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Violências...
Violências... Todos os dias somos obrigados a nos
confrontar com situações que nos roubam a tranqüilidade
e a possibilidade de uma vida mais digna e feliz.
São tantos os problemas relacionados à violência de
todo o tipo - desde as agressões físicas muitas vezes
fatais até situações simbólicas que de tão violentas
são capazes de causar traumas irreparáveis. Essa realidade
tão perversa tem causado, em uma abrangência bastante
significativa o que os especialistas chamam de Transtorno
de Stress Pós-Traumático (TEPT) uma doença muito comum
e que tem afetado a vida de muitas pessoas, vítima
s diretas ou indiretas da violência que vem atingindo
a vida contemporânea em larga escala. Nessa edição,
a psicóloga e professora Vera Lemgruber nos explica
com muitos detalhes o que é Transtorno de Stress Pós-Traumático,
ressaltando suas causas e conseqüências, bem como
as possibilidades de tratamento e recuperação.
Violencias… Violencias… Todos los días nos vemos
obligados a depararnos con situaciones que nos roban
la tranquilidad y la posibilidad de una vida más digna
y feliz. Son tantos los problemas relacionados a la
violencia de todo tipo -desde agresiones físicas muchas
veces fatales hasta situaciones simbólicas que, de
tan violentas, son capaces de causar traumas irreparables.
Esa realidad tan perversa ha agravado de manera significativa
lo que los especialistas llaman Trastorno de Stress
Posttraumático (TEPT), una enfermedad muy común que
está afectando la vida de muchas personas -víctimas
directas e indirectas de una violencia que avanza
a gran escala en la vida contemporánea. En esta edición,
la psicóloga y profesora Vera Lemgruber nos explica
con detalle de qué se trata el Trastorno de Stress
Posttraumático, y resalta sus causas y consecuencias,
así como las posibilidades existentes para su tratamiento
y recuperación.
Repercussões
psicológicas da violência urbana
Vera
Lemgruber
vera@veralemgruber.com.br
Médica psiquiatra e Psicóloga clínica.
Chefe do Setor de Psicoterapia do Serviço de Psiquiatria
da SCMRJ
Rio de Janeiro, Brasil.
La
violencia urbana puede ejercer influencia sobre los
comportamientos de sus víctimas ya que, a pesar de
que el ser humano posee la capacidad de adaptación
y sobrevivencia, algunas experiencias traumáticas
pueden alterar el equilibrio psicológico, biológico
y social de un individuo, llegando al estado en que
el recuerdo de un evento específico puede matizar
todas sus restantes experiencias de vida. A través
del proceso de reaprendizaje es posible intervenir
para que el futuro de la humanidad no sea necesariamente
negativo, mediante abordajes terapéuticas específicas
propuestas para el tratamiento del Trastorno de Estrés
Pos-Traumático (TEPT).
NEUROCIÊNCIA E CAPACIDADE "DARWINIANA" DE ADAPTAÇÃO
AO MEIO
O cérebro humano é dotado de uma enorme plasticidade
neuronal e os dendritos e axônios dos neurônios estão
constantemente fazendo novas conexões sinápticas e
removendo outras. De forma que sempre há possibilidade
de novas aprendizagens para o ser humano, com a conseqüente
formação de novas redes de conexões neuronais.
O processo de crescimento e desenvolvimento do ser
humano representa uma série de adaptações progressivas,
nas quais o processo de aprendizagem tem um papel
importante, cabendo à família e à sociedade em geral
gerenciar esse processo de forma a facilitar a adaptação
do indivíduo ao meio.
A violência urbana pode exercer influência sobre os
comportamentos e as manifestações desadaptativas de
agressividade infanto-juvenil. Pesquisas recentes
realizadas nas Universidades de Yale e de Nova York
(N.Y.U.) revelaram que o ser humano, na faixa do início
da adolescência (12 a 14 anos) começa a sofrer um
processo de substituição das sinapses (conexões estabelecidas
entre os neurônios). Este mecanismo foi denominado
de "prunning" (poda). Essas modificações e o estabelecimento
de novas conexões neuronais em ritmo intenso tornam
o adolescente vulnerável às influências externas e
ao novo aprendizado.
