance en el plano periodístico.



Quanto mais plural e democrática for uma sociedade, mais a mídia pode estar a serviço dos interesses coletivos e menos se presta à manipulação. Em sociedades abertas, os meios de comunicação constituem um campo de fiscalização dos poderes tradicionais. Jamais, em épocas anteriores, o sentido e a visibilidade das ações sociais estiveram projetados de maneira tão privilegiada em um único campo, que parece atrair para si as expectativas dos diversos atores e movimentos sociais.

Foto João Ripper Foto João Ripper

RESPONSABILIDADE SOCIAL E MÍDIA

Estas constatações conduzem à idéia de responsabilidade social dos meios de comunicação. Se as lutas arbitradas pela busca de audiência ou de espaços comerciais não têm assegurado uma mídia de qualidade, a sociedade civil vem cobrando com freqüência dos veículos de comunicação formas de se colocar a liberdade de imprensa a serviço da cidadania. Neste sentido, identificamos um avanço nas coberturas jornalísticas a partir de iniciativas como da Agência de Notícias dos Direitos da Infância, que realizou há cerca de dois anos em Brasília o Seminário sobre Mídia e Deficiência - Diversidade, Cidadania e Inclusão na Imprensa Brasileira. A finalidade foi a discussão de procedimentos editoriais dos meios de comunicação nacionais sobre as temáticas relacionadas à diversidade, estreitando o diálogo entre profissionais de comunicação e especialistas, para qualificar as coberturas da imprensa sobre a necessidade da inclusão.

Este despertar da mídia para tão importantes demandas sociais deve ser comemorado, tendo em vista que o debate sobre a questão da deficiência e da inclusão social é muito recente na história contemporânea. Foi apenas em meados da década de 1960 que apareceram as primeiras referências à expressão portador de necessidades educacionais especiais. Este conceito, referendado mais tarde pelo Informe Warnock, publicado em 1978 na Inglaterra, apontou para a imprescindível modificação da estrutura educacional vigente, com a reformulação de currículos das escolas e dos cursos voltados para a formação de profissionais que atuam na área de educação, impulsionando os primeiros movimentos de inclusão.

Foto João Ripper

NOVOS OLHARES

A partir destes novos olhares sobre a problemática da "diferença deficiente", ocorre uma alteração do enfoque sobre o antigo conceito, até então relacionado à incapacidade para realizar determinadas tarefas, enfatizando a responsabilidade da escola em oferecer uma resposta para as necessidades educacionais individuais e específicas dos alunos, garantindo o aporte de recursos pedagógicos diferenciados.

As mudanças nestas perspectivas educacionais e conceituais não negam os problemas relacionados ao desenvolvimento dos alunos, mas transferem as responsabilidades de atendimento das necessidades específicas dos indivíduos para a escola, alterando a acepção que vigorou até a metade do século XX sobre a deficiência, vista como diminuição, falta ou carência.

Todos estes procedimentos acabaram provocando um debate público sobre o respeito às diferenças, neste caso, sobre a questão da deficiência ou a capacidade de aceitação de realidades diferentes frente aos padrões tradicionais. O embasamento da tolerância se dá na capacidade de reconhecer o que há de mais original nos seres humanos; aquilo que os diferencia e singulariza em relação aos demais seres vivos. Respeitar o outro como pessoa, na sua diferença mais fundamental, significa afirmar o princípio universal da tolerância. A tolerância é uma virtude individual, que se desenvolve no momento em que somos capazes de assumir uma opinião, defendê-la e, essencialmente, respeitar as convicções e o modo de agir do outro. Acatando a pluralidade e o dinamismo inerente à própria humanidade, estamos aceitando o divergente como coerente e parte fundamental na composição de uma sociedade mais justa.

Foto João Ripper

É salutar que os meios de comunicação absorvam estas experiências e avanços do campo científico e dêem espaços cada vez maiores para as discussões sobre inclusão. Ao poder dos meios de comunicação de agendar os temas contemporâneos se sobrepõe esta dinâmica do interesse coletivo. A presença destas novas pautas também assegura a idéia de uma mídia comprometida com a sociedade, reduzindo os espaços usualmente destinados a práticas como banalização da violência, dramatização da realidade e diluição das fronteiras entre informações de interesse público e a esfera do entretenimento.
(NA)



[1] Professor do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria-RS. Doutor em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
[2] Professora do Departamento de Fundamentos da Educação da Universidade Federal de Santa Maria. Mestre em Educação pela Universidade Federal de Santa Maria.

NOVAMERICA
Rua Dezenove de Fevereiro, 160 - Botafogo
22280-030 -
Rio de Janeiro - RJ
Brasil
Tel. (fax): (55) (21) 2542-6244

e-mail: novamerica@novamerica.org.br
CENTRO NOVAMERICA DE EDUCAÇÃO POPULAR
Praça Santos Dumont, 14 - Centro
25880-000 -
Sapucaia - RJ
Brasil
Tel. (fax): (55) (24) 2271-2004
e-mail: centronovamerica@uol.com.br
2003/2010 Novamerica - www.novamerica.org.br - Todos os direitos resevados.