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La Revista de la Pátria
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CONSTRUINDO CAMINHOS/
CONSTRUYENDO CAMIÑOS
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Mídia,
deficiência e inclusão
Rogério
Ferrer Koff [1]
Lucia B. Fleig Koff [2]
Brasill
El antiguo concepto de “deficiencia” relacionado a incapacidad
para realizar determinadas tareas ha cambiado recientemente,
lo que acabó provocando en Brasil un debate público
sobre el respeto a las diferencias y a la capacidad
de aceptar realidades diferentes frente a los padrones
tradicionales. En ese contexto, la reciente idea de
responsabilidad social de los medios de comunicación
significa un importante avance en el plano periodístico.
Quanto mais plural e democrática for uma sociedade,
mais a mídia pode estar a serviço dos interesses coletivos
e menos se presta à manipulação. Em sociedades abertas,
os meios de comunicação constituem um campo de fiscalização
dos poderes tradicionais. Jamais, em épocas anteriores,
o sentido e a visibilidade das ações sociais estiveram
projetados de maneira tão privilegiada em um único campo,
que parece atrair para si as expectativas dos diversos
atores e movimentos sociais.
RESPONSABILIDADE SOCIAL E MÍDIA
Estas constatações conduzem à idéia de responsabilidade
social dos meios de comunicação. Se as lutas arbitradas
pela busca de audiência ou de espaços comerciais não
têm assegurado uma mídia de qualidade, a sociedade civil
vem cobrando com freqüência dos veículos de comunicação
formas de se colocar a liberdade de imprensa a serviço
da cidadania. Neste sentido, identificamos um avanço
nas coberturas jornalísticas a partir de iniciativas
como da Agência de Notícias dos Direitos da Infância,
que realizou há cerca de dois anos em Brasília o Seminário
sobre Mídia e Deficiência - Diversidade, Cidadania
e Inclusão na Imprensa Brasileira. A finalidade
foi a discussão de procedimentos editoriais dos meios
de comunicação nacionais sobre as temáticas relacionadas
à diversidade, estreitando o diálogo entre profissionais
de comunicação e especialistas, para qualificar as coberturas
da imprensa sobre a necessidade da inclusão.
Este despertar da mídia para tão importantes demandas
sociais deve ser comemorado, tendo em vista que o debate
sobre a questão da deficiência e da inclusão social
é muito recente na história contemporânea. Foi apenas
em meados da década de 1960 que apareceram as primeiras
referências à expressão portador de necessidades educacionais
especiais. Este conceito, referendado mais tarde pelo
Informe Warnock, publicado em 1978 na Inglaterra, apontou
para a imprescindível modificação da estrutura educacional
vigente, com a reformulação de currículos das escolas
e dos cursos voltados para a formação de profissionais
que atuam na área de educação, impulsionando os primeiros
movimentos de inclusão.

NOVOS OLHARES
A partir destes novos olhares sobre a problemática da
"diferença deficiente", ocorre uma alteração do enfoque
sobre o antigo conceito, até então relacionado à incapacidade
para realizar determinadas tarefas, enfatizando a responsabilidade
da escola em oferecer uma resposta para as necessidades
educacionais individuais e específicas dos alunos, garantindo
o aporte de recursos pedagógicos diferenciados.
As mudanças nestas perspectivas educacionais e conceituais
não negam os problemas relacionados ao desenvolvimento
dos alunos, mas transferem as responsabilidades de atendimento
das necessidades específicas dos indivíduos para a escola,
alterando a acepção que vigorou até a metade do século
XX sobre a deficiência, vista como diminuição, falta
ou carência.
Todos estes procedimentos acabaram provocando um debate
público sobre o respeito às diferenças, neste caso,
sobre a questão da deficiência ou a capacidade de aceitação
de realidades diferentes frente aos padrões tradicionais.
O embasamento da tolerância se dá na capacidade de reconhecer
o que há de mais original nos seres humanos; aquilo
que os diferencia e singulariza em relação aos demais
seres vivos. Respeitar o outro como pessoa, na sua
diferença mais fundamental, significa afirmar o princípio
universal da tolerância. A tolerância é uma virtude
individual, que se desenvolve no momento em que somos
capazes de assumir uma opinião, defendê-la e, essencialmente,
respeitar as convicções e o modo de agir do outro. Acatando
a pluralidade e o dinamismo inerente à própria humanidade,
estamos aceitando o divergente como coerente e parte
fundamental na composição de uma sociedade mais justa.

É salutar que os meios de comunicação absorvam estas
experiências e avanços do campo científico e dêem espaços
cada vez maiores para as discussões sobre inclusão.
Ao poder dos meios de comunicação de agendar os temas
contemporâneos se sobrepõe esta dinâmica do interesse
coletivo. A presença destas novas pautas também assegura
a idéia de uma mídia comprometida com a sociedade, reduzindo
os espaços usualmente destinados a práticas como banalização
da violência, dramatização da realidade e diluição das
fronteiras entre informações de interesse público e
a esfera do entretenimento.
(NA)
[1] Professor do Departamento de Ciências da Comunicação
da Universidade Federal de Santa Maria-RS. Doutor em
Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio
de Janeiro.
[2] Professora do Departamento de Fundamentos da Educação
da Universidade Federal de Santa Maria. Mestre em Educação
pela Universidade Federal de Santa Maria. |
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