Os afetos são forças fundamentalmente dos seres humanos,
são adaptativos e não são basicamente perturbadores.
A agressividade faz parte dos componentes afetivos
inerentes à própria natureza do ser humano, que funcionam
como uma espécie de "kit-básico de sobrevivência".
Esse grupo de emoções sofreu modificações durante
o processo evolutivo da humanidade, com vantagens
adaptativas para o ser humano.
Apesar da reconhecida capacidade de adaptação e
sobrevivência do ser humano, algumas experiências
traumáticas podem alterar o equilíbrio psicológico,
biológico e social de um indivíduo em tal grau, que
a lembrança de um evento específico pode matizar todas
as suas outras experiências de vida. Daí a importância
da questão da influência que a violência urbana pode
exercer sobre os comportamentos e as manifestações
desadaptativas de suas vítimas.
TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO (TEPT)
A complexa relação entre traumas e mudanças psicológicas
profundas foi reconhecida desde os primórdios da psiquiatria
moderna. Recentemente, além de guerras e desastres
naturais, vítimas de outras situações têm também sido
alvo de estudos sobre o Transtorno de Estresse Pós-Traumático
(TEPT) . Vítimas de graves acidentes de automóvel
ou de avião, ou de outras situações agressivas da
vida urbana, tal como testemunhar mortes violentas,
ser vítima de estupro e de seqüestros, compõem um
grupo de risco bastante significativo.
Em 1871 no trabalho denominado "On Irritable Heart"
("Sobre o Coração Irritável"), Jacob DaCosta descreveu
soldados da Guerra Civil Norte Americana. Na Primeira
Guerra Mundial, a síndrome foi chamada "shell shock"
("choque da granada"), já que a hipótese vigente à
época era que seria o resultado de traumatismo cerebral
ocasionado pela explosão das granadas. Na Segunda
Guerra Mundial, uma síndrome correlacionada com a
gravidade do estressor (como nos sobreviventes dos
campos de concentração nazistas e dos bombardeios
atômicos do Japão) foi identificada como "Neurose
de Guerra".
Tudo o que foi dito e estudado a respeito dos veteranos
de guerra, refugiados e vítimas de desastres naturais
precisa ser considerado em relação à massa de pessoas
que vivem nos arredores superpovoados das grandes
cidades do mundo em desenvolvimento. Com freqüência,
nestas cidades, as pessoas vivem em um clima de guerra,
em que os cidadãos estão sob constante pressão e são
ameaçados pela extrema violência e criminalidade da
megalópole.
A migração permanente das zonas rurais para as áreas
urbanas à procura de melhores oportunidades de emprego,
fenômeno esse encontrado principalmente nos países
em desenvolvimento, provoca quebra de raízes e de
vínculos sociais e familiares levando à marginalização
desta população, o que se torna fator preponderante
para o aumento da violência urbana, criminalidade,
consumo excessivo de álcool e de drogas. Hoje em dia,
nesse caos e descontrole da violência urbana nas grandes
metrópoles, podemos considerar as vítimas da violência
urbana nas grandes cidades como vítimas de um estado
permanente de "guerra".
A grande diferença notada entre os que apresentam
seqüelas devido às guerras e os que são vítimas da
violência urbana é que, para os primeiros, embora
ainda persistam sintomas que os atormentam no cotidiano,
há a consciência de que a guerra acabou, mas para
as vítimas da violência urbana permanece sempre presente
a idéia de "isto pode acontecer outra vez", o que
torna o nível de tensão muito mais presente no dia-a-dia
e dificulta seu tratamento.
