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La Revista de la Pátria
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Uma
homenagem a Luis Borges
Fatima
Prado
Considerado um dos grandes autores do século
XX, sua influência é tão grande que para descrevê-la
foi preciso criar um adjetivo: "borgiano". Apesar da
importância de sua obra, Jorge Luis Borges nunca recebeu
o Nobel da Literatura. Quando questionado sobre o assunto,
respondeu com seu humor característico: "Os suecos são
muito razoáveis. Antes contentavam-se em confirmar reputações.
Agora querem revelar escritores". Hoje, além de ser
reconhecido como o maior escritor argentino de todos
os tempos, é também o que mais vende no país. Segundo
o jornal Clarin, Borges vende cerca de 20 mil
livros por ano na Argentina.
O escritor Jorge Luis Borges nasceu no dia 24 de agosto
de 1899 em Buenos Aires, Argentina. Por influência da
avó inglesa, foi alfabetizado em inglês e em espanhol.
Prodígio, com apenas sete anos de idade inspirou-se
na literatura de Cervantes e escreveu o conto La
Visera Fatal. Quando tinha nove anos traduziu O
Príncipe Feliz de Oscar Wilde, para o jornal El
País.
Em 1914, sua família muda-se para a Suíça em busca de
tratamento para os problemas oftalmológicos de seu pai.
O tratamento não evitou que seu pai ficasse cego, enfermidade
que Borges também enfrentou a partir dos 50 anos. Foi
na Europa que o escritor argentino manteve o primeiro
contato com a obra de Schopenhauer, uma grande influência
em sua formação.
O contato com o ultraísmo, estilo de vanguarda
da poesia espanhola e hispano-americana do século XX,
acontece em 1919, quando a família se muda para a Espanha.
Aos 22 anos, retorna à Argentina e participa da fundação
das revistas Prisma e Proa. Em 1923, publica Fervor
de Buenos Aires, seu primeiro livro de poesias que
buscava recuperar a Buenos Aires de sua infância. Em
seguida, publicou mais duas obras poéticas, Luna
de Enfrente e Cuaderno de San Martín. Borges é nomeado
diretor da Biblioteca Pública Nacional de Buenos Aires
em 1937. Durante esse período, escreve A Biblioteca
de Babel, texto onde define a biblioteca como um
universo onde o homem pode encontrar explicações para
sua existência e filosofia de vida. "A Biblioteca é
ilimitada e periódica. Se um eterno viajante a atravessasse
em qualquer direção, comprovaria ao fim dos séculos
que os mesmos volumes se repetem na mesma desordem (que,
reiterada, seria uma ordem: a Ordem). Minha solidão
alegra-se com essa elegante esperança", conclui Borges.
A partir de 1935, inicia uma série de grandes obras
de ficção como História da Eternidade e Artifícios.
Publica em 1944 Ficções, volume de contos considerado
como uma das obras maiores da literatura do século XX.
Em 1949, lança O Aleph, uma de suas mais importantes
obras. Seu estilo de literatura é facilmente identificado
na produção desse período, especialmente em História
Natural da Infâmia, resultado de anos de trabalho
no suplemento do diário Crítica. Nele, Borges
cria vidas imaginárias para nomes famosos da época como
Hitler e Stalin. Essa idéia seria usada em outras de
suas obras criando um estilo próprio. Com as obras Discusíon
e Otras inquisiciones, Borges tornou-se também um
mestre do ensaio breve.
A literatura não era seu único interesse. A política
sempre esteve presente na vida de Borges. O autor se
opôs ao fascismo durante a II Guerra, enfrentou o ditador
argentino Juan Perón na década de 40 e fez inimigos
nos anos 70 ao assumir que apóiava os Estados Unidos
na Guerra do Vietnã. Segundo o jornalista inglês James
Woodall, autor de biografia do escritor, Borges assumia
muitas dessas posições somente para provocar os esquerdistas,
numa reação à cobrança ideológica sobre os intelectuais
naquele tempo. Borges faleceu em Genebra no dia 14 de
junho de 1986.
O estilo borgiano
Desde seu primeiro livro até a publicação de suas Obras
Completas (1974), foram cinqüenta anos de criação
literária que influenciaram intelectuais pelo mundo.
Aos cinqüenta anos, Borges perdeu completamente a visão
e continuou ditando livros de poemas, contos e ensaios.
Sua obra foi traduzida para mais de 25 idiomas e influenciou
grandes autores. O colombiano Gabriel García Márquez
afirmou que "apesar de detestar Borges, carregaria um
livro seu no bolso por toda a vida". Ítalo Calvino afirmou
seus contos são repletos de idéias e surpresas e que
foram "a última grande invenção de um gênero literário".
Umberto Eco homenageou o autor no best seller O Nome
da Rosa, dando ao personagem cego que é o guardião
da biblioteca o nome de Jorge de Burgos.
A interpenetração ficção/realidade é uma das grandes
características da obra de Borges. Começa reconhecendo
que a linguagem é linguagem, que um conto é uma ficção
e que escrever é uma atitude imaginária. "Quando escreve,
assume a literatura como criação, a linguagem como invenção
e a ficção como jogo, jogo de identificação e de oposição,
entre o referente imaginário do texto e o eu do leitor",
explica Bella Jozef, especialista na obra de Jorge Luis
Borges. De acordo com a pesquisadora, a obra borgiana
constitui-se em uma literatura que se constrói sobre
a literatura e se explica a partir de si mesma, tornando-se
com freqüência uma obra dentro da obra que realiza uma
perspectiva infinita de textos que remetem a outros,
tal como a Biblioteca de Babel que descreve o
autor. Jozef afirma também que "o labiríntico, plural
e complexo universo borgiano é o de um escritor de fértil
inteligência, mistérios e saberes, contraditório manipulador
de palavras que faz coexistirem idéias, fontes heteróclitas
submetidas a um tratamento estético, à ordem do imaginário,
em prodigiosa capacidade combinatória".
Somente o próprio Borges pode resumir o conteúdo e a
profundidade de sua obra. Em suas Obras Completas
explica: "Não sei que mérito terão, mas agrada-me verificar
a variedade dos temas que abrangem. A pátria, as aventuras
dos antepassados, as literaturas que honram as línguas
dos homens, as filosofias em que tentei penetrar, os
crepúsculos, os ócios, as desvairadas periferias da
minha cidade, a minha cidade, a minha estranha vida
cuja possível justificação está nestas páginas, os sonhos
esquecidos e recuperados, o tempo... A prosa convive
com o verso: porventura, para a imaginação ambas serão
iguais. Felizmente, não somos devedores de uma única
tradição; não podemos aspirar a todas. As minhas limitações
pessoais e a minha curiosidade deixam aqui o seu testemunho."
(NA)
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