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Projeto
revela os Brasis e transforma vidas e cidades
Renata
Rocha
Jornalista
Rio de Janeiro - Brasil

En
su tercera edición, el Proyecto “Revelando os Brasis”
favorece la producción de videos digitales en municipios
de hasta veinte mil habitantes. Con inicio en 2004,
es parte de un conjunto de acciones que pretenden
democratizar el acceso a los medios de producción
audiovisual, permitiéndoles a los habitantes de las
ciudades pequeñas el contacto con las nuevas tecnologías
y la posibilidad de contar sus propias historias,
a partir de la creación de obras que retraten se universo
simbólico. Como resultado ya se siente fuertemente
la acción movilizadora y multiplicadora de conocimientos,
alcanzados a partir de las 120 historias seleccionadas.
Vidas
que viraram histórias, histórias que transformaram
cidades. Este é um dos reflexos do Projeto Revelando
os Brasis. Uma iniciativa que proporciona a produção
de vídeos digitais em municípios com até 20 mil habitantes.
O projeto, realizado pelo Instituto Marlin Azul e
pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura,
com patrocínio da Petrobras e parceria do Canal Futura,
está na terceira edição.
O Revelando os Brasis teve início em 2004 e faz parte
de um conjunto de ações para democratizar o acesso
aos meios de produção audiovisual, permitindo aos
moradores das pequenas cidades o contato com as novas
tecnologias e a possibilidade de contar as suas próprias
histórias, promovendo a criação de obras que retratem
o seu universo simbólico.
O projeto selecionou nas três edições 120 histórias.
Todos os autores, antes de gravarem os vídeos, participaram
de oficinas preparatórias de roteiro, direção, produção,
fotografia, som, edição, direção de arte, direitos
autorais, mobilização, entre outras. Só depois do
curso de capacitação, os selecionados colocam em prática
o aprendizado recebido, retornando às suas cidades
para a realização dos vídeos, com o envolvimento da
comunidade.
O Revelando os Brasis já mudou histórias de indivíduos
e de cidades inteiras. Um exemplo é a cidade de Água
Fria, Bahia. A diretora Maria Valdete de Oliveira
Cunha, resolveu transformar em filme uma história
que há anos persegue o imaginário popular da cidade.
Em 1775, uma imagem do santo foi condenada à forca
por causa de um assassinato ocorrido na localidade
de Queimados. O crime teria sido cometido por um escravo.
Como o escravo fugiu seu senhor teve que prestar conta
do delito. Como a pessoa que deveria ser responsabilizada
pelo crime teve todos os seus bens passados "para
o nome" de Santo Antônio, a Justiça de Água Fria decidiu
que o santo é que deveria ser enforcado. Depois de
percorrer 180 quilômetros entre Queimados e Água Fria,
a imagem foi colocada numa gaiola, até o dia do enforcamento,
mas desapareceu misteriosamente da cadeia.

Maria Valdete lembra que, por causa desse fato, Água
Fria foi muito amaldiçoada pelos moradores de Queimados.
Para a diretora a realização do vídeo contribuiu para
que a sociedade local passasse a ter uma nova visão
sobre a cidade, sobretudo espiritual. "Há 166 anos
o local perdeu toda a autonomia religiosa, inclusive
como paróquia. A igreja foi completamente abandonada
servindo como abrigo para animais. A população de
Queimados, de onde veio o santo, jogou muitas pragas
e maldições sobre a cidade de Água Fria. Por muitos
anos, os moradores acreditavam que tudo de ruim que
acontecia era alguma maledicência decorrente do episódio
de Santo Antônio. Depois do vídeo a visão das pessoas
mudou, o local foi emancipado e até a relação com
a cidade de Queimados melhorou", explica Valdete.
A auxiliar administrativo, Naldynha Menezes, 35 anos,
nasceu em Água Fria e conta que os moradores tinham
vergonha de lembrar que a cidade tinha uma forca.
"Depois do vídeo, sobre a história do santo, foi desfeito
o tabu de não se tocar nas inúmeras histórias de condenações,
de esconder que Água Fria teve uma forca. Hoje, não
temos mais nada disso. O passado virou história que
relembramos como um momento importante até para o
país", relata Naldynha.
Outra cidade que conquistou benefícios com o Revelando
os Brasis foi Muqui, região sul do Espírito Santo.
Durante três dias, no início de 2005, o professor
Ériton Berçaco acompanhou a rotina de João José Brilhantino,
73. Há mais de 30 anos, ele reside em uma caverna.
A "casa" de Brilhantino fica sob uma pedra que o protege
da chuva e do sol. De lá, ele sai apenas para andar
pelo centro da cidade, que fica a cinco quilômetros
de distância. A caverna onde vive está localizada
nas terras que ele afirma terem sido suas no passado.
Ériton Berçaco salienta que a mudança foi muito considerável.
"O Brilhantino não tinha visibilidade na cidade e
era muito discriminado. Eu queria, com o vídeo, mostrar
um olhar diferenciado sobre o personagem, eu queria
um olhar humano sobre ele, e acho que consegui isso",
conta.
Além de mudar histórias de cidades o Revelando
os Brasis transformou muitas vidas. De quem escreveu,
participou ou virou história. Um deles foi o comerciante
Artur Gomes dos Santos. Ele participou da primeira
edição do projeto com o documentário "Tropeiros".
O vídeo relata o dia-a-dia dos tropeiros que, até
a década de 50, transportavam, em mulas ou jegues,
grandes quantidades de produtos pelo sertão.