A medicina tem estudado a conexão entre saúde e meio
ambiente e a psiquiatria, vem reconhecendo a interação
dos diversos distúrbios mentais com o ambiente social,
especialmente no meio urbano. Porém foi somente depois
de 1980 que, através da reforma do esquema de classificação
psiquiátrica, foi definido o TEPT como um conjunto
de sinais e sintomas que se desenvolvia em pessoas
após um trauma ou desastre grave. O diagnóstico do
TEPT parece ter sido recebido pelas vítimas como uma
legitimação e validação do seu desconforto psíquico,
já que ter um transtorno reconhecido pode ajudar as
pessoas a dar um sentido ao que estão passando e uma
sensação de solidariedade com outras vítimas de transtorno.
O TEPT é um destes distúrbios relacionados com problemas
com o ambiente e está intimamente ligado à violência
nas cidades. O padrão típico de reação a uma experiência
catastrófica é a sensação de desamparo e medo. Entretanto,
mais freqüentemente, o caminho é o da resolução dos
sintomas e nem todas as vítimas de eventos extremamente
estressantes desenvolvem TEPT.

O risco de desenvolver este transtorno pode ser aumentado
pela vulnerabilidade própria de cada indivíduo e traços
de personalidade, maneiras de lidar com outras situações
de vida anteriores ao evento estressante funcionam
como fatores predisponentes que podem diminuir o limiar
para o desenvolvimento desta síndrome ou agravar ainda
mais o seu curso.
Os fatores predisponentes não são necessários e nem
suficientes para explicar a ocorrência do TEPT. Mas,
por outro lado, o apoio social que a vítima pode vir
a receber do seu meio desempenha um papel preponderante
na diminuição do risco de ocorrência do TEPT. Portanto,
a comunidade, a família e toda a estrutura social
vão ser importantes na proteção das vítimas da violência
urbana e para aumentar sua capacidade de resiliência.
RESILIÊNCIA
Resiliência representa a propriedade de alguns materiais,
quando exigidos e submetidos a forças externas (estresses),
de acumular energia, e depois voltar ao seu estado
original sem qualquer deformação, como por exemplo,
a propriedade de elasticidade de uma vara do salto
em altura - aquela que enverga no limite máximo sem
quebrar, volta com tudo e lança o atleta para o alto
e depois do impulso gerado, volta ao seu estado original.
O fator de resiliência explica o fato de algumas pessoas,
por motivos ainda não muito bem elucidados (tais como:
traços de personalidade; momento atual de vida; história
particular de desenvolvimento psicológico e distúrbios
psiquiátricos anteriores), apresentarem apenas algumas
alterações iniciais em seu estado psíquico, mesmo
quando expostas ao agente traumático, desenvolvendo
somente um quadro de Transtorno do Estresse Agudo
(que se resolve espontaneamente em pouco mais de um
mês após o evento), ou simplesmente não apresentando
nenhuma reação de estresse.
Sabe-se que o respaldo que pode ser oferecido pelas
famílias, pela comunidade e pela estrutura social,
e também a maneira pela qual a sociedade lida com
a situação traumática, são elementos fundamentais
essenciais para aumentar a resiliência dos indivíduos
aos traumas. Há uma grande diferença no respaldo
social que os veteranos de guerra, refugiados ou vitimas
de desastres naturais podem receber, em comparação
com as vítimas da violência urbana. O primeiro grupo
geralmente recebe grande apoio da sociedade, mas as
vítimas da violência urbana freqüentemente se sentem
rejeitadas ou com vergonha de relatar eventos traumáticos,
o que aumenta a sensação de isolamento. e do risco
de ocorrência do TEPT. Donde é necessário o desenvolvimento
de formas de apoio às vítimas da violência urbana,
visando ajudá-las a readquirir o controle sobre suas
vidas.
COMO ENFRENTAR AS EXPERIÊNCIAS ESTRESSANTES?
