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Reflexiones
sobre la Propuesta Socioeducativa de la Institución
Teresiana en América Latina. Objetivos, metas, características
en torno de los cuales se movilizan educadores y educadoras
a favor de ideas y prácticas educativas alternativas
a las dominantes. La perspectiva de implementar procesos
educativos comprometidos con la transformación social.
El significado y las experiencias que posee la ciudad
como agente educador, e inclusive las decisiones políticas
y las estrategias colectivas que la misma exige. Todos
estos aspectos componen la sección Cosntruyendo
Caminos de esta edición nº 114 de la Revista Nuevamerica.
Se trata de una invitación al debate y al intercambio
de ideas, puntos de vista, experiencias y propuestas,
con el objetivo de estimular la participación en la
construcción y consolidación de una educación de calidad
para el continente latinoamericano.
Reflexões sobre a Proposta Sócio-Educativa
da Instituição Teresiana na América Latina, seus objetivos,
metas e características, em torno da qual se mobilizam
educadores e educadoras em favor de idéias e práticas
educativas alternativas às dominantes, na perspectiva
da implementação de processos educativos comprometidos
com a transformação social e também sobre o significado
e experiências que têm a cidade como agente educador,
e que exigem inclusive decisões políticas e estratégias
coletivas compõem a seção Construindo Caminhos
dessa 114ª edição da Revista Novamerica. Trata-se
de um convite ao debate e à troca de idéias, pontos
de vista, experiências e propostas, com o objetivo
estimular a nossa participação na busca da construção
e consolidação de uma educação de qualidade para o
continente latino-americano.
Educar
em tempos difíceis: construindo um movimento sócio-educativo
na América Latina
Este artigo está baseado no documento Educar em
Tempos Difíceis: Construindo um Movimento Sócio-Educativo
na América Latina, elaborado pela Comissão Assessora
da Proposta Sócio-Educativa Educar em Tempos Difíceis,
da Instituição Teresiana na América Latina, integrada
por Vera Maria Candau, Susana Sacavino, María Emilia
Olguín, Bertha de la Portilla, Dinorah García y Cecilia
Villalva.

El desarrollo de la Propuesta Socioeducativa de la Institución
Teresiana en América Latina se sitúa en la perspectiva
de reconocer y construir movimientos socioeducativos
orientados hacia la promoción de una educación de calidad
para todos/as, que contribuya para una mayor equidad,
reconocimiento de la diversidad y justicia social en
el continente. Los movimientos socioeducativos se caracterizan
por la movilización de personas y de organizaciones
alrededor de ideas y prácticas educativas alternativas
a las dominantes, teniendo como eje de articulación
la intrínseca relación ente procesos educativos y transformación
social.
Nestes
tempos de globalização marcadamente neoliberal tornou-se
quase um mantra a afirmação de que a educação é a base
do desenvolvimento dos povos, assim como a garantia
mínima para obter um trabalho ou um emprego digno. Ou
seja, que a educação se apresenta hoje como o meio mais
idôneo para reduzir a pobreza. Nesse sentido, não há
governo democrático que não defenda em sua retórica
oficial essas duas afirmações, nem órgão internacional
de importância que não elabore argumentos sobre a importância
da educação com o objetivo de justificar suas recomendações
para as políticas públicas.
Tornou-se um hábito ouvir, uma e outra vez, afirmações
sobre a inércia dos nossos sistemas educativos na América
Latina, que impedem que sejam cumpridas as metas estabelecidas
nos planos de médio e longo prazo, assim como sobre
os números decepcionantes não só do nosso baixo desempenho
como sociedade e região, como também dos estados no
que diz respeito aos compromissos assumidos relativos
à "redução da pobreza", que continuam evidentes nos
contínuos relatórios e diagnósticos.
Por outro lado, os próprios centros de poder do Norte
e do Sul continuam a propor e aplicar políticas que
promovem a insegurança e a precarização do trabalho
e a diminuição dos gastos relativos às políticas sociais
orientados a melhorar as condições de vida das pessoas.
Os esforços desses centros de poder voltados ao fortalecimento
da democracia muitas vezes se reduzem a mudanças que
não melhoram as condições de vida das pessoas. É por
isso que na América Latina o grito da população cidadã
em cada pesquisa de opinião assume a forma de um enunciado
uniforme: preferimos a democracia a qualquer outro
regime, mas, até agora, a democracia não serviu para
satisfazer as nossas demandas e necessidades básicas.
Essas reivindicações da população tendem, necessariamente,
a tomar a forma de movimentos sociais que logicamente
desbordam as limitações institucionais dos estados,
que carecem de efetivos canais de integração das populações
e de suas demandas cidadãs, assim como de tradição de
inclusão. Daí que, nas circunstâncias atuais que mostram
persistentes sinais de desigualdade, discriminação,
exclusão e baixo desenvolvimento humano, questões intimamente
relacionadas com o direito a uma educação de qualidade
para todos/as -no âmbito formal e não formal-, este
seja visto como fundamental, como fonte de criação de
capacidades e de oportunidades, na perspectiva da formação
de cidadãos/ cidadãs que sejam atores sociais ativos.