Artur tem 54 anos e é comerciante. Seu filme já foi
exibido em algumas cidades no país e no exterior.
Em 2005 ganhou o prêmio especial do júri no Cine PE,
Festival de Cinema de Pernambuco, e o Prêmio de Júri
Popular no Festival de Triunfo, realizado em julho
desse ano, também em Pernambuco.
Artur se prepara para editar um novo documentário.
O tema escolhido: Revelando os Brasis. Ele participou
das exibições do Circuito pelo nordeste e filmou os
bastidores de tudo que acontece.
"O Revelando os Brasis melhorou a minha auto-estima.
Fez bem para mim e para a comunidade. As pessoas se
sentem bem em saber que sua cidade está sendo conhecida
mundo afora, através das exibições em festivais, canais
de TV, praças e ruas. A população se sente agradecida",
explica o diretor.
Um jovem talento revelado pelo projeto é André da
Costa Pinto, de Barra de São Miguel, Paraíba. Recémformado
em Jornalismo pela Universidade Estadual da Paraíba,
André tem 23 anos. Tinha 21 quando participou do Revelando
os Brasis. "A Encomenda do Bicho Medonho" foi seu
primeiro vídeo, e foi apresentado em festivais como
o 5º Curta Santos (SP), onde conquistou o Prêmio Especial
do Júri, no 11º CinePE - Festival do Audiovisual (PE)
e no 3º Cineport - Festival de Países de Língua Portuguesa
(PB).
O resultado do primeiro trabalho motivou André a enveredar
pela produção audiovisual. Seu último trabalho como
diretor, o documentário "Amanda e Monick", recebeu
o prêmio de Melhor Vídeo no 31º Festival Guarnicê
(MA) e de Melhor Curta Digital no 12° CinePE - Festival
do Audiovisual (PE), foi selecionado para o 16º Gramado
Cine Vídeo (RS) e para o 15° Vitória Cine Vídeo .
O curta conta a história de Amanda, travesti que leciona
em uma escola de Barra de São Miguel, e Monick, também
travesti e aluno de Amanda.

A partir da experiência com o Revelando os Brasis,
André se uniu a alguns amigos para criar a ONG Moinho
de Cinema da Paraíba e a Medonho Produções. "Eu tenho
uma câmera, meu amigo tem um microfone. Compartilhamos
nossos equipamentos e conhecimentos, e nos revezamos
na direção e no roteiro dos vídeos", explica André,
que está produzindo seu primeiro longa, "Tudo o Que
Deus Criou Pensando em Você", que deve começar a ser
gravado em outubro. Enquanto isso, ele finaliza o
documentário "Como Será o Amanhã", que retrata a vida
de mães portadoras do vírus HIV.
Para a coordenadora nacional do Revelando os Brasis,
Beatriz Lindenberg, do Instituto Marlin Azul, André
é um dos exemplos de quem foi despertado pelo projeto,
deu seqüência ao trabalho e fez o projeto atingir
seu objetivo. "Motivado pelo Revelando os Brasis,
o André reuniu amigos que também se interessaram pela
experiência de realização audiovisual, nas diversas
funções de uma equipe, e o grupo vem desenvolvendo
vários projetos audiovisuais, inclusive oferecendo
oficinas de capacitação técnica para a população de
sua cidade e um festival de cinema. Essa ação mobilizadora
e multiplicadora de conhecimentos é um dos principais
resultados que o projeto quer alcançar", afirma. (NA)
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