Com a constatação de que diferentes indivíduos respondem
de forma diversa às mesmas experiências estressantes,
na procura da compreensão sobre os mecanismos que
contribuem para o desencadeamento de uma reação saudável
no lugar de uma reação patológica e para melhor entender
as respostas dos indivíduos ao trauma, pode-se buscar
a base da possibilidade de recuperação do trauma nos
conceitos de adaptação, assimilação e acomodação (respectivamente:
capacidade de responder às demandas do ambiente externo
através de recursos e estruturas que já estão disponíveis;
capacidade de gradualmente aceitar o acontecido e
reajustar suas expectativas mudando as estruturas
internas em resposta à nova situação externa, e capacidade
de o indivíduo aprender com sua própria experiência,
podendo assim planejar ações restauradoras) da teoria
da psicologia do desenvolvimento de J. Piaget (1952).
Uma grande variedade de abordagens terapêuticas específicas
em graus diversos tem sido proposta para o tratamento
do TEPT. Essas abordagens combinam elementos que são
considerados terapêuticos como lidar com o significado
do evento traumático; exposição às lembranças traumáticas
e elaboração destas; fornecimento e assistência na
utilização de apoio social; desenvolvimento de mecanismos
de defesa. O sucesso do tratamento vai depender da
capacidade do paciente confiar em outra pessoa para
partilhar sua sensação de desamparo e sua dor, já
que a fuga das relações interpessoais íntimas é um
dos principais efeitos do trauma. Depois de uma experiência
traumática que forçou o indivíduo a se defrontar com
sua própria vulnerabilidade e desamparo, a vida jamais
será a mesma e o trauma de alguma forma fará parte
de seu cotidiano. O fato de poder examinar e organizar
internamente as experiências vividas, partilhando
suas reações com outra pessoa, poderá fazer muita
diferença na eventual adaptação da pessoa.
O ser humano é maleável e sua plasticidade cerebral
lhe permite mudar para melhor, e, contrariamente ao
que Freud previa no final do século XIX, através do
processo de reaprendizagem, é possível se fazer alguma
coisa para que o futuro da humanidade não seja necessariamente
negativo.
O Serviço de Psiquiatria da SCMRJ, em 2007, criou
o PAPT - Programa de Atendimento Pós- Trauma Urbano,
implantando um centro de atendimento gratuito para
as vítimas de violência. na cidade do Rio de Janeiro,
visando minimizar o sofrimento dessas pessoas, através
de uma ação pró-ativa de agenda positiva e compromisso
de cidadania.

Provavelmente, no futuro, o progresso da neurociência
poderá nos fornecer evidências sobre os caminhos neurofisiológicos
subjacentes a determinados comportamentos disfuncionais.
Assim, com base nessas descobertas, talvez seja possível
se lutar de forma bem fundamentada, em prol de um
mundo melhor. (NA)
Costa
e Silva, J.A. e Lemgruber, V. "Violência urbana e o
conceito de estresse póstraumático" Inform. Psiq. 41
(9) 1992
Darwin C. "The Expression of the Emotions in Man and
Animals". Nova York: New York Philosophical Library,
1872.
Goleman,D. "Como lidar com as emoções destrutivas- para
viver em paz com você e os outros: diálogo com a contribuição
do Dalai Lama/narrado por Daniel Goleman". Ed.Campus.
R.J. 2003.
Para
você, o que é violência?
Para usted ¿qué es violencia?
Violência, na origem da palavra, significa "constrangimento
físico ou moral, forçar, desviar, coagir", ou seja,
a violência está diretamente vinculada às relações humanas.
Assim, ocorre violência quando se transgride regras
e/ou direitos estabelecidos nas relações sociais. Este
conceito é formado nas relações humanas, nos grupos,
portanto sempre trará amplas interpretações, no entanto,
há bastante violência simbólica presente no cotidiano
atual, a qual tem sido a base de muitas atitudes de
violência física, moral e/ou intelectual.
Elza Spagnol - Brasil
elzaspagnol@hotmail.com
Violência é uma forma de poder que se sobrepõe a ética
e quaisquer outros valores sociais com o fim de atingir
objetivos personalistas. Como regra está acompanhada
de pecados como a ganância, preconceitos de toda sorte,
desprezo pelas regras e pelo outro, e quase sempre amparada
na certeza da impunidade.
Jeovane Ramos - Brasil
jeoramos@hotmail.com
A violência é uma forma de relação social na qual
se afirma o poder como norma de controle contínuo. Ela
engendra uma ética que se sustenta por estímulos competitivos,
desejos de vencer o outro, considerado adversário, prazer
de infringir dor física, moral e simbólica. A violência
cria um clima cultural e social que diminui a eficiência
da norma e em nossos países latino-americanos ela tem
idade (jovens), cor (negros/índios) sexo (masculino)
classe (pobre), revelando sua face sinistra: a de aniquilar
os corpos e as mentes.
Brenda Carranza - Brasil
brenda_poveda@terra,com.br
La violencia hoy es como una metáfora muerta. Estamos
tan acostumbrados a rodearnos de ella, que perdimos
la capacidad de discernirla. Para experimentar la violencia
no necesitamos vivir en una zona de guerra, ni morir
de bala perdida, ni ser asaltado en la calle. Cada vez
que hacemos uso de algún servicio público (colectivos,
subte) cuyo funcionamiento e infraestructura material
nos rebaja a la categoría de ganado, de cosa, somos
abofeteados. Cada vez que encendemos la televisión y
nos deparamos con un Gran Hermano, somos escupidos.
Cada vez que un dirigente político ocupa el precioso
tiempo de nuestra vida para mentirnos descaradamente,
somos azotados y torturados.
La falta de ética y de moral son los pilares de esta
violencia y la llamada "democracia" o el "vivir en un
país libre" no deberían convertirse en muletillas para
evitar hablar sobre ello. Gabriela Eloí - Argentina
Violencia es todo acto que rompe con el derecho de toda
persona de forma prepotente, física o verbal, y atenta
contra una persona o grupo de personas. Donde hay violencia
no existe regla ni valor que detenga el hecho que se
convierte en delictivo.
Magdalena Céspedes Villanueva - Perú
maggicespedes@hotmail.com
Violência é a submissão, consciente ou não, à violação
dos direitos de um cidadão. Isso inclui agressões físicas,
morais, objetivas ou subjetivas e não é, necessariamente,
passível de constrangimento ou qualquer outra reação
porque está relacionada à transgressão dos limites que
cada um tem direito.
Nalva Souza - Brasil
El primer generador de violencia es el Estado cuando
no se dedica a fortalecer instituciones que moderen
con justicia la convivencia social, dando rienda suelta
a la supremacía del más fuerte y a la formación de mafias
que acaban dirigiendo el juego económico, político y
social; cuando la falta de institucionalización hace
que los individuos tomen la justicia en sus manos y
deje que se establezca la anarquía en la cotidianidad.
Cuando cobra impuestos y no retribuye a sus ciudadanos
con lo que les corresponde a cambio.
Para mí, si pienso en la violencia ciudadana, no puedo
más que llegar siempre al Estado como primer respondable.
Pero la violencia que más me afecta y me molesta es
la de nuestro día a día, la de la ignorancia del otro
y la supremacía de nuestros propios intereses por delante
de cualquier otro bien. Me preocupa la violencia que
se genera del miedo, nacido del abuso de los que tienen
un cierto poder sobre los otros. Y la violencia de querer
ignorar las condiciones de vida de muchos de nuestros
conciudadanos que sobreviven como pueden con un trabajo
que no satisface ninguna de las necesidades vitales,
bajo la mirada de desprecio de una sociedad discriminatoria
que solo valora el dinero y el éxito social.
Mariana Blanco Rincón - Venezuela
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