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a Revista de la Pátria Grande

EDITORIAL

Uma outra Amazônia é possível


Antes de começar a escrever esse editorial foi feito um pequeno teste. A palavra "Amazônia" foi colocada em um buscador gratuito disponível na internet. O resultado foi surpreendente. Mais de dez milhões de sites, das mais variadas partes do mundo, citaram a região. Um exercício pontual, mas que é capaz de demonstrar a grande atenção que a Amazônia tem recebido nos últimos anos.

Foi o principal tema do último Fórum Social Mundial, que reuniu mais de 100 mil pessoas e cerca de cinco mil organizações na capital da Amazônia brasileira, Belém. Padre José Pinheiro participou do evento e, em artigo publicado nesta edição, especifica a palavra mais repetida durante os cinco dias de FSM: "alternativa".

Alternativa para o atual modelo de desenvolvimento, para a direção econômica e para a busca por sustentabilidade. Este também foi um dos termos mais utilizados pela ex-Ministra do Meio Ambiente e atual senadora brasileira, Marina Silva, ao conversar com a equipe de Novamerica sobre os muitos desafios que o país precisa enfrentar para o desenvolvimento da região.

E eles são muitos. O fotógrafo social João Ripper apresenta dados impactantes sobre uma triste realidade que ameaça a integridade de homens e mulheres amazônicos: a existência do trabalho escravo. Resultado da cultura do lucro fácil, que alia degradação ambiental com degradação humana em uma Amazônia onde a indústria do trabalho escravo fabrica destruição ecológica.

São muitos os desafios que não só o Brasil, como outros sete países latino-americanos precisam enfrentar. Colômbia, Venezuela, Bolívia, Peru, Guiana, Suriname, Equador e Brasil compartilham a responsabilidade pela bacia amazônica e a pesquisadora peruana Romina Peschiera Ruju analisa, para a Novamerica, os 25 anos da assinatura do Tratado de Cooperação Amazônico (TCA), firmado entre estes países.

As soluções precisam ser integradas e algumas poderão surgir a partir de experiências que já existem na região. James Regan e Alvaro Saavedra mostram algumas delas. O primeiro discute as sofisticadas técnicas criadas por indígenas amazônicos que praticavam horticultura em terras inundáveis com um mínimo de impacto ambiental. Não seria uma alternativa interessante para os trabalhadores que vivem na região?

Álvaro Saavedra exemplifica a possibilidade de articulação entre exploração e preservação de recursos naturais ao mostrar como uma empresa petrolífera pode atuar de forma responsável ao se aliar a moradores, pesquisadores e universidades para explorar petróleo e gás às margens de Solimões, sem deteriorar a maior bacia terrestre de petróleo e gás existente bem no meio da floresta.

Mas a Amazônia não é apenas uma imensa floresta: inclui uma enorme diversidade de ecossistemas. São mais de 780 milhões de hectares, entre floresta tropical, terras vulcânicas, savana e muita, muita água em forma de rios, lagoas, bacias e pântanos. Também reúne gente. Centenas de comunidades que dependem desses recursos para viver. Não temos mais tempo a perder: uma outra Amazônia é possível!

O planeta agradece.

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