Nos anos 90, ao longo de todo o continente, e, segundo
as orientações dos principais organismos internacionais,
foram implementadas reformas do sistema educativo orientadas
a uma renovação curricular e a uma adequação dos processos
educativos às transformações do sistema produtivo em
andamento. Hoje essas reformas são fortemente questionadas
por causa da concepção do papel da educação em que se
baseiam e da precariedade de seus resultados. Em diferentes
países o debate sobre a educação volta a se intensificar,
assumindo um caráter polêmico e de urgência.
Levando em conta a posição estratégica que ocupa a educação
no âmbito das políticas públicas, assim como o lugar
central, no imaginário social e individual, como instrumento
de acesso a capacidades e oportunidades, e, por que
não dizer, como instrumento de desenvolvimento integral
da pessoa humana e das sociedades, é importante o reconhecimento
e a construção de movimentos sócio-educativos orientados
à promoção de uma educação de qualidade para todos/as
que contribua para uma maior eqüidade, reconhecimento
da diversidade e justiça social no continente.

Nessa perspectiva é que se situa o desenvolvimento da
Proposta Sócio-Educativa da Instituição Teresiana na
América Latina, Educar em Tempos Difíceis. A Proposta
Sócio-Educativa da Instituição Teresiana na América
Latina "constitui um convite a caminhar juntos e
juntas, com 'a mente e o coração no momento presente'
(Pedro Poveda) da realidade latino-americana que procuramos
transformar. É também a oportunidade para
convidar outras pessoas a sonhar e realizar esse sonho
conjunto de uma educação que nos forme como cidadãs
e cidadãos que respeitam os direitos humanos, e nos
faça seus defensores e promotores lá onde estivermos.
E, logicamente, é, de igual forma, correr o risco de
reivindicar e construir uma sociedade latino-americana
mais igualitária, mais democrática, mais humana e, por
isso, esperançada. É, portanto, uma aposta ao futuro,
a uma cultura de paz que só pode ser cimentada na justiça
e na solidariedade" (Educar em Tempos Difíceis.
Proposta Sócio-Educativa da Instituição Teresiana na
América Latina, IT-Al, 2002: 10)
QUE ENTENDEMOS POR MOVIMENTO SÓCIO-EDUCATIVO?
São muitas as aproximações teóricas e práticas sobre
os movimentos sócio-educativos hoje na América Latina.
No entanto, todas têm como referência fundamental a
afirmação de que eles constituem um tipo entre os muitos
e variados movimentos sociais que se multiplicam ao
longo de todo o continente.
A palavra movimento sugere algo dinâmico, complexo e
com uma direção. Os movimentos sociais tiveram e têm
um papel importante na história da humanidade e em cada
uma de nossas sociedades. São constituídos por diferentes
atores da sociedade civil que unem suas forças e se
organizam em torno de questões concretas que afetam
suas vidas pessoais e toda a sociedade. Desenvolvem
um papel estratégico na luta sempre renovada contra
a exclusão e a discriminação, na luta pela igualdade,
pelo reconhecimento das diferenças culturais, pela ética
e pela democracia. Estão orientados à realização de
políticas públicas cada vez com maior sintonia e coerência
com a afirmação dos direitos humanos e a construção
de sociedades sustentáveis e inclusivas. Recriam suas
agendas a partir das necessidades de cada contexto e
momento histórico. Nesse sentido, encontram-se em permanente
processo de (re)configuração. Na América Latina têm
uma forte referência aos movimentos populares e indígenas,
assim como com à promoção da justiça e da eqüidade.
Nesse cenário, os movimentos sócio-educativos se caracterizam
pela mobilização de pessoas e de organizações em torno
das idéias e práticas educativas que são alternativas
às dominantes, a fi m de induzir mudanças nas políticas
públicas existentes que, em muitos casos, estão marcadas
por uma visão mercantilista da educação. Promovem uma
educação de qualidade e o empoderamento dos/das educadores/as
como agentes culturais e construtores de conhecimentos
e práticas pedagógicas a partir de sua experiência cotidiana.
Partem de uma concepção que considera a educação - entendida
num sentido amplo - como toda atividade orientada ao
amadurecimento integral de cada pessoa e ao desenvolvimento
dos grupos sociais. Afirmam que esse é um aspecto chave
para uma transformação social comprometida com processos
de humanização e construção de sociedades sustentáveis
e justas. Enfatizam a estreita interdependência entre
o tipo de pessoas que queremos formar, os processos
e experiências que promovemos, e as sociedades que pretendemos
ajudar a construir. Não se confundem com as organizações
sindicais nem as substituem. As questões pedagógicas
constituem o centro das suas preocupações. Inspiram-se
em diferentes versões das pedagogias críticas. Articulam
denúncia, formação, pesquisa e proposta. Promovem uma
ampla discussão e aprofundamento sobre a educação como
direito de todos/as e sobre suas conseqüências, tanto
no âmbito da educação escolar como para os processos
de educação não formal. Resgatam a rica e criativa experiência
da educação popular desenvolvida ao longo de todo o
continente. Incorporam na sua dinâmica todos os atores
presentes nas comunidades educativas. Os movimentos
sócio-educativos têm como eixo de articulação a intrínseca
relação entre processos educativos e transformação social.
É nessa perspectiva que se situa o dinamismo presente
na Proposta Sócio-Educativa Educar em Tempos Difíceis.
"Somos chamados/as a oferecer à sociedade discursos
e práticas pedagógicas e políticas que proponham horizontes
de transformação que impactem qualitativamente mentalidades,
contextos, estruturas, processos e resultados. Propostas
participativas, abertas e flexíveis que fortaleçam o
caráter emancipador da pedagogia de Pedro Poveda e contribuam
significativamente para a formação de educadores construtores
de uma nova cidadania" (Educar em Tempos Difíceis:
Proposta Sócio-Educativa da Instituição Teresiana na
América Latina, Rio de Janeiro, 2002, p. 16).
Em todos os países em que está presente essa Proposta
manifesta uma forte capacidade de criar sinergias e
de articular diferentes sujeitos sociais. Educadores
membros das equipes dos centros educativos e projetos
sociais promovidos pela Instituição Teresiana, colaboradores,
profissionais que atuam em escolas públicas e outras
agências do estado e em organizações da sociedade civil,
entre outros setores, manifestam de diferentes modos,
interesse e desejo de uma participação mais ativa e
de uma vinculação sistemática às atividades da Proposta.
Temos a forte convicção de que esse unir forças pode
contribuir para a construção de um novo paradigma sócio-educativo
que responda às inquietudes e desafios atuais do continente.

UM PROCESSO EM CONSTRUÇÃO: COMO AVANÇAR?
Hoje a urgência da construção de novos paradigmas
para a educação, que ofereçam respostas adequadas para
a complexa problemática de nosso tempo se faz cada dia
mais urgente. Na nossa perspectiva, os educadores e
educadoras são os principais protagonistas dessas buscas,
num pensar e atuar conjunto, reflexivo, crítico e propositivo.
Concebemos o Movimento Sócio-educativo como um processo
dinâmico que já está em andamento a partir da realidade
de cada país.
Apresenta algumas características básicas: seu ponto
de partida são as experiências em desenvolvimento em
cada um dos países; articula realidades locais com uma
perspectiva continental e global; quer ser plural, reflexivo,
participativo, inclusivo, ágil, flexível e democrático;
propõe-se a contribuir ativamente na construção de políticas
públicas que promovam uma qualidade educativa multidimensional
para todos/as; estimula a participação em redes e intercâmbios
com outros movimentos afins; desenvolve de modo especial
três aspectos: uma leitura sempre atualizada do contexto
do continente e de cada realidade local, o aprofundamento
em questões e enfoques educativos atuais e o intercâmbio
de experiências.
Seu foco de atuação é a formação continuada de educadores
e agentes sociais e a incidência nas políticas públicas
sócio-educativas, contribuindo desse modo para a transformação
de mentalidades e práticas sócio-educativas na perspectiva
da construção de uma educação de qualidade, com um enfoque
humanizador e transformador, alternativo às tendências
dominantes em nossas sociedades.
As principais dimensões desse movimento são: a latino-
americana, a articulação entre reflexão, pesquisa e
sistematização, a presença em plataformas da sociedade
civil e a formação/capacitação de educadores. Nelas
as dimensões política, sócio-cultural, pedagógica e
transcendente estão intimamente relacionadas.
Quais são os sujeitos que são chamados a ser os principais
protagonistas desse movimento? Os sujeitos diretos são
os educadores e educadoras que atuam em escolas públicas
e privadas e em âmbitos da educação não formal. Consideramos
também, como sujeitos indiretos do movimento, os/as
alunos/as, famílias, participantes dos projetos sociais,
as comunidades de referência, assim como outros agentes
sociais em conexão com as atividades por ele promovidas.
Quanto à organização do Movimento, elemento fundamental
para sua implementação, propomos que cada país elabore
um plano de ação concreto que operacionalize a realização
do movimento na sua realidade concreta.
Quais são as principais estratégias que podemos implantar?
Propomos algumas, muitas das quais já se encontram em
andamento: foros virtuais e presenciais, nacionais e
internacionais, redes de pesquisa e intercâmbio, diferentes
atividades de capacitação, seminários nacionais e regionais,
círculos de estudo, folhas informativas, assessorias,
congressos, mesas de diálogo, acordos a nível local,
nacional e continental, material de difusão, publicações,
projetos conjuntos, articulação com outros grupos, movimentos
e organizações, apoio a campanhas para promover mudanças
em políticas sócio-educativas, entre outras que serão
definidas em cada contexto.
O Movimento Sócio-Educativo que estamos construindo
é fruto de experiências, buscas e sonhos de muitos educadores
e educadoras latino-americanos/as que, ao longo de todo
o continente latino-americano, o fazem vida em suas
práticas educativas cotidianas. Trata-se de criar sinergias,
potenciar redes, fortalecer o protagonismo dos/as educadores/as
como agentes de transformação social e cultural. (NA